Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 11 de Novembro de 2006
Novas Fragatas para Portugal

 

 

            Portugal adiantou-se ao Paquistão ou, talvez, foi a sua ligação à Nato que permitiu sair favorecido na compra das duas últimas fragatas da Classe M – Karel Doorman que o Governo holandês queria vender.

            Apesar de serem navios em segunda mão não podem ser considerados velhos e, menos ainda, pouco modernos. São mesmo das melhores fragatas que se construíram na Europa com um deslocamento à volta das 3.000 toneladas e têm muito de comum com as três fragatas da classe Vasco da Gama.

            As Karel Doorman entraram ao serviço da marinha neerlandesa entre 1991 e 1995. Das oito que formavam a classe M, duas foram vendidas ao Chile, ou seja a Abraham Van der Hulst que hoje se chama Almirante Blanco Encalada e já entregue e a Tjerk Hiddes que vai ser incorporada na marinha chilena em 2007 e ainda não tem o novo nome.

            Duas outras forma vendidas à Bélgica, adquirindo o nome de Leopold e Louise-Marie .

            Os navios destinados a Portugal são de 1994,  a Van Nes F 833) e a Van Galen (834), visível na foto,  devem ser entregues em Dezembro 2008 e Dezembro de 2009 após trabalhos de modernização e revisão, a serem feitos em conjuntos com os navios destinados à Bélgica. São pois navios um pouco mais recentes que as Vasco da Gama, incorporadas na Armada em 1990 e 1991, mas dotados de uma excelente tecnologia em todos os aspectos e o desenho tem já algumas características de navios furtivos ou de baixa assinatura radar. A ponte o mastro principal de superior e alojamento de meios electrónicos são inclinados, tal como o casco, de modo a que a ondas de radar não sejam reflectidas para a antena de origem e assim seja mais difícil a sua detecção. De futuro, todos os navios de guerra serão inteiramente furtivos conforme descrevi no último número da Revista de Marinha a sair nos próximos dias, pois os americanos planeiam substituir toda a sua marinha de guerra por novos navios furtivos no espaço de vinte a vinte e cinco anos e o resto do Mundo irá atrás.

            As duas fragatas que agora vão dar uma nova força à Marinha de Guerra portuguesa destinam-se a substituir três navios da classe João Belo que navegam há quase quarenta anos, pois foram incorporados entre 1967 e 1969, estando nitidamente antiquado. A fragata Hermenegildo Capelo permanecerá na Armada porque foi modernizada há poucos anos e já funciona em termos de sensores e electrónico quase nos padrões Nato, se bem que mantenham uma parte do armamento de origem, pois só os tubos lança torpedos anti-submarinos é que foram substituídos e comprados torpedos mais modernos e eficazes. Além disso, retirou-se uma peça de artilharia de 100 mm e o sistema de lançamento de morteiros anti-submarinos que deixou de ser eficaz. Com isso reduziu-se a guarnição que originalmente era de 166 pessoas. Graças a dispositivos automatizados, as fragatas holandesas agora adquiridas por Portugal vão navegar com menos pessoal, apenas 154 elementos.

            As fragatas compradas por 240 milhões de euros são aparentemente mais caras que as da classe Oliver Perry que os EUA ofereciam a Portugal por 50 milhões de euros, mas estavam na naftalina e não possuíam motores e os seus sensores, radares, computadores, sistemas de transmissões, etc. eram demasiado antigos a necessitarem de substituição tal como todo o armamento. Feitas as contas, verificou-se que iriam custar mais que as fragatas holandesas que vão ser entregues em perfeito estado de conservação e devidamente modernizadas nalguns dos seus equipamentos.

 

 Mas, um dos factores que mais pesou na decisão de comprar material holandês foi o facto de as fragatas americanas terem apenas como motorização duas turbinas a gás LM 2.500 da General Electric que tinham de ser adquiridas de novo ou reconstruídas e cujo funcionamento é muito dispendioso em combustível, enquanto que as Karel Doorman têm um sistema de motorização Codog, combinação de motor diesel e turbinas a gás, sendo duas turbinas Rolls Royce Spey 1 com a potência de 12 MW para a alta velocidade de 30 nós e dois motores diesel de 3,6 MW cada para velocidade económicas de cruzeiro até aos 21 nós. Claro, as turbinas GE L 2.500 teriam sido mais práticas porque equipam já as Vasco da Gama, mas tecnicamente não se diferenciam muito das RR Spey .

            O deslocamento das fragatas holandesas é quase o mesmo que o das portuguesas Vasco de Gama, também conhecidos por Tipo Meko 200, ou seja 2.800t standard versus 2.920 nas portuguesa e 3.320 versus 3.200. O comprimento das Karel é 7 metros mais que as Vasco e um pouco menos de boca.

 

ARMAMENTO

 

             O armamento é complexo e relativamente similar nas duas classes.

            As holandesas vêm com dois lançadores quádruplos de mísseis Boeing Harpoon Block 1C null com um radar activo de busca e um sistema inercial de guiagem de meio curso para transportarem uma carga explosiva de 220 kg a uma distância máxima de 120 km, tal como nas Vasco. E para a defesa a antiaérea , trazem o mesmo míssil das Meko 200, ou seja, o Raytheon Seasparrow lançado pelo sistema vertical MK 48 com 16 mísseis com alcance de 14 km.

