Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 30 de Setembro de 2012
Não há Deriva Direitista do PS

 

 

 

 

Tornou-se um hábito dizer que o Partido Socialista não é o mesmo da há trinta anos e que terá sofrido uma deriva direitista. Não foi tanto assim. Muito anos antes do 25 de Abril, ainda nos tempos da ASP e na Cooperativa de Estudos e Documentação, participei nos debates e estudos da elaboração de matriz ideológica do PS. Assim, sempre quisemos um Estado Democrático e Social com igualdade de oportunidades para todos, principalmente a partir de uma escola e universidade acessível a todos os jovens, provida com a indispensável assistência social como refeições gratuitas, transportes pagos, bolsas de estudo, comparticipação na aquisição de manuais escolares e deduções em sede de IRS das despesas com educação. Também defendíamos a saúde para todos, reformas justas para todos, mas em função das carreiras contributivas, dado sermos sempre favoráveis ao modelo solidário. Os descontos atuais pagam as reformas atuais.

 

Queríamos um desenvolvimento das infraestruturas, mas nunca dissemos que éramos contra a economia de mercado. Estávamos nesse aspeto muito mais próximos da Nova Política Económica de Lenine, mas com democracia, do que do Estalinismo e Maoísmo.

 

A deriva direitista do PS foi muito menor que a deriva dos Partidos Comunistas no poder. Saliente-se que os partidos da antiga URSS e dos seus países satélites como Polónia, Roménia, Bulgária, etc. e de países como a Albânia e Jugoslávia se auto-dissolveram, coisa que não passa pela cabeça de nenhum socialista que continua agarrado aos ideais da igualdade de oportunidades para todos com Estado Social.

 

O maior Partido Comunista do Mundo, o chinês, com 85 milhões de militantes, derivou totalmente para o mais feroz capitalismo explorador que nunca poderia ter sido imaginado antes, colocando ao serviço de todas as multinacionais uma imensa mão-de-obra a custos de escravidão. A China Comunista ergueu uma sociedade escravocrata para benefício de uma pequena classe média, os indispensáveis capatazes, segundo Karl Marx, e uma inimaginável oligarquia capitalista possuidora de fortunas imensas.

 

Nos dois países em que os Partidos Comunistas mantiveram uma certa ortodoxia houve uma total rejeição da democracia e ambos passaram a ser governados por verdadeiras dinastias, estando a Coreia do Norte na terceira geração de “monarcas” comunistas e Cuba na posse da família Castro através do irmão do gravemente doente Fidel. Raul Castro tem todos os seus muitos filhos colocados em posições cimeiras e prontos a sucederem-no quando deixar este Mundo. Nestes dois países, duas famílias tornaram-se proprietárias dos partidos comunistas e da totalidade das respetivas nações.

Na China, até agora, toda a direção partidária era e é ainda constituída pelos filhos dos homens da “marcha longa” que governaram o País até ao fim das suas vidas. Dada a grandeza do país,ós familiares dos detentores do poder não chegam para governar a China. Por isso o PCC tornou-se agora uma espécie de escola elitista para os melhores alunos das escolas e universidades que entram como candidatos a militantes, acedendo à categoria de membros do partido depois de mostrarem qualidades, sem dúvidas, mas acima de tudo uma fidelidade canina aos ditames do Presidum do Comité Central e, principalmente, aos nove membros do Comité de Defesa que são efetivamente quem decide tudo e nomeia os mais altos cargos da nação e do partido. No processo de adesão ao PCC os antecedentes familiares têm muita importância, tal como acontecia nas nobrezas dos antigos regimes. Não há distritais, Federações, etc. com pessoal eleito pelas bases. De cima é dada ordem para eleger “democraticamente” fulano ou cicrano e quem se afastar da linha imposta arrisca-se a ser condenado à morte, mas com um instinto de crueldade tremendo. Neste momento o alto dirigente Bo Xi Lai está a ser julgado, mas para o fazer sofrer, a sua mulher foi condenada à morte pelo pretenso assassínio de um cidadão britânico que ninguém acredita que praticou esse crime. A pena foi suspensa para ser aplicada daqui a dois anos. Se Bo Xi Lai confessar os seus “crimes” à boa moda estalinista de 1936 poderá salvar a mulher e ser condenado à morte. Caso contrário, serão os dois eliminados sem um julgamento sério.

