Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013
Dieter Dellinger: Síria ou Sarin

 

 Foguete Rebelde que poderia ter sido utilizado com Sarin, mas nunca para destruir um bairro da periferia de Damasco.

 

 

O chamado gás Sarin é uma das armas mais insidiosas, cruéis e mortais que existem. Ao contrário do que é dito, não se trata de um gás, mas de um líquido lançado sob a forma de aerossol ou vapor em que uns poucos mililitros na pele podem provocar a morte dentro de meia a uma hora, porque as suas moléculas organofosforadas (NOP) penetram na circulação sanguínea e ao atingirem os neurónios bloqueiam uma enzima que degrada a acetilcolina, provocando uma saturação de ligações nervosas e comandos de órgãos com um caos que evita o funcionamento correto do coração, pulmão, etc. Nos casos de inalação ou ação sobre a vista, a morte decorre no espaço de alguns minutos apenas.

 

O aerossol é insidioso porque é invisível, inodoro e incolor. Ninguém o vê e pode ser lançado na ogiva de foguetões muito simples como os “Katiuchas” russos da II. Guerra Mundial ou até outros mais pequenos lançados a partir de camiões e carrinhas que podem ser escondidas em qualquer garagem. Fundamentalmente é uma arma contra civis impreparados porque os militares podem utilizar máscaras e cobrir a pele com cremes especiais que absorvem as moléculas do Sarin sem as deixar penetrar na pele. Os israelitas possuem esses cremes e até antídotos medicamentosos sob a forma de enzimas que capturam as moléculas no sangue e de outros antídotos reativadores da colinesterease.

 

Não é fácil detetar o Sarin nas vítimas, salvo quando as concentrações foram muito grandes.

 

Por isso, quem utiliza o gás Sarin não necessita de bases suscetíveis de serem atacadas e o governo Sírio pode utilizá-lo à vontade contra a população maioritária sunita da Síria a quem o ditador dinástico Bachar el-Assad trava a guerra há dois anos e sabe que a sua minoria alauita já cometeu crimes em demasia para não ser vítima de um massacre total por parte dos sunitas. Uma coisa é certa, a posição tática mais importante dos rebeldes é precisamente o bairro periférico de Damasco de onde podem lançar uma ofensiva contra o palácio presidencial, os ministérios e as televisões, pelo que não é crível que tenham bombardeado essa sua posição habitada por sunitas que lhes são favoráveis.

 

Os americanos não querem intervir com tropas no terreno na Síria dado não pretenderem repetir as más experiências do Iraque e do Afeganistão. Podem é lançar um golpe contra as bases aéreas sírias, bombardeando instalações de radar e anti-mísseis com os Tomahawks” que voam a baixa altitude e quase não podem ser abatidos nem detetados a tempo e depois intervêm com forças aéreas constituídas por aviões europeus e americanos todos muito superiores a tudo o que a Síria que pretende ter muitos aviões, mas velhos e com fraca manutenção. Veja-se como alguns já bem antigos F-16 israelitas destruíram num ápice umas instalações no deserto onde foram colocados materiais radioativos vindos da Coreia do Norte. O ditador nem protestou com a vergonha de ter sido apanhado sem qualquer resposta.

 

Sem força aérea, seria difícil ao ditador resistir ao Exército de Libertação da Síria que pode receber mais armas e máscaras antigás e fardas e cremes protetores, além dos referidos antídotos.

 

Para Bachar el-Assad não há solução, a não ser negociar uma rendição em que as vidas da sua minoria étnica sejam devidamente garantidas, incluindo os cristãos que têm estado com o ditador.

 

 

 Crianças sunitas mortas pelo gás Sarin.


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publicado por DD às 22:44
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