Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 31 de Março de 2007
A Guerra Nuclear Actual - Opinião de Dieter Dellinger

 

 

            Um aderente do CPPC perguntou-me há dias qual o perigo de ser travada uma guerra nuclear.

            Respondi-lhe que desde 1990, as Forças Armadas Norte-Americanas têm feito uso de armamento nuclear em todos os conflitos em que entraram, nomeadamente no Kosovo, na primeira guerra do Golfo, na Bósnia, no Afeganistão e agora no Iraque com consequências extremamente funestas para o futuro dos povos envolvidos e até dos militares americanos.

           Mas como assim? – Perguntou espantado o meu interlocutor.

           Pela via das munições fabricadas com o Urânio 238 que sobrou do enriquecimento em U-235 para o fabrico das grandes armas nucleares. Esse U-238, dito gasto ou “depleted” em inglês é um material extremamente duro, mas permite ser fundido para o fabrico de balas de diversos calibres, granadas e ser utilizado como balastro nos mísseis de cruzeiro. Sendo muito duro, as balas das pequenas peças automáticas de 20 mm podem perfurar a blindagem de um carro de combate por via do atrito de choque que funde o aço e se não o atravessa, pelo menos, aquecem de tal maneira a viatura que as suas munições explodem ou arde o combustível que leva. Mas, ao mesmo tempo forma-se uma nuvem de subpartículas microscópicas de Óxido  U-238 que se espalham na atmosfera ou nos terrenos e podem ser inaladas por seres humanos ou animais, inquinar os aquíferos e entrar nas plantas cultivadas. Não sendo o U-238 muito radioactivo quando concentrado, pois terá apenas um terço da radioactividade do Urânio natural, torna-se mortal quando transformado num spray de partículas microscópicas que apresentam no seu todo uma enorme superfície de contacto, principalmente se forem inaladas por seres humanos. Na Bósnia, alguns soldados portugueses foram vítimas desse material, tendo, pelo menos, um falecido, sem que os médicos militares tenham querido revelar a origem do mal. Acrescente-se que o U-238 perde metade da sua radioactividade em 4,5 mil milhões de anos, pelo que continua a exercer a sua acção letal até ao fim do Planeta

            Como é sabido, esclareci, o Urânio existe na natureza sob a forma de óxidos de urânio em diversos minerais como a pechblenda, a calcolite ou a autonite, para citar apenas alguns dos minérios uraníferos das minas de Urgeiriça. Nesses óxidos, o Urânio é uma mistura de dois isótopos, sendo geralmente 99,3% de U-238 pouco radioactivo e não cindível, portanto, sem uso nas grandes bombas e 0,7% de U-235 que é cindível e utilizável nos reactores nucleares e, bem assim, nas bombas. Nos processos de enriquecimento, o óxido de Urânio natural é transformado em hexafluoreto de Urânio. Depois, por centrifugação, separam-se os compostos mais pesados com U-238 dos mais leves com U-235. Ficam portanto toneladas de U-238 inaproveitadas, baratas ou gratuitas, que os americanos aproveitaram para endurecerem todos os seus projécteis explosivos e de impacto apenas.

            Em Abril de 1991, um mês após a guerra do Bush Pai no Golfo, um relatório secreto da Autoridade Britânica para a Energia Nuclear veio parar a um jornal que revelou a natureza tóxica do pó de U-238 e que foram então deixadas no campo de batalha cerca de 40 toneladas do referido elemento, o qual poderia vir a causar nalgumas décadas mais de meio milhão de mortos.

            Os EUA dispararam 375 toneladas de munições com pontas de U-238 na Guerra do Golfo, 800 na do Afeganistão e 2.200 toneladas na invasão do Iraque. O facto de os combates terem sido travados em zonas pouco habitadas ou desérticas não elimina o perigo do pó de urânio que ficou para sempre nos referidos locais.

            As crianças são extremamente sensíveis ao referido pó que entra na circulação sanguínea e participa no crescimento ósseo com graves consequências cancerígenas, dado que o U-238 é um emissor de radiações alfa e gama, masmo que quantitativamente limitadas.

            Mas, também os filhos de pessoas que tiveram contactos com o pó de Urânio 238 podem nascer com malformações, o que aconteceu a 251 veteranos norte-americanos da Guerra do Golfo.

