Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Qual o Maior Inimigo? O Dinheiro ou as Bactérias Resistentes?

 

 O inimigo azul (MRSA) ao ataque aos leucócitos

 

 

 

A esquizofrenia dos défices e das dívidas públicas sem emissão de moeda associada à fúria na redução das despesas médicas é suscetível de causar graves prejuízos à Humanidade num futuro não muito distante, principalmente porque os produtores de carnes avícolas, porcinas e outras utilizam na União Europeia quase cinco mil toneladas de antibióticos comuns por ano para evitar doenças nos animais produzidos em espaços muito limitados e fazê-los crescer mais rapidamente.

 

Esses antibióticos estão a dar origem a uma vasta flora bacteriana resistente aos antibióticos ao mesmo tempo que os genéricos reduziram quase a zero a pesquisa médico-farmacêutica que é caríssima e leva, por vezes, mais anos a realizar um novo antibiótico do que dura a sua patente. Os governos querem poupar em tudo, incluindo nas inspeções veterinárias feitas aos produtores. Atualmente, apenas quatro empresas multinacionais farmacêuticas dedicam-se à pesquisa de novos antibióticos, preferindo todas as outras os medicamente contra as doenças crónicas utilizados ao longo de anos como aqueles que combatem a tensão elevada, o colesterol, as restantes patologias cardíacas, o diabetes, o refluxo gastro-esofágico, etc. Alguns novos antibióticos são extremamente caros e apenas fornecidos a hospitais para evitar o uso indevido e o aparecimento de bactérias mutantes com resistência a esses seus novos inimigos. No entender do ministro Macedo do Tribunal de Contas devem fazer parte dos 800 milhões de euros de desperdício.

 

Assim, estão a espalhar-se pelo Mundo dois tipos de bactérias altamente resistentes a todos os antibióticos conhecidos que causaram já numerosas mortes, são as ca-MRSA “comunity acquired methicilin resistant staphylococus aureus”, e a ha-MRSA de “hospital acquired” . As primeiras começam a abundar em balneários que utilizam águas quentes, escolas, cabeleireiros, lares de idosos, cozinhas sociais e comunitárias, etc. e as segundas, mais perigosas, invadem já os hospitais. Contra essas bactérias, o mais poderoso antibiótico conhecido, a meticilina, não tem efeito, antes pelo contrário, ao liquidar as outras bactérias proporciona às MRSA um maior espaço de expansão na corrente sanguínea para onde podem passar por via de feridas, intervenções cirúrgicas simples e infetar os mais diversos órgãos humanos. Na pele podem provocar infeções enormes desde que entrem em contato com áreas desprotegidas pela flora bacteriana normal da epiderme. Segundo a revista médica “Lancet”, as muitas estirpes de bactérias resistentes a vários antibióticos representam já na Europa quase 28% das bactérias que os humanos e animais trazem em si. As MRSA não são perigosas no estômago ou intestino, a não ser que hajam úlceras ou aberturas anormais à corrente sanguínea. Na comida bem cozinhada, essas e outras bactérias morrem, mas podem ter infetado legumes que são ingeridos em cru.

As bactérias das estirpes MRSA produzem peptídeos que destroem com sucesso as membranas celulares dos leucócitos (neutrófilos) do sistema imunológico, causando a morte de pessoas de todas as idades porque, ao contrário do vírus da sida, o seu caráter invasivo no sangue é muito rápido.

 

Calcula-se que 1 a 2% dos habitantes do Planeta são já portadores dessas bactérias sem terem invadido a corrente sanguínea, estando mais concentradas nuns países do que outros, parecendo que mais de 200 milhões de indianos são portadores da bactéria devido à falta de higiene e à existência de uma vasta população rural que está em contato com animais e estrumes.

 

Enfim, a desgovernação da Europa pode produzir catástrofes imensas no futuro porque se entende cada vez que governar é empobrecer a sociedade e, como tal, reduzir todos meios médicos e científicos ao dispor dos seres humanos, evitando que estes evoluam para tratar situações novas. Quem tem saúde e é ainda jovem, mesmo que relativamente, julga-se eterno e vê num Serviço Nacional de Saúde um desperdício enorme e se o Estado fizesse investigação científica no campo das ciências médicas ainda seria considerado mais desperdício pelos contabilistas da morte como o Macedo, a Manuela F. Leite e o António Barreto para citar outros nomes. Claro, numa Europa dita unida com 501 milhões de habitantes há que deviam existir organismos comuns de investigação científica em todos os domínios e um esforço de desenvolvimento comum.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por DD às 21:57
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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
A Pobreza Alastra-se em Lisboa

 

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    Esta manhã fui abordado por um senhor visivelmente de classe média, mas já relativamente mal vestido, a vender livros pois dizia que estava desempregado há bastante tempo e anda a vender os livros da sua biblioteca.  

    
    Noto também que há cada vez mais pessoas muito mal vestidas, quase andrajosas na rua, coisa que tinha deixado de ser visto há muito tempo porque há roupa barata, que mais não nas lojas... dos chineses, e, por outro lado, a moda deixou de diferenciar muito a roupa de uns e outros, exceto nalguns putos armados em quadros e gestores que andam vestidos à ministro, mas que não conseguem disfarçar que os fatinhos cinzentos são do tipo Maconde ou mais baratos porque nunca assentam bem.

