Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017
Mário Centeno: O que causa a RAIVA da Cristas e do Coelho

 

O ministro das Finanças assegurou esta quarta-feira que o défice orçamental de 2016 não será superior a 2,1% do PIB. Mário Centeno considera que os indicadores mais recentes da economia são "alicerces mais sólidos" e que ajudam à "saúde das contas públicas".

"O défice em 2016 será o mais baixo da história da nossa democracia e não será superior a 2,1%", disse o ministro esta quarta-feira na comissão parlamentar de Orçamento, Finança...s e Modernização Administrativa, onde está a ser ouvido.

Depois de citar os números economia portuguesa divulgados na terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que dão conta de um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,4% em 2016, o ministro afirmou que "Portugal possui hoje alicerces mais sólidos para garantir um crescimento económico sustentado e equitativo, mas também pela saúde das contas públicas".

Centeno afirmou que as medidas tidas como extraordinárias, ou seja, o Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado (PERES), "apenas melhorarão a meta orçamental estabelecida pelo Governo, que era de 2,4%", ligeiramente abaixo do objectivo de 2,5% definido pela Comissão Europeia aquando do encerramento do processo de sanções.

"Quando me refiro ao facto de a economia portuguesa estar hoje no ponto mais sólido desde que aderimos ao euro apoio-me em resultados: crescimento económico, investimento, geração de emprego, solidez nas contas públicas, mas queremos mais e vamos conseguir mais", disse. Dessa forma, o ministro assegurou que, "graças à correcção sustentável e durável das contas públicas, Portugal vai, finalmente, sair do Procedimento por Défices Excessivos".

Durante a sua intervenção inicial, destacou ainda um conjunto de indicadores para suportar o entendimento de que a economia portuguesa "está hoje mais sólida". "O índice de confiança dos consumidores está em máximos de 17 anos", que o crescimento "está cada vez mais assente" no investimento e nas exportações e que "o desemprego está em mínimos desde 2009".

Para contrariar isto como querem os traidores à Pátria Cristas e Coelho não há SMSs que valhem.



publicado por DD às 14:16
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Sábado, 7 de Janeiro de 2017
Faaleceru o HOMEM da Liberdade e Democracia em Portugal

 Faleceu o Pai da Democracia em Portugal, mas continua vivo nos nossos corações e na História.

Conheci-o quando foi meu professor de história no terceiro ano do liceu no Colégio Moderno, há mais de 60 anos, e foi depois meu professor de Filosofia e de Administração Pública e Administrativa da Nação. Foi sempre um excelente professor, acessível e amável com os seus culturas, possuindo uma imensa cultura geral.

As suas aulas eram um prazer e todos sabíamos que liderava já um grupo de republicanos desejos de restabelecer uma democracia em Portugal.

Muita gente pode julgar que estou a mentir, mas a verdade é que desde uma dada altura, ainda como aluno do CM, tive a sensação e dizia-o aos meus colegas que aquele Professor seria um dia um grande governante da nação.

No Colégio Moderno todos eram anti fascistas e se os professores não se podiam exprimir muito porque andava tudo controlado, entre colegas dizia-se o pior possível de Salazar e do seu regime.

Depois passaram uns anos em que o vi de vez em quando na Liga dos Direitos do Homem e aderi formalmente em 1969 à CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática) que nada tinha a ver com a CDE. Foi na famigerada "primavera marcelista".

Quase ao mesmo tempo aderi com Soares, Zenha, Magalhães Godinho, Vasco da Gama Fernandes, Alberto Arons, Jaime Gama, Mário Mesquita e outros à CED (Cooperativa de Estudos e Documentação) que servia de disfarce à ASP (Ação Socialista Portuguesa).

Ficámos sós, Mário Soares deportado e expulso do País, mas continuámos no interior a lutar desde então por um Partido Socialista de natureza democrática.

No exterior, Mário Soares movimentava-se e conseguia que no fossem enviados alguns apoios financeiros. Tito Morais em Itália organizava cursos de verão para os mais jovens socialistas de então no Partido Socialista Italiano. Mária Soares estava sempre presente.

Na garagem do prédio em que vivia António Arnaud em Coimbra organizámos o primeiro Convénio dos socialistas de todo o País para decidirmos se estávamos de acordo com a fundação de um Partido Socialista como tinha sido proposto por Mário Soares e para eleger os delegados que deviam ir à Alemanha ao Congresso fundador.

Muitos achavam que um Partido Socialista naquelas condições com pouco mais de 100 militantes no interior seria uma espécie de fraude, mas outros camaradas e eu dissemos que um Partido Socialista não precisa de ter muitos militantes, mas bons, e havia muitos no exterior.

Assim foi, a maioria votou pela fundação do Partido e começámos logo a trabalhar no programa de que havia já uma parte na Ação Socialista Portuguesa.

Queríamos uma democracia social com igualdade de oportunidades para todos e ao serviço da população. Não considerávamos demasiado importante nacionalizar a economia porque bastariam os impostos para erguer o Estado Social depois de se acabar com as guerras coloniais.

O papel político de Mário Soares na democracia portuguesa foi fundamental. Criou uma sociedade tolerante e resiliente às crises sem crispações exageradas. Fez escola como presidente apaziguador e governos eleitos democraticamente.

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Mário Soares, venceste e conquistaste a liberdade para Portugal, morreste, mas ficas vivo nos nossos corações e o teu imenso lugar na História não será tirado por ninguém. A tua vida é um exemplo para todos nós.

 

 



publicado por DD às 20:01
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Paulo Silva – O Caçador de Tubarões

 

 

 

O Expresso Revista publica hoje um extenso e até interessante artigo sobre a figura do Inspetor de Finanças de Braga, Paulo Silva, com o pomposo título de “O Caçador de Tubarões”.

Sucede que só pescou um tubarão em 15 anos de incessante trabalho de investigação tributária e financeira com 6,5 terabytes de informação o que dá 6 x 1.073.741.824 kilobytes ou 1024 gigabytes só na “Operação Furacão” e 9 milhões de ficheiros e 200 mil registos bancários com buscas a mais de 700 empresas e pessoas e seis bancos pouco ou nada saiu de concreto.

A posse de tão gigantesca informação conduziu a um única condenação, a de Duarte Lima, o ex-líder do grupo parlamentar do PSD, condenado a 10 anos de prisão depois reduzidos a 6 anos e ainda fase de recursos e sujeito a ser condenado no Brasil por homicídio de Rosalina Ribeiro.