 

A China regressou totalmente ao mandarinato imperial de antigamente, mas com o PCC como organização de controle e vigilância apertada.

 



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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012
A Austeridade Liberal Falhou e nâo tem Futuro

 

 

            Estive a ouvir os liberais de direita Proença de Carvalho, Medina Carreira e  Paulo Trigo Pereira. Ninguém tem explicações para o problema, antes falavam nas gorduras do Estado e na possibilidade de reduzir largamente as despesas públicas e agora são confrontados com duas duras realidades.

A primeira foi o aumento da despesa do Estado em 0,4% relativamente ao ano anterior, apesar de ter cortado em 15,2% os vencimentos dos funcionários e as pensões dos reformados. Comparado com o Governo Sócrates, a despesa real aumentou no valor descomunal de 15,6%. Incompreensível com cortes nas obras, introdução de gravosas taxas moderadoras em todos os atos médicos e redução dos preços dos medicamentos, o que foi obra de Sócrates que muito impulsionou a introdução dos genéricos.

A segunda foi a redução das receitas em todos os impostos menos no IRS que, mais uma vez, significou ir diretamente ao bolso dos portugueses.

Ninguém tinha uma explicação para isso, nem o professor Paulo Trigo Pereira que escreveu um interessante livrinho intitulado “Portugal: Dívida Pública e Défice Democrático”. As soluções que todos os liberais propuseram falharam redondamente.

Agora, o Governo parece que quer fazer um grande aumento do IRS de modo a ir buscar os tais 15,2% dos vencimentos de f. p. e reformados e mais uns dois e meio a três mil milhões de euros para reduzir o défice. O resultado não pode ser brilhante. Em Portugal há um número muito importante de trabalhadores individuais, como advogados, contabilistas, canalizadores, reparadores, construtores civis, mecânicos e oficiais de diversos ofícios, mediadores de propriedades, incluindo a vasta classe de agricultores e patrões de PMEs. Toda essa gente, perante um IRS exagerado vai encontrar meios de contornar o imposto, reduzindo o seu salário e procurando por outras vias receber verbas. E não é difícil porque o Estado não pode controlar tudo e carregar nas pequenas empresas e auto-empregos é levar tudo à falência. Já ouvi falar em administradores de grandes empresas que estão a passar a consultores e a receberem fora do País uma parte dos seus salários sem descontar IRS.

Além disso, está provado que em macroeconomia a redução do poder de compra de todos é a redução dos rendimentos de todos ao mesmo tempo. A austeridade simultânea conduz à recessão, à redução de receitas e ao aumento de despesas em desemprego.

Convém salientar que os défices estão mal calculados, pois Bruxelas e, em particular, a Alemanha e todos os liberais consideram qualquer despesa pública como um luxo ou algo de supérfluo. Assim, Alqueva é considerada um luxo, uma auto-estrada é o mesmo, apesar de sabermos que os alemães gastam mais de 1% do seu PIB em engarrafamentos por as suas autoestradas serem muito antigas. Nas rádios alemãs, ainda à meia-noite oiço as informações sobre engarrafamentos nas mais diversas autoestradas germânicas e foi numa rádio que ouvi o tal custo de 1%.

O professor Trigo deu a entender na Sic que considerava as universidades e politécnicos como despesas supérfluas e haveria no ensino superior muito para cortar, também há liberais que consideram os cuidados médicos para os pobres idosos como um luxo, pois seria melhor que morressem o mais cedo possível. Os próprios submarinos foram contabilizados em 2011 quando deveriam ser pagos ao longo de muitos anos, salientando que o povo português não está informado sobre a forma de pagamento. Ao contrário disso, uma empresa privada que adquira um navio ou faça outros investimentos deverá amortizar tudo ao longo de um determinado número de anos, contabilizando em cada ano só o valor amortizado como despesas, mesmo que tanha pago o investimento a pronto.

Na Europa, os Estados criaram empresas públicas e PPP para poderem pagar ao longo dos anos em correspondência com a realidade e a liberdade que também possuem as empresas privadas e os cidadãos que adquirem casa a vinte ou trinta anos.

