Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Segunda-feira, 30 de Abril de 2007
Opinião de Dieter Dellinger : "Destruir para Construir?"

 

 

O excelente cantor e compositor José Mário Branco deu uma pequena entrevista na televisão a propósito de um espectáculo que vai dar e falou na “porcaria de sociedade em que vivemos com cada vez mais diferenças sociais, etc.” Por fim citou uma empregada da Faculdade de Letras que lhe disse, salvo erro, “isto já não vai com cantigas, é preciso destruir para depois construir de novo”.

            É evidente que não está tudo bem em Portugal. Temos de estar descontentes, pois o diploma do engenheiro Sócrates pode ser ou não ser de licenciado ou só de bacharel e ele pode ter andado a enganar-nos com o título de engenheiro e outras coisas mais importantes como o Aeroporto da Ota que não contenta toda a gente, etc.

            Sucede que os portugueses, nos quais me incluo, naturalmente por nascimento, não podemos ocupar uns míseros 92 mil km2 e sermos apenas dez milhões e não colhermos os ensinamentos e a experiência dos quase sete mil milhões de irmãos nossos que co-habitam connosco este pequeno Planeta e, principalmente, não ligarmos a esse imenso laboratório de ciências sociológicas, políticas e económicas que foi o Século XX e a própria actualidade do momento.

            De descontentamentos assim, resumidos em “porcarias de sociedades”, resultaram centenas de milhões de cadáveres por via de ditaduras fascistas, comunistas e outras que quiseram partir tudo e reconstruir tudo de novo. Partir, partiram tudo, mas construir não; acabaram todas em fazer mais do mesmo.

            Curiosamente, o maior país comunista da Terra que é hoje o maior país capitalista sem deixar de ser comunista, vá a gente perceber isso, partiu tudo duas vezes para, afinal, acabar num capitalismo selvagem e bárbaro com mais milionários e oligarcas que o resto do Mundo juntos.

            A primeira Revolução Chinesa começou com a longa marcha nos anos trinta, culminando na tomada do poder em 1948 por Mao Ze-dung com a destruição do capitalismo e matança de milhões de pequenos Chang Kai-cheks como dizia Mao, seguindo-se depois nos anos sessenta a Revolução Cultural sob o célebre lema “Destruam primeiro, e a reconstrução far-se-á por si mesmo” e outros como “Reformar o Pensamento através do Trabalho” que até lembra o “Arbeit macht Frei” (O Trabalho liberta) que os nazis punham à porta dos campos da morte. Enfim, tantas mortes, tanta destruição, para acabar tudo num capitalismo bem mais voraz e selvagem que o anterior.

            E o que sucedeu com a Revolução Bolchevique e subsequente guerra civil com mais de dois milhões de mortos e a família imperial da velha Rússia fuzilada de uma só vez? Depois da destruição e da falhada construção de uma nova sociedade e de um homem novo, mais solidário e menos explorador, a Revolução acabou numa inexplicável e inimaginável oligarquia capitalista.

            O Vietname segue o mesmo caminho e Cuba entregou os seus hotéis a grandes empresas capitalistas que exploram largamente o turismo daquela ilha tropical quase paradisíaca.

            De todas as destruições seguidas de construções de novas sociedades, a do Cambodja foi a mais terrível com a matança de quase metade da população. E mais uma vez para acabar no capitalismo duro e selvagem.

            Afinal, pergunta o cidadão inocente, quem foram e quem são os revolucionários. Que revoluções foram essas que acabaram em tantos Abramovitch? E será que em Portugal devemos matar uma única pessoa por causa desta “porcaria de sociedade” que, na verdade, é bem melhor que tudo o que tivemos no passado, apesar do diploma de Sócrates.


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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007
Opinião de Dieter Dellinger: O 25 de Abril

           

 Há 33 anos, numa madrugada inesperada, a liberdade surgiu de um cano de G-3 com uma cravo vermelho implantado. Muitos julgaram que se tratava de um pequeno intervalo entre duas ditaduras e escreviam nas paredes “pedimos desculpa por esta interrupção, a ditadura segue dentro de momentos”.           

