Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
Reformados e Esperança de Vida

 

 

 

Os reformados a quem estão a ser roubados os subsídios de férias e natal devem organizar-se em grupos e levar o caso a tribunal, acusando Coelho, Gaspar e Mota de roubo. Os que sofreram um roubo total porque recebem mais de 1100 euros são cerca de 90 mil e os roubados parcialmente devem ser da ordem dos 500 a 600 mil. Quase um milhão fica de fora por terem sido roubados toda a vida ou porque roubaram a segurança social e nunca descontaram sobre o que ganhavam, mas isso é outra história.

O Centro Nacional de Pensões considerou sempre 14 ordenados anuais, mesmo que um trabalhador ou empresário só recebesse 12 ou 13. Muitos pequenos empresários e profissionais liberais preferiam fazer as contas a 12 ordenados que se pagavam a si mesmo por razões de contabilidade mais homogénea. Mas, nesses casos, o CNP fazia a divisão por 14. Assim, quando o cálculo eram os melhores dez anos dos últimos quinze, dividia-se a totalidade do recebido por 140 e descontavam-se 20% para calcular a pensão mensal a pagar 14 vezes. Mesmo no cálculo da soma de toda a vida, a pensão é calculado pela divisão da soma total pelo número de anos vezes 14 menos 20%. Hoje, fazem-se contas mais complexas com indexantes e cálculos de esperança de vida para reduzir ainda mais as pensões.

O dinheiro das reformas não é um bónus, mas sim a devolução à sociedade civil daquilo que ela depositou no Estado ao longo de toda a vida e que foi sempre sujeito a impostos diversos para além dos descontos da segurança social.

Um processo não deverá ser muito caro porque um advogado pode tratar de um conjunto de pessoas que foram roubadas.

 

Há tempos ouvi algo de inacreditável na TVI Notícias. Uma enfermeira ou uma médica dizia que as pessoas devem aprender a morrer em casa e as famílias devem habituar-se a isso. Claro, não disse, mas pensou, sem chatear os hospitais e gastar dinheiro do Ministério da Saúde para dar a impressão que os f. da p. que governam este país estão a gerir bem as finanças públicas e a p. da Merkel fique satisfeita.

Só faltava dizer ainda que as criancinhas devem nascer em casa com parteiras a fim de permitir ao f. da p. Macedo fechar as maternidades.

 O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem vindo a defender o aumento da idade de reforma em um ano sempre que a esperança média de vida aumentar por igual período, como solução para evitar a rutura dos sistemas de pensões. O FMI esquece que há duas idades limites de esperança da vida média: a em boas condições físicas que raramente ultrapassa os 65 anos e a cheia de problemas de saúde como má visão, artroses, diabetes, problemas cardio-vasculares, etc. em que a medicina permite que se viva muitos anos ainda, mas sem grandes esforços nem o stress de trabalho intenso ou até certo ponto fazer um trabalho que se goste e do qual se tenha muita experiência. Estou a lembrar-me do Manuel de Oliveira com 103 anos que quis ir para casa para continuar a fazer filmes, apesar de ter um “by pass” e dois “stents” coronários. Com isso pode viver-se muitos anos.

Estatísticas


 

O governo diz que não quer aumentar a idade da reforma, mas pretende antes o plafonamento, o que não é menos perigoso para os cidadãos, principalmente no futuro.

Na Segurança Social, a observação do quadro que vem na Pordata mostra-nos números arrepiantes, isto é, 1,6 milhões de portugueses reformados por velhice, dos quais apenas 5,9% auferem uma reforma superior a 1.000 euros, sendo 5,2% entre os 1.000 e os 2.500 euros, 0,62% entre 2.501 e 5.000 euros e apenas 0,05% com mais de 5.000 euros.

No lado inferior há mais de 7.654 ditos beneficiários com reformas até 50 euros, 37.957 com 51 a 151 euros; 172.481 com 151 a 250 euros; 1.188.160 com 251 a 500 euros e 155.943 com 501 a 1000 euros. Mais de 1.000 euros são auferidos por apenas por 99.436 pensionistas.

