Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quarta-feira, 22 de Novembro de 2006
O Bill Gaitas Russo

 

 

 

 

O Bill Gaitas russo é o engenheiro Jevtushenkov. Dizem que é mais rico que o americano, mas não por ter inventado ou criado algo de novo, apesar de ser engenheiro e economista.

Não, o proprietário de 62% das acções da gigantesca Holding russa Systema, não criou nada de raiz, mas foi um bravo comunista e no fim dos anos setenta e nos oitenta foi vice-ministro da Indústria da Federação Russa e membro do governo da grande Moscovo para a indústria electrónica.

Enquanto comunista e dirigente da antiga União Soviética participou na criação de um "Silicon Valley" estatal situado nos arredores de Moscovo, precisamente em Slenograd.

Nos tempos do Comunismo, Jevtushenkov era um importante funcionário do socialismo comunista.

Curiosamente, hoje é o proprietário das empresas que então dirijia mais uma série de outras, entre as quais a antiga organização comunista de turismo, a Inturist, com todos os seus hotéis e até uma companhia de aviação.

A grande fábrica de componentes electrónicos (chips) de Selenogrado que foi o orgulho do poder soviético é hoje simplesmente propriedade do engenheiro Jevtushenjov. Além disso, possui a empresa de telefones móveis Mobilis Telesystimsk com 67 milhões de assinantes.

Uma parte da cidade de Moscovo pertence-lhe através da empresa imobiliária Gals e, bem assim, várias cadeias de supermercados e a gigantesca cadeia de lojas de brinquedos Detski com mais de duas mil lojas em toda a Federação Russa e em vários países da antiga URSS. Na China, o Gaitas russo é dono de 14 grandes fábricas de brinquedos.

O Engenheiro é um homem recatado, mas tornou-se repentinamente famoso na Europa por querer comprar a gigantesca Telekomm alemã que possui, além da rede fixa de 82 milhões de alemães, a empresa de telemóveis T-Mobile com 92 milhões de assinantes e uma parte importante Telefónica Espanhola que possui a Telefónica Móviles com 138 milhões de assinantes em Espanha e na América Latina.

O Jevetushenkov quer juntar as empresas dos telélé da Rússia, Alemanha, Espanha e outros países para atingir os 226 milhões que ultrapassará a Vodafone e ficará apenas atrás da China Mobile com 247 milhões de assinantes, o que na China não é nada, ou seja, menos de 20% da população.

Estando a Telefónica espanhola atrás do negócio da OPA da PT a realizar pelo Belmiro com o dinheiro do Santander, é natural que o Engenheiro Jevtushenkov ainda venha a ser o dono da nossa PT para juntar uma ninharia de uns 10 milhões de assinantes ao seu Império.

São verdadeiramente curiosas as histórias dos gigantescos oligarcas russos que, há bem pouco tempo, eram uns ferozes anti-capitalistas e membros do partido do Sol na Terra, como dizia Cunhal.

Este facto explica a queda do Comunismo por auto-dissolução na URSS, pois, ao fim de setenta anos de ditadura comunista, aquilo era tudo dos dirigentes. Só faltavam mesmo eram as escrituras notariais. Para isso, nada melhor que acabar com o sistema e introduzir a propriedade privada.

Os comunistas ficaram com o poder económico enquanto que aos membros do KGB foi-lhes dado o poder político com o seu ex-coronel Putin na presidência da Federação. Os militares foram postos de lado porque os oligarcas são expertos; sabem que pelas guerras não vão a parte algum, salvo raras excepções.

A maior curiosidade é que a Tcheka criada por Lenine, depois NKVD e KGB, acabou com o comunismo para ser a única detentora de um poder político dito democrático que continua a mandar assassinar os opositores com veneno ou a tiro.

Hoje, há a convicção que foi o FBS, a organizações sucessora do KGB, que colocou as bombas num bloco de apartamentos em Moscovo que matou 300 pessoas para inculpar os tchechénios e, assim, iniciar uma ofensiva contra a pequena república rebelde do Cáucaso.

Enfim, este Mundo é cada vez mais Cão.

