Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sexta-feira, 10 de Março de 2006
Mao - Como Surgiu o Revisionismo
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O livro de Jung Chang "Mao-A História Desconhecida" veio recordar uma das figuras mais mosntruosas do Século XX a par do Kaiser Guilherme II, Czar Nicolau II, Hitler, Mussolini, Estaline, Ceasescu, Lenine, Estaline, Idi Amin, Bocaça e tantos, tantos outros.




Como acontece na vida. Também os grandes políticos não passam frequentemente de humanos, isto é: crianças umas vezes, adultos outras; malvados e assassinos muitas vezes e boas pessoas quase nunca, não ser que a isso sejam mesmo obrigados.



Mao conquistou o poder na China, derrotando o enorme exército do Chiang-Kai Chek com o apoio dos EUA e da URSS numa guerra civil entre 1945 e 1948.



Uma vez conquistado o poder Mao gizou o plano chamado “China Superpotência”.



Para tal não possuía técnicos e engenheiros. Herdara na Manchúria uma série de siderurgias e fábrica de armamentos deixadas pelos japoneses, mas sem engenheiros, pelo que recorreu aos soviéticos para lhe fornecerem técnicos e máquinas para fazer fábricas de aviões, já que os aviões japoneses e americanos que ficaram com ele eram todos a hélice e, portanto obsoletos.



Mao Ze-dung foi sempre um fervoroso estalinista e amigo do PCUS, tendo os seus oficiais sido formados na Academia Militar de Whampoa que os soviéticos instalaram em Xangai nos anos vinte, tal como próprio Chiang-Kai-chek e quase todos os oficiais dos dois partidos, o Comunista e o Kuomintang e que chegaram a estar coligados, isto no período em que a República Chinesa era governada por generais do antigo imperador e Sun Yat-sen (fundador da República Chinesa) fora expulso do poder.




Uma vez no poder, Mao começou pois a adquirir grande número de equipamentos e fábricas aos soviéticos e queria a Bomba Atómica. Os soviéticos ainda lhe instalaram um reactor nuclear e venderam as duas primeiras bombas, além de algum equipamento de centrifugação (enriquecimento) de urânio.



Mao também queria mísseis e Krutchev chegou a condescender e assinou mesmo um acordo para fornecer o Míssil R-10 que podia ser lançado de terra ou de um submarino e a partir do qual os chineses poderiam fabricar mísseis intercontinentais.



Isso foi no fim dos anos cinquenta ou início dos sessenta; as relações entre as duas grandes nações eram das melhores, mas a URSS não oferecia nada, mas sim vendia a preços relativamente módicos, mas altos na mesma, na medida em que se tratavam de equipamentos muito sofisticados que envolveram o trabalho na URSS e na China de dezenas de milhares de engenheiros e técnicos soviéticos. Para pagar isso tudo, Mao exportava então bens alimentares que faziam uma tremenda falta aos chineses. A China não tinha tido grandes proprietários nem um capitalismo sequer. Em 1945, a agricultura chinesa era largamente minifundiária e a indústria quase completamente artesanal, pelo que a exportação de milhões de toneladas de arroz, cereais, soja, etc. reduziu os camponeses à fome com a morte de mais de 70 milhões de membros de famílias numerosas e de recalcitrantes. Até milhares de quadros do PCC foram purgados e assassinados porque não eram suficientemente duros e capazes de tirar a comida da boca de milhões de camponeses.



Sucede, portanto, que no dia seguinte à assinatura do acordo de fornecimento dos planos e do equipamento para o fabrico dos mísseis R-10, um caça de Taiwan largou inadvertidamente um míssil ar-ar “Sidewinder” americano em solo chinês sem explodir. Os russos pediram logo para que o mesmo lhes fosse entregue pois queriam fazer uma cópia.



Mao Ze-dung não entregou o míssil e andou a protelar durante seis meses. E, por fim, entregou o míssil sem o essencial: o sistema de navegação que nunca chegou às mãos dos soviéticos.



Krutchev teve uma fúria e ordenou de imediato que nada mais seria fornecido aos chineses em termos de material militar. Acabou ali a colaboração militar entre a URSS e a China.



A seguir, Ze-dung lançou uma das suas muitas campanhas, sempre acompanhadas de grandes purgas. Mas, desta vez, contra o novo imperialismo que já não o habitual americano, mas sim o revisionismo soviético, pois Mao também se enfureceu com a assinatura do Tratado de Proibição de Testes Nucleares na Atmosfera e, depois, contra o Tratados de Limitação de Armas Nucleares (SALT I e II) e outros tratados que salvaram o Mundo de uma hecatombe nuclear e que nos permitiu a todos nós aqui e em muitos países da Terra estarmos VIVOS.



Mao foi, sem duvida, o maior monstro que o Planeta alguma vez conheceu. Liquidou logo no início dezenas de milhões de camponeses e depois deixou muitos mais morrer à fome e foi sempre fazendo purgas terríveis no Partido e na Administração. Ele achava mesmo que era necessário liquidar milhões para dispor de bens alimentares em quantidade suficiente para exportar e grande parte das obras foram feitas com milhões de escravos.