No início, o artigo toca a algo que conheço bem que é a questão do IVA nas importações. Diz o Expresso que Paulo Silva descobriu um conjunto de fraudes de fuga ao IVA nas importações através de falsas empresas que faturava ao importador direto. Diz o Expresso: Paulo Silva expôs a forma como estava a ser usada uma firma de importação de automóveis que funcionava como empresa de fachada, já que apenas servia para simular contratos de compra e venda para poder cobrar IVA ao verdadeiro importador final dos carros sem pagar por sua vez ao fornecedor fora de Portugal, beneficiando de um regime em vigor entre países da União Europeia. Era um tipo de esquema conhecido como “carrossel do IVA”.

Nada há de mais FALSO nesta afirmação que, aliás, parece não ter originado qualquer penalidade.

A falsidade reside no facto de na importação, fingida ou verdadeira, não se pagar IVA ao fornecedor estrangeiro de qualquer mercadoria, mas sim à Autoridade Tributária nacional.

Quando se importa algo de um país da União Europeia, o importador tem de pagar o IVA ao fisco português no momento em que paga a fatura do fornecedor, a qual deve trazer o número fiscal do comprador. Essa fatura foi antes comunicada ao fisco do país de origem pois os exportadores não pagam IVA e o fisco estrangeiro informa a Autoridade Tributária portuguesa. Geralmente, os exportadores estrangeiros exigem também uma nota de receção da mercadoria em Portugal. Se a mercadoria vier de um país exterior à União, o IVA é pago na Alfândega em que o importador só pode tirar a mercadoria após pagar taxas portuárias, direitos aduaneiros e o IVA.

Tudo o que está escrito sobre empresas que utilizam outras para aumentar o valor da fatura das importações é uma asneira pegada. Os computadores da Autoridade Tributária fazem o cruzamento dos dados automaticamente durante 24 horas por dia e o Banco de Portugal controla todas as saídas de dinheiro e quer conhecer as razões da importação e os bancos comunicam também ao fisco o pagamento ao exterior e já antes havia esse controlo semiautomático.

De qualquer modo, o IVA dos importadores não é um problema porque, por exemplo, uma empresa que importe mercadoria que tenha de pagar 1.000 euros de IVA na importação vai depois debitar IVA sobre o valor final de venda dessa mercadoria intacta ou transformada nalgum produto. Depois entrega ao fisco o IVA deduzido de todos os IVAs que pagou como o da própria importação mais o de todos os seus custos de atividade como eletricidade, água e até esferográficas. Com a grande concorrência de preços que há nos mercados mundiais e nacionais as margens não são elevadas, o IVA pago pelas empresas é sempre diminuto. O cliente final é que paga o verdadeiro IVA de 23% nos computadores estrangeiros, por exemplo.

É inacreditável que Paulo Silva ou o jornalista desconheçam esses factos, mas são referidos nomes de empresas nacionais e estrangeiras, incluindo nacionais com atividade no Reino Unido e número fiscal português, uma verdadeira aberração impossível de ser concretizada.

Mesmo que haja engano e em vez de importação se queria dizer exportação, o absurdo continua, o exportador não paga nem exige IVA e pode deduzir todos os IVA pagos com o fabrico de produtos ou compra de matérias-primas e se só exportar, recebe todos os IVAs de volta, incluindo o da eletricidade, etc. Por outro lado, dada a tremenda concorrência mundial, não há muito lugar a vendas com grandes margens de lucro que permita ir depositar no Panamá ou nas Ilhas Virgens de parte do valor da venda ao exterior.

O juiz de instrução Carlos Alexandre costumava delegar em Paulo Silva as investigações sob o ponto de vista financeiro de onde sairiam as provas de crimes cometidos. Tudo começava com um Processo Administrativo fiscal.

O artigo refere também Sócrates e pode ler-se no artigo acerca de Paulo Silva: “O que lhe sobra em capacidade para analisar tudo o que são fluxos financeiros falta-lhe em capacidade para construir uma narrativa do CRIME. Onde está a narrativa da CORRUPÇÃO” (as maiúsculas são minhas)..

O artigo é longo e fala ligeiramente no caso dos submarinos adquiridos por Paulo Portas e sem conclusão nenhuma nem referência à condenação alemã de corrupção ativa de dois administradores da Ferrostaal.

Além disso, Paulo Silva, o grande inspetor, nunca se preocupou com o caráter criminoso da existência de falsas sedes de empresas portuguesas na Holanda com o objetivo de fugir ao pagamento da taxa liberatória de 28% e que representa o maior crime de fiscal alguma vez praticado em Portugal e que deve ascender já a vários milhares de milhões de euros.

Paulo Silva é uma anedota sem investigar Jerónimo Martins, Continente, EDP, REN, GALP, Amorim, etc. apesar de ter investigado crimes iguais praticados pelo BES que criou para a família Espírito Santo e para clientes falsas sedes destinadas a fugir ao fisco.

 



publicado por DD às 17:38
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016
A Europa tem Medo dos Muçulmanos e Quem tem Medo já está DERROTADO

 

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 Mesquita de Córdoba

 

A Alemanha Muçulmana

Uma escola alemã na Turquia acabou com o Natal, enquanto entraram mais de um milhão de muçulmanos na Alemanha, sendo cverca de metade refugiados sírios. Os outros são oriundos do Afeganistão, Paquistão, Somália, Marrocos, etc. Na Alemanha vivem já 7 milhões de muçulmanos turcos, palestinianos e marroquinos.

A Espoanha tem Medo

Os muçulmanos reivindicam "a mesquita de Córdoba". Autoridades da cidade que fica no sul da Espanha deram um duro golpe na reivindicação de propriedade da catedral pela Igreja Católica, pretendendo partilhar o templo com os muçulmanos.

O local foi inicialmente a igreja de São Vicente, que depois da conquista de quase toda Península pelos muçulmanos invasores serviu de mesquita por mais de 400 anos quando a Espanha islâmica fazia parte de um califado, antes do reino cristão de Castela conquistar a cidade e convertê-la novamente em igreja. Agora os islâmicos a querem de volta. Não têm direito à mais pquena parcela da Espanha e Portugal. Que mais não seja por se terem deixado derrotar pelo cristãos, ou seja, os anteriores ocupantes celtas, romanos e germânicos.