            Os riscos causados pelo pó são tanto de natureza química como radiológica e nos EUA foi divulgado um relatório do Dr. Asaf Durakovic, ex-chefe da Divisão de Ciências Nucleares do Instituto de Radiobiologia das Forças Armadas, que constata o facto de mais de 90 mil veteranos das guerras nucleares americanas estarem a sofrer de uma “desconhecida” doença debilitante crónica originada pelo pó de Urânio 238. O referido médico foi expulso das FAs e fundou o “Uranium Medical Research Centre” que tem alertado a opinião pública americana e mundial para o perigo do uso sistemático das munições de urânio que eleva a guerra dita convencional para um patamar pré-nuclear ou mesmo nuclear. E não é tudo, mas num próximo Post revelarei mais.

 Malformação causadas pelo Pó de Urânio num nascituro filho de uma jovem mulher que fez parte do Exército dos EUA:

  



publicado por DD às 19:37
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Terça-feira, 13 de Março de 2007
A Auto-Europa vai fechar ou Continuará?

 

 

            O fecho da antiga fábrica  portuguesa INDELMA adquirida há três anos pelo grupo multinacional Alcoa permite especular sobre o eventual fecho da Auto-Europa.

            Efectivamente, a Alcoa tinha como único cliente a multinacional Volkswagen que produz também na Hungria para onde foram deslocalizadas as produções da Alcoa e de onde será, por enquanto, abastecida a Auto-Europa com os componentes produzidos pela ex-Indelma.

            A especulação tem a ver com o facto de os salários na Hungria não serem muito mais baixos que os praticados em Portugal e as despesas sociais e impostos serem até superiores, além de que a moeda húngara está proibida de se desvalorizar por via da sua presença na União Europeia e que se admite, como possível, que no prazo de três anos, os húngaros venham também a substituir a sua moeda pela Euro, o que terá um efeito ainda mais gravoso nos respectivos custos salariais.

            Estando a economia húngara em crescimento acentuado, não custa acreditar que no prazo dos referidos três anos, os salários daquele país sejam superiores aos portugueses.

            Actualmente os salários húngaros são da seguinte ordem:

            Salário mínimo anual: Eu 4.350,00 = Eu 370,00/mês em 14 meses.

            Salário médio anual do trabalhador não especializado: Eu 7.300,00 = Eu 527,00/mês (14x)

            Salário médio anual de trabalhador com alguma especialização: Eu 10.100,00 = Eu 727,42/mês (14x)

            Salário médio anual de engenheiro, gerente, quadro em geral: Eu 42.700 = Eu 3.050,00/mês.

 

            Os descontos para a segurança social completa, saúde e reforma, são de 48%, sendo 38% a pagar pela empresa e 10% pelo trabalhador.

 

            A Hungria luta com grandes dificuldades no que respeita a trabalhadores especializados e técnicos. A literacia é elevada, mas a especialização profissional reduzida e uma parte importante da população ainda trabalha na agricultura.

 

            Estes números traduzem uma evidência. A deslocalização da Alcoa só tem sentido se for do conhecimento dos seus administradores que a Auto-Europa venha a fechar, pois o ganho em salários é quase nulo na Hungria e poderá ser eliminado pelos elevados custos de transporte da Hungria para Portugal e num futuro muito breve deverão ser bem superiores. Acrescente-se ainda que a indemnização de dois meses por ano de trabalho aos trabalhadores portugueses mais um prémio de mil euros significa uma média de mais de vinte e cinco salários. Quer dizer que a Alcoa terá nos próximos três anos custos superiores aos que teria se ficasse em Portugal e depois é natural que venham a ser sempre superiores.

            Ou os administradores e donos da Alcoa não sabem fazer contas ou a Auto- Europa da VW vai mesmo fechar.

 

 

            A VW produz qualidade, mas os seus carros são excessivamente caros quando comparados com o material que está a vir do Oriente. Um Chevrolet Kallos fabricado na Coreia do Sul custa ca. de 10.000 Euros quando um Pólo não fica por menos que uns 14.000,00 Euros ou mais.