            Afinal, muitos estavam enganados, a Liberdade com L grande veio para ficar e Portugal é outro, mais desenvolvido com um nível de vida bem superior e até com este fenómeno novo: em vez de emigrarem mais de dois milhões de portugueses como na década de sessenta, retornaram 700 mil portugueses das colónias e mais de meio milhão de cidadãos das mais diversas proveniências vieram trabalhar para Portugal. A integração dos retornados foi feita pacificamente como pacífica é a presença de tantos estrangeiros.

            Portugal tem hoje uma maioria parlamentar e um presidente eleitos pelos portugueses na mais completa das liberdades e sujeitos a todas as críticas livres. Recordemos que Salazar nunca consentiu em eleições livres e criminalizou-se face às suas próprias leis ao organizar eleições sempre fraudulentas.

            Portugal é mais desenvolvido e está bem inserido numa Europa próspera, pacífica e democrática, mas vive num mundo que não pára em que tudo está em permanente mutação a carecer de um esforço tremendo para se adaptar a tanta coisa nova que surgiu nestes últimos trinta e três anos. Nenhuma construção humana é definitiva e nenhum de nós está aqui para sempre.

            Os portugueses criaram, sem dúvida, uma sociedade democrática que proporciona a escola para todos, os cuidados de saúde para todos e uma razoável segurança social, além de terem muitos mais empregos que antes, mas ninguém é perfeito; os alunos são melhores ou piores como os profissionais de qualquer sector, pelo que as instituições e empresas vão tendo o seu ciclo existencial e muitas não conseguem acompanhar os progressos e transformações vindas de fora. Cada um é como é e só muito lentamente é que se vão fazendo adaptações a realidades que surgem repentinamente.

            Portugal não tem ainda uma economia tão próspera como a que todos gostariam de ter, mas no essencial nada falta e as estatísticas estão aí para o provar e os olhos para ver. Recorde-se que o grande objectivo do Governo Putin da poderosa Federação Russa era atingir o rendimento per capita dos portugueses e ainda não conseguiu apesar da valorização das suas imensas riquezas em petróleo, gás natural e minérios. Portugal não foi bafejado pela natureza com qualquer riqueza em especial.

 Para 2,8 milhões de famílias há 5,6 milhões de habitações, mais de 2 mil quilómetros de auto-estradas, o que significa o máximo europeu em termos proporcionais à superfície do País. Com Alqueva, Portugal ficou com a maior área líquida artificial do Mundo relativamente também aos seus parcos 92 mil quilómetros quadrados de superfície. Em termos de camas hospitalares, médicos por habitantes, alunos por professor, automóveis por habitantes, telemóveis, computadores, aparelhagem electrodoméstica em casa, consumos de bens alimentares e de vestuários, etc., Portugal está perfeitamente a par dos países com melhor nível de vida europeu.

            Enfim, com um PIB que será, se o é, de 75% da média europeia fizeram-se milagres e conseguiu-se mesmo estar, segundo a Organização Mundial de Saúde, entre os países com os melhores indicadores de saúde do Globo.

            A 25 de Abril de 1974, quase um milhão de portugueses vivia em barracas imundas. E aí estão por todo o País, milhares de bairros sociais que substituíram centenas de milhares de barracas. Foi no bem mais caro e mais difícil de obter, a casa,  que se concentrou o esforço público, essencialmente na habitação social e no apoio ao crédito jovem para aquisição de casa própria.

            Enfim, o País não é um Paraíso, o desenvolvimento democrático é uma construção permanente porque a lei da vida está sempre presente, uns dão lugares a outros e muito do que serviu até agora já não serve, carece de substituição, reorganização ou modernização. E resolvido um problema, este passou ao esquecimento, surgindo situações novas e sempre problemáticas.

Mas, enfim, valeu a pena a Revolução dos Cravos e valeram a pena estes 33 anos de democracia.