       
    Os jeans são calças utilizadas por toda a gente, principalmente mulheres apesar da sua origem masculina, o que reduz as diferenças como os blusões e outra roupa do género que pode ser muito cara de marca e muito barata, mas a diferença não é muito visível. Andar bem vestido, considero andar com roupa que não está rota nem coçada de qualquer tipo.  

     
    Nos meus tempos de juventude, a roupa esfarrapada marcava bem a diferença entre um pobre e um remediado, como se denominavam então os não pobres. Agora, começo a ver de novo nas ruas alguns verdadeiros pobres e tudo indica que o número está a aumentar.

 



publicado por DD às 23:20
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Sábado, 21 de Janeiro de 2012
HENRIQUE MONTEIRO - Um Jornalista Asnático

 

 

Airbus - Não é um castelo de fidalgos arruinados

 

 

 

 

O jornalista do Expresso Henrique Monteiro escreve uma data de asneiras na edição de hoje, como: "a Europa deixou de marcar o ritmo de desenvolvimento e de produção mundial. Sendo ainda a zona mais rica do Mundo, não tem dinheiro. Parecendo isto uma contradição, explica-se com o exemplo daqueles fidalgos de província arruinados, com grandes quintas e casarões, de certa forma ainda os senhores da terra, mas agora sempre endividados na mercearia, na farmácia, no café."

 

O homem não percebeu que a Europa e, principalmente, a Zona Euro não tem dinheiro porque esteve quase 10 anos sem emitir moeda, criando a sua rarefação, o que levou os mercados a extorquirem os estados com juros de usura. Tudo o que se torna raro vira caro e quanto mais raro mais caro.

 

Por influência da Alemanha, o BCE foi fundado com o único objetivo de manter a estabilidade da moeda para impedir a inflação, mas esquecendo o desemprego, o fecho de milhares de fábricas e a ausência de crescimento.

 

O comércio externo entre a UE e o resto do Mundo tem estado sempre equilibrado com saldos positivos ou negativos raramente superiores a 1 a 2% . Por outro lado, a Europa Unitária com 501 milhões de habitantes tinha a obrigação de criar trabalho para todos, nomeadamente para os jovens, pois com o aumento da longevidade e do número de reformados seria lógico que todos os jovens dos 20 aos 65 anos pudessem ter trabalho e pagar as TSU.

 

A Airbus, a Renault, a Mercedes, a Seat, etc., etc. e centenas de milhares de empresas não são velhos casarões de fidalgos arruinados. Estão é parcialmente manietados por falta de dinheiro na banca, dado não ter sido emitido.

 

Ao longo dos 10 anos da zona euro, a inflação existiu sempre, mas sem emissão, pelo que temos menos meios de troca para produções e matérias primas mais caras. A riqueza não está na moeda, mas na indústria, agricultura e serviços, só que a troca de produtos e serviços pressupõe a existência de meios de troca. Já li que a Airbus tem encomendadas quase mil aviões, mas enfrenta dificuldades de financiamento, pelo que pode estar condenada, apesar de ter os técnicos e todos os meios para fabricar os maiores e os melhores aviões do Mundo e como clientes uma parte importante das companhias aéreas do Mundo.  Sem financiamentos, acabarão por ser um dia os chineses a fabricarem todos os aviões do Mundo.

 

É isso que a mulher mais estúpida da Europa, a Merkel, e o Henrique Monteiro não querem perceber porque para a direita capitalista da Europa, a rarefação da moeda tornou-se num instrumento para reduzir os salários e aumentar os tempos de trabalho, isto é, criar mais exploração. Só que não está nada garantido que seja assim e que muitas empresas acabem também elas "desempregadas. Os políticos de direita continuam a ver na exploração do trabalho (aumento da produtividade) a saída para o problema, mas esquecem-se que, entretanto, as ações da maior parte das empresas da Europa e até do resto do Mundo caíram estrondosamente ao longo de 2011, continuando ainda, fazendo os detentores do capital perderem biliões de euros e dólares. Tudo indica que a política de austeridade exagerada leva toda a gente a perder, tanto trabalhadiores ativos como reformados, patrões, acionistas e até políticos que acabam por perder todas as eleições, desde que estejam no poder.



publicado por DD às 23:48
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
O FANTASMA DE PARIS" por Miguel Sousa Tavares

O fantasma de Paris

 

 

 

 

 

(…) José Sócrates começou a governar em 2004, recebendo um país com défice de 6,2%, após dois governos PSD/CDS, numa altura em que não havia crise alguma nem problema algum na economia e nos mercados. Para mascarar um défice inexplicável, os ministros da Finanças desses governos, Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, foram pioneiros na descoberta de truques de engenharia orçamental para encobrir a verdadeira dimensão das coisas: despesas para o ano seguinte e receitas antecipadas, e nacionalização de fundos de pensões particulares, como agora.