            Além disso, as viaturas de grandes dimensões como as que a Auto-Europa produz não têm grande futuro devido às emissões de CO2 e ao elevado preço da gasolina, a não ser que venham a funcionar com biodiesel mais barato.

            O eixo da indústria automóvel está orientado para Leste, onde as respectivas populações não possuem viaturas em quantidade equivalente à dos portugueses com um parque de carros ligeiros superior a cinco milhões.

            Além disso, o fabrico em países de mão-de-obra muito mais barata está cada vez mais na moda. A VW importa do Brasil o seu pequeno Fox; a Citroen e a Peugeot vendem o C1 e o 107 fabricados na fábrica da Toyota na China, onde também é produzido um modelo semelhante da referida marca.

            O eventual fecho da Auto-Europa vai provocar um importante prejuízo à economia portuguesa e só tenho esperança de estar errado na minha especulação. Mas, o facto vem corroborar a minha opinião de que as multinacionais não são um bem para países pequenos. E a Auto-Europa está já a prejudicar a economia nacional, pois a Alcoa é uma das várias fábricas que fecharam e que se destinavam a produzir componentes para as viaturas Sharon e Alhambra.

            Repare-se que há um número importante de grandes empresas com um volume de negócios superior ao Produto Interno bruto português. Entre outras conta-se a Wal Mart, a Daimler-Chrysler, a Siemens, a GE, a GM, a Ford, a Toyota e muitas outras.

            Portugal tem feito um péssimo negócio com as multinacionais, pois a sua excentricidade geográfica e reduzido mercado leva a um imediato desinteresse das multinacionais logo que haja um pequeno problema de competitividade.

            Muitas empresas vendidas a estrangeiras fecharam e foram deslocalizadas.

            Enfim, deixámos todos de estar protegidos pelo comunismo arcaico que governava metade do mundo à maneira colonial, isto é, sem exportações, consumos e fabricos em série.

            Hoje, a China Comunista oferece um proletariado a 40 Euros mensais com dias de trabalho normais de 12 ou mais horas e os antigos países comunistas como a Hungria, Roménia, Rússia, Ucrânia lutam entre si para oferecer custos laborais cada vez mais baixos, se bem que os países mais pequeno como a Hungria, a República Checa, a Eslováquia e as Repúblicas Bálticas acabem por ver os seus salários subirem conforme os investimentos vão sendo feitos e vêm as ajudas comunitárias.

            Enfim, Portugal não pode e não deve contar com o capital estrangeiro e o futuro imposto automóvel terá de ter em consideração que os carros são importados e que a economia não está em condições de manter a actual taxa de cobertura de 64% no comércio externo, isto é, as exportações nacionais pagam apenas 64% das importações e os trabalhadores estrangeiros enviam parte dos seus salários para fora, estando a balança turística ligeiramente equilibrada a favor de Portugal, mas não o suficiente para compensar a importação de bens e serviços.

            A ideia peregrina de aplicar uma taxa extra às viaturas mais antigas é um crime contra os interesses dos portugueses, pois são carros detidos pela população de menores recursos e alimentam uma vasta indústria oficinal de reparações que emprega dezenas de milhares de trabalhadores.

         

           NOTA ADICIONAL. De acordo com o noticiário veiculado ontem, a Auto-Europa vai investir 500 milhões de Euros, o que permite deduzir que vai haver um sucessor para o Sharon/Alhambra e que a AE continuará como fornecedora de partes de carroçarias para outras fábricas do grupo VW. Estou contente por por estar enganado, apesar de não compreender certas deslocalizações feitas por empresas fornecedoras. Talvez venham outras a substitui-las.

 

 

            Dieter Dellinger



publicado por DD às 22:29
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Sábado, 10 de Março de 2007
CO2

 

É costume ouvir e ler nos noticiários que Portugal é um país altamente poluidor e emissor de CO2 e que irá pagar não sei quantos milhões de euros daqui a poucos anos.

É o choradinho do costume. Portugal é sempre o pior, faz tudo mal e, mesmo quando é visível que não existe um dado facto, tem de ser pior que os outros.

Não é preciso ser-se muito inteligente para saber que Portugal não possui grandes indústrias, a média do parque automóvel é de baixa cilindrada e o clima ameno não obriga a um uso excessivo de aquecimentos ou ar condicionados . A partir daqui é evidente que Portugal nunca poderia estar entre os maiores emissores per capita de CO2 .