A França também se está a acobardar:

"Tudo é cristão", escreveu Jean-Paul Sartre depois da guerra. Dois mil anos de cristianismo deixaram uma marca profunda na língua francesa, paisagem e cultura. Mas isso não é bem assim de acordo com a ministra da Educação da França, Najat Vallaud-Belkacem (muçulmana). Ela acabou de anunciar que, em vez de dizer "Feliz Natal", os servidores públicos devem dizer "Boas Festas" - trata-se claramente de uma deliberada intenção de apagar do discurso e do espaço público qualquer referência à cultura cristã na qual a França

Ao mesmo tempo, alemães, holandeses, escandinavos e outros atiram-se aos povos fronteiriços da Europa, abrindo assim as suas fronteiras >à invasão muçulmana.

A Grécia, a Itália, a Espanha e Portugal são roubadas pelos holandeses, luxemburgueses e belgas e nada se faz para resolver os seus problemas e criar uma verdadeira unidade europeia.

Cegos pelo dinheiro, os muitos Schaeubles e nazis populistas só pensam no imediato que é reduzir os salários e pensões dos europeus em vez de reforçarem o poder de 500 milhões de europeus.

 

 

 

 

 

 



publicado por DD às 17:49
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger: Estaline no Expresso

 

 

 

O Expresso vai publicar a excelente biografia quase familiar de Estaline escrita por Simon Sebag Montefiori e que originou no Expresso de hoje um artigo de Francisco Louçã sobre o ditador.

Podemos e devemos separar o “estalinismo” do “comunismo” e ambos dos diversos socialismos. Louçã diz em caixa alta que “É absurdo comparar Estaline a Hitler”. Pode ser que também seja absurdo comparar Hitler a Salazar, apesar de haver muito mais em comum entre Estaline e Hitler, ou seja, milhões de cadáveres.

O estalinismo não foi uma verdadeira ideologia, era simplesmente o exagero do bolchevismo ou comunismo tal como o nazismo era uma falsa ideologia, uma espécie de nacional-socialismo para enganar o proletariado e apoiado pela burguesia alemã e, acima de tudo, pela burguesia proletarizada pela crise inflacionária de 1922 e pela austeridade dos governo dos últimos anos da década de 1920 e primeiros dois de 1930.

De qualquer forma, o que estava em causa então como o que está em causa na guerra entre o jihadismo e o resto do Mundo, incluindo o muçulmano, é a eterna mecânica poder. Como na física quântica há uma mecânica que determina todas as coisas.

Todo o mundo é governado por partidos políticos, mesmo as ditaduras militares acabam sempre por organizar qualquer coisa como uma União Nacional ou um Partido Bolivariano para agregar aqueles civis que vão deter os muitos cargos que o poder sempre distribui, sustenta e necessita.

A mecânica partidária é sempre a mesma; o chefe e a sua corte próxima e é disso que trata o livro “Estaline – A Corte do Czar Vermelho” e depois os delegados aos congressos, eleitos para comités ou comissões nacionais e os pequenos potentados obedientes e subservientes das províncias ou autarquias mais o pessoal da defesa policial ou militar e uns tantos apoiantes mais ou menos idealistas que servem para encher salas e comícios. São os que acreditam ou sentem o partido como um clube de futebol de que são adeptos.

No âmbito dessa mecânica há sempre uma luta pelo poder interno que deixa de existir no auge da liderança do chefe e reaparece quando este aparenta não ser capaz de se manter no poder. Nas democracias, o chefe do partido que se deixou escorregar para a oposição tem a prazo os seus dias contados, salvo raríssimas exceções.

Nas ditaduras, as fações partidárias são tratadas a tiro, nas democracias são ostracizadas ou em parte compradas com alguns cargos.

Louçã desculpa o Estalinismo com a II. Guerra Mundial e a Guerra Fria quando o modelo é muito anterior.

Estaline liquidou os melhores oficiais do exército vermelho, o que incitou Hitlerr a invadir a URSS em 1941. Curiosamente fê-lo com o muito petróleo que Estaline forneceu aos alemães durante o período do pacto germano-soviético.

Com Lenine, Estaline é nomeado secretário do Partido Bolchevique para o pessoal e para as nacionalidades no XII Congresso. Como chefe de pessoal colocou os amigos nos melhores lugares e após a morte de Lenine sobe a secretário-geral do Partido em 1922 e a partir daí luta para conseguir o poder absoluto que só consegue depois do XVII Congresso de 1934 em que elimina todos os delegados que receberam menos votos negativos que Estaline, pois nos congressos do Partido Comunista, os delegados recebiam uma lista de nomes e cortavam aqueles que não desejavam. Kaganovitch e Molotov contabilizaram 100 negativos cada um. Estaline terá tido 292 votos negativos, enquanto que o ex-burguês menchevique Kirov teve apenas dois votos negativos, isto para a Assembleia do Partido. Estaline nomeou Kirov como quarto secretário para o mandar governar Leningrado até ser misteriosamente assassinado por “anticomunistas” às ordens de Estaline e que deu origem à maior perseguição condenações à morte de comunistas que alguma vez a História regista.

Entre os revolucionários de1917, Estaline liquidou os seguintes que foram todos reabilitados postumamente depois da morte do ditador:

Entre eles:

  • Lev Kamenev - Membro do Comitê Central do Partido Bolchevique. Um dos membros da troika que governou a URSS entre 1923 e 1925. Condenado à morte[3].
  • Leon Sedov - Filho de Leon Trótski. Acusado e condenado nos Processos de Moscou, foi assassinado em Paris por um agente de Estaline.
  • Joseph Pianisky - Social-democrata em 1896, agente do Iskra em 1901, bolchevique em 1903. Foi membro do Comitê de Moscou do partido, da Comissão Central de Controle e do Comitê Central. Preso em 1937, desapareceu "misteriosamente" na prisão[3].
  • Nikolai Krestinski - Membro do Comitê Central em 1917 e seu secretário de 1919 a 1921. Condenado à morte e executado. Por 24 horas negou as "confissões" feitas no inquérito[3].
  • Ivar Smilga - Membro do Comitê Central desde 1911. Preso, desapareceu durante a grande purga[3].