  



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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007
Opinião de Dieter Dellinger: Energia e Ambiente

         

   As dificuldades que os EUA enfrentam no Iraque, cujo desfecho da actual guerra não permite fazer previsões optimistas e o aparecimento do acutilante Hugo Chávez no país mais rico em petróleo do Continente americano estão a causar grandes preocupações aos dirigentes americanos, tanto republicanos como democráticos. As propostas de Bush quanto ao etanol brasileiro e sul-americano são uma maneira de reduzir a influência de Chávez na América do Sul e levar o petróleo a descer de preço com evidente vantagem para os países tropicais capazes de produzirem muito mais etanol a partir da cana do açúcar que os países subtropicais e temperados a partir do milho, colza, etc. Se os EUA reduzirem os direitos de importação do etanol, a produção será altamente rentável para o campo e produzirá um aumento geral dos preços de toda a produção agrícola com evidente vantagem para os eternos sacrificados e pagadores de todo o desenvolvimento industrial, os agricultores. Saliente-se que a fome em várias partes do mundo não resulta da falta de alimentos, mas sim do seu baixíssimo custo que provoca a miséria de 1.500 milhões de pequenos agricultores que produzem alimentos, mas não obtêm rendimentos para satisfazer as necessidades básicas dos respectivos agregados familiares. A cidade com os seus supermercados explora cada vez mais o campo, qualquer que seja o regime político, pelo que a inversão da situação é uma necessidade absoluta para que haja mais justiça social e mais desenvolvimento no nosso pequeno Planeta.

 

            Os EUA não estão dispostos a repetir os erros do passado. Em 1973 elaboraram leis para reduzir o consumo dos carros e encontrar substitutos do petróleo que foram esquecidas logo que o petróleo desceu de preço. Agora, numerosos estados americanos legislaram no sentido de as gasolinas terem percentagens crescentes de etanol e os gasóleos de óleos vegetais, independentemente de uma queda nas cotações do barril de petróleo vir a tornar os combustíveis de origem vegetal mais caros. Espera-se que depois da tão desejada saída de Bush, um nova administração em Washington venha a elaborar leis federais nesse sentido.

            O petróleo é um combustível a prazo e poderá estar esgotado dentro de algumas décadas ou um a dois Séculos se forem confirmadas as imensas reservas existentes no Golfo do México e noutros locais do Planeta. Mas, se o consumo continuar a aumentar exponencialmente terá de ser feito por parte de todo o Mundo um esforço imenso para o substituir. E tem sido feito, mas a favor do carvão que encerra em si o gravíssimo problema da poluição atmosférica ou emissão excessiva de gases de estufa a provocar um aquecimento global, o degelo das calotes polares e o aumento do nível das águas oceânicas com prejuízos incalculáveis para as zonas costeiras.

            Sendo os EUA a potência científica líder do Mundo, pode afirmar-se que a impossibilidade de resolver o problema da sua dependência relativa aos combustíveis fósseis pela via imperialista não pode deixar de proporcionar um bem imenso à Humanidade. No fundo, os americanos, em conjunto com europeus e japoneses, estão em condições de encontrar a verdadeira solução para a dupla problemática da exiguidade dos recursos petrolíferos do globo e da excessiva emissão de dióxido de carbono com as consequências nefastas para o futuro que toda a comunidade científica mundial já reconhece. Claro, a solução do problema passa em primeiro lugar pelo querer que foi algo inexistente nos EUA.

            Compreende-se que os EUA recusem resolver o problema energético pela via reducionista, apesar de ser inevitável que o venham a fazer em parte. Essa via pode provocar o desemprego de milhões de trabalhadores se também for seguida pelos europeus e outras nações e consistir numa quase proibição da circulação automóvel e num racionamento severo do consumo de energia eléctrica. A civilização tecno-industrial não pode ser reduzida sem que a pobreza e a miséria se alastre por todo o Planeta e venha a provocar convulsões sociais que não deixariam de confluir para guerras violentas.

            A administração Bush recusou a assinatura do protocolo de Kyoto e os republicanos têm atacado publicamente os principais cientistas que alertam para a grave crise mundial que pode resultar do aumento do teor em CO2 na atmosfera.