A minha tese política é que a democracia com altos e baixos produz sempre um Estado Social; a ditadura leva sempre à oligarquia, mesmo quando instalada para a combater e destruir.

    Selenograd - a Silicon Valley russa - hoje propriedade do

 engenheiro Jewtuchenkov



publicado por DD às 00:06
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Domingo, 19 de Novembro de 2006
Grandes Negócios

 

Diz a revista Visão que o concurso público para a instalação do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) foi adjudicado em Fevereiro de 2005, três dias depois das eleições legislativas, por dois ministros do Governo cessante de Santana Lopes, Daniel Sanches e Bagão Félix, por 600 milhões de Euros.

O ministro PS da AI, António Costa, com pareceres da PGR conseguiu desmontar a manobra e renegociou o valor do contrato para 485 milhões de Euros.

Aparentemente, eram 115 milhões que os dois ministros provavelmente iriam meter ao bolso.

O Bagão deve ter recebido um balúrdio por ter levado a CGD a comprar a parte do grupo segurador do BCP que ninguém queria comprar e do qual foi administrador.


Tal como está a fazer com o negócio da SIRESP, a PJ deveria investigar o Bagão Félix e o TIC devia chamá-lo a depor e explicar a razão porque, enquanto Ministro das Finanças, levou a sua tutelada CGD a comprar um grupo de seguradoras de que não necessitava e só dava PREJUÍZO, tendo para isso que vender acções de empresas bem mais valiosas e estratégicas para PORTUGAL como da Galp e da Brisa.

A PJ deveria igualmente investigar a compra ordenada pelo Paulo Portas de dez mil pistola metralhadoras ao Chile por mil euros cada uma, quando a empresa alemã HK oferecia por 1.150 euros uma arma ultra sofisticada para substituir as G-3.


Não é que a arma tivesse algo a ver com pistolas-metralhadoras de polícia do Chile; é que estas são mais pequenas, menos automáticas e deveriam custar muito menos DINHEIRO, principalmente por serem fabricadas no Chile, país que não tem o euro e de mão-de-obra barata. Dizem os entendidos que o verdadeiro valor das pequenas armas chilenas deverá ter sido, quanto muito, de 500 euros.

PP deve ter encaixado 5 milhões de euros, talvez repartidos com o PM de então e sei lá com quem mais da GNR que recebeu as armas.



publicado por DD às 18:05
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Mortos na Estrada

Hoje é o dia dos mortos na estrada.

Segundo a TSF, morreram na estrada nos primeiros nove meses do ano seiscentas e tal pessoas, portanto menos duzentas e tal que no ano passado.

 

Analisando a estatísticas da DGV, verificamos que estão incluídos os três meses com a maior sinistralidade na estrada em Portugal, ou seja, Julho, Agosto e Setembro.

 

Projectando as médias mensais para o ano inteiro verificamos que deverão morrer cerca de  860 pessoas na Estrada, o que é muito e dramático.

 

Mas as coisas têm de ser vistas na plena amplitude para não sermos estúpidos de todo.

 

Primeiro: Comparação Internacional com os números de 2005. Em Portugal devem morrer 0,086 pessoas por mil habitantes, o que poderá ser um segundo número mais baixo da Europa. No ano passado, morreram no Reino Unido 0,06 pessoas e na Alemanha 0,09. Todos os outros países estiveram muito acima.

 

Segundo: Comparando com o passado.

 

Nos tempos de Salazar e Marcelo Caetano, como sabemos, não se morria na estrada, pelo que não havia estatísticas. Foi só a partir de 1975 é que se começou a morrer em Portugal, antes era o paraíso??????

 

Registamos pois:

1975: 2.676 mortos com menos de um quinto do actual parque automóvel.