 

Foto: Estaline embalsamada. Era para ser colocado ao lado de Lenine, mas enterraram-no num cemitério na Georgia, salvo erro.



publicado por DD às 21:33
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Domingo, 18 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger: Portugal tem Saldo Primário Positivo

Com 10 dos 12 meses do ano já passados, assim vai a execução orçamental.

Estes dados compreendem os 10 primeiros meses de 2016 e os últimos 2 meses de 2015. Período marcado pela formação do governo e implementação das políticas por ele defendidas.

Os dados seguintes comparam os 12 meses terminados em OUT/2016 com os 12 meses terminados em OUT/2015:

...

Receita Total : 43,361M€ ( + 432M€ ; + 1.0% )

Das quais :
Receitas fiscais : 39,422M€ ( + 709M€ ; + 1.8%)

IRS : 12,131M€ ( - 604M€ ; - 4.7%)
IRC : 4,886€ ( - 210M€ ; - 4.1%)
IVA : 14,852M€ ( + 144M€ ; + 1.0%)
ISP : 3,090M€ ( + 871M€ ; + 39.2%)

Despesa Total : 49,474M€ ( + 429M€ ; + 0.9%)

Despesa Corrente Primária : 42,026M€ ( + 191€ ; + 0.5%)
Despesa de Capital : 1,238€ ( - 124M€ ; - 9.1%)
Despesas com juros : 7,448M€ ( + 238M€ ; + 3.3%)

Saldo Primário : + 1,335M€ ( melhorou 241M€ ) - é de salientar a melhoria deste saldo primário sem o assalto às reformas e aos salários dos fuincionários.

Saldo : -6,113M€ ( melhorou 2M€ ; corresponde a 3.4% do PIB projetado para 2016)

O BP que é do contra teima em utilizar vírgulas onde deveria colocar pontos. Se os portugueses utilizam os pontos para marcar os mil, milhões, etc., o Costa do BP deve fazer com que os seus boletins utiloizem a escrita NACIONAL e não a inglesa.


Por assunto: Execução Orçamental



publicado por DD às 18:25
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Dieter Dellinger: A Obesidade Mata mais que a Fome no Mundo

Cuidado com o Natal
Segundo as estatísticas mundiais, a obesidade mata mais que a fome devido às doenças que provoca como cardiovasculares, diabetes, etc.
A obesidade crescente é doença dos países ricos e até emergentes que erradicaram muitas doenças dos países pobres e do mundo em geral como a peste, tuberculose, tifo, sífilis, varíola e gripe. Esta última ataca ainda bastante as pessoas idosas.
Vacinas, antibióticos e higiene eliminaram muitos agentes patogénicos, permitin...do a explosão populacional apesar da queda da natalidade. Em 1800, uma em cada três crianças morria muito cedo, os adolescentes e jovens estavam sujeitos a todo o tipo de doenças singulares e pandemias.
Cada vez mais se morre de doenças degenerativas (Alzheimer, etc.) e sofre-se nas idades avançadas de problemas degenerativos como osteoporose, degenerescência macular, modo de vida com ateroscleroses locais e generalizadas, etc.
Mark Zuckerberg criou com mais de mil milhões de dólares uma fundação que tem por objetivo erradicar todas as doenças mortais, só para chatear bestas políticas como Medina Carreira e aquele deputado que considera a velhice como uma "peste grisalha" e quem o censurou foi condenado pela justiça como se estivéssemos numa ditadura.

fascista



publicado por DD às 18:11
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016
Trump vai nomear um Governo de Multimilionários com Património superior a um Terço das Famílias Americanas

 

De acordo com dados estatísticos da Reserva Federal Americana publicados na folha económica "Quartz", os 17 membros do governo de Donald Trump possuem um somatório patrimonial superior a um terço dos norte-americanos, ou seja, às 43 milhões de famílias mais pobres dos EUA, portanto um terço das 126 milhões de famílias registadas fiscalmente nos EUA, das quais 13% têm património zero a negativo.

Nunca na história americana e, talvez, da Humanidade, o capital através dos seus verdadeiros detentores ocupou o poder de uma forma tão descarada.

Tradicionalmente, o capital utilizava políticos organizados em partidos para satisfazerem os seus interesses, financiando as suas campanhas eleitorais ou comprando-os com bonificações corruptas. Mas, desta vez não há lugar a corrupção, são os multimilionários que estão em pessoa no poder e vão legislar e governar diretamente de acordo com os seus interesses sem terem de pagar nada a ninguém.

Os 15 biliões de dólares que possuem os membros do gabinete de Trump correspondem ao património de 130.000 famílias das classes médias dos EUA que é uma das nações com um dosrendimento nacionais mais elevados do Mundo.

Assim, há uma maioria de nações entre as 192 representadas na ONU que têm um Pib inferior ao dos 15 governantes centrais norte-americanos.

O em breve ex-presidente Obama praticamente não tem património e vai viver numa casa alugada pelo Estado com a pensão estatal para ex-presidentes Em compensação, Trump quer ganhar do Estado apenas 1 dólar por ano e é porque a legislação americana não autoriza que alguém trabalhe para o Estado sem salário. Provavelmente, o grande acionista e presidente do Conselho de Administração da maior empresa petrolífera do Mundo, a Exxson-Mobil também não vai querer mais de que um dólar anual de remuneração.

Parece que Trump não quer o novo avião presidencial encomendado à Boeing que deveria ser um Jumbo 747 até porque tem o seu próprio luxuoso Boeing 757 comprado em segunda mão a um dos principais donos da Microsoft.

As ações da Goldman Sachs têm estado a subir porque o poder vai ser ocupado por alguns dos seus maiores acionistas e clientes e saliente-se que a Reserva Federal aumento em 0,25% a taxa de juro diretora, pretendendo que chegue durante o próximo ano a 1,5 ou 1,75%. Os donos do dinheiro querem juros mais elevados, como é óbvio.

 



publicado por DD às 18:33
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Domingo, 11 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger copiou: Arnaldo Matos colocou o MRPP ao lado do Estado Islâmico

 

Arnaldo Matos regressou em força ao MRPP e já colocou o partido ao lado do Estado Islâmico. Num editorial do Luta Popular crítico da tomada de posição do Partido Comunista de França, Arnaldo Matos afirma que os atentados de Paris foram “um acto legítimo de guerra” e que foram cometidos por “combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo, nomeadamente francês”. Regista o homem que esteve três décadas em silêncio e regressou ao MRPP para afastar Garcia Pereira: “Foi praticado por franceses, nascidos em França, vivendo em São Dinis e noutros bairros do Paris suburbano”.

