Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010
Livro: Um Século de Guerra no Mar na Livraria Barata

A livraria Barata, na Av. de Roma, organiza amanhã, dia 17, pelas 19 horas, uma sessão de autógrafos e lançamento comercial do livro de Dieter Dellinger "Um Século de Guerra no Mar - Desde a Guerra Russo/Japonesa de 1904/5 à Guerra do Golfo".

Trata-se pois de uma obra de elevado interesse histórico porque retrata todos os aspectos da guerra no Mar durante o Século XX, tanto sob o aspecto operativo das batalhas como do desenvolvimento do material bélico e das políticas que produziram e conduziram as diversas guerras do Século e todas tiveram uma importante componente marítima.

O livro foi editado pela Editora Náutica Nacional, Lda que publica a Revista de Marinha e foi prefaciado pelo vice almirante Alexandre Fonseca.

Podemos mesmo dizer que quem dominou os mares acabou por vencer todas as guerras do Século XX.

O livro está à venda na Livraria Barata por um preço módico apesar do tamanho da obra com 411 páginas.

O autor estará presente para autografar as obras de acordo com os desejos dos futuros leitores



publicado por DD às 19:22
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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010
O País Insustentável de Cavaco

Cavaco foi pessimista e esquecido ao falar de uma situação insustentável em Portugal no âmbito de uma crise económica mundial.

Fundamentalmente, Cavaco esqueceu-se dos dados económicos dos seus governos entre 1985 e 1995, os quais decorreram num período de ausência de crise económica europeia e mundial com a simultânea entrada de imensas verbas da União Europeia. Não há qualquer paralelo entre os dez anos cavaquistas e a situação actual, tanto a nível de país como do mundo em geral.

Assim,  vejamos:

Entre 1985 e 1990 o défice das contas públicas foi em média -6,54% do PIB e entre 1990 e 1995 de -5,7%. Cavaco nunca teve um saldo positivo, apesar dos dinheiros da então CE/CEE.

No primeiro dos referidos períodos, o saldo da balança comercial portuguesa foi em média de -10,1% e no segundo de -9,7%.

As taxas de juro nominais foram em média de 18,7% no primeiro quinquénio cavaquista e de 14,5% no segundo e os juros da dívida pública foram de 7,8% no primeiro período e de 6,8% no segundo.

A inflação média anual foi de 12,7% nos primeiros cinco anos e de 7,3% nos segundos.

A dívida pública foi de 70,5% do Pib em 1990 e de 68% em 1995.

O desemprego foi de 6,5% nos primeiros cinco anos e de 5,45% nos segundos, apesar de nessa época, o crescimento europeu era pujante e, como tal, a emigração de portugueses para os países europeus continuava a um ritmo ligeiramente mais brando que nas décadas de sessenta e setenta.

Salientemos de que desde 1960 até 1995 emigraram mais de 2,5 milhões de portugueses, sem que os salários tenham crescido desmesuradamente perante tal saída de pessoas, quantitativamente única na história de Portugal. Antes pelo contrário, os custos salariais representaram 11,7% do Pib no primeiro quinquénio cavaquista e 8,5% no segundo.

A emigração correspondeu de facto a desemprego interno pois as pessoas saíam porque não havia trabalho no país e, mesmo assim, o desemprego não desceu abaixo dos 5,45%.

Depois de 1995 e, principalmente, a partir de 2001/2002 verificámos o contrário, ou seja, a vinda para Portugal de mais de meio milhão de estrangeiros.

Em síntese, numa situação imensamente melhor, Cavaco não apresentou em dez anos de governo números muito melhores que os actuais e o País não morreu como não vai morrer agora. Morrer pode o Cavaco, mas  nunca a PÁTRIA de todos os PORTUGUESES.

Os dados cavaquistas foram retirados da revista “Cadernos de Economia” – órgão da Ordem dos Economistas – de Jan/Mar de 1995 em artigo de Clara Synek nas páginas 10 a 16.



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Terça-feira, 8 de Junho de 2010
Dieter Dellinger: A Loucura Alemã

Ouvi hoje pela Radio Deutsche Welle a Sra. Merkel a apresentar o seu plano de austeridade para a Alemanha. Se não soubesse que a senhora não fala uma palavra de português e que, provavelmente deve confundir Portugal com a Espanha como fez um tal comissário europeu para a economia, julgaria que o discurso dela teria sido escrito pelo Medina Carreira.