 

            Além disso, a ciência tem à sua disposição muitas soluções para o problema energético que, não sendo ainda suficientes, apontam para vias possíveis de harmonização entre o ambiente, o emprego e o nível de vida dos povos do Mundo. Só que as soluções imediatas são paliativos parciais e as mais promissoras vão levar ainda uma a duas décadas a serem concretizadas.

            As alternativas ao petróleo são as seguintes:

            - Combustão de carvão com captura do CO2, o chamado carvão limpo, só acessível a países ricos e adiantados e capaz de dar resultados dentro de dez anos ou mais, além do carvão líquido ou gasoso para substituir os combustíveis nos transportes. Contudo, é a alternativas que está a receber mais investimentos, para além do nuclear e da energia eólica, havendo centenas de centrais no Mundo em projecto e construção.

            - Etanol produzido por fermentação de cana do açúcar, milho, soja, colza, cardo, etc., menos poluente e susceptível de proporcionar ganhos relevantes aos agricultores de numerosos países. Pode ser utilizado como combustível único nos motores de automóvel ou misturado com gasolinas. Os fabricantes estão a construir motores do tipo flex que podem utilizar qualquer destas alternativas.

            - Óleo vegetais para misturar aos gasóleos no chamado bio-diesel. Também menos poluente e susceptível de serem produzidos em qualquer país do Mundo.

            - Energias alternativas como a eólica, energia das ondas e hídrica. Estão a ser implementadas em todo o Mundo, particularmente em Portugal, mas têm os seus limites, apesar de serem as únicas que não produzem qualquer emissão de CO2 ou outro gás de estufa, excepto um pouco no fabrico dos respectivos equipamentos.

            - Energia solar, uma das mais importantes alternativas para a produção directa de energia eléctrica pela via dos painéis de silício ou por concentração da radiação solar para a obtenção de altas temperaturas. Totalmente limpa, excepto, evidentemente, na construção dos equipamentos.

            - Hidrogénio nas células de combustível em que há uma electrólise a seco ao contrário com produção de energia eléctrica proporcionada pela reacção de hidrogénio com o oxigénio com libertação de vapor de água. Seria o sistema ideal para carregar baterias, principalmente das baterias construídas laboratorialmente em nanotubos de carbono e que se carregam em segundos. Estas células vão ser utilizadas nos submarinos portugueses que estão em construção e têm proporcionado energia em satélites e naves espaciais.

            - Nuclear. Também de emissão quase nula de gases de estufa e, hoje, menos poluente em resíduos altamente radioactivos, mas mesmo assim, a acumulação dos mesmos em dezenas de países não deixará de preocupar as populações do planeta quanto à segurança das gerações vindouras.

            - Produção de hidrocarbonetos sintéticos a partir do CO2, o que teria a dupla vantagem de eliminar excessos desse gás de estufa e utilizá-lo como fonte de energia. Já realizado em laboratório, mas com um catalisador muito caro, a platina, pelo que só será viável a partir do momento em sejam encontrados catalisadores mais acessíveis.

 

            Para já, o aumento dos preços do barril de petróleo provocou um crescimento desmesurado do consumo de carvão na produção de electricidade, nomeadamente nas gigantescas economias emergentes da China e Índia e mais lentamente noutras, já que 1,5 mil milhões de habitantes do Terceiro Mundo não têm as suas habitações ligadas à electricidade. A queima do carvão em centrais térmicas está a provocar um aumento da poluição em gases de estufa, já que o carvão é 72% mais poluente que o gás natural e 32% mais que os petróleos.

 

Efectivamente, as emissões de CO2 são para a China o maior pesadelo, pois 75% da sua electricidade é produzida em centrais térmicas a carvão e para sustentar o crescimento de quase 10% anuais da sua economia, os chineses inauguram uma central térmica por semana em média e estão a construir a maior central térmica do mundo para 12 GW que produzirá mais electricidade que as três maiores centrais nucleares do mundo e vai emitir mais CO2 que Portugal inteiro, ou seja, mais de 60 milhões de toneladas anuais. O custo é da ordem dos 6% do PIB português.