1976: 2.594 mortos

1977: 2.153 mortos

1980: 2.262 mortos

1988: 2.534 mortos

1990: 2.321 mortos

1992: 2.372 mortos

1995: 2.085 mortos

1997: 1.939 mortos

2000: 1.629 mortos

2001: 1.466 mortos

2002: 1.469 mortos

2006:    860 mortos (estimativa muito provável)

 

Ao mesmo tempo que o parque automóvel passou de um milhão e cem  mil unidades em 1975 para 5 milhões e setecentas mil este ano, a sinistralidade mortal foi reduzida de 2.676 vítimas mortais para 860, colocando Portugal num lugar cimeiro na Europa em termos de redução e pouca sinistralidade.

 

Claro, não é, por acaso, que Portugal tem a maior rede de auto-estradas da Europa, relativamente á superfície, ou seja, mais de 22 km por mil km2. Apenas a Holanda se aproxima com 20 km e a Irlanda apenas tem 100 km de AE ou 3 km por cada mil km2 de área territorial.

 

É evidente que a queda este ano tem a ver com o preço da gasolina e, infelizmente, nem as gasolineiras nem a Brisa dão estatísticas de consumo e utilização deste ano em comparação com os anos anteriores, mas a estatística mostra uma quebra constante desde 1975 e que se começou a acentuar mais desde 1988. Apenas em 1997 descemos abaixo dos dois mil mortos e a partir daí nunca mais chegámos a essa cifra, estando em 2002 nos 1.469 mortos, o que revela que foi a melhoria muito acentuada na qualidade das estradas que permitiu reduzir o número de mortos enquanto o parque automóvel crescia para os valores proporcionais mais elevados da Europa. Claro, às rápidas intervenções do INEM se deve a salvação de muitas vidas.

 

Nestes números estão incluídos os mortos por atropelamento que atingiram principalmente pessoas com mais de 75 anos, enquanto que os condutores vitimados eram maioritariamente dos extractos etários entre os 20 e os 30 anos. Mas, atenção aos peões, 20% dos mortos na estrada andavam a pé.

 

Quase um terço dos acidentes foram provocados por velocidade excessiva, seguido pela viragem à esquerda, mas o maior número de acidentes dá-se à marcha normal, o que significa distracção, sonolência ou não cumprimento de regras de trânsito.

 

Na estrada, morre-se mais à sexta-feira, sábado e domingo. E mais entre as 15-18H, seguido do período entre as 12-15H e depois entre as 18-21H.

 

Morre-se muito mais com tempo bom que com chuva ou nevoeiro, dizem as estatísticas.

 

A quebra no número de mortos na estrada poderá levaras estatísticas portuguesas a revelarem uma mortalidade global inferior a cem mil pessoas; portanto, poderão morrer este ano, pela primeira vez na História portuguesa, menos de 1% da população, o que será um dos valores mais baixos do Mundo.

 

Enfim, os jornalistas vão falar hoje nos mortos na estrada, sem cuidar de fazer uma análise isenta do problema e vão continuar a propalar aquilo que já foi verdade e hoje é mentira, que Portugal tem o maior índice de sinistralidade rodoviária entre os países da Europa.

 

Portugal para os jornalistas tem sempre de ser o pior país do Mundo.

 

Para mim, Portugal é o que é e em cada situação tem estatísticas próprias que o tornam acima de muitos e abaixo de outros, mas não há uma nação chamada Portugal que seja pior do que qualquer outra no Mundo, seja em que estatística for.

 

Infelizmente, temos TRAIDORES à Pátria como o Marques Mendes que no estrangeiro anda a fazer uma campanha contra Portugal. Ele devia ficar pelos paraísos onde anda e, se isto é tão mau, que não regresse. A Pátria não necessita de TRAIDORES.

 



publicado por DD às 10:25
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2006
Ordenado Mínimo

 

 

            É verdadeiramente inconcebível e de um egoísmo gritante que as Associações Patronais se oponham a um aumento substancial do ordenado mínimo de 385 Euros mensais quando é sabido que esse valor não é pago por quase nenhum empresa. O próprio Eurostat considera que o ordenado mínimo português é de 450 Euros porque quase todas as empresas acrescentam um modesto subsídio de refeição da ordem 65 Euros mensais, o que não chega a 3 Euros por dia de trabalho.