Em 2008, quando terminou o seu primeiro mandato e se reapresentou a eleições, o governo de José Sócrates tinha baixado o défice para 2,8%, sendo o primeiro em muitos anos a cumprir as regras da moeda única.

O consenso em roda da política orçamental prosseguida e do desempenho do ministro Teixeira dos Santos era tal que as únicas propostas e discordâncias, de direita e de esquerda, consistiam sistematicamente em propor mais despesa pública. E quando se chegou às eleições, o défice nem foi tema de campanha, substituído pelo da “ameaça às liberdades” (…)

Logo depois, rebentou a crise do subprime nos Estados Unidos e Sócrates e todos os primeiro-ministros da Europa receberam de Bruxelas ordens exactamente opostas às que dá agora a srª Merkel: era preciso e urgente acorrer à banca, retomar em força o investimento público e pôr fim à contenção de despesa, sob pena de se arrastar toda a União para uma recessão pior do que a de 1929. E assim ele fez, como fizeram todos os outros, até que, menos dum ano decorrido, mercados e agências se lembraram de questionar subitamente a capacidade de endividamento dos países: assim nasceu a crise das dívidas soberanas. Porém não me lembro de alguém ter questionado, nesse ano de 2009, a política despesista que Sócrates adoptou a conselho de Bruxelas. Pelo contrário, quando Teixeira dos Santos (…) começou a avançar com o PEC, todo o país – partidário, autárquico, empresarial, corporativo e civil – se levantou, indignado, a protestar contra os “sacrifícios” e a suave subida de impostos. Passos Coelho quase chorou, a pedir desculpa aos portugueses por viabilizar o PEC 3 que subia as taxas máximas de IRS de 45 para 46,5% (que saudades!)

(…) O erro de Sócrates foi exactamente o de não ter tido a coragem de governar contra o facilitismo geral e a antiquíssima maldição de permitir que tudo em Portugal gire à volta do Estado (…). Quando ele, na senda dos seus antecessores desde Cavaco Silva (que foi o pai do sistema) se lançou na política de grandes empreitadas e obras públicas (…) o que me lembro de ter visto, então, foi toda a gente (…) explicar veementemente que não se podia parar com o “investimento público”, e vi todas as corporações do país (…) baterem-se com unhas e dentes e apoiados pelos partidos de direita e de esquerda contra qualquer tentativa de reforma que pusesse em causa os seus privilégios sustentados pelos dinheiros públicos. O erro de Sócrates foi ter desistido e cedido a essa unanimidade de interesses instalados, que confunde o crescimento económico com a habitual tratação entre o Estado e seus protegidos. Mas ainda me lembro de um Governo presidido por Santana Lopes apresentar um projecto de TGV que propunha não uma linha Lisboa-Madrid, mas cinco linhas, incluindo a fantástica ligação Faro-Huelva em alta velocidade. E o país, embasbacado, a aplaudir!

Diferente disso é a crença actual de que a dívida virtuosa – a que é aplicada no crescimento sustentado da economia e assegura retorno – não é essencial e que a única coisa que agora interessa é poupar dinheiro seja como for, sufocando o país de impostos e abdicando de qualquer investimento público que garanta algum futuro. Doentia é esta crença de que governar bem é empobrecer o país. Doente é um governante que aconselha os jovens a largarem a “zona de conforto do desemprego” e emigrarem. Doente é um governo que, confrontado com mais de 700.000 desempregados e 16.000 novos cada mês, acha que o que importa é reduzir o montante, a duração e a cobertura do subsídio de desemprego. Doente é um governo que, tendo desistido do projecto de transformar Portugal num país pioneiro dos automóveis eléctricos, vê a Nissan abandonar, consequentemente, o projecto de fábrica de baterias de Aveiro, e encolhe os ombros, dizendo que era mais um dos “projectos no papel do engº Sócrates”. Doente é um governo que acredita poder salvar as finanças públicas matando a economia.

O fantasma do engº Sócrates pode servir para o prof. Freitas do Amaral mostrar mais uma vez de que massa é feito, pode servir para uns pobres secretários de Estado se armarem em estadistas ou para os jornais populistas instigarem a execução sumária do homem. Pode servir para reescrever a história de acordo com a urgência actual, pode servir para apagar o cadastro e memórias inconvenientes e serve, para desresponsabilizar todos e cada um: somos uns coitadinhos, que subitamente nos achámos devedores de 160.000 milhões de euros que ninguém, excepto o engº Sócrates, sabe em que foram gastos. Ninguém sabe?”

 

Miguel Sousa Tavares «Expresso», 17 de Dezembro de 2011

 



publicado por DD às 22:33
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Domingo, 1 de Janeiro de 2012
A Oligarquia expande-se cada vez mais no Mundo

            Para se chegar a oligarca ou grande patrão são necessárias três características essenciais, próprias dos grandes gestores: Utilizar as ideias dos outros, utilizar o dinheiro dos outros, utilizar o trabalho dos outros. Tudo sempre em seu próprio benefício.