No editorial, Arnaldo Matos que, quando liderou o MRPP era conhecido como “o grande educador da classe operária”, escreve: “Não é o islamismo, mas o imperialismo a causa real, verdadeira e única do ataque a Paris. Agora os franceses já sabem que a guerra de rapina movida pelo imperialismo francês em África e no Oriente Médio tem como consequência inevitável a generalização da guerra à própria França, à capital desse mesmo imperialismo moribundo”.

Arnaldo Matos afirma que as posições do partido comunista de França, que condenam o terror, são “um ultraje à teoria revolucionária” e “um insulto à memória histórica e ao internacionalismo da heróica classe operária francesa, a quem devemos a gloriosa Comuna de Paris, a primeira ditadura do proletariado revolucionário”.

O histórico “grande educador da classe operária” conclui que “o cobarde e terrorista imperialismo francês, que conjuntamente com o imperialismo ianque, inglês, alemão e europeu em geral tem estado a massacrar os povos do Iraque, do Afeganistão, da Síria, da Líbia, do Chade, da Nigéria e do Mali durante os últimos vinte anos, não está impune e pode ser atacado no próprio covil em que se acoita e se consideraria seguro”.

Arnaldo Matos recusa considerar que o “terror” esteve na base dos ataques de Paris. “A lógica profunda do ataque a Paris não é o terror, não é o horror, não é a crueldade; a lógica é a lógica da guerra, dente por dente, olho por olho, até derrotar o inimigo. Terror, horror, crueldade são os ataques aéreos, de mísseis de cruzeiro, de artilharia, de drones, conduzidos pelo imperialismo, designadamente francês, sobre os homens, os velhos, as mulheres e as crianças das aldeias e das cidades de África e do Médio Oriente, para roubar-lhes o petróleo e as matérias-primas”.

Continua Arnaldo Matos: “Os atacantes de Paris nem chocolates roubaram: levaram a guerra aos franceses, apenas para acordá-los: para lembrar-lhes que o governo e as forças armadas do imperialismo francês estão, em nome da França e dos franceses que julgam ter o direito de se poderem divertir impunemente no Bataclan, a matar, a massacrar, a aterrorizar com crueldade inenarrável os povos do mundo”.

O PCTP/MRPP, fundado em 1970, era dirigido há longos anos pelo advogado António Garcia Pereira. A seguir às legislativas, Arnaldo Matos afastou Garcia Pereira e os dirigentes mais próximos do líder - a “corrente liquidacionista do partido”, segundo as palavras de Arnaldo.

“Sob a direção bicéfala de dois reacionários anticomunistas como Conceição Franco e Garcia Pereira, o nosso partido e a classe operária portuguesa foram totalmente desligados da teoria revolucionária, cortados do sangue vivificador do marxismo-leninismo”, escreveu Arnaldo Matos também em editorial do “Luta Popular”.

Arnaldo Matos fez violentíssimas críticas a Garcia Pereira, e também à família do ex-líder do PCTP-MRPP. Uma das acusações era participar em programas de televisão.

“Durante três longos anos, os operários puderam - ou teriam podido, se para tanto tivessem tido paciência - ouvir o papagaio Garcia Pereira, semanalmente, na estação televisiva do jornal Económico, dar conselhos à classe dominante para sair da crise onde se atolava, mas nunca o ouviram pronunciar uma única palavra sobre a revolução proletária, sobre a luta pela sociedade comunista, sobre os princípios fundamentais do marxismo-leninismo, sobre a organização dos trabalhadores para derrubarem o capitalismo”. Mas os pecados de Garcia Pereira à frente do MRPP eram, segundo Arnaldo Matos, imensos: “O programa mínimo do Partido era transformado num programa político minúsculo, pequeno-burguês, assexuado e reaccionário”.

“Garcia Pereira teve por longo tempo ao seu alcance uma tribuna televisiva a partir da qual poderia ter desferido ataques demolidores ao governo de traição nacional PSD/CDS ou de se lhe opor com a divulgação da teoria da revolução e da ideologia comunista, mas preferiu sempre limitar-se a comentar amavelmente as perguntas capciosas dos locutores de serviço, em vez de se apresentar como um dirigente comunista de um partido revolucionário proletário, o que obviamente seria exigir-lhe demais, pois Garcia Pereira, tal como o seu par Conceição Franco, não é nem nunca foi esse dirigente comunista revolucionário”, conclui Arnaldo Matos.

Arnaldo Matos Estado Islâmico

 

 



publicado por DD às 19:11
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Arnaldo Matos acerca de Garcia Pereira: Copiado por Dieter Dellinger da Luta Popular

Eram 13h34 de 28 de Julho de 2015 quando Garcia Pereira recebeu um email. Remetente: Arnaldo Matos. O advogado e cabeça-de-lista do MRPP apressou-se a consultar o que o fundador, seu mentor e líder histórico do partido tinha para lhe dizer. Começava assim: "Quando saíste ontem do meu escritório, já pela uma e meia da tarde, pareceu-me ter-te ouvido resmungar entre dentes qualquer coisa como ‘cansaço’ e ‘férias’. O cansaço é legítimo e faz bem à saúde. Porém, se tu e os teus amigos do Comité Central pensam ir de férias antes de constituírem as listas dos 22 círculos eleitorais e de as apresentarem ao País, isso significa ruptura total e definitiva comigo."

O email ameaçador, um de vários trocados entre as duas maiores figuras da história do MRPP (a sigla oficial é maior: PCTP/MRPP, de Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado) a que a SÁBADO teve acesso, prosseguia: "No Comité Central de um partido revolucionário não há lugar a férias; há mas é tarefas políticas a cumprir em nome da classe operária e do povo, nos tempos apropriados." As eleições legislativas estavam próximas e Arnaldo Matos – a maior referência política e intelectual de Garcia Pereira, que lhe prestava uma reverência sem limites – não admitia distracções. Embora não tivesse qualquer cargo no partido, na prática era ele quem exercia o poder total na sombra, como o demonstra o tom utilizado com Garcia Pereira – que, na semana passada, anunciou a saída do partido, em ruptura com Arnaldo Matos –, a quem acusava de pôr as "comodidades reaccionárias pequeno-burguesas à frente dos interesses do Partido", ao planear ir, juntamente com os restantes membros do Comité Central, para férias quando havia trabalho para fazer.