A tontinha da Merkel gritava bem alto, não sei se no Parlamento ou numa conferência de imprensa, que os alemães teriam vivido nas últimas décadas acima das suas possibilidades e daí a necessidade de um pacote de poupança governamental da ordem dos 80 mil milhões de euros.

Fiquei espantado e incrédulo, a Alemanha registou em 2009 uma queda do seu Pib de 5,9%, o que é a maior deflação desde os anos vinte do século passado, o que recomendaria um crescimento do consumo interno. Simultaneamente a Alemanha exportou mais de 1,6 biliões (milhões de milhões) de euros e importou cerca de 1,2 biliões, registando um dos maiores saldos positivos de qualquer país do Mundo, o que significa que a economia viveu muito mais da exportação do que do consumo interno e no ano passado, a Alemanha investiu no exterior cerca um bilião de euros, sendo actualmente a nação que regista o maior volume de investimentos externos do Mundo, o que lhe proporciona um PNB ou RN (rendimento nacional) muito superior ao PIB que é duas vezes superior ao português.

Como exportador, a Alemanha ficou ligeiramente abaixo da China, mas por capita as suas exportações são quase 15 vezes superiores às dos chineses, sendo igualmente superiores às americanas, japonesas, etc. e continuam a subir, mas sem que os empresários queiram fazer algum esforço. Um cliente meu esperou seis meses por um Mercedes e outro que teve um acidente num VW Sharon da Auto-Europa quis comprar outra viatura igual e disseram que teria de esperar cinco meses, pelo que foi adquirir outra marca.

A dívida pública alemã atingiu um valor moderado de uns 63% do Pib e o seu défice público foi da ordem dos 5,5%, um número relativamente baixo.

Mesmo assim, a Sra. Merkel lançou um pacote que retira benefícios a todos os reformados e trabalhadores em geral e que pretende reduzir despesas em todos os sectores públicos, o que não se compreende porque o défice público resultou do apoio à banca que incluiu a compra do tal papel que nada valia e que não se deverá repetir este ano.

Os alemães estão na sua tradição de ser um povo exagerado em tudo, tanto na asneira como em aspectos mais positivos. No caso da Merkel, é na asneira, pois o seu pacote económico leva à redução do consumo interno.

Ao longo dos sessenta e dois anos de vida da República Federal da Alemanha, os governantes alemães viveram e continuam a viver com a obsessão da inflação. É certo que a Alemanha viveu uma terrível inflação há um pouco menos de noventa atrás, mas tanta coisa mudou desde então que é impossível a repetição daqueles anos em que o pão custava milhões de marcos e o senhor dos bigodes subiria ao poder. Qualquer político alemão deve saber o suficiente de história para nem pensar nos anos vinte do Século XX.

Devido a essa obsessão, os alemães defenderam e defendem a moeda forte sem pensar que a queda do euro em 15% desde Janeiro é favorável às exportações europeias e dificulta as importações oriundas da China e outros países para a zona euro. Para além disso, a Merkel não se preocupa com os seus parceiros europeus, quer um euro forte para que os seus trabalhadores utilizem bens de consumo baratos vindos da China e produzam bens muito caros e altamente especializados, esquecendo-se que 70% das exportações alemãs ficam na Europa.

Os alemães sob a batuta de uma senhora licenciada em física desconhecedora do verdadeiro significado das economias e suas relações globais querem impor a toda a Europa os seus pontos de vista, agravando a situação alemã e europeia em geral.

Aparentemente, a Sra. Merkel acredita nas mentiras que envia para o exterior quanto ao desemprego de 8,7%, pois mais de 4% dos seus trabalhadores trabalham a meio tempo com 40% do seu ordenado pago pelo Fundo de Desemprego. Na verdade, o verdadeiro desemprego alemão é da ordem dos 10,7%, o que é excessivo para um grande país exportador que possui imensas reservas monetárias.

O objectivo da Merkel é o típico das ligações entre a direita democrata cristã e os liberais, ou seja, reduzir custos do trabalho e sociais para tornar os ricos ainda mais ricos.

No seu pacote económico, a física Merkel incluiu algo de muito perigoso e um engano para a população. Assim, autorizou a continuação do funcionamento das velhas centrais nucleares a troco de um imposto especial sobre as respectivas empresas. Os contribuintes julgam que recebem mais, mas não podem contabilizar o perigo acrescido de acidentes em centrais com muitas décadas de existência.