            A história empresarial está cheia de casos elucidativos, mas convém explicar que isso se aplica em todos os conjuntos de atividade. O homem grande utiliza as ideias dos outros para concretizar um projeto técnico ou económico e de outros para arranjar o dinheiro necessário e mais outros ainda para organizarem o trabalho e, por fim, outros para  trabalharem sempre mais horas com cada vez menos ordenados. Isto é tanto sabedoria atual chinesa como tradicional capitalista desde Rockefeller e outros mais antigos como Bolton e Watson aos fundadores do Facebook.

            Mas, o essencial é fazer tudo sem boas maneiras; nada de fidelidades, amizades, honestidades, gratidão, etc. Nada disso, depois do outro estar em vias de esgotar aquilo que pôde dar há que pontapeá-lo o mais rapidamente para fora e nunca deixar que um outro ultrapasse o homem grande e seja tido como pai de uma ideia ou outra coisa qualquer. O grande gestor deve ter um outro a observar e, enquanto outros trabalham na sua especialidade, intrigar uns contra outros, e fazer com que se aniquilem mutuamente. Como nos combates dos gladiadores, o vencedor deverá ser aniquilado no próximo combate, sempre por outro. O génio é o que utiliza em todas as ocasiões os outros, tanto para subjugar internamente todos os outros como para esmagar os concorrentes de fora, os fornecedores e principalmente obter o dinheiro dos clientes. Em última análise é sempre isso que os outros devem fazer a favor do gestor genial.

            O grande economista austríaco Joseph Schumpeter escreveu em “Capitalismo, Socialismo e Democracia” que os grandes construtores de impérios empresariais são igualmente grandes destruidores de tudo o que se possa atravessar à sua frente.

            Mas, o génio também pode ser corrido do seu empreendimento, mas faz geralmente tudo para voltar ou derrotar os seus sócios de modo a estes se terem que render e sair sem um chavo. O exemplo máximo disso foi o de Gottlieb Daimler, um dos criadores do automóvel e da Mercedes Benz, várias vezes corrido da sua empresa, mas regressou sempre com mais sócios corridos a pontapés, porque os seus outros que ficaram dentro foram convencidos a não colaborarem com os candidatos a geniais construtores.

            Há muitas histórias antigas deste género, mas também as há recentes e dos nossos dias, mesmo deste “Facebook”. O denominado criador desta notável ferramenta informática Mark Zuckerberg começou com três colegas da universidade a fazerem uma ferramenta de contato com as namoradas e não só. Quando a coisa começou a funcionar, o Zuckerberg (Monte de Açúcar em alemão) patenteou tudo em seu nome e criou uma empresa que mobilizou alguns financiadores e aos 26 anos de idade era já multimilionário. Chegou a confessar que não foi simpático com o seu primeiro e principal sócio. Utilizou um sistema publicitário inventado por outros que parece não terem patenteado. Os anúncios são pagos pelos anunciantes por clicagem como também faz a Google. Quem clicar no anúncio para ver o seu conteúdo regista automaticamente uma visita e o anunciante paga uns cêntimos por isso. Como estão milhões de pessoas ligados a isto, o valor em bolsa da empresa é agora de milhares de milhões de dólares. Os antigos sócios foram devidamente pontapeados, apesar de terem tido a maior parte do trabalho nesta criação. O verdadeiro criador na selva que é o nosso Mundo é aquele que sabe chutar para fora os criadores e engenheiros das técnicas, finanças quando já não são absolutamente necessários.

            Um caso interessante que tem muito a ver com o meio em que estou a escrever este texto é o do famoso Bill Gates. A IBM, num época já passada e que parece estar a chegar a Portugal, não queria empregados fixos, apenas exteriores a recibos aos quais encomendava tarefas na convicção que o prestígio da IBM era tal que ninguém se iria atrever a trair o gigante inventor do computador. Gates colocou uma equipa de outros a criarem o programa máquina para os computadores pessoais. Surgiu assim o MS-DOS que foi logo patenteado em seu nome enquanto a IBM, completamente aparvalhada, pagava uns recibos quase sem valor quando comparada com o que estava criado. Depois disso, Bill Gates avançou, substituiu a sua equipe por outra melhor, e tornou-se no homem mais odiado do Mundo na informática. Primeiro, levou toda a gente a ter de utilizar o programa máquina e depois foi esmagando os construtores de programas parciais como a Word Star, a Lotus, etc. e inclui o Word, o Excell, etc. nos seus programa e chegou à proeza máxima que foi ancorar o Outlook no seu Microsoft Office e tornar-se no patrão mundial do meio de comunicação por e.mail e bateu até a Apple que tinha melhores programas, mas que cometeu o erro de os utilizar só nos seus computadores, enquanto o Windows conquistava o Mundo inteiro e entrava em todos os computadores, qualquer que fosse a sua origem e nacionalidade. Até com os copiadores dos seus programas ele ganhava, porque se habituavam aos Windows e acabavam por comprar as novas versões, principalmente quando estava tudo amortizado há muito e os MS Office tornaram-se baratos. As pessoas que trabalhava para a Microsoft tinha de estar disponíveis 24 horas por dia, podendo ser chamadas a qualquer momento para realizar algum trabalho, prática muita seguida com as empresas e linguistas que faziam os corretores ortográficos. Bill Gates foi um autêntico gangster da informática e tornou-se a dada altura no homem mais rico do Mundo, agora ultrapassado por um oligarca mexicana que terá começado na droga, o Carlos Slim, e é dono de uma grande parte das empresas de telemóveis da América Latina.