Para o governo, plafonar só tem sentido se se limitar aos tais 5,9% ou 99.436 pensionistas porque as reformas milionárias são de 907 pensionistas que representam os já referidos 0,05%.

Oriundos da função pública há 440.194 pensionistas com uma média de 1.250 euros cada, dos quais 4.832 auferem mais de 4.000 euros de pensão de reforma.

Portugal é tão rico em reformados miseráveis e pobres como quantitativamente paupérrimo em ricos reformados, pelo que acabariam por ser as classes médias a pagar, pois são as pessoas a quem o governo Coelho pode extorquir mais umas poucas centenas de euros por ano. Repare-se que o corte total dos dois subsídios de natal e férias abrange apenas uns 5% dos reformados do setor privado, daí saírem duas conclusões. Primeiro; não influenciam as contas públicas ou reduzem o défice; segundo, não influenciam as sondagens eleitorais. 5% com mais de 1.100 euros não tem interesse financeiro ou eleitoral. Claro, esses 5% fustigados por um Estado opressor e debaixo de uma montanha de impostos e taxas terão um peso bem superior aos seus 5% nas próximas eleições, dado que os pobres não têm razão nenhuma para irem votar.

Mesmo assim, o futuro terá outros quadros, nomeadamente daqui a dez anos ou vinte porque toda a gente desconta e as reformas inferiores a 500 euros serão menores. Daí o interesse em protelar em dois anos mais a idade da reforma e impedir as reformas antecipadas, muitas das quais são responsáveis pelo seu baixo nível financeiro.

Os números portugueses, sejam salários, reformas ou subsídios são tão baixos e as receitas igualmente tão insignificantes, incluindo o próprio PIB que a ideia de que o Estado possa um dia vir a ter um défice de 0,5% é uma burrice total. Não sei como PS do Seguro foi capaz de votar favoravelmente uma asneira dessas, tanto mais que nenhuma nação europeia, nem a Alemanha, vai alguma vez conseguir de uma forma continuada ter défices assim tão baixos, a não ser que se alterem os estatutos do BCE e este passe a emprestar diretamente aos Estado a 0,75% como o faz à banca privada que não sabe o que fazer ao dinheiro, dado não ter confiança nas economias da zona euro.

Portugal foi o primeiro a aprovar no parlamento essa burrice, mas acredito que muitos outros parlamentos vão chumbar esta medida, pelo que nunca será aplicada. Talvez o PS tenha disso a consciência e votou num papel que só serve para o caixote de lixo e os burros do PSD/CDS saíram todos contentes com a votação mais estúpida da legislatura.



 



publicado por DD às 17:03
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2012
"MOBBING"

            O “Mobbing” é uma forma de guerra psicológica mais ou menos individualizada contra alguém. É sempre uma agressão e um atentado aos direitos humanos. Pratica-se muito no trabalho e na política, mas também no seio da família. Fundamentalmente, o “Mobbing” é um sistema de tortura psicológica.

            O grande objetivo do “Mobbing” é convencer o agredido que ele nada vale, não presta e tudo o que faz é mal feito. Faz-se paulatinamente nas mais diversas fases do trabalho, por exemplo, muito frequentemente da parte das chefias sobre os empregados para se verem livres deles e às vezes entre colegas por ciúmes ou porque a empresa organiza os seus recursos humanos em concorrência de uns contra outros. Mas, a melhor forma de tentar destruir a auto-estima de alguém e reduzir a sua psique é não lhe dar nada que fazer durante alguns tempos, é pior que o sobrecarregar de trabalho em excesso.

            Vem isto a propósito do especialista em “Mobbing” que ocupa a pasta da Educação. Ao colocar milhares de professores com horários zero está a torturá-los e pode por isso ser levado a todas as instâncias jurídicas nacionais até ao Tribunal dos Direitos Humanos em Haia. A tortura é proibida pela Carta dos Direitos do Homem das Nações Unidas que inclui a tortura psicológica.