            Já há tempos, a Universidade de Coimbra tinha feito um estudo e concluído que apenas 2% dos trabalhadores portugueses ganhavam efectivamente o ordenado mínimo. Hoje, sabe-se não devem chegar aos 0,5% os trabalhadores com um ordenado de 385 Euros menos os 11% da Segurança Social, o que dá 342,65 Euros ou 11,41 Euros por dia num mês de 30 dias. O ordenado mínimo está isento de IRS.

            De resto, um empresário que queira empregar alguém a receber esses 342,65 Euros mensais não consegue qualquer trabalhador. Qualquer pessoa a limpar escadas, ajudar numa oficina clandestina de automóveis ou arrumar carros na rua ganha mais que isso. Até um pedinte faz mais.

            Um exemplo: Um mecânico amigo que tem uma pequena oficina na Damaia de Cima arranjou um ajudante quer percebe pouco de mecânica e de bate-chapas, mas vai aprendendo. Mesmo assim, está a pagar-lhe 650 Euros mensais mais uma percentagem sobre trabalhos que faz sozinho e umas gorjetas que os clientes dão.

            Quem for ao Mundo rural verifica que o maior problema da agricultura portuguesa é a falta de pessoal para trabalhar e nas colheitas e outros trabalhos agrícolas pagam-se 8 euros à hora e é já uma sorte arranjar quem queira fazer o trabalho. Portanto, em cinco dias úteis, o trabalhador faz o ordenado mínimo.

            Dizer que o mercado não aguenta o ordenado mínimo, como disse na TV um dirigente patronal, é uma mentira colossal. Antes pelo contrário, o problema das empresas portuguesas é o baixo salário que não induziu a melhorias de qualidade de produtos, marketing, equipamentos fabris etc., não ordenados mínimos. Os baixos salários da indústria e comércio são de 450 Euros para cima até aos 600 ou 700 euros mensais.

            Portugal enfrenta dois tipos de concorrência que batem as indústrias portuguesas. A dos países que pagam salários superiores, para os quais muitas empresas se deslocalizaram, e a dos países de mão-de-obra baratíssima, quase escravatura, associada a um câmbio extremamente baixo da moeda. A China, por exemplo, paga menos de 50 cêntimos à hora, o que significa que os seus termos de troca são altamente desfavoráveis, mas prefere isso a ter uma gigantesca população sem trabalho. O mesmo se passa com muitos ex-países comunistas como a Polónia, a Roménia, etc. que ao entrar na UE vão deixar de desvalorizar as suas moedas. Depois de décadas de governos comunistas, nada ficou de industrialmente válido nesses países, susceptível de ser exportado com êxito, pelo que sua única riqueza é a exploração do trabalho. Mas, como deixaram de poder desvalorizar as suas moedas, o custo do trabalho acabará por aumentar substancialmente.

            Não há pois razão alguma para que o ordenado mínimo não suba dos actuais 385 Euros para 400 Euros já e em três anos chegue aos 500. A economia não sairá perturbada em nada e o governo passa por ser um benfeitor, enquanto o patronato vocifera contra o NADA.



publicado por DD às 14:07
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Domingo, 12 de Novembro de 2006
Profissão: Mãe

Uma vizinha é educadora de infância e mãe de dois filhos nascidos um atrás do outro. Fez uma interrupção na sua carreira docente para cuidar das crianças que agora rondam os dez anos de idade.

Sistematicamente candidata-se aos concursos  para voltar à profissão de educadora de infância sem qualquer êxito, pois o tempo de serviço é sempre inferior ao de outras concorrentes.

A situação é tremendamente injusta e significa uma descriminação que eu diria anticonstitucional contra as mães, pelo que, em prole da indispensável natalidade, qualquer tempo perdido por uma mãe com o nascimento de filho ou filhos e, mesmo, com um período de educação de qualquer número de anos não deverá  ser descontado em qualquer carreira e, principalmente, numa de educadora infantil, já que, nesse caso, não houve mesmo interrupção. E não me refiro apenas ao Estado, mas também ao Sector privado, pois todos somos responsáveis pelo futuro da Nação.