Durante todo o período do seu “Salto em Frente”, Mao utilizou continuamente mais de vinte milhões de ESCRAVOS, ou seja, Camponeses Mobilizados para Trabalho Escravo.



Esses camponeses não recebiam absolutamente nada do Estado. Tinham de trazer, alimentos e o material para fazer uma cobertura onde dormiam. A família ficava em casa a produzir na terra a ração mínima a que cada camponês tinha direito e mandava a mesma ao ESCRAVO.



No fundo, era ainda pior que o sistema soviético de escravatura nas Kolkozes e Sovkozes em que os camponeses trabalhavam de graça para o Estado e podiam nas horas vagas cultivar uma horta e uns cereais e manter alguns animais para a sua subsistência, pois assim a ESCRAVOCRACIA Estalino-Leninista não necessitava de alimentar os seus ESCRAVOS.




Com aquele sistema, Mao construiu estradas e barragens, mas também iniciou obras megalómanas que ficaram por fazer por se ver que não podiam ser feitas como canais gigantescos para irrigar zonas desérticas onde a água nunca podia lá chegar e outras.



Durante décadas, o povo chinês sofreu fomes terríveis apesar de os anos agrícolas terem sido bastante bons. Ao mesmo tempo, Mao levava uma vida faustosa com mais de 50 vilas espalhadas pelo país onde vivia atrás sempre num bunker sem janelas à prova de bombas e com profundos subterrâneos. Geralmente ele chegava à sua suite de carro que entrava dentro do bunker e daí saíam sempre vários túneis para o exterior com saídas muito bem camufladas. Claro está que as suas vilas-bunkers não tinham vizinhança pois requisitava sempre todo um vasto bairro ou área.



Nos bunkers havia sempre uma grande sala de baile com ligação directa a quartos e todas as semanas havia baile. Aí, Mao divertia-se com a sua guarda feminina que as Forças Armadas forneciam; raparigas muito jovens que eram utilizadas por Mao para todo o serviço.



Um dia, quando da Guerra da Coreia, o filho mais velho apaixonou-se por uma dessas jovens e quis casar com ela. Mao teve uma fúria e não quis deixar, mas o filho levou a rapariga para fora e casou mesmo. Mao ficou tão zangado que mandou o filho para a Coreia onde morreu e durante três anos não disse a nora que o marido tinha morrido na guerra.



Calcula-se que Mao deve ter fornicado mais de 2 mil mulheres durante os 27 anos do seu mandato. Mesmo os antigos imperadores da China não chegaram a tal.



Ao fazer uma investigação na Net sobre o Partido Comunista Chinês e o governo da República Popular verifico que a ideologia é a mesma, mas agora baseada nos três “Presents” em inglês), ou seja a Teoria Maoista, a Teoria Denguista e a Economia Socialista de Mercado. Suponho que o termo Presents” que os chineses escrevem na suas páginas Web devem querer dizer “Presentes Envenenados para o Povo Chinês.



A mão-de-obra quase escrava que fabrica produtos baratos para exportação é mantida pela continuada exploração das massas camponesas que produzem nas suas pequenas leiras os produtos alimentares que têm de entregar ao Estado por preços ínfimos. Assim, cada par de sapatos baratos que compramos numa loja chinesa foi praticamente tirado a um camponês ou trabalhador que o não pôde comprar e assim com as roupas e outros produtos. Apenas os quadros e técnicos das cidades é que vivem hoje melhor, pois o regime tem de ter uma certa base de apoio para compensar a profunda contradição que é juntar água e fogo, ou seja, capitalismo e comunismo.



Hoje, a direcção chinesa quer que a Airbus instale uma fábrica na China, mas o governo alemão não quer e é um dos primeiros accionistas da Airbus. Como é sabido, a Airbus não é uma empresa privada, mas sim de capitais públicos de várias nações da União Europeia, tal como o CERN, a Agência Espacial Europeia e a nova Agência Europeia de Energia que está a ser fundada, etc.



Admito como possível que se a Europa disser não, os comunistas chineses vão ter uma fúria e são capazes de ter a “brilhante ideia” de nacionalizar as empresas que as multinacionais instalaram na China. Seria mesmo bem feito para todos os milionários que fazem lucros fabulosos com a escravatura que o comunismo chinês lhes oferece. Os chineses também querem adquirir tecnologia militar na Europa e gastaram biliões na compra das acções da Philips que fabrica também sistemas de guiagem de mísseis e muito outro material de alta tecnologia como os Tacs, etc. Foi um erro, os holandeses terem deixado que essa compra fosse feita.



O objectivo chinês é explorar ao máximo os seus camponeses para levar as indústrias europeias à falência e, em particular, a portuguesa que é a mais frágil no âmbito das chamadas indústrias ligeiras e, ao mesmo tempo, acentuar a exploração dos trabalhadores europeus por via da chantagem do desemprego e da criação de desigualdades.