            Bill Gates foi suficientemente esperto para não se meter no setor que dava muito trabalho, ou seja, nos programas específicos para certas funções como contabilidade, tratamento de dados para o Estado e grandes empresas, engenharia de máquinas, etc., nada como reproduzir aos milhões o Windows e o Office, vendidos pela Net sem sequer ter um suporte material.

            Depois de anos de guerra contra tudo e todos e tantos milhares de milhões de dólares ganhos, Bill criou uma Fundação para ajudar as criancinhas com fome em África. Deixa apenas 5% da sua fortuna aos filhos que já é muito, no seu entender, e deve ser. Que façam mais, aconselha ele.

            Num filme americano, cujo nome, não me recordo, o protagonista milionário dizia que para chegar onde ele chegou é preciso fazer o que é necessário. Isso incluía naturalmente matar quando necessário. Duarte Lima terá chegado a isso por causa dos 5 milhões da Rosalinha. Mas quem bateu o recorde nesse aspeto foi, sem dúvida, John D. Rockefeller, cuja prática foi muito bem retratada noutro filme americano, cujo nome também não me recordo.

            Nos anos selvagens e brutais do pós-guerra civil americana, John D. quis unir toda a indústria petrolífera americana, dispersa em centenas de pequenas empresas e exploradores de poços de petróleo, num única empresa majestática, a sua, naturalmente. Para isso utilizou todos os métodos para comprar barato os concorrentes; desde sabotagem com explosivos, assassinato de pequenos empresários, descarrilamentos de comboios de vagões tanques, ameaças a bancos que financiavam os outros produtores. Tudo foi feito pelos outros de John D. Rockefeller até que o seu império abrangeu  90% da produção americana na “Standard Oil” que foi obrigada pelas leis da concorrência a dividir-se em duas ou três empresas, nas quais o John D. tinha comparticipações importantes, principalmente através de bancos, cujo capital dominava.

            Curiosamente, este tipo de capitalismo altamente selvagem nasceu nas Repúblicas da antiga União Soviética após mais de 70 anos de comunismo, no qual era suposto surgir um homem novo, solidário, socialista e capaz de se sacrificar a trabalhar para o bem comum. Os homens novos nunca foram boas rezes. Que o digam os historiadores do cristianismo e escreve Gerald Messadié em “História Geral de Deus”.

            Com a queda do comunismo, num ápice surgem oligarcas com fortunas colossais que ninguém consegue explicar como lhes foram parar às mãos. Uma conhecida jornalista russa descreve a metodologia em que o assassinato de juízes que se recusavam a acreditar uns papéis tidos como ações de certas empresas se tornou comum. Outros juízes aceitavam despachar em conformidade e recebiam luxuosas viaturas. Com o despacho judicial, os atuais oligarcas entravam nas empresas e tomavam conta de tudo. Hoje, Putin tem um oligarca como adversário nas próximas eleições presidenciais. Se o quiser eliminar, basta pôr os seus serviços secretos a investigar como o homem fez a sua fortuna e ele estará arrumado. Não há oligarcas ou multimilionários honestos. A honestidade é coisa de pobres e classes médias mais baixas que altas.

            O antigo ministro da informática da República Federal Russa da antiga URSS, o engenheiro Ievtuchenkov é hoje nada menos que o proprietário de toda a indústria informática, incluindo edifício e terrenos de Selenikov, uma cidade satélite de Moscovo que foi construída para imitar o Silicon Valley da Califórnia. Além disso possui a antiga agência estatal de turismo “Inturist” e uma cadeia de mais de 2 mil lojas de brinquedos, coisa que não existia nos gloriosos tempos soviéticos. Para abastecer essas lojas, instalou 14 fábricas de brinquedos baratos na China.

            Por estranho que pareça, ao fim de vinte anos de capitalismo, Moscovo é a segunda cidade do Mundo com maior número de oligarcas multimilionários; são aí mais de 50. A primeira cidade a abrigar gente desse calibre é Nova Iorque com uns 60 oligarcas e uma tradição capitalista de dois séculos, pelo menos. Mas, em Londres há mais oligarcas russos que ingleses.

            O multimilionário faz fortuna com os outros, estranhos ou da própria família. Quantas vezes, o oligarca ocupa a empresa que deveria herdar em partes iguais com os irmãos e consegue apoderar-se de tudo, caso Champalimaud,  que andou nos tribunais durante décadas, mas ganhou com as habituais más maneiras dos multimilionários.             Depois de enganar o Estado português que lhe deu três bancos de que nunca tinha sido dono a 100% e os vendeu ao Santander, resolveu deixar como legado uma parte do seu dinheiro para criar uma fundação e assim limpar o seu nome, se é que isso é possível. Outros, aproveitam-se da confiança de um patrão fugido ao comunismo no Prec em Portugal e com as procurações passadas apoderam-se de tudo, caso Belmiro de Azevedo que conseguiu o inacreditável que foi a compra por quase nada da cadeia francesa Continente com os franceses aterrorizados com medo do comunismo. Dizem as más línguas que Belmiro financiou o partido para agitar os trabalhadores de modo a tornar aquilo muito mais barato. Belmiro confessou em entrevista que ficou com algo da família do falecido banqueiro, mas que multiplicou de tal maneira o valor da Sonae que os herdeiros acabaram por ficar com mais do que tinham antes. Por isso, as multinacionais mudam sempre os gerentes das suas filiais ao fim de pouco anos para evitar que assumam o controle local do negócio em benefício próprio. Os substitutos podem não saber nada de português e de Portugal, mas evitam que alguém roube aquilo tudo com empresas paralelas ou na própria empresa e quando já sabem dizer bom dia e boa tarde vão-se embora.