Até deveria ser criada a profissão de mãe a tempo inteiro com um apreciável abono de família para dois ou mais filhos e tanto maior quanto maior o número de filhos com direito a pensão de reforma a partir de uma certa idade que não seja os 65 anos.

Só assim, poderá Portugal e a maior parte dos países europeus encontrarem uma solução para a queda da natalidade.

Esta tem a ver com a carreira profissional das mulheres que estudam mais que os homens e com o facto de o baixo nível de salários não permitir que uma família viva de um só ordenado e, ainda por cima, tenha vários filhos a sustentar.

Antigamente , isto é, há 50 ou mais anos, em Lisboa era hábito os homens das classes médias e até proletárias terem mais que um emprego. Saíam de um para ir para outro. Mas, nesse tempo, Lisboa era uma cidade pequena e concentrada. Os escritórios funcionavam na Baixa e a indústria no Vale de Alcântara, pelo que não era difícil sair de um emprego para outro, Mas, hoje, as distâncias são maiores e as famílias vivem em grande parte na periferia ou em subúrbios distantes, pelo que não é simples ter dois empregos. E os jovens carreiristas têm de se dedicar por inteiro à empresa e fazer horas extraordinárias gratuitas para poderem avançar um pouco.



publicado por DD às 21:18
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Sábado, 11 de Novembro de 2006
Novas Fragatas para Portugal

 

 

            Portugal adiantou-se ao Paquistão ou, talvez, foi a sua ligação à Nato que permitiu sair favorecido na compra das duas últimas fragatas da Classe M – Karel Doorman que o Governo holandês queria vender.

            Apesar de serem navios em segunda mão não podem ser considerados velhos e, menos ainda, pouco modernos. São mesmo das melhores fragatas que se construíram na Europa com um deslocamento à volta das 3.000 toneladas e têm muito de comum com as três fragatas da classe Vasco da Gama.

            As Karel Doorman entraram ao serviço da marinha neerlandesa entre 1991 e 1995. Das oito que formavam a classe M, duas foram vendidas ao Chile, ou seja a Abraham Van der Hulst que hoje se chama Almirante Blanco Encalada e já entregue e a Tjerk Hiddes que vai ser incorporada na marinha chilena em 2007 e ainda não tem o novo nome.

            Duas outras forma vendidas à Bélgica, adquirindo o nome de Leopold e Louise-Marie .

            Os navios destinados a Portugal são de 1994,  a Van Nes F 833) e a Van Galen (834), visível na foto,  devem ser entregues em Dezembro 2008 e Dezembro de 2009 após trabalhos de modernização e revisão, a serem feitos em conjuntos com os navios destinados à Bélgica. São pois navios um pouco mais recentes que as Vasco da Gama, incorporadas na Armada em 1990 e 1991, mas dotados de uma excelente tecnologia em todos os aspectos e o desenho tem já algumas características de navios furtivos ou de baixa assinatura radar. A ponte o mastro principal de superior e alojamento de meios electrónicos são inclinados, tal como o casco, de modo a que a ondas de radar não sejam reflectidas para a antena de origem e assim seja mais difícil a sua detecção. De futuro, todos os navios de guerra serão inteiramente furtivos conforme descrevi no último número da Revista de Marinha a sair nos próximos dias, pois os americanos planeiam substituir toda a sua marinha de guerra por novos navios furtivos no espaço de vinte a vinte e cinco anos e o resto do Mundo irá atrás.

            As duas fragatas que agora vão dar uma nova força à Marinha de Guerra portuguesa destinam-se a substituir três navios da classe João Belo que navegam há quase quarenta anos, pois foram incorporados entre 1967 e 1969, estando nitidamente antiquado. A fragata Hermenegildo Capelo permanecerá na Armada porque foi modernizada há poucos anos e já funciona em termos de sensores e electrónico quase nos padrões Nato, se bem que mantenham uma parte do armamento de origem, pois só os tubos lança torpedos anti-submarinos é que foram substituídos e comprados torpedos mais modernos e eficazes. Além disso, retirou-se uma peça de artilharia de 100 mm e o sistema de lançamento de morteiros anti-submarinos que deixou de ser eficaz. Com isso reduziu-se a guarnição que originalmente era de 166 pessoas. Graças a dispositivos automatizados, as fragatas holandesas agora adquiridas por Portugal vão navegar com menos pessoal, apenas 154 elementos.

