Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quinta-feira, 13 de Maio de 2004
A Arma de Destruição Maciça do Iraque
RPG-7.bmp


Afinal os iraquianos sempre têm a sua "arma de destruição maciça". É a velha, barata e leve RPG-7 que pesa apenas 6 kg carregada e pouco mais mede que um metro de comprimento. Pode ser utilizado por um só combatente, geralmente acompanhado por dois ou mais companheiros equipados com a AK-45 "Kalashnikovs". Já liquidou milhares de soldados americanos e aliados no Iraque e chegou a abater helicópteros "Apaches". É a arma ideal do combatente embuscado, estando a ser muito utilizada para despedeçar as viaturas "Hummer" blindadas das forças americanas e das guardas privadas e tem produzido estragos tremendos nos camiões transportadores de combustíveis.


O RPG-7 é um derivado do célebre "punho de aço" alemão da II.Guerra Mundial e foi introduzido no exército soviético em 1961 e exportado para muitos países, nomeadamante para a China, Paquistão, etc. que também fabricam esta arma em versões ligeiramente menos pesadas e mais maneáveis. Os soviéticos sofreram tremendamente com essa sua arma empunhado pelos Mujaeidins do Povo no Afeganistão e agora pela guerrilha da Chechenia.


A arma é simples e não passa de um tubo com uma mira óptica e um gatilho que faz disparar um cartucho que impulsiona a granada altamente explosiva ligada a um tubo de 40 mm de diâmetro com um motor foguete que entra em funcionamento após os primeiros 11 metros de voo. Nesse espaço de tempo abriraram-se quatro alhetas que estabilizam o voo e permitem levar a granada anti-tanque a 920 metros de distância onde explode com efeitos letais para o pesssoal inimigo. A uma distância de 100 a 300 metros é altamente eficaz contra tanques, mesmo com poderosas blindagens reactivas. Nestes casos, dois ou três resistentes iraquianos costumam colocar-se na mesma linha de fogo para diparar três granadas que acertem no mesmo local do tanque. A terceira consegue geralmente penetrar a blindagem dos poderosos "Abraham" e causar danos graves aos tripulantes.


Com uma granada mais ligeira anti-pessoal atinge com efeitos letais os 1.100 metros.


Os combatentes corajosos e convencidos da razão da sua luta fazem dos lança-granadas RPG-7 armas extremamente letais, tendo já abatido mais de uma dezena de helicópteros norte-americanos.


Os iraquianos estão a lutar comos os Mujaedins do Afeganistão em grupos de 10 a 12 combatentes com dois RPG-7 e os outros com "Kalashnikovs" equipadas com lança-granadas. Assim, permitem aos lançadores de granada fazer a pontaria com calma, já que as AK-45 "Kalashnikovs" evitam a aproximação de americanos ou outros soldados do local de lançamento. E após os primeiros tiros, correm para outro local, já que sendo as RPG-7 armas sem recúo, deixam a sua "assinatura" muito visível na área de disparo.


No Afeganistão e noutros campos de batalha, incluindo agora no Iraque, os combatentes aproximam-se muito das forças ocupantes para travarem combate a granada a distâncias de 300 a 30 metros, o que impede o apoio aéreo táctico, já que a essas distâncias os meios aéreos não conseguem distinguir amigos de inimigos.


As forças portuguesas da GNR já repararam que as suas viaturas não aguentam tiros de RPG-7, pelo que cobriram as suas viaturas com sacos de areia como forma de provocar a explosão da granada fora da viatura. Mas, em ambuscada de rua com combatentes disfarçados de civis, os primeiros tiros partem sempre dos atacantes, já que as forças de segurança não podem andar a disparar contra quaisquer magotes de civis. E depois na resposta, podem ser atingidos civis, já que os atiradores procuram precisamente disparar de ruas movimentadas por muita gente, levando as armas disfarçadas em sacos ou malas.


No combate aos helicópteros, os combatentes iraquianos imitam os Mujaedins do Afeganistáo nas suas embuscadas aos pontos de aterragem dos helios e na tentativa de os abater de frente a 100 metros de distância ou de trás até aos 900 metros, sendo neste caso raro atingirem um helio, mas criam um estado de alarme nos pilotos.


Enfim, os americanos estão a seguir o caminho do Vietname, Somália e outros locais em que têm tentado introduzir-se.


A guerra iraquiana está a tornar-se cada vez mais "suja" e não há um esforço dos norte-americanos, aliados, ONU e do Mundo Árabe para encontrarem soluções de Paz que permitam aos iraquianos governarem sem a presença de forças estrangeiras.


É curioso que Portugal com tantos oficiais especializados em guerra assimétrica e que enfrentaram durante anos as AK-47 e os RPG-7 tenham-se metido naquele caldeirão de onde todos acabarão por sair sem honra nem dignidade. E o pior é que, por isso, o barril de petróleo já ultrapassou os 40 dólares. Claro, desde o Ministro da Defesa a outros governantes, ninguém tem experiência militar, mas, pelo menos, podiam aconselhar-se junto dos oficiais generais que fizeram as guerras africanas.


A melhor defesa contra as RPG-7 está na ausência de rotina com mudança de itinerários constante, velocidade das viaturas, uso intensivo de granadas de fumo para protecção das viaturas. A infantaria deve actuar no terreno no sentido de evitar o acesso dos lançadores de RPG-7.

Recordo aqui que no Sul de Angola, a melhor arma contra as RPG-7 e até as "Kalashnikovs", foi a cavalaria introduzida pelo então general Costa Gomes. Dispersos, sempre em andamento saltitante, os cavaleiros raramente eram atingidos por atiradores embuscados.




publicado por DD às 22:59
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1 comentário:
De Armindo Flix a 15 de Maio de 2004 às 21:20
É verdade. Vi hoje na Tv em Nassíria o pessoal do "não sei quantos" empunhando as RPG-7 com ar ameaçador.


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