Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 15 de Maio de 2004
Choque Petrolífero
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O barril de petróleo atingiu no dia 13 o valor de 41,08 dólares em Nova Iorque e continua a subir. É um novo choque petrolífero que se admite venha a ser de longa duração e por várias razões.


Primeiro, porque a intervenção desastrada dos EUA e dos seus aliados no Iraque não só não produziu um aumento de produção e a reparação das velhas refinarias daquele país como resultou mesmo numa quebra e tudo indica que a guerra seguida de luta pelo poder no Iraque está para ficar.


Segundo, porque o consumo mundial não tem parado de crescer e a procura de alternativas tem sido demasiado lenta. Dados os imensos interesses mundiais e capitalistas na venda de petróleo e na produção automóvel, o Mundo tem vivido numa perigosa ausência de preocupações quanto ao futuro energético da Humanidade.


A oferta de mão de obra extremamente barata da China e India conduziu à deslocalização de indústrias para esses países e importação de bens aí fabricados com a consequência de esses paíse verem as suas economias crescerem e por essa via também os respectivos parques automóveis aumentaram desmesuradamente, até porque os grandes fabricantes como a VW, GM e Ford estão a instalar grandes fábricas na China como já fizeram algumas empresas japonesas. O consumo petrolífero chinês aumentou em 9,8% no ano transacto.


Mesmo nos EUA, o consumo cresceu tal como na Europa, só na Alemanha é que se estão a verificar as primeiras quebras acentuadas. Nos últimos dois meses, houve uma quebra de 5,4% no abastecimento de viaturas pesadas e ligeiras. O voracidade da indústria automóvel em produzir e vender carros com cilindragens cada vez maiores e mais poluidores e consumidores de combustíveis tem provocado o aumento mundial da queima de gasolinas e gasóleos com a saturação das capacidades de refinagem e transporte.


Em Portugal, há responsáveis que são cegos e surdos ao que se passa no Mundo. O Grupo Mello vendeu a Soponata por aquilo que lhe pareceu um bom preço a uma empresa americana. Pareceu-lhe um bom preço, mas não era, só que o velho Mello já nada percebe dos grandes negócios mundiais.


Durão Barroso e Manuela F. Leite estão cegos às consequências do choque petrolífero e continuam a querer vender a empresa estratégica nacional Galp, também por aquilo que lhes parecerá um bom preço para depois verificarem que não foi.


Na actual conjuntura, vender a Galp é mesmo traição à Pátria, mesmo que os compradores sejam nacionais e pior se forem estrangeiros. Se forem nacionais podem vender por valor superior passado algum tempo.


É importante que Portugal atravesse o actual choque petrolífero com uma empresa estratégica comandada por portugueses e de preferência pelo Estado. A questão dos 3% de défice é de segunda importância dada a crise que se adivinha e, além disso, os aumentos dos imposto, nomeadamante o do património, estão a criar uma situação de equilíbrio financeira que pode tornar desnecessária a venda de empresas estratégicas como a Galp e as do Gás ou a EDP e PT a estrangeiros.


O Mundo está a viver uma guerra mundial entre Ocidente e Mundo Árabe e o petróleo é uma arma fundamental para a defesa da soberania nacional.


Repare-se que a Galp é bem mais importante que os dois submarinos que custaram 800 milhões de euros - note-se para comparação que a barragem de Alqueva custou 160 milhões de euros.


É evidente que a China não pode continur a ver o seu consumo de "crude" importado à média de quase 10% ao ano. Terá de tirar proveito das suas gigantescas reservas carboníferas e produzir hidrocarbonetos sintéticos segundo o método Fischer-Tropsch utilizado pelos alemães durante a guerra.


O método passa pela hidrogenação do óxido de carbono e pode ser realizado em circuito quase fechado com pouca poluição. Não é utilizado nos países mais desenvolvidos por causa dos altos custos em mão de obra na extracção do carvão. Mas, a China possui reservas inesgotáveis de mão de obra. Na sua agricultura trabalham centenas de milhões de trabalhadores quase manualmente com uma produtividade muito baixa que pode aumentar com grande facilidade. Além disso, muitas minas chinesas têm o carvão quase à superfíce.


publicado por DD às 21:11
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