            As fragatas compradas por 240 milhões de euros são aparentemente mais caras que as da classe Oliver Perry que os EUA ofereciam a Portugal por 50 milhões de euros, mas estavam na naftalina e não possuíam motores e os seus sensores, radares, computadores, sistemas de transmissões, etc. eram demasiado antigos a necessitarem de substituição tal como todo o armamento. Feitas as contas, verificou-se que iriam custar mais que as fragatas holandesas que vão ser entregues em perfeito estado de conservação e devidamente modernizadas nalguns dos seus equipamentos.

 

 Mas, um dos factores que mais pesou na decisão de comprar material holandês foi o facto de as fragatas americanas terem apenas como motorização duas turbinas a gás LM 2.500 da General Electric que tinham de ser adquiridas de novo ou reconstruídas e cujo funcionamento é muito dispendioso em combustível, enquanto que as Karel Doorman têm um sistema de motorização Codog, combinação de motor diesel e turbinas a gás, sendo duas turbinas Rolls Royce Spey 1 com a potência de 12 MW para a alta velocidade de 30 nós e dois motores diesel de 3,6 MW cada para velocidade económicas de cruzeiro até aos 21 nós. Claro, as turbinas GE L 2.500 teriam sido mais práticas porque equipam já as Vasco da Gama, mas tecnicamente não se diferenciam muito das RR Spey .

            O deslocamento das fragatas holandesas é quase o mesmo que o das portuguesas Vasco de Gama, também conhecidos por Tipo Meko 200, ou seja 2.800t standard versus 2.920 nas portuguesa e 3.320 versus 3.200. O comprimento das Karel é 7 metros mais que as Vasco e um pouco menos de boca.

 

ARMAMENTO

 

             O armamento é complexo e relativamente similar nas duas classes.

            As holandesas vêm com dois lançadores quádruplos de mísseis Boeing Harpoon Block 1C null com um radar activo de busca e um sistema inercial de guiagem de meio curso para transportarem uma carga explosiva de 220 kg a uma distância máxima de 120 km, tal como nas Vasco. E para a defesa a antiaérea , trazem o mesmo míssil das Meko 200, ou seja, o Raytheon Seasparrow lançado pelo sistema vertical MK 48 com 16 mísseis com alcance de 14 km.

            A artilharia difere das portuguesas, pois as Karel trazem uma peça italiana Oto Melara de calibre 76 mm Mk 100 com capacidade para 100 tiros por minuto que alcançam 16 km à superfície e 12 km em altitude. Para além disso,  vêm equipadas com duas peças automáticas suíças de 20 mm da fábrica Oerlikon e pode ser que também venham equipadas com uma peça holandesa Thales Nederland Goalkeeper antimíssil de sete tubos de 30 mm capazes de dispararem 4.000 tiros por minuto contra objectivos situados entre os 200m   e os 3.000m . As Vasco trazem uma peça semelhante de origem americana, a Vulcan-Phalanx . Pouco se sabe da capacidade efectiva deste armamento pois não foram testados em situações de combate real apesar dos muitos anos de existência, ou antes, durante a guerra entre o Irão e o Iraque dois mísseis Exocet do Iraque acertaram numa fragata da classe Oliver Perry e nada funcionou em termos defensivos. Os americanos disseram que os sistemas estavam desligados, pois não estavam no Golfo Pérsico para entrar em combate.

            Para o combate a submarinos, as Karel, tal como as Vasco, foram equipados com dois tubos duplos MK 32 para o disparo de do torpedo americano Mk 46 Mod 5 guiados por sistemas próprios de sonar activo e passivo com alcance de 9 km para uma cabeça com 45 kg de explosivos e transportam igualmente um helicóptero Lynx da Agusta-Westland armados com dois torpedos MK 46 e um visor de busca infravermelhos FLIR .