            Tanto a China como a Índia possuem muito carvão, mas não só. Ao contrário do petróleo, o carvão está muito mais espalhado por todos os continentes e existe tanto na Europa como nos EUA em quantidade muito apreciável. Foi parcialmente abandonado nos países mais ricos devido aos elevados custos de extracção e à poluição, mas está de volta. Mesmo assim, 40% da electricidade mundial é produzida em centrais que queimam carvão, mas em muitos países ultrapassa largamente essa percentagem como na Polónia em que 99% da sua electricidade é de origem térmica com carvão.

            Muita gente defende o direito da China e da Índia de continuarem a queimar carvão, mas a grandeza desses dois estados faz com que as primeiras vítimas da poluição atmosférica sejam os próprios residentes, podendo a poluição excessiva vir a afectar gravemente o crescimento económico e a sustentabilidade das respectivas economias no seu todo. A China está hoje a emitir anualmente mais de quatro mil milhões de toneladas de CO2, o que está a afectar a saúde dos seus cidadãos nas principais zonas industriais.

 

            Claro, o carvão pode vir a ser o grande combustível do futuro se utilizado de uma forma limpa, isto é, com os gases poluentes ligados a sistemas de captura de CO2, dioxinas, partículas, etc. Neste momento, há uma central térmica a funcionar nesses termos na Dinamarca e outra em construção na Alemanha. O CO2 é capturado por um absorvente químico, o mono-etanol amina, mas os respectivos fumos deverão ser reaquecidos para concentrar o dióxido de carbono. O custo total do processo é da ordem dos 50 euros por tonelada de CO2 capturado; bastante caro quando se pensa que para produzir um megawathora de electricidade térmica a partir do carvão emite-se uma tonelada de CO2 e depois de capturado o CO2 terá de ser colocado nalgum lado, nomeadamente injectado em poços de petróleo vazios.

 

            Segundo a revista “Science et Vie”, estão a ser estudados outros processos como o da injecção de oxigénio na combustão para obter uma alta concentração de CO2 a misturar com vapor de água. Claro, com o contra de o custo de produção de oxigénio puro ser igualmente caro. Outra solução parecida é a do “singás” resultante da queima do carvão pulverizado na presença de oxigénio e vapor de água e que terá 65% de monóxido de carbono e 30% de hidrogénio. Este gás algo semelhante ao gás pobres dos antigos gasogénios arde facilmente, produzindo gases de expansão para alimentar turbinas de duplo fluxo como as dos aviões em que a combustão inicial acciona uma primeira turbina e a segunda é accionada por vapor de água super-aquecido. O rendimento é muito elevado, pelo que o combustível necessário será menor e o “singás” ou gás de síntese integrado em ciclo combinado pode servir para accionar turbinas de compressão dos gases de escape da combustão aberta do carvão pulverizado e permitir uma captura mais fácil do CO2.

            Os EUA lançaram-se num projecto ambicioso com a tecnologia do “Singás” que implica um investimento de mais de mil milhões de euros denominado “FutureGen” que deverá produzir electricidade a partir de 2013, semelhante ao projecto europeu “HypoGen” e ao australiano “ZeroGen”. As centrais desses projectos vão produzir electricidade e simultaneamente combustível líquido e hidrogénio. Os críticos do carvão limpo dizem que a exploração mineira e o transporte também são poluidores, mas, claro, não é possível existir vida animal sem emissão de CO2 e todo o trabalho é emissor do dióxido.

           

O ideal é ligar a combustão do carvão à redução do CO2 com produção de hidrocarbonetos puríssimos. Para o efeito, produz-se primeiro hidrogeniões por electrólise solar da água (fotoelectrólise), fazendo passar os referidos catiões por um polímero apenas permeável aos mesmos para depois numa zona de nanotubos de carbono com platina como catalizador dar-se a redução do CO2  que se transforma em vários hidrocarbonetos CxHy como tolueno, octano, dodecano, etc. e vapor de água. Obtêm-se assim gasolinas puríssimas sem os poluentes naturais como enxofre, etc. utilizáveis nos automóveis ou noutras produções energéticas. As próprias viaturas poderão até capturar para os seus depósitos os fumos do escape, todo CO2, desde que o turbo do motor seja utilizado para comprimir os referidos fumos que serão trocados por gasolina nas respectivas bombas. Num automóvel médio, o consumo de 0,1 litro de gasolina produz uns 150 g de CO2, o que significa que se torna necessário um sistema turbo para comprimir o gás do escape ou capturar apenas uma parte do CO2 produzido.