"Não aceito discutir contigo nem com ninguém!"
No que dependesse de Arnaldo Matos, isso não aconteceria. O líder histórico determinou um prazo máximo para a elaboração das listas: 15 de Agosto. Tinham cerca de duas semanas. Seria impossível cumprir o objectivo fixado, a menos que os membros do comité central abdicassem do período de descanso com as suas famílias – o ideal seria, aliás, recrutá-las para a causa revolucionária. "Os membros do Comité Central deveriam saber mobilizar as suas famílias para os ajudarem a cumprir as suas tarefas. Se não conseguirem, então é melhor que mandem as mulheres e os maridos para férias sozinhos e para longe, de modo a não atrapalharem as tarefas eleitorais, que aliás já deveriam estar cumpridas", acrescentou Arnaldo Matos, que terminou de forma categórica: "Não aceito discutir o conteúdo desta carta nem contigo nem com ninguém."

Contrariar "O" camarada – Arnaldo Matos é o único militante do MRPP que é designado desta forma – estava fora de causa para Garcia Pereira. O seu estatuto de quase divindade não dava margem para rebeldias de nenhuma espécie. A solução era, portanto, fazer aquilo a que no partido se chama um exercício de autocrítica, reconhecendo as suas falhas numa primeira fase, para seguidamente mobilizar os camaradas para a realização da tarefa.

Eram exactamente 10h18 do dia seguinte quando os elementos do Comité Central receberam um email proveniente de Garcia Pereira. Começava assim: "Na sequência da muito justa e firme crítica que (…) foi dirigida pelo camarada Arnaldo Matos aos membros do Comité Central e em especial a mim próprio sobre a tarefa político-eleitoral das legislativas e os nossos erros, em particular os meus, foi decidido pelo Comité Permanente…" Seguia-se o anúncio das deliberações – e todas iam ao encontro das ordens de Arnaldo Matos. Garcia Pereira demonstrava assim que aprendera a lição do "Grande Educador da Classe Operária": "É absoluta e mesmo criminosamente inadmissível a pasmaceira e indiferença com que os responsáveis das listas, em particular os das mais atrasadas, estão a encarar o assunto, fingindo não perceber que o seu dever mais básico é marcharem, imediatamente e custe o que custar, para o terreno, levando consigo a propaganda do partido (…) e com ela contactando com as massas e conquistando candidatos da zona e dos sectores mais avançados para a nossa candidatura, em vez de se porem a carpir e a lamuriar sobre as suas próprias incapacidades pequeno-burguesas!"

Foi por isso sem lamúrias especiais que as listas foram feitas dentro da data prevista. Com meios modestos, o partido partiu para a rua em campanha. Apesar do parco orçamento, o MRPP acabou por ter grande visibilidade, embora não pelos melhores motivos. Um cartaz radical em que surgia a cara de Garcia Pereira acompanhada pelo slogan"Morte aos Traidores" provocou uma onda de indignação geral que obrigou à sua retirada. Não foi um processo pacífico. A frase, muito utilizada na comunicação interna do MRPP, terá sido imposta por Arnaldo Matos e adoptada com reservas pelo Comité Central. Mas, como sempre acontecia, ninguém se atreveu a questionar a vontade d’O camarada – também conhecido dentro do partido pelos pseudónimos João, Viriato ou Espártaco.

A reunião que não chegou a acontecer
Na noite de 4 de Outubro, o ambiente na sede de campanha do MRPP era de desolação. O partido não só não tinha eleito um deputado – o objectivo mais ambicioso – como perdera cerca de três mil votos face às eleições de 2011, em que obtivera 62.683. "Foi uma derrota, mas não foi uma hecatombe", diz à SÁBADO um militante que se empenhou fortemente na campanha.

O Comité Permanente marcou no próprio dia das eleições uma reunião para as 21h do dia 6. Objectivo: reflectir sobre o que correra mal. Eram 19h50 quando Domingos Bulhão, membro do Comité Central, da Comissão Permanente e director e mandatário financeiro da campanha, recebeu um SMS de Carlos Paisana, também ele membro do Comité e da Comissão e director do Luta Popular, o jornal do partido.

"Dás-me boleia?"

Domingos Bulhão respondeu sem demora. "Boleia para onde? A reunião foi cancelada."

Carlos Paisana ainda não sabia, mas estava oficialmente suspenso de funções desde o início daquela tarde. Furioso com os resultados, Arnaldo Matos – aliás, Viriato – assinara um texto inflamado no Luta Popular em que fazia uma avaliação calamitosa da performance dos principais dirigentes do MRPP na campanha. "Se o Partido não alcançou nenhum dos objectivos políticos imediatos ao seu alcance, tal fica unicamente a dever-se à incompetência, oportunismo e anticomunismo primário do secretário-geral do Partido e dos quatro membros do Comité Permanente do Comité Central, que tudo fizeram para sabotar a aplicação do comunismo", denunciava Viriato, que acrescentava as punições decididas: a suspensão do secretário-geral, dos membros do Comité Permanente e a destituição de toda a redacção do Luta Popular. Mais: os cinco membros do Comité Permanente estavam intimados a apresentar, no prazo máximo de oito dias, a sua autocrítica sobre os "erros cometidos na direcção do partido". Havia, sublinhou, que afastar do MRPP "os social-revisionistas, social-fascistas e demais oportunistas que tomaram conta das nossas fileiras". A purga interna estava em curso.

Afastamentos ilegais
Os membros do Comité Permanente oscilaram entre o pânico e a indignação. Na sua maioria militavam no partido há dezenas de anos. Alguns tinham estado presos. Achavam que não mereciam aquele tratamento. Mais do que isso: todos concordavam que Arnaldo Matos não possuía autoridade formal para tomar decisões daquele cariz. "Ele não exercia qualquer tipo de função partidária, não era membro de nenhum órgão. Aquilo era tudo ilegal", afirma Domingos Bulhão – nome de código Jaime – à SÁBADO. Num gesto de inédita rebeldia, o Comité Permanente acabou mesmo por reunir à revelia da vontade expressa por Viriato. Mas a aparente insurreição foi fogo-fátuo. Já sentados à mesa, as hesitações entre os revoltosos começaram a surgir. O primeiro a baquear foi Luís Franco – também conhecido por Conceição –, o secretário-geral.