            Na China, a situação tem muitas facetas. Para exportar, o Governo chinês autorizou todo o tipo de fabrico e exploração dos trabalhadores a menos de 50 cêntimos do dólar à hora e proibiu a criação de entraves por parte de autoridades locais e concorrentes, mas deixou os chineses copiarem o que quiseram e fabricar em paralelo, pelo que muitas nacionais abandonam agora o país ou fabricam só uma parte dos seus produtos. Para o mercado interno, principalmente a construção civil, restauração, etc. , as autoridades fecham os olhos a todo o tipo de exploração que chega à escravatura. Muitos construtores fizeram fortunas colossais ao irem às aldeias buscar pessoal  e aboletá-lo em armazéns de madeira para trabalharem dez horas por dia quase sem ordenado. Os jovens estudantes de direito e juristas que quiseram defender os trabalhadores acabavam geralmente presos.

            No setor estatal que é grande na China e abrange a banca, seguros, energia, petrolíferas, siderurgias, minas, estaleiros navais etc., só sobe a altos cargos pessoas que mostrem mais fidelidade ao regime que à família e aos colegas. Assim, quem não for delator de algum colega ou familiar que criticou a política oficial não sobe pois mostra uma fidelidade duvidosa. Mesmo no estrangeiro, os chineses são convidados a revelarem o que pensam os compatriotas com que trabalham ou convivem. Fazer mal a alguém faz parte do modo de vida das classes ascendentes, também na China.

            Nunca houve tantos oligarcas no Mundo como hoje, contando-se muitos nos países emergentes como Brasil, México, China, etc. Todavia, o elemento feminino não conta na oligarquia que se fez a si próprio. As multimilionárias são quase todas viúvas ou herdeiras como a Christy Walton que herdou do pai a maior empresa do Mundo, a ceia de supermercados Walmart. Só na Ásia, principalmente na China, é que há algumas milionárias que fizeram a sua fortuna, utilizando os outros fora da cama, mas mesmo assim, não se contam entre a verdadeira oligarquia mundial do dinheiro.

            Os Estados enfrentam com cada vez mais dificuldades as más maneiras das oligarquias que quase por toda a parte pagam 20 a 25% de taxa liberatória sobre os milhares de milhões de juros auferidos pelos seus gigantescos pacotes de ações, enquanto os seus quadros mais bem pagos têm de desembolsar até 70% ou mais em imposto dos rendimentos do trabalho. O trabalho dos ditos outros é muito mais taxado do que dos que deles tiram proveito. É uma injustiça mundial, pois com uma população cada vez maior, os Estados são reféns das empresas que eles julgam que criam empregos quando isso é tudo menos verdade. O emprego está cada vez na pequena empresa, mas por falta de poder as PME são espremidas até ao tutano pelos Estado, juntamente com os seus trabalhadores e patrões. Foi por isso que o governo do Coelho aumentou o IVA da restauração para 23%.

 



publicado por DD às 18:39
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Domingo, 18 de Dezembro de 2011
Dieter Dellinger: A Dívida Alemã é a maior da Zona Euro

 

 

 

 

 

 

Há duas irritantes contradições: Uma é ler um artigo do Der Spiegel de 33 páginas sobre a crise financeira sem a mais pequena crítica à Alemanha e ler também os diversos jornais alemães na Net, todos a apontar culpas aos outros países; a segunda é o pessimismo profundo do Coelho e do seu Governo que fala em 2015 como ano em que talvez a situação se vai alterar e os portugueses poderão pagar um pouco menos impostos.

Quanto aos alemães, os números são simples: O Pib alemão é 38,6% do Pib da zona Euro quando o português nem chega aos 2%. A dívida alemã é de 83,5% do seu Pib, logo ca. de 33% do Pib da zona Euro e a dívida portuguesa é de aprox. 2% do Pib da mesma zona e a grega é de uns 3% da Eurozona. Os alemães estão contra aquilo a que chamam a monetarização das dívidas públicas porque isso provoca a inflação. Mas não seria metade da dívida portuguesa, 1% da zona euro, que iria causar inflação, mas sim uma parte importante dos 33% alemães e outro tanto da França. A dívida pública da Alemanha e França é quase 70% da dívida total da zona Euro. E não há um Passos Coelho e outros dirigentes europeus que digam isso à Merkel e ao Sarkozy.