            Ao armamento de ataque juntam-se os sistemas de defesa passiva capazes de disturbar 16 ameaças em simultâneo com lançadores de engodos quentes Mk 36 Subroc para enganar os sistemas inimigos de infravermelhos a partir dos 4 km de distância.

            O Sistema ARGOS Apecs II de detecção de radares inimigos e de emissão de obscurecimento de imagem põe detectar e anular a ameaça de navios de 370 km de distância e aviões a 93 km.

            Entre os sensores contam-se uma série de radares e sonares passivos e activos, incluindo o sonar rebocado de baixa frequência, incluindo o Sistema Thomson-Marconi Anaconda DSBV 61 instalado num bolbo da proa.

            Enfim, a Armada Portuguesa vai ficar dotado com um total cinco fragatas com um apreciável poder militar anti-aéreo, anti-submarino e anti-alvos à superfície, mais uma de menor capacidade militar. A estas acrescente-se dois submarinos muito modernos equipados com células de combustível para carregar as baterias em imersão mais 10 Navios Patrulha Oceânicos NPO-200 para serviço quase civil de patrulhamento da costa, dos quais quatro estão em construção. O resto do material é acessório como vedetas de porto, etc. Fica a faltar uma certa capacidade anti-minas , o que, no âmbito dos actuais conflitos assimétricos, a sua ausência pode ser um perigo. Portugal deveria possuir ou construir algumas unidades de detecção e combate a minas, que mais não seja do tipo costeiro.

            São pois abatidos ao serviço 3 fragatas da classe João Belo, 9 corvetas e os três submarinos da classe Delfim, dos quais parece que só um navega.

            Enfim, muitos comentadores de fóruns e jornais perguntam para que serve uma marinha assim em época de crise financeira e de Paz nos mares.

            A realidade é que uma marinha, tal como os outros ramos das Forças Armadas, não servem para quase nada quando existem, mas fazem muita falta quando não existem. Veja-se como Salazar deixou as Forças Armadas sem armas e meios para combater em África e não tinha chegado a instalar dispositivos militares nas antigas colónias, quando toda a gente sabia que a Portugal estaria reservada a mesma sorte que às potências europeias. Claro, se não tivesse sido assim, o resultado acabaria por ser o mesmo e a guerra teria começado um pouco mais tarde. Mas, não haveria tantas vítimas portuguesas no início da guerra angolana.

            Portugal com uma marinha rejuvenescida pode participar em missões da ONU, Nato ou União Europeia e possui um meio dissuasor de ataque a portugueses nalgum território africano, por exemplo, além de servir para manter a unidade nacional com a plena integração da parte insular de Portugal na República.

 

            A Revista de Marinha, a sair no próximo dia 14 de Novembro de 2006, traz um artigo sobre estas fragatas e um sobre os navios do futuro, os do tipo furtivo e a complexa possibilidade de detectar navios e aviões furtivos com emissões de ondas electromagnéticas do tipo das utilizadas nos telemóveis e televisores.

 

            Pedidos de assinatura para o telefone 21 301 23 23 ou Fax 21 301 90 81. Custo da assinatura anual: 12,50 Euros para os seis números que são editados.

 

 

 

 Uma das Fragatas Karel Doorman vista de um periscópio de um submarino

 



publicado por DD às 19:12
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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2006
Peronismo

 

O Sr. Salgueiro - Presidente da Associação dos Bancos - acusou o Engenheiro Pinto de Sousa de ser um peronista.

Que grande elogio. Não porque o peronismo fosse algo de bom, mas por mostrar a RAIVA dos bancos às recentes medidas tomadas pelo Governo. Medidas que NINGUÉM tinha tido a CORAGEM de as tomar.

Também a RAIVA do Sr. Jardim é um elogio ao engenheiro, pois, pela primeira vez, alguém disse BASTA ao energúmeno da Madeira.

Dizem que o PCP ficou muito aborrecido pois perdeu um "cavalo de batalha".