Os desempregados a partir de um certo espaço de tempo deixam de receber do Estado um subsídio de reforma destinado a fazer com que o período de desemprego não prejudique a pensão futura que na Alemanha passa a ser recebida só a partir de 67 anos, excepto em algumas profissões muito desgastantes. Também o tradicional e muito antigo apoio ao pagamento de rendas de casa e aquecimento a pessoas com baixos rendimentos foi cortado tal como o apoio à natalidade e o abono de família e apenas reduzido para pessoas de baixos rendimentos.

Enfim, a pressão anti-social que se apoderou de toda a Europa e leva a Comissão em Bruxelas a forçar a nota e todos os governos europeus a serem mais injustos, pode conduzir a Europa a um desastre e nada fará para debelar a crise global que vivemos, antes pelo contrário, vai acentuá-la.

Os alemães e muitos europeus vão ter, sem dúvida, ocasião para se arrependerem num futuro próximo.

 

 



publicado por DD às 23:38
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Dieter Dellinger - A Bolha Chinesa pode Rebentar

A China Comunista-Capitalista encontra-se actualmente a viver um perigoso „boom“. No primeiro trimestre a economia cresceu 11,9%, enquanto os preços do imobiliário subiram mais de 12% no mesmo período, estimulados por um autêntico “tsunami” de crédito barato. Já em 2009, o crédito bancário ultrapassou os 1,1 biliões de euros a uma taxa de juro extremamente baixa.

 

Para enfrentar uma quebra nas exportações, as autoridades chinesas fomentaram o crédito barato e indirectamente a consequente subida de preços, tanto das casas como dos activos financeiros e saliente-se aqui que é difícil na China ao investidor privado comprar acções de empresas cotadas. Estas estão todas na mão dos mais diversos fundos bancários e são esses que o chinês ou estrangeiro compra sem grande transparência porque não sabe ao certo o que consta do activo desses fundos que cresceram desmesuradamente. O Banco da China tem procurado obrigar os bancos a manter reservas mais elevadas relativamente aos créditos concedidos, mas, mesmo assim, muitos analistas acreditam que não é possível manter o crescimento numa base tão capitalista sem um aumento substancial dos salários da esmagadora maioria dos trabalhadores.

 

Os grandes fundos ocidentais como o “Fidelity Trust”, o “Allianz”, “Invesco”, etc. estão a sair do mercado chinês, ainda rentável. Mas por quanto tempo ainda?

 

A recente quebra do Euro em 15% veio agravar a situação, pois o mercado da zona euro é extremamente importante para os chineses, nomeadamente para os muitos homens de negócios, quadros e grandes empresários que investem nos fundos bancários e adquirem casas graças aos imensos lucros que a exportação de produtos feitos com mão de obra baratíssima lhes proporciono.

 

O Euro mais barato relativamente ao dólar torna as exportações chinesas mais caras, pois o Yuan é cotado em paridade com o dólar. Os chineses perdem competitividade no mercado europeu e não podem alargar o seu mercado interna pela via salarial para não perderem ainda mais competitividade e acrescente-se que as medidas restritivas da Alemanha e de quase todos os países da zona euro mais outros que não pertencem como a Hungria, Islândia, Eslováquia, Roménia, Bulgária, etc. dificultam ainda mais as exportações chinesas.

 

Apesar da grandeza da China, o seu verdadeiro mercado interno é reduzido, sendo um pouco superior ao da Alemanha, dado que o povo vive na miséria, pelo que tudo indica que vai haver um rebentamento da bolha de crescimento da China com o afundamento bolsista dos seus derivados, fundos de aplicações e outros produtos financeiros associado ao fim da bolha especulativa do imobiliário e a uma maior quebra nas exportações.

Os chineses possuem importantes reservas monetárias aplicadas nos EUA. Servirão para alguma coisa? Apenas para importar produtos alimentares e outros se uma parte dos trabalhadores fosse desviada para importantes obras públicas, o que limitaria o desemprego, mas não resolvia o problema da competitividade externa da sua economia. Em qualquer economia é difícil mudar de paradigma ou modelo. Apenas os japoneses o fizeram limitadamente, passando de uma economia de baixos salários para uma de alto custo de mão de obra associada a grandes investimentos no estrangeiro. Criaram a maior dívida externa do Mundo, mas detida pelos seus nacionais, quer em títulos, quer nos tais investimentos em fábricas, hotéis, etc. que proporcionam rendimentos, mas não tantos como os esperados devido à crise global.

 

A China parece não ter saída e vai entrar em crise nos próximos meses porque ninguém vê que uma intervenção estatal possa mudar seja o que for.

 


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