Como há um único Banco Central Europeu temos de ver a questão pelo conjunto das dívidas dos 17 Estados que constituem a Zona Euro e apontar o dedo aos mais endividados, porque esses é que criaram a situação de impossibilidade de uma monetarização (emissão de dinheiro fresco) de 30 a 40% das eurodívidas para reduzir os juros muito elevados extorquidos a Portugal e à Grécia. Mesmo que a Alemanha tenha um éfice de 0,5 a 1% este ano e no próximo, a sua dívida não será liquidada e, como tal, ficará a ocupar um espaço que não corresponde à pretensa moral e ética financeira que os economistas e políticos alemães apregoam para si mesmo.



publicado por DD às 22:59
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
A China é o maior fabricante de camiões do Mundo

 

·         A China espera fabricar este ano quase um milhão de grandes camiões com 37% da produção mundial em seis fábricas todas estatais ou quase com algumas parcerias tecnológicas estrangeiras.
A Europa fabrica 332.000 camiões com 15% da produção mundial em duas fábricas, a Daimler Trucks (Mercedes) e a Man-Scania (germano-sueca). Os outros fabricantes europeus são quase residuais, não devendo chegar às 5...0 mil unidades.
A China está a tornar-se também numa potência de grande capitalismo estatal com siderurgias, fábricas de automóveis, gigantescos estaleiros navais, minas, refinarias, indústrias químicas, minas, etc. do Estado. Em resumo, o capitalismo ocidental enriqueceu o Estado Comunista chinês que detém a grande indústria do país e está a comprar empresas industriais em todo o Mundo como foi com a Roover-Leyland, a Volvo e agora prepara-se para entrar em empresas estratégicas portuguesas. A banca e as seguradoras são todas estatais na China e se quisessem compravam os bancos portugueses num ápice. Portugal da direita pode tornar-se parcialmente comunista através dos capitais do Estado Chinês e já estão cá milhares de chineses com as suas lojas e as crianças a estudarem nas escolas portuguesas e chinesas que já se instalaram em Portugal.
As direitas europeias, incluindo a portuguesa, estão a abrir as portas ao comunismo chinês desde que venha com o dinheiro que, por embirração e estupidez, a Alemanha da Direita não quer deixar o BCE emitir, ou seja, não quis, porque agora o BCE está a comprar dívida espanhola e italiana com moeda fresca e muito antes de impor quaisquer condições de austeridade. O governo português não está a reagir, nem contra a invasão e estatização da economia chinesa, nem contra o facto de Portugal ser metido num colete de forças de austeridade quando a Itália e a Espanha gozam de prerrogativas especiais. Já tinha acontecido isso há mais de um mês e voltou a acontecer na semana passada. É certo que as emissões do BCE na semana passada foram de uns 8,7 mil milhões de euros, o que não é muito, mas se tiver continuidade nas próximas 56 semanas resolverá o problema italiano e espanhol, deixando Portugal e a Grécia a chuparem no dedo e confrontados com uma austeridade canibalesca.
No fundo, não estou propriamente contra o enriquecimento chinês nem contra o regime da República Popular da China; o que vejo é uma contradição entre a Europa da Direita que quer tudo privado e uma gigantesca potência em vias de chegar aos 1,4 mil milhões de habitantes com dinheiro para se apoderarem sem conquista de quase toda a Europa. Hoje, basta-lhes ir aos mercados bolsistas e comprarem o que quiserem a preços que nem chegam a ser de saldo.

 


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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011
O Estado Social foi a Enterrar, saído da Assembleia da República
 
Os deputados parecem estar muito alegres e contentes na votação dos artigos do OE. Brincam entre si como se fosse um jogo de futebol. O BE marcou um golo ao ver aprovada uma proposta para o Estado utilizar consumíveis reciclados, diz um jornalista na TSF, também satisfeito como se estivesse a fazer um relato de um desafio de futebol.
Não parece passar por aquelas cabeças tontas que estão a votar o maior roubo feito a trabalhadores e pensionistas; diretamente em 14,2% dos salários anuais e indiretamente em muito mais no IVA, IRS, eletricidade, água, gás, transportes, habitação, etc., além dos cortes na saúde, educação, segurança, etc.

Eu, se fosse deputado, ia para a AR vestido de preto e com uma gravata preta como se fosse um cangalheiro, já que estaria ali a enterrar o Estado Social que foi uma das grandes esperanças do 25 de Abril. Não seria capaz de me rir ou brincar perante esta morte, mas chorava com pena dos idosos e de todos aqueles que vão empobrecer gravemente no próximo ano. Estamos todos de luto; também pela óbvia morte do Euro e da União Europeia. A Alemanha está a matar a Europa pela terceira vez desde 1914.
Se o Governo PSD/CDS tivesse pessoas com um mínimo de sensibilidade social não Roubava as pensões de reforma e os subsídios das pessoas com mais de 75 anos, ou, roubava uma dos 75 até aos 80 e nenhuma depois. Isto porque todos nós sabemos o que é ser muito idoso e as necessidades dos grandes idosos, tanto para pagar lares como para pessoas que os ajudem em casa. Cada vez morrem mais idosos sozinhos, sem assistência alguma, e o governo vai tirar-lhes dois subsídios, exceto os daqueles que auferem de reformas já de si miseráveis.
A Igreja Católica não se prontificou a defender esses idosos e o bispo Dom não sei quantos da Pastoral Social nada disse. Também a Igreja Católica está completamente falha de sensibilidade social, quando tem políticos da direita no poder. Enfim, uma vergonha para Passos Coelho, Paulo Portas, ministros e Igreja Católica