E vejo este meu raciocínio confirmado pelas estatísticas que tenho na minha frente, página 177 do Anuário de Economia Portuguesa publicado há dias.

Os valores são de 2002, mas admito que não tenham sofrido grandes alterações dado o encarecimento dos combustíveis.

Assim leio:

Paises da OCDE: 11,2 toneladas de CO2 emitido por habitante e ano.

Portugal: 6,0 tons.

Espanha: 7,3 tons.

Grécia: 8,5 tons.

Irlanda: 11,0 tons.

Alemanha: 9,8 tons.

França: 6,2 tons  (graças às centrais atómicas).

Itália: 7,5 tons.

Reino Unido: 9,2 tons.

EUA: 20,1 tons  de CO2 por habitante.

Japão: 9,4 tons.

Podia citar muitos mais países que nunca mais terminava. É evidente que nesse ano a China emitia apenas 2,7 tons ., a Índia 1,2 tons . e o Brasil 1,8 tons . Mas, tanto a China como a Índia têm tido um enorme crescimento industrial, pelo que devem estar actualmente a emitir muito mais.

Enfim, Portugal não é o que a Quercus e outros ambientalistas pretendem que está  a ser.  O seu alarmismo destina-se a provocar o aumento do negócio parasitário dos estudos de impacto ambiental em que estão todos envolvidos.


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publicado por DD às 17:53
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Sexta-feira, 9 de Março de 2007
Co-Incineração

 

Sobre duas providências cautelares, a Justiça Portuguesa deu duas soluções contrárias.
O Tribunal de Almada disse que não competia aos tribunais dizerem qual a melhor maneira de o País se livrar dos resíduos industriais, pelo que rejeitou a PC interposta pela Câmara.

O Tribunal de Coimbra pretende que seja feito um novo estudo de impacto ambiental para a co-incineração de Souselas, pois o de 1999 poderia estar desactualizado, pelo que aceitou a Providência Cautelar.

É evidente que o CO2 continua a ser o mesmo e, bem assim, a natureza química dos resíduos que são basicamente óleos e solventes industriais mais produtos das indústrias têxteis, etc.

Mais de 99% dos resíduos industriais ditos perigosos são hidrocarbonetos tão ou menos perigosos que os hidrocarbonetos utilizados desde sempre nas cimenteiras, ou seja, o óleo pesado que, em si mesmo, é o resíduo resultante da refinação do petróleo bruto para a produção de gasolinas, gasóleos, óleos lubrificantes, etc. O chamado óleo pesado ou petróleo de queima contém todas as impurezas do petróleo bruto num teor muito mais elevado.

A Comissão Científica Independente que, em tempos estudou o assunto, não disse que a queima dos resíduos era inócua, o que disse é que não é mais perigosa que a queima do resíduo dito óleo pesado e, naturalmente, é menos que a queima do combustível alternativo que as cimenteiras utilizam desde há uns quase trinta anos atrás, o chamado Petcoq , o carvão ou coque do petróleo que é mesmo o resíduo final de toda a refinação do petróleo bruto e que adquire uma consistência quase igual à do coque que é o produto resultante da destilação da hulha.

Mas, mais que isso: Para queimar os tais resíduos industriais, as cimenteiras foram equipadas com sistemas de filtragem dos fumos que nunca tiveram quando da queima dos resíduos ditos óleos pesados, pelo que se reduziu assim a poluição ambiental. Os filtros elásticos dão de si quando a temperatura é muito elevada, o que não acontece com as mangas que arrefecem os fumos e filtram-nos igualmente e que funcionam em conjunto com os filtros elásticos.

Não há uma legislação concreta sobre a queima de resíduos industriais que permita a um juiz proibi-la. Poderia utilizar a ideia de que qualquer coisa que faz mal à saúde não pode ter o consentimento jurídico.

Assim sendo, poder-se-ia proibir todo o tipo de queima ou combustão, incluindo a circulação automóvel, o aquecimento de alimentos, etc., porque não há grande diferença entre queimar madeira, carvão, óleos combustíveis, óleos usados, etc. Toda a combustão produz dioxinas e é tóxica. Um simples fósforo é tóxico, basta uma pessoa tentar inalar o seu fumo para se aperceber disso, tal como o cigarro.