            A artilharia difere das portuguesas, pois as Karel trazem uma peça italiana Oto Melara de calibre 76 mm Mk 100 com capacidade para 100 tiros por minuto que alcançam 16 km à superfície e 12 km em altitude. Para além disso,  vêm equipadas com duas peças automáticas suíças de 20 mm da fábrica Oerlikon e pode ser que também venham equipadas com uma peça holandesa Thales Nederland Goalkeeper antimíssil de sete tubos de 30 mm capazes de dispararem 4.000 tiros por minuto contra objectivos situados entre os 200m   e os 3.000m . As Vasco trazem uma peça semelhante de origem americana, a Vulcan-Phalanx . Pouco se sabe da capacidade efectiva deste armamento pois não foram testados em situações de combate real apesar dos muitos anos de existência, ou antes, durante a guerra entre o Irão e o Iraque dois mísseis Exocet do Iraque acertaram numa fragata da classe Oliver Perry e nada funcionou em termos defensivos. Os americanos disseram que os sistemas estavam desligados, pois não estavam no Golfo Pérsico para entrar em combate.

            Para o combate a submarinos, as Karel, tal como as Vasco, foram equipados com dois tubos duplos MK 32 para o disparo de do torpedo americano Mk 46 Mod 5 guiados por sistemas próprios de sonar activo e passivo com alcance de 9 km para uma cabeça com 45 kg de explosivos e transportam igualmente um helicóptero Lynx da Agusta-Westland armados com dois torpedos MK 46 e um visor de busca infravermelhos FLIR .

            Ao armamento de ataque juntam-se os sistemas de defesa passiva capazes de disturbar 16 ameaças em simultâneo com lançadores de engodos quentes Mk 36 Subroc para enganar os sistemas inimigos de infravermelhos a partir dos 4 km de distância.

            O Sistema ARGOS Apecs II de detecção de radares inimigos e de emissão de obscurecimento de imagem põe detectar e anular a ameaça de navios de 370 km de distância e aviões a 93 km.

            Entre os sensores contam-se uma série de radares e sonares passivos e activos, incluindo o sonar rebocado de baixa frequência, incluindo o Sistema Thomson-Marconi Anaconda DSBV 61 instalado num bolbo da proa.

            Enfim, a Armada Portuguesa vai ficar dotado com um total cinco fragatas com um apreciável poder militar anti-aéreo, anti-submarino e anti-alvos à superfície, mais uma de menor capacidade militar. A estas acrescente-se dois submarinos muito modernos equipados com células de combustível para carregar as baterias em imersão mais 10 Navios Patrulha Oceânicos NPO-200 para serviço quase civil de patrulhamento da costa, dos quais quatro estão em construção. O resto do material é acessório como vedetas de porto, etc. Fica a faltar uma certa capacidade anti-minas , o que, no âmbito dos actuais conflitos assimétricos, a sua ausência pode ser um perigo. Portugal deveria possuir ou construir algumas unidades de detecção e combate a minas, que mais não seja do tipo costeiro.

            São pois abatidos ao serviço 3 fragatas da classe João Belo, 9 corvetas e os três submarinos da classe Delfim, dos quais parece que só um navega.

            Enfim, muitos comentadores de fóruns e jornais perguntam para que serve uma marinha assim em época de crise financeira e de Paz nos mares.

            A realidade é que uma marinha, tal como os outros ramos das Forças Armadas, não servem para quase nada quando existem, mas fazem muita falta quando não existem. Veja-se como Salazar deixou as Forças Armadas sem armas e meios para combater em África e não tinha chegado a instalar dispositivos militares nas antigas colónias, quando toda a gente sabia que a Portugal estaria reservada a mesma sorte que às potências europeias. Claro, se não tivesse sido assim, o resultado acabaria por ser o mesmo e a guerra teria começado um pouco mais tarde. Mas, não haveria tantas vítimas portuguesas no início da guerra angolana.

            Portugal com uma marinha rejuvenescida pode participar em missões da ONU, Nato ou União Europeia e possui um meio dissuasor de ataque a portugueses nalgum território africano, por exemplo, além de servir para manter a unidade nacional com a plena integração da parte insular de Portugal na República.

 

            A Revista de Marinha, a sair no próximo dia 14 de Novembro de 2006, traz um artigo sobre estas fragatas e um sobre os navios do futuro, os do tipo furtivo e a complexa possibilidade de detectar navios e aviões furtivos com emissões de ondas electromagnéticas do tipo das utilizadas nos telemóveis e televisores.

 

            Pedidos de assinatura para o telefone 21 301 23 23 ou Fax 21 301 90 81. Custo da assinatura anual: 12,50 Euros para os seis números que são editados.

 

 

 

 Uma das Fragatas Karel Doorman vista de um periscópio de um submarino

 



publicado por DD às 19:12
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1 comentário:
De anonimo a 18 de Outubro de 2007 às 12:46
em que fontes se baseia para dizer que a fragata hermenegildo capelo permanecerá na armada?


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