 



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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
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Domingo, 13 de Novembro de 2011
Euro morre ou já morreu?
Do meu Facebook:
 
O Euro já morreu? Perguntam todos. Se não morreu, a criança ainda sem fazer os dez anitos está em estado comatoso.Mas pode morrer uma moeda que nunca o foi? Boa pergunta.
O Euro serviu para gastar a moeda antiga, exaurir aquilo que ela representava de valor e trabalho. Gasta a moeda antiga, a nova passou a ser crédito, só serviu para pagar a estranhos vindos de fora com juros, não para garantir o trabalho honrado e sério. O Euro que temos na carteira paga juros a Frankfurt, em português Francoforte, não serve para trabalhar e ganhar. Apenas para ser despedido com a mais pequena compensação possível e um irrisório subsídio de desemprego.
O Euro morre, ficam os sem abrigo, os novos pobres a viverem nos carros abandonados envoltos em mantas antigas e a comer de uns cêntimos que algum passante lhes atira para a mão. Morre o Euro, definham os pensionistas, os funcionários públicos. Os outros não se importam, mas em Janeiro o patrão vai dizer-lhes que tem e baixar o seu magro salário. O Euro morreu para emagrecer as gorduras do Estado e, afinal, serve para nos emagrecer a todos.
Morre o Euro, ficam os cêntimos como de cinzas do finado já cremado fossem.
 
A Standard & Poor informou na quinta- e sexta-feira vários clientes em mails confidenciais que a França teria perdido a classificação AAA. Hoje, veio anunciar que se tratou de um erro dos computadores, a França continuaria com o seu AAA. Apesar de só terem sido informados alguns clientes, houve um início de pânico em França, já como que anulado pela S&P ao dizer que foi um erro. Muitos observadores acham que não foi erro, mas sim um pré-aviso como que a indicar que depois da Itália virá a França ou, talvez, a Espanha antes disso que, de resto, já levou uma desqualificação pelas agências de rating. Curiosamente, fala-se que a zona euro pode ver o seu rating reduzido, dado ter 4,5 biliões de euros no exterior, portanto, de dívida. A China, que mantém ainda o dólar como moeda principal de reserva, já tem 800 mil milhões de euros, com os quais pode comprar o que entender na Euro, nomeadamente empresas, cujo valor bolsista não parou de descer nos dias e semanas.
Todos aqueles que acusam Sócrates de ser o causador de uma dada crise não percebem que o que se trata é de um erro sistémico do capitalismo político, diferente da economia de mercado. Capitalismo de Estado ou Político e economia de marcado não são já a mesma coisa.
Quando o euro foi criado como moeda não dos estados ou nações, mas dos bancos privados, surgiu o erro sistémico que já descrevi aqui. Foi dado a entender que os bancos podiam comprar todas os títulos de dívida dos Estados, que se tornaram no meio de financiamento público, e depois o BCE compraria tudo o que a banca poderia querer vender e não o fez, deixou grande parte da banca com a criança nos braços, o euro. Hoje, a banca do euro está descapitalizada e Paul Krugman disse ontem ao jornal alemão "Handeslblatt" que o BCE deveria passar a ter o funcionamento equivalente ao da Reserva Federal dos EUA antes de se assistir ao rebentar de todas as economias europeias. A dívida da Zona Euro é de um valor absurdo e insuscetível de ser paga. Só a Alemanha terá mais de 5 biliões de euros de dívida real, apesar de dizer que só deve 2 bilhões e qualquer coisa, o que também não é pouco. Infelizmente ninguém percebe isso, ainda ontem Alfredo Barroso falou muito, mas nada disse e o "Monde Diplomatique" publicou um artigo sobre o BCE em que não chega a ir ao fundo da questão, ficou-se pela rama, mas quase tocou no problema.
Krugman e Stiglitz (Nobeis da Economia) previram que o euro não duraria muito mais de 10 anos. Isto há uns 9 anos atrás. Não acreditei e julguei que era inveja americana, mas eles leram os estatutos do BCE e viram que sem emissão de moeda e privilegiando só a estabilidade, toda a zona euro acabaria estagnada em crise e foi o que aconteceu. Ao contrário do que faz qualquer Banco Central, o BCE não ...compra dívida aos estados, mas só no mercado secundário, tendo levado os bancos a comprarem muita dívida na convicção que a venderiam ao BCE sempre que fosse necessário. O BCE não conseguiu assim controlar os montantes das dívidas dos países membros e dos bancos até se chegar à crise generalizada. A privatização de uma moeda foi a origem de um descontrolo global e resultou de uma posição ideológica dos muitos partidos de direita europeia. O BCE enganou toda a banca europeia com a ideia de comprar toda a dívida europeia, algo que não está a fazer.

 


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publicado por DD às 18:34
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