"– Nós não devíamos estar aqui porque estamos demitidos..."

Domingos Bulhão reagiu.

"– Demitidos por quem? Quem elege ou demite militantes no partido não é o camarada Espártaco!"

Luís Franco estava em pânico.

"– Se ‘O’ camarada sabe que estamos aqui pode pensar que é uma traição. Recuso-me a dirigir a reunião."

Domingos insistiu. "– Há coisas importantes a tratar, não podemos deixar de reunir."

 

Olhou para Garcia Pereira em busca de apoio. Nada. Também o advogado considerou tratar-se de uma trai- ção a Arnaldo Matos. Regressaram a casa – tinham de começar a pensar nos seus textos de autocrítica, que acabaram mesmo por escrever.

Há vários meses que havia sinais de que Arnaldo Matos tinha um problema com Garcia Pereira. Fontes do partido garantem que o líder histórico, hoje com 76 anos, nunca conviveu bem com a exposição pública do seu pupilo, a quem chamava "papagaio" e a quem criticava a ambição de conquistar um lugar no parlamento. A tensão era visível em detalhes tão milimétricos como... a luta dos pescadores da sardinha.

No dia 23 de Agosto – em plena campanha pré-eleitoral – Arnaldo Matos pediu à sua secretária para passar para formato de email um texto que acabara de escrever manualmente e para, de seguida, o remeter a Garcia Pereira. Tratava-se de um violento raspanete por alegadamente o seu afilhado de casamento se ter "apropriado" de uma causa que era sua. Garcia Pereira escrevera um artigo no Luta Popular criticando o Governo por não apoiar a pesca da sardinha – isto sem ter tido em conta que o próprio Arnaldo Matos já dissertara sobre o tema no dia 9 de Janeiro de 2015, através de um "artigo político panfletário", como o próprio o designou, intitulado "Pescadores sem sardinha e sem salários".

Na cabeça de Arnaldo Matos era impensável qualquer camarada voltar a emitir opinião sobre um assunto já reflectido por si – alegadamente, estaria tudo dito. "Para o Comité Central, para ti e para a redacção do jornal a luta política dos pescadores da sardinha morreu definitivamente em meados de Janeiro de 2015. Ora bem: tendo tu as responsabilidades que tens no Partido e no jornal, acho que é preciso teres uma grande lata para vires escrever e publicar o artigo que hoje publicas."

A indignação prosseguia uns parágrafos mais abaixo: "Quando é que aprendes a ler os artigos que vou publicando no jornal? Quando é que te decides a olhar para os operários, para os trabalhadores, para os pescadores, para o povo, para os pobres e compreendes que eles querem lutar?" E concluía: "O teu artigo sobre os pescadores da sardinha pode enganar muita gente mas – tira daí o sentido – não me engana a mim."

Filha de Garcia Pereira entra em cena
Uma vez mais, Garcia Pereira aceitou o "raspanete" do mentor. No mesmo dia, reencaminhou-o aos membros do Comité Permanente. E acompanhou-o do seguinte comentário: "Camaradas, esta é a justa crítica que o camarada Arnaldo Matos me dirigiu sobre a pesca da sardinha, que referi no meu SMS e para a qual peço a vossa atenção e vigilância! Tenho que conseguir reflectir seriamente em todas as minhas tarefas e responsabilidades!" Visto publicamente como alguém com forte personalidade, na sua relação com Arnaldo Matos o advogado – que, à imagem do que sucedeu com o líder histórico do MRPP, recusou falar com a SÁBADO – nunca foi capaz de abandonar uma postura de alguma submissão.

Antes de fazer intervenções públicas importantes ia ao seu escritório situado na Avenida Elias Garcia, em Lisboa, aconselhar-se com ele. Escutava-o a propósito das suas aparições regulares num programa da Económico TV. Consultava-o sobre a estratégia para debates. Convidava-o para convívios familiares. Chegou a levar-lhe jornais e cigarros a casa durante o fim-de-semana.

A filha de Garcia Pereira numa carta aberta publicada na sua página no Facebook, já depois da decisão de afastamento tomada por Arnaldo Matos e da guerra dialéctica que entretanto se instalou num partido dividido em dois, Rita Garcia Pereira foi impiedosa para o fundador do MRPP, recordando episódios que revelam facetas desconhecidas do homem que, quando ela era criança, a tratava por "filhota". "Tu, que te arvoras num grande exemplo, aliás no único exemplo, és aquele que, em pleno restaurante do aeroporto da Madeira, te recusaste a aceitar um guardanapo de papel e gritaste ao empregado: ‘Isso nem me serve para limpar o cu.’ Grande Educador, Arnaldo, Grande protector da classe operária", escreveu. A advogada e professora universitária recorda ainda os tempos em que o pai o visitava enquanto ela, ainda criança, esperava no carro que ele regressasse para irem buscar os irmãos.

Revoltada com a humilhação em curso, Rita Garcia Pereira é implacável: "A única coisa boa que a tua espiral de loucura teve foi que vou deixar de ter de tolerar a tua constante má-criação (...) essa mesma que diriges àqueles que supostamente queres defender. Não tenho de tolerar mais os ‘filhos da puta’, os ‘cabrões’ e outros que tais que diriges às pessoas que te servem."

Em entrevista à SÁBADO, Sandra Raimundo, ex-secretária pessoal de Arnaldo Matos, confirmou a postura "ditatorial" e a retórica violenta do antigo patrão. Quando foi designada para secretariar Arnaldo Matos, Sandra resistiu. Era membro da Comissão de Imprensa do partido e não desejava sair. Acabou obrigada a fazê-lo e a sua vida, afirma, "transformou-se num inferno". Proibida de falar com os membros do MRPP, foi obrigada a trabalhar 12 horas por dia. Entrava às 7h30 porque às 8h, quando pontualmente chegava Arnaldo Matos, tinha de ter o café preparado. Recentemente, publicou uma carta num blogue em que acusa "O" camarada de tentativas de agressão a militantes e de levar um estilo de vida faustoso à custa do partido, que passará pela frequência de hotéis e restaurantes de luxo, bem como pela utilização de carros de alta cilindrada pagos pelo MRPP à custa da subvenção estatal que é a sua única fonte de rendimento actual.