Enfim, os liberais de direita estão a levar toda a Europa à ruína e Merkel repete os erros do governo Bruening de 1931/32, cuja austeridade provocou uma onda de desemprego que proporcionou a subida ao poder do mais tenebroso ditador que a Humanidade alguma vez viu e que deixou mais de 35 milhões de mortos atrás de si. Será isto que querem os liberais de direita?



publicado por DD às 00:03
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Domingo, 23 de Setembro de 2012
Como Resolver a Crise

 

 

 

 

Passos Coelho, Portas e Gaspar cometem um grave erro em limitarem os seus verdadeiros contactos com o exterior à troika na questão da crise. A reunião do Conselho de Estado não deveria ter tido lugar na passada sexta-feira, pois nesse dia os governantes portugueses deveriam estar a negociar em Roma com a Itália, Espanha, Irlanda e Grécia.

O governo português deveria conhecer a evolução do PIB alemão e reparar que a intolerância da Merkel vai variando com a evolução do PIB alemão.

Assim, desde o terceiro trimestre de 2011, o PIB alemão vem diminuindo de três em três meses, descendo de 663,12 mil milhões trimestrais para 648,50 mil milhões no fim do segundo trimestre deste ano. Foram três trimestres de queda que define recessão técnica com perda de quase 14 mil milhões trimestrais ou cerca 40 mil milhões no período de nove meses. Isto depois de ter tido um aumento notável entre o primeiro trimestre de 2011 e o terceiro do mesmo ano. Nesse período, Merkel caracterizou-se pela sua arrogância extrema e está a mudar porque o PIB alemão deverá passar dos 2.570 mil milhões para os 2.520 milhões, o que equivale a cerca de 15 vezes o Pib português. Mas, o futuro não é risonho, pois o índice alemão IFO de perspetiva de negócios desceu de 109,9 em Abril passado para 102,3 em Agosto, havendo indícios de que continua a descer. A Alemanha de Merkel começa a sentir como é estúpida a vontade de castigar os países do sul da Europa e agarrar-se à ideia de redução das despesas estatais como se fosse a salvação desses países e da própria Alemanha quando é o contrário que se verifica.

O excelente livro de Paul Krugman “End this Depression Now!” dá-nos uma visão muito correta do que se passa e do caráter artificial da crise europeia, comparando-a com os EUA, Canadá, Japão e faz mesmo uma curiosa comparação entre a Finlândia com o euro e a Suécia e a Dinamarca sem a moeda comum.

Krugman acusa o BCE de ser o verdadeiro autor da crise europeia que se está a espalhar como verdadeiras metástases pelos mais diversos países, incluindo pelo Reino Unido que não tendo o Euro, tem um governo que faz a mesma política da direita como fará o candidato republicano se chegar à Casa Branca.

Krugman defende a emissão de moeda como solução desde que os indicadores de inflação não atinjam valores acima de um limite máximo de 5% em vez de uma taxa de desemprego gigantesca no conjunto dos países do Euro.

Com a possível adesão da França e Luxemburgo às pretensões da Espanha, Itália, Grécia, Irlanda, Islândia e, eventualmente, Portugal, tem uma conjunto de países com um importante peso na Zona Euro com mais de 200 milhões de habitantes, ou seja, mais de metade da população que utiliza o Euro.

Um Banco Central Europeu com mais pretensões que a simples estabilidade da moeda e com alguma sensibilidade macroeconómica e social deveria realizar as seguintes tarefas:

1)      Emitir moeda para comprar ativos menos convencionais como dívida pública e privada a baixo juro e a longo prazo, mesmo de 30 ou mais anos.

2)      Utilizar moeda emitida para reduzir impostos que castiguem o trabalho e os bens transacionáveis.

3)      Comprar títulos de tesouro a 10 anos com um juro de 2,5% e a 3 ou 5 anos a 1,75 ou 2%.

4)      Comprar dólares e outras divisas para desvalorizar um pouco o Euro para tornar as exportações da Zona Euro mais competitivas.

5)      Estabelecer objetivos de inflação de valor mais elevado como 3 a 4% nos próximos 5 a 10 anos.

6)      Com estas políticas financeiras permitir renegociar os memorandos da troika e afastar o Fundo Monetário Internacional. A Europa é suficientemente poderosa e grande para prescindir do FMI que foi criado mais para ajudar os países mais pobres do Terceiro Mundo do que as birras da Merkel.



publicado por DD às 23:35
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012
Merkel não consegue na Alemanha o que exige dos outros

 

            A Merkel exige dos outros aquilo que não consegue na Alemanha.