Sucede que a Humanidade vive com a combustão desde que inventou o fogo e não deixou, por isso, de sobreviver e evoluir. O próprio ser humano e os animais são poluentes, já que o nosso metabolismo consome oxigénio e liberta CO2 .

A luta contra a co-incineração faz parte de uma vasta guerra travada pelas oposições para obrigar o Estado e o País a gastarem mais, no sentido de que quanto pior forem as condições financeiras do País, maiores as possibilidades de virem a ser Poder.

O PS com Guterres e agora Sócrates bateu-se pela co-incineração como um modo de reciclar em termos energéticos muitas toneladas de resíduos que têm ficado depositados em situações perigosas ou têm ido para o mar.

Por outro lado, os Governo PS sempre se opuseram à instalação de uma grande central dedicada por ser muito cara e por se saber que os resultados são muito limitados, acabando aí também uma parte dos resíduos por serem queimados ou então armazenados em qualquer reservatório específico, o que não deixa de ser perigoso na mesma e implica custos exorbitantes.

De resto sabe-se que uma Grande Central Dedicada poderia ser instalado a um custo relativamente baixo se fosse permitida a importação de resíduos do exterior para serem aqui tratados. Isso sim, seria CRIMINOSO por não se saber o que vinha aí e pela perigosidade da circulação em estrada e por mar desses resíduos.

O Governo PSD esteva quase a seguir por essa via e transformar Portugal num caixote de lixo europeu, recebendo os dirigentes do PSD algumas chorudas comissões.

 

Curiosamente, hoje ninguém se lembra que, logo após a nacionalização das cimenteiras, o Estado, ainda na direcção comunista ou quase, começou a investir no transformação dos fornos das cimenteiras para serem co-incineradores, isto na sequência de planos que vinham de um pouco antes do 25 de Abril, elaborados a mando de Champalimaud como resposta à crise petrolífera de então.

Foi o gabinete de engenharia do Eng. Nobre da Costa que elaborou os planos e fez o procurement " para que as cimenteiras pudessem queimar tudo, desde o petróleo ao Petcoq , passando pelo carvão mineral, carvão vegetal, resíduos industriais orgânicos e inorgânicos, matérias vegetais, etc. Temia-se a falta de petróleo e pretendeu-se converter cimenteiras e centrais eléctricas para queimarem tudo o que fosse possível.

Nessa altura, ninguém se opôs. O país gastou uma fortuna nisso, mas tinha de ser na perspectiva da época que era a de uma repentina falta de combustíveis petrolíferos e que continua hoje ainda com a alta do petróleo bruto, agora em queda, mas que uma crise com o Irão e/ou o agravamento da guerra do Iraque pode voltar a subir e chegar mesmo aos 100 dólares o barril.

Por isso, é de grande hipocrisia o combate contra a co-incineração quando esta teve o apoio de toda a gente; desde o "Muralha de Aço" Vasco Gonçalves ao Sá Carneiro e Freitas do Amaral, pois o projecto só terminou pelos anos oitenta com a AD no poder.

 

Dsotto

 

 

 De André Ramalho:

Que destino dar ao nosso lixo?

Durante vários anos, verificou-se na maior parte dos países desenvolvidos uma acumulação irresponsável dos seus resíduos (urbanos, hospitalares, industriais, outros.) sem o respectivo tratamento. Esta atitude poderá ter impactos a médio e longo prazo na contaminação dos solos, águas e ar, com efeitos nefastos para a saúde pública.

Em Portugal estima-se a produção de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas/ano de resíduos industriais, dos quais 125.000 toneladas (5%) são classificados como perigosos e 16.000 toneladas destes, inceneráveis.

Desta forma, é urgente a introdução de um sistema de separação de lixos perigosos/não perigosos e posterior tratamento dos mesmos.

Após várias pesquisas realizadas, surgiu uma nova forma de tratamento do lixo: a Co-Incineração.

Mas em que é que de facto consiste a Co-Incineração?