            Fechar o ciclo do carbono é a grande solução, perfeitamente viável desde que haja determinação e financiamento necessário. De qualquer modo, não é provável que algo assim seja posto em funcionamento antes de 2020, mas nunca se sabe, pois basta de repente encontrar o catalisador economicamente viável para pôr todo o Mundo a fabricar gasolinas a partir da reacção de redução do CO2.

Processo de Utilização do Carvão sem Emissões Poluentes - Via Carbonato de Cálcio

 

 

 


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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007
NAL-Novo Aeroporto de Lisboa

 

 

 

 

 

O aeroporto da Ota ou Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) vai ser projectado para atingir uma capacidade máxima de 42,5 milhões de passageiros em 2050 com duas pistas a funcionar de 3,6 km de comprimento e distanciadas entre si de 1,7 km, desviadas de 20º em relação à existente actualmente na Base Aérea da Ota. A capacidade máxima de chegada e saída de passageiros não terá logo de início a ver com as duas pistas, mas com a instalação progressiva de posições de estacionamento para 143 aviões, entre as quais umas 100 posições de acesso directo servidas por pontes telescópicas.

 

A capacidade máxima será atingida com um total de 79 movimentos aeroportuários por hora, o que é tido como suficiente até ao fim do Século, pois dará para quase mil aviões em 12 horas.

 

O terminal central está ante-projectado em concha para se expandir progressivamente para os lados à medida que a procura for crescendo. Quando da inauguração em 2015 ou 2017 deverá servir 17,8 milhões de passageiros anualmente e acabará por ser o centro de um cidade aeroportuária com mais de 28 mil pessoas a trabalharem

 

A obra está orçamentada em 3,1 mil milhões de euros, ou seja, 4,8% do PIB de 2006 distribuídos num prazo de projecção e construção de dez anos. A construção propriamente pode decorrer entre 2010 e 2017, o que significa que na prática vai custar uns 0,48 a 0,50% do Pib fixo de 2006.

 

Da verba total, o ministro das Finanças pensa gastar 600 milhões de euros oriundos de uns dez orçamentos de Estado, ou 60 milhões de média anual ou 0,09% do Pib de 2006. Acresce a esta verba a quantia de 170 milhões vindos dos Fundos Comunitários.

 

A obra não será propriamente uma parceria Estado-Privados, mas uma concessão a privados sujeita a um concurso público a ser aberto ainda este ano e ganhará quem entrar com mais dinheiro e assim reduzir a participação do Estado na obra. A entidade privada deverá ficar com 50% da ANA que explora os restantes aeroportos portugueses. A obra será de responsabilidade privada e a exploração também sob o controle público por um período de concessão de 30 a 40 anos.

 

Se considerarmos o encaixe do Estado em impostos como IRS de trabalhadores, Segurança Social, IRC, IVAs, Imposto de Combustíveis, etc., a totalizarem mais mil milhões de euros, a obra não só não custará nada aos contribuintes como vai trazer um ingresso total duas vezes superior ao dispêndio durante a fase da obra. Está previsto que na obra vão trabalhar entre 4 e 5 mil trabalhadores e muitos outros em indústrias conexas e obras privadas na região que vão acelerar muito depois do novo aeroporto entrar em funcionamento.

 

Como é evidente, formar-se-ão vários consórcios de bancos, construtoras e especialistas na gestão aeroportuária para concorrerem. Estes verificarão a viabilidade do projecto e a sua rendibilidade. Os grandes grupos financeiros nacionais e internacionais não estão disponíveis para entrarem num negócio que venha cheio de defeitos como dizem os maledicentes. As questões de águas, drenagens, etc. serão verificadas previamente pelas construtoras e pelos bancos pois vão construir com o seu dinheiro e os custos de utilização do NAL serão determinados no próprio concurso, para o qual todos os concorrentes terão acesso aos estudos já elaborados.