Por último uma explicação. Como chegou Mao ao poder.



Mao falhou na tentativa de ascender à direcção do recém-formado PCC nos anos vinte; não passou de suplente do comité central. Por isso, saiu de Xangai e foi para uma zona de guerrilha comunista onde conseguiu o comando e o título de presidente de um Comité de Guerrilha. Nessa altura, a China não tinha estradas nem caminhos-de-ferro pelo que os governos instáveis da República pouco podiam fazer contra os “senhores da guerra” que dominavam as várias regiões e Mao tornara-se assim num deles.



Quando Chiang Kai-chek avançou contra as duas regiões em que havia fortes guerrilhas comunistas, estas tiveram de levantar o acampamento e iniciar a longa marcha para o Norte, perto da fronteira da URSS, a fim de receberem material de guerra russo.



Mao foi transportado de liteira ao longo de todo o trajecto e não a pé pois detestava o exercício físico, excepto a natação, apesar de ser filho de camponeses proprietários de uma pequena terra.



Depois vieram os anos trinta e o ataque japonês. Durante a guerra, os japoneses não se chegaram ao Noroeste onde estava Mao e no fim da guerra a URSS conquista a Manchúria e entrega a Mão que ascenderam, entretanto, a Chefe do Exército Vermelho e presidente do PCC.



O exército de Chiang era mais poderoso, mas tinha sido empurrado para o Sul de Cantão, tendo travado toda a guerra contra o imperialismo japonês. Depois de 1945, Mao inicia uma ofensiva para o Sul a partir da Manchúria e Chiang pede o auxílio da marinha americana para transportar as suas tropas para o norte, nomeadamente para Pequim e Nanquim. Os americanos transportaram duas divisões apenas e recusaram-se a mais, o que foi insuficiente. Isto foi depois da visita do general Marshall a Mao que o convenceu que era um verdadeiro democrata.



Sem o apoio logístico americano e com a ajuda das toupeiras comunistas infiltradas no exército de Chiang, Mao foi mobilizando cada vez mais camponeses e recebeu grande quantidade de armamento apreendido pelos russos aos japoneses e conquistou a China com facilidade. A guerra durou quase três anos porque tinha tudo de ser feito a pé e Chiang não recebeu qualquer ajuda de Trumann que era enganado pelos seus colaboradores.



As chamadas perseguições maccartistas nos EUA tiveram a ver com o facto de o Departamento de Estado norte-americano tudo ter feito para sabotar a resistência de Chiang e, com isso, entregou a China ao comunismo Maoista.



É certo que Chiang era ingénuo; escolhia mal as pessoas e seguia muito o que a família da mulher queria e eram altamente corruptos. Mas, havia liberdade nas zonas de Chiang pelo que a corrupção vinha toda nos jornais, enquanto com Mao nunca um jornal se atreveu a escrever algo sobre a fome e o povo chinês nunca teve conhecimento dos locais de residência de Mao. Apenas as muitas execuções eram relatadas para inspirarem terror e eram feitas no meio de grandes comícios em que os supliciados eram torturados e recebiam pancadas violentas da multidão antes de lhes ser posto um fim ao sofrimento com a morte.



Mataram milhões para, afinal, reporem o capitalismo e tornarem-se em ESCRAVOS do grande capital. É curiosa esta tremenda contradição e não pode abandonar o pensamento de qualquer pessoa minimamente inteligente.



Mao foi um dos muitos assassinos e torcionários do Século XX que começou com o Czar, o Kaiser, prosseguiu com Franco e muita gente do género para chegar ao máximo de um Hitler e de um Estaline, epígono de Lenine em muitas matança e, por fim, terminar no Bocaças, Idi Amin africanos e agora nas exacções praticadas por toda a gente no Iraque: Americanos, ingleses, xiitas, sunitas, curdos, etc., etc.



Até está neste momento a dar conferências em Portugal o líder da Aliança Patriótica de Resistência do Iraque, tida como filial da Al Qaeda.



Acho que compete aos intelectuais de hoje e a toda a gente pensante fazer um ajuste de contas ideológico e filosófico com as matanças do Século XX e lutar abertamente para que não se repitam no actual XXI, que não começou nada bem nesse aspecto.



Filósofos de todo o Mundo, Pensadores e Cidadãos Conscientes vamo-nos unir todos e repensar o passado para que não seja também o futuro da Humanidade.



Viva a Paz e abaixo todos, mas todos, os assassinos do planeta, tanto os actuais como os do passado.Matemos todas as iderologias dos que ASSASSINARAM mais de 250 MILHÕES DE HOMENS, MULHERES E CRIANÇAS NO SÉCULO XX.

É preciso inventar a ideologia da PAZ, TOLERÂNCIA e LIBERDADE.



publicado por DD às 23:59
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