A Co-Incineração consiste essencialmente no aproveitamento dos fornos das cimenteiras e das suas altas temperaturas (entre 1450 e 2000 graus), para a queima dos resíduos perigosos (tais como solventes de limpeza, solventes de indústria química, tintas, etc.), com a produção simultânea de cimento.

Alguns destes resíduos são constituídos por hidrocarbonetos e compostos clorados e fluorados entre outros, e alguns têm elevado poder calorífico.

Assim, o processo de Co-Incineração implica adaptações mínimas nas cimenteiras.

Numa primeira fase, os resíduos industriais perigosos são enviados para uma estação de pré-tratamento. Os lixos com pouco poder calorífico são fluidizados (trituração, dispersão e separação dos materiais ferrosos); os resíduos líquidos são impregnados com serradura e submetidos a uma possível centrifugação (no caso de possuírem grandes quantidades de água); os resíduos termo fusíveis, alcatrão e betumes, são rearmazenados em lotes.

Numa segunda fase os resíduos são levados para as cimenteiras. Em caso de acidente de transporte, os impactos ambientais serão muito menores do que antes do tratamento dos mesmos.

Nas cimenteiras são pulverizados para o forno tirando partido do seu poder calorífico (Ex: combustíveis) ou utilizados como matéria-prima substituta na produção de cimento.

Após este processo, não permanecem resíduos remanescentes da Co-Incineração, visto que estes são incorporados no próprio cimento, e devido às temperaturas e tempo de residência dos gases a produção de gases tóxicos é muito baixa. Contudo, poderemos ter a certeza da inexistência de perigo para a saúde pública?

Para evitar uma remota, mas possível fuga de gases devem ser instalados filtros de mangas nos fornos das cimenteiras, aumentando a margem de segurança.

Quais as vantagens e riscos da Co-Incineração em relação à inceneração clássica?

A inceneração clássica de resíduos perigosos (metais pesados, dioxinas, furanos, etc.) por meio de uma unidade inceneradora foi nos últimos anos alvo de contestação por parte dos técnicos especializados.

Se esta inceneração não se realizar com um controle rigoroso, pode aumentar ainda mais o perigo a estes resíduos e representar danos mais graves para a saúde pública e no meio ambiente.

Temperaturas elevadas: Devido às elevadas temperaturas alcançadas pelos fornos das cimenteiras, a destruição dos resíduos é muito mais eficaz em comparação com um incenerador clássico que não atinge tais temperaturas.

Tempos de residência de gases elevados: Sendo o tempo de permanência dos gases no forno superior ao de um incenerador, a taxa de destruição dos gases poluentes é maior, havendo um maio período a altas temperaturas no forno.

Inércia térmica elevada: Ao contrário dos inceneradores, os fornos de cimenteiras possuem uma elevada inércia térmica o que previne um drástico abaixamento de temperatura, com possíveis emissões anómalas, se ocorressem paragens ou alteração da operação.

Meio Alcalino: A base da matéria-prima no forno é o calcário. Assim o meio é alcalino, o que provoca a neutralização dos gases e vapores ácidos (SO2; CO2 ; HCL; HF) e a sua fixação no cimento. Desta forma, verifica-se uma substancial redução das emissões desses poluentes em relação à inceneração clássica.

Produção de efluentes líquidos/lamas e de resíduos sólidos: Neste processo de Co-Incineração não há produção de resíduos sólidos, efluentes líquidos ou lamas (potencialmente poluidores) porque todos os materiais não queimáveis são utilizados e incorporados na produção do próprio cimento, o que não acontece nos inceneradores.

Metais pesados: Devido às características da Co-Incineração, os metais pesados têm um ambiente óptimo de fixação no cimento, retirando o risco da sua libertação após queima.

Custo: A contrução de um incenerador clássico, bem como o respectivo processo de inceneração, têm custos bastante mais elevados do que os custos inerentes à Co-Incineração.

É possível concluir, face aos factos apresentados, que a Co-Incineração apresenta vantagens claras em relação à inceneração clássica.

No entanto, poderão existir alguma questões merecedoras de um estudo mais aprofundado relativamente à Co-Incineração:

- Quando o processo é interrompido, os filtros deixam de funcionar, podendo haver libertação de gases, praticamente sem tratamento, caso os filtros de mangas utilizados não tenham a capacidade de reter os gases mais voláteis como o mercúrio.