O número e a qualidade dos concorrentes serão determinantes para ajuizar a qualidade da obra e o futuro do projecto. Pessoalmente, espero para ver.

 

 

 

Ota fica a 45 km de Lisboa e 60 km de Leiria, a 5 km de Alenquer e a uns 15 km de Santarém com Alcanena, Torres Novas e Tomar para leste e Torres Vedras, Caldas da Rainha e Peniche para oeste. O novo aeroporto fica precisamente no centro de Portugal e vai servir uma zona com 50 km de raio onde se concentra a maior fatia de população, indústria e agricultura do País. São uns 40 a 45% da população de Portugal. Por isso, as instalações de carga aérea foram planeados para um projecto que preveja mais de 400 mil toneladas por ano de exportações e importações.

 

O NAL dará origem a uma futura “aerotrópolis”, ou cidade aeroportuária com hotéis, centros comerciais, bairros residenciais, armazéns de empresas exportadoras e importadoras bem como fábricas de produtos de alto valor acrescentado que possam ser transportados como carga aérea.

 

Para os benefícios retirados, o custo da obra é verdadeiramente insignificante pois até em termos reais não terá quase peso nos orçamentos de Estado até 2017. Refira-se ainda que os lucros do Estado com a ANA têm sido irrisórios dado que os aeroportos de Portela, Sá Carneiro e Faro têm estado permanentemente em obras de alargamento devido ao enorme aumento da procura, a qual estabilizará por volta de 2050 como já aconteceu em vários países europeus.

 

 

A opção Rio Frio seria chumbada em Bruxelas pelo Estudo de Impacto Ambiental, já que poria em perigo o Parque Natural do Estuário do Tejo e o maior aquífero da Península Ibérica em termo de água doce que existe em toda a zona subterrânea do Parque e de Rio Frio e Poceirão. Ninguém dúvida que a decisão agora preconizada pelo PS com Marques Mendes seria combatida com unhas e dentes pelo próprio PSD com Marques Mendes se o Governo de Sócrates tivesse escolhido Rio Frio. E, além disso, teríamos todos os ecologistas à perna num combate pela preservação de um gigantesco aquífero, tanto mais valioso porque está no centro de uma vasta zona urbana.

A opção Ota resultou de o Estudo de Impacto Ambiental ter ELIMINADO RIO FRIO pela razões apontadas acrescido da existência de uma importante reserva agrícola e florestal com uma vasta riqueza em sobreiros.

 

Nenhum grupo ecologista defende a opção Rio Frio e chegam a dizer que o aeroporto na Ota coloca o referido aquífero e o Parque Natural do Estuário do Tejo em perigo devido à passagem de aviões. Claro, isso é uma profunda estupidez dado que o Aeroporto de Portela está muito mais próximo do Estuário do Tejo que a Ota e o sobrevoo de aviões sobre o PNEST é constante como é também é a utilização da Base do Montijo. Não seria pois um aeroporto a 50 km de distância que iria perturbar as aves quando existem três mais próximos, ou seja, Portela, Montijo e Alverca e até Tires e Sintra.

Enfim, assustam-se as pessoas com o dinheiro gasto quando na verdade a obra será sempre rentável para os contribuintes desde que na respectiva equação entrem todos os dados e considerando que Rio Frio não obteria quaisquer apoios de Bruxelas pela referidas razões ecológicas.

Há grupos que defendem que a situação mundial quanto ao petróleo é de tal ordem que o seu custo vai subir muito e, como tal, vai ter uma implicação negativa no transporte aéreo de passageiros.

Só pode dizer isso quem desconhece os gigantescos investimentos que estão a ser feitos a nível mundial em energias alternativas, nomeadamente em Portugal, e nos dados científicos mais recentes que apontam para a captura do CO2 e sua utilização no fabrico de hidrocarbonetos.

Entre esses enormes investimentos salienta-se a produção do biodiesel e etanol, cujas plantas capturam o CO2 da atmosfera que depois libertam de forma muito menos poluente nos motores de explosão interna.

 



publicado por DD às 19:06
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