            João Duque, o ministro, resolveu praticar essa tortura sobre uma parte importante do professorado nacional ao mesmo tempo que aumenta as turmas para 30 ou mais alunos por professor. Há escolas que vão ter professores sobrecarregados ao lado de outros torturados com horário zero, não sendo permitido às escolas dividir turmas de 30 alunos, por exemplo, em duas de quinze sempre que haja professores disponíveis da disciplina em causa com horário zero. Há aqui dois tipos de “Mobbing”, o excesso de trabalho e a sua total ausência. Ambos têm efeitos nefastos na psicologia dos agredidos.

            O horário zero é inadmissível quando se aumenta o número de alunos por turma e se acaba com as aulas de apoio aos alunos menos capazes de uma aprendizagem razoável.

            Considerando tortura, o horário zero, há que levar o caso ao Tribunal Constitucional para que este se pronuncie ou acusar o ministro de torcionário nos tribunais de primeira instância



publicado por DD às 20:52
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Domingo, 15 de Julho de 2012
Os Alemães querem o Ouro e as Reservas Portuguesas

 

 

 

 

O pasquim alemão “Handelsblatt” noticiou que Portugal tem reservas escondidas, dizendo que o ouro e as divisas do Banco de Portugal no
valor de 18 mil milhões de euros correspondem a mais de 6% do PIB português e, como tal, colocam Portugal como o País que possui as maiores reservas da Zona Euro relativamente ao seu PIB. Os alemães do referido pasquim lamentam-se que a lei portuguesa não permita a cedência destas reservas ao Governo para venda.
Apenas os juros devem ser transferidos anualmente para a Direcção do Crédito e Dívida Pública. A Merkel já pediu mesmo a transferência do ouro português para a Alemanha como garantia dos empréstimos.

 

Por outro lado, os alemães do mesmo pasquim escrevem que as famílias portuguesas possuem ainda 384 mil milhões de euros, os quais podiam
servir para o pagamento de dívidas e saneamento das finanças públicas. Os súbditos da Merkel acham que há aqui muito dinheiro para ser transferido para a Alemanha.

 

No passado, as reservas em ouro e divisas, bem como o património nacional, servia como instrumento indicador da emissão de moeda.
Havendo reservas em ouro, não seriam vendidas nem transferidas para fora, mas serviam para que o Banco de Portugal emitisse moeda. Hoje, na Europa, deveria acontecer o mesmo. O BCE deve EMITIR moeda a 0,75% ao ano para Portugal, dado que o País tem património e deveria utilizar o dinheiro novo para pagamento de dívidas antigas e, como tal, reduzir a gigantesca fatura em juros que a ganância do BCE liderado pela Merkel e companhia exigem.

 

O pasquim “Handelsblatt” descreveu os bens que os países endividados possuem e que deveriam ser vendidos, salientando os portos gregos,
aeroportos, ilhas, terrenos, etc. Aparentemente, os alemães querem apoderar-se de tudo o que os países do sul possuem no âmbito da sua esquizofrénica mania de que são donos de todos os euros em circulação na Eurozona.

 

Curiosamente, outro jornal alemão, o “Die Zeit”, lamenta-se que os armadores gregos estão a comprar a preços de saldo um grande número de
navios alemães, principalmente porta-contentores que navegam com bandeiras de conveniência, porque os bancos alemães não estão a financiar a marinha mercante em crise devido à queda repentina e brutal do número de contentores transportados da Ásia para a Europa e tradicionalmente os armadores gregos fazem as suas fortunas com aquisições em contra-ciclo, dado que não espatifam os seus lucros em impostos porque as suas sedes estão no Panamá e outros países de conveniência e até em pleno mar em navios escritórios. Enquanto em 2011 ainda se registou um crescimento no transporte marítimo, subitamente em 2012 e, principalmente, nos últimos dois meses verificou-se uma queda nunca vista de encomendas. Devido à ganância da banca e do Governo alemão, a Europa retrai-se nos seus consumos, prejudicando largamente a China, Índia e Brasil. Ao mesmo tempo, os países asiáticos estão a comprar menos aos alemães e daí a Merkel ter visitado recentemente a Indonésia e outros países próximos para incentivar o
comércio entre os dois continentes, o que se tornou impossível devido àimposição de uma política de austeridade em vez de alguma emissão de moeda.

 

 Dieter Dellinger



publicado por DD às 17:13
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