Em entrevista à SÁBADO, Carlos Arsénio – nome de código Alberto – confirmou os gostos extravagantes d’"O" camarada. Membro do partido desde a clandestinidade – chegou a estar preso em 1975 –, ao longo dos anos fez tudo o que havia para fazer: colou cartazes pela noite dentro, pertenceu a todos os órgãos e, mais recentemente, foi-lhe atribuída pelo Comité Permanente a tarefa de servir de motorista a Arnaldo Matos. Apesar da sua história no partido aceitou humildemente. "Encarei-a como mais uma forma de servir", afirma. Durante os três meses em que diariamente se relacionou com Arnaldo Matos, Carlos Arsénio ficou indignado com alguns comportamentos e opções d’"O" camarada. "Nas suas deslocações pelo País, nunca aceitava ir num carro qualquer. Exigia sempre um Mercedes. Se o partido lhe arranjasse menos do que isso já dava direito a discussão", afirma. Domingos Bulhão, também ele militante há mais de 40 anos, também serviu voluntariamente Arnaldo Matos como motorista. Vendedor de profissão, acordava todos os dias às 6h30 para conseguir atravessar a ponte 25 de Abril – habita na Margem Sul do Tejo – para antes das 8h da manhã estar à porta da casa de Arnaldo Matos, na Avenida 5 de Outubro, para fazer uma viagem de dois minutos até ao seu escritório. Depois disso voltava a atravessar a ponte em sentido contrário – tinha de ir trabalhar. Tudo isto voluntariamente.

Quando, na sequência de uma discussão por causa de um atraso, Carlos Arsénio foi afastado por Arnaldo Matos das suas funções, soou-lhe a déjà vu. É que fora o mesmo Arnaldo que decidira, em 2014, a sua saída do Comité Central por este se recusar a integrar a redacção do Luta Popular. "Um comunista não recusa uma tarefa revolucionária", terá dito então. Nessa altura Carlos Arsénio já não era especialmente popular junto d’"O" camarada por em 2013 ter sido o único membro do Comité Central que apresentou "informalmente" reservas ao afastamento compulsivo de Orlando Alves, na altura director do Luta Popular e membro do Comité Central.

 

"O Orlando Alves foi afectado por um cancro e, sentindo-se diminuído, alegou falta de condições de saúde para continuar em funções. Mas ‘O’ camarada não aceitou. Disse que a doença não é motivo para fugir às responsabilidades revolucionárias, propondo o seu afastamento compulsivo, o que achei uma injustiça tremenda", diz à SÁBADO. Nessa altura, Carlos Arsénio foi criticado pela generalidade dos seus camaradas, incluindo Garcia Pereira: "Disse-me que estava a pôr a amizade pessoal acima dos interesses políticos do partido." Orlando Alves viria a morrer na sequência da doença.

 

Nome de Arnaldo em sites de prostituição
Uma das regras no MRPP é nunca colocar o indivíduo acima do colectivo. Vários militantes com quem a SÁBADO falou admitiram que viram as suas vidas pessoais destruídas pelas ausências constantes ao longo de anos. No partido, festas de anos, aniversários de casamento ou outro tipo de convívios ditos "pequeno-burgueses" não são razão para abandonar as tarefas revolucionárias. Também por isso, uma fatia da guerra dialéctica que a purga em curso gerou está a ser alimentada, sobretudo nas redes sociais, pelas famílias e amigos dos militantes. Nos últimos dias o conflito radicalizou-se, com insultos de parte a parte.

Os textos publicados no Luta Popular são crescentemente insultuosos para os próximos de Garcia Pereira, que foram acusados de, entre outras coisas, terem colocado o nome de Arnaldo Matos em sites de prostituição e pornografia – uma imputação totalmente refutada pelos visados. Ninguém sabe como terminará o conflito – embora todos os intervenientes garantam que não acabará bem para ninguém. No Facebook, Rita Garcia Pereira, uma das insultadas, fez um ponto de situação. Dirigindo-se a Arnaldo Matos, escreveu: "O tempo dirá quem tinha razão e se os fins que dizes ter (bem diversos, note-se, dos que acho que são os teus) justificaram os meios ínvios a que recorreste. Só espero que vivamos o suficiente para seres confrontado com os resultados. Porque eu cá estarei à tua espera." 


Entrevista a Sandra Raimundo: "Arnaldo tentou fazer-me uma lavagem cerebral"

Durante quanto tempo trabalhou como secretária de Arnaldo Matos?
Cerca de três semanas. Eu tinha feito voluntariado no partido e depois trabalhei na comissão de imprensa. A dada altura fui designada para secretariar o Arnaldo Matos. Inicialmente resisti, mas disseram-me que não tinha possibilidade de escolha.

Porque é que deixou de o fazer?

Não aguentava mais. Era uma tortura trabalhar com ele. Não podia falar ou emitir opinião sobre nada.

Quais eram as regras?

Logo no primeiro dia disse-me que a partir daquele instante eu estava proibida de falar com membros do partido. Deixei de ter contacto com os camaradas. Com ele só estava autorizada a falar o estritamente necessário para o trabalho. Disse-me logo que tinha de o tratar por "senhor doutor. No dia-a-dia, vivia num ambiente de terror. Foi como se Arnaldo Matos tivesse tentado fazer-me uma lavagem cerebral, como se me tivesse tentado impor uma nova vida. Estava 12 horas por dia fechada num cubículo, praticamente sem falar.

 

Como era o seu dia?
O escritório não tem movimento porque o Arnaldo Matos não tem clientes. O telefone nunca toca. Eu tinha de chegar pelas 7h30 porque se, pelas 8h, quando ele chegava, não tivesse o café pronto ele explodia de fúria. Não tinha hora de saída.

Que outras tarefas lhe estavam atribuídas?

Basicamente batia num computador os textos que ele escrevia manualmente. Ele não percebe nada de informática. Muitas vezes não percebia a caligrafia dele e pedia-lhe para me ditar os textos. Ele ficava furioso.

O que pensou quando leu o texto publicado no Luta Popular, em que foi acusada de só ter emprego no MRPP por ser sobrinha de um alto dirigente?
Que era uma injustiça muito grande. O meu tio [Domingos Bulhão] nada teve a ver com a minha colocação.

 

 

 

 

 



publicado por DD às 18:57
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