O pequeno Marques Mendes saiu em defesa do soba insular acusou Pinto de Sousa de ser cobarde por não ter ido a  Felgueiras acusar a Felgueiras, esquecendo que a senhora foi corrida do PS e não foi a candidata do PS às últimas eleições autárquicas, pelo que o engenheiro nada tem que se meter com assuntos que estão em justiça e com as relações entre a senhora e o seu eleitorado que a elegeu, apesar das acusações que pendem sobre ela e a sua fuga e regresso do Brasil . E a lei das Finanças Locais aplica-se a todas as autarquias e também a Felgueiras; porque não, enquando o Mendes queria encolher as depesas do Estado e continuar a alargar as despesas da Madeira, como se o Governo regional não fosse também Estado.

Recordação: Muita gente esquece-se da Lei Nº 52-A/2005 publicada em Outubro de 2005 que acabou com todas as pensões vitalícias dos detentores de cargos públicos que até a esse mês do ano passado não tivessem completado 12 anos de serviço. Os vencimentos dos detentores de cargos púbicos passaram a ser abrangidos normalmente pela caixa Geral de Aposentações ou Centro Nacional de Pensões, contando como quaisquer outros salários.

A Constituição impede a retroactividade das leis, pelo que quem estava já a usufruir ou em condições de usufruir de uma regalia que os governos anteriores aplicaram não pode ver essa regalia ser retirada.
Por isso, há 382 beneficiários da lei anterior que auferem pensões vitalícias que prefazem uma média mensal de 1.428,57 Euros. A Lei 52-A/2005 acabou também com a acumulação de vencimentos e destes com pensões, excepto a terça parte e delimitou perfeitamente os vencimentos dos detentores de cargos públicos em percentagem do vencimento do PR. Ninguém criticou esses vencimentos porque não são excessivaente altos.

Ainda antes de ontem, o Ministro das Finanças declarou que auferia de um vencimento líquido com todas as ajudas de custo de 4.800 Euros mensais e que era menos de metade do que ganhava antes. Claro, os grandes economistas e juristas não vão para o governo ganhar dinheiro, mas sim com a paixão de resolver os problemas da Pátria; algo que, para muita gente, não há dinheiro que pague. Vale mais que a maior das fortunas do País.

O Sr. Salgueira não notou que todos os partidos, incluindo o seu, o PSD, e o CDS, acusavam o Governo de ir ao bolso dos mais pobres e deixar a banca ganhar milhões. Agora, chegou também a vez da banca e pondo a máquina fiscal a funcionar, esta vai a toda a parte. E não é verdade que as medidas do Governo se destinem só à banca, como mente o Salgueiro, mas sim a todas as empresas, até porque as habilidades da banca para desviar lucros passava por empresas de todos os ramos de actividade.

Se o Sr. Salgueiro se metesse num táxi e falasse de política com o condutor, a principal coisa que ouvia é qe o Governo só tira ás classes médias e deixa os bancos e grandes capitalistas ganharem o que querem.

Enfim, as medidas do Governo afectaram toda a gente e algumas com injustiça. Por exemplo, os reformados privados estão ver as suas reformas descerem por terem de pagar o IRS igual aos activos, quando as suas reformas são apenas 80% de um salário de referência que é a média dos melhores dez anos dos últimos quinze e agora até são mais anos até chegar à média de toda a vida.
Enquanto os Funcionários Públicos recebem uma reforma igual ao último salário sem o desconto de 11%, tendo sido introduzido um desconto de 5 ou 6% para ADSE. Não se justifica que um reformado do Estado receba mais de reforma que o salário que tinha e, ainda por cima, pague metade do IRS. O reformado não tem despesas de deslocação, apenas despesas de lazer se não souber fazer qualquer trabalho útil a qualquer entidade pública ou privada.

Enfim, Sócrates é um Homem com CORAGEM para tirar a todos alguma coisa, a fim de que os sacrifícios seja minimizados para cada um.

O Sr. Silva assiste ATÓNITO ao que nunca teve a CORAGEM de fazer como assistem com RAIVA e ADMIRAÇÃO todos os oposicionistas, incluindo dezenas de milhares de militantes do PS que não foram chamados para quaquer função.



publicado por DD às 14:54
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