- Quais os efeitos na saúde pública de um edifício construído com cimento produzido nas co-inceneradoras?

Saúde pública

No processo de eliminação de resíduos podem ser emitidos para a atmosfera determinados componentes, prejudiciais para a saúde das populações e para o Ambiente. Ainda que o nível de exposição a agentes químicos pelas populações mais próximas das unidades de eliminação de resíduos tenha geralmente sido muito baixa, possíveis efeitos carcinogénicos e crónicos são motivo de preocupação para as entidades competentes. Desta forma, não existem factos comprovativos da absoluta segurança do processo.

Relativamente à saúde pública, revela-se impossível isolar os efeitos consequentes da Co-Incineração dos resultantes da indústria, hábitos sociais (Ex: tabagismo) e outros factores poluidores.

Análise psicosocial

Nos últimos anos, sempre que um governo demonstra a sua intenção de construir uma unidade de tratamento de resíduos sólidos ou de introduzir o processo de Co-Incineração numa cimenteira, as reacções das populações não são geralmente favoráveis ao programa em questão. É a velha máxima "Eliminar o lixo muito bem, mas não no meu quintal". Embora muitas vezes as pessoas compreendam as necessidades ambientais globais, não interiorizam as medidas locais a aplicar.

Por outro lado, a relação do governo com as populações não é muitas vezes a melhor. Ao tentar introduzir uma nova tecnologia, o governo distancia-se da população, apoiando-se em dados técnicos em vez de uma informação mais próxima e educativa para a população.

Assim, não é difícil de compreender o aumento da sensibilidade das populações em relação ao risco de acidentes, decorrente da aplicação de novas tecnologias.

Em suma, o processo de Co-Incineração em cimenteiras produz impactos positivos para o Ambiente, eliminando de forma correcta os resíduos perigosos. Evita o consumo de combustíveis fósseis, com a poupança de recursos naturais não renováveis.

Para que a Co-Incineração se processe eficazmente, bastará que o governo tenha uma abordagem mais directa e informativa com as populações, diminuindo a sua hostilidade e confiança.

André Ramalho

Texto desenvolvido com base no trabalho sobre Co-Incineração desenvolvido por alunos de engenharia do Ambiente da Universidade Nova de Lisboa-FCT
(http://www.geocities.com/out14309

 

 

 

 

 

 


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Quinta-feira, 8 de Março de 2007
Delírios de Marques Mendes

 

Marques Mendes continua delirante. Agora está contra o fecho da Embaixada de Portugal no Iraque.

A estupidez do líder do PSD é um insulto a todos os portugueses. O Iraque é sede de uma tremenda tragédia iniciada pela Administração Bush na base de duas mentiras absurdas: a das armas de destruição em massa e a democratização do Iraque. Ambas seriam hilariantes se não tivessem morrido mais de 600 mil pessoas, segundo a revista médica Lancet, ou 150 mil segundo o governo iraquiano. Qualquer que seja o número certo, a tragédia é indescritível e Portugal nada tem a ver com o que se passa ali, nomeadamente com a guerra entre xiitas e sunitas e com a existência de um governo que manda num pequeno bairro de Bagdad altamente guardado.

Mas, o fecho da embaixada faz parte de um vasto programa de reformas do Estado que parte da análise dos custos e benefícios da actividade de qualquer departamento do Estado, seja consulado, embaixada, unidade militar, policial, escolar, administrativa, social, etc., etc.

Toda a gente andava a apregoar a necessidade de reformas e de redução do custo global do Estado, mas, aparentemente, ninguém percebeu que isso tinha a ver com os Negócios Estrangeiros, a Administração Interna, a Justiça, a Defesa, a Educação, a Saúde, as Autarquias, os Governos Regionais, etc. Enfim, o Estado é isso tudo e não existe um Estado invisível que gasta muito dinheiro. Os gastos são todos em sectores bem visíveis e só podem ser cortados aqueles que, por razões diversas, servem um número muito limitado de cidadãos e interesses nacionais ou servem mesmo zero de ambos como era a Embaixada no Iraque.

Temos de ter pena da figura miserável que Marques Mendes fez com as suas críticas e atitudes nada construtivas.

 

 


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