Vinte e dois anos após a reunificação alemã, os territórios da antiga RDA ou Alemanha de Leste continuam pobres com uma elevada taxa de desemprego, apesar das auto-estradas construídas e da reconstrução das cidades antigas e de muitos monumentos como a célebre Igreja das Senhoras e do Museu Zwinger em Dresden, etc.

            Os governos alemães acreditaram que a transferência da capital para Berlim iria proporcionar o desenvolvimento do Estado Federal de Brandenburg e servir de pólo global de desenvolvimento como acontece com Munique na Baviera. Mas nada disso aconteceu, antes pelo contrário. Quando da divisão, Berlim Oriental tinha muitas indústrias que foram rapidamente à falência com a troca de um marco oriental por um marco ocidental, o que significou uma valorização da moeda em 400% e, como tal, dos preços das produções industriais. No lado Ocidental, havia muitas indústrias, principalmente ligeiras como farmacêutica e outras que eram altamente subvencionadas para mostrar aos comunistas a superioridade do capitalismo. Sucede que com a reunificação das duas Alemanhas, as subvenções deixaram de ser dadas e essas fábricas fecharam quase todas, indo para a Polónia, República Checa, etc. onde se pagam salários extremamente baixos por via do câmbio com o Euro demasiado forte.

            Mesmo assim, acreditava-se que os serviços proporcionados por um parlamento e governo e muitas sedes de grandes empresas iriam proporcionar a criação de muitos postos de trabalho. Criaram-se alguns, mas não o suficiente, apesar de lentamente muitas editoras e organizações diversas se terem transferido para a capital federal e esta atrai muitos turistas devido aos seus museus e ser uma cidade de livre acesso como as outras capitais europeias, o que não acontecia antes. Hoje, graças à informática, os serviços já não fomentam muito o emprego e, mesmo, o comércio como os supermercados, grandes armazéns, restaurantes self-service, etc. criam poucos postos de trabalho.

            Na antiga Alemanha do Leste, apenas 14% do PIB tem origem no setor privado, o resto resulta das despesas estatais e as indústrias que funcionam são subvencionadas, mesmo em zonas com uma particular tradição como Jena célebre pela sua óptica, Leipzig com uma longa tradição industrial e onde foi construída a primeira a primeira locomotiva alemã.

            Quando visitei Berlim, vi umas antigas e gigantescas metalúrgicas que tiveram um grande papel no fabrico de viaturas e depois de material de guerra. Hoje, são apenas um grande centro comercial.

            A razão do falhanço relativo da política alemão nos seus territórios do Leste deve-se a uma moeda muito forte num ciclo longo de pouco investimento industrial novo. Uma parte importante dos fabricos foram para a China ou para países europeus sem o Euro e enquanto o Euro continua a subir como tem estado nos últimos dias não há possibilidades de os próprios alemães virem a ter uma produtividade tal que permita competir com as indústrias dos países emergentes.



publicado por DD às 22:55
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012
Morreu Santiago Carrilho

 

 

 

 

Santiago Carrilho faleceu hoje em Madrid com 97 anos de idade. Foi líder do Partido Comunista Espanhol entre 1960 e 1982, tendo vindo muitas vezes a Portugal.

Era um comunista moderado que sempre defendeu a democracia e recordo que ele discursou no primeiro Congresso do PS no pós-25 de Abril e conta-se uma história curiosa.

A esse Congresso vieram todas as personalidades do socialismo democrático e social-democracia do Mundo e até de outros quadrantes políticos. Todos queriam discursar, mas não era possível dar a palavra a toda a gente porque senão o Congresso nunca mais teria fim. Mário Soares teve de fazer um certo rateio e tinha muito interesse que Carrilho falasse por ser o comunista mais democrata do Mundo. Para isso teve de dizer a Filipe Gonzalez que não poderia falar. Este ficou furioso e saiu da sala em que Mário Soares organizava a ordem dos oradores e bateu com a porta, mas voltou atrás, abriu a porta e disse bem alto: “pois é, os comunistas dos outros são sempre melhores que os nossos”.

Não foi essa a única vez que Carrilho veio a Portugal. Ainda nos tempos de Salazar, por volta dos anos sessenta, Carrilho veio a Portugal disfarçado de grande investidor uruguaio interessado em montar fábricas de conservas de carne em Portugal. Chegou a contactar um ministro de Salazar e outras personalidades do regime relacionadas com indústrias, se bem que o objetivo fosse o de falar com alguns comunistas portugueses, o que conseguiu, e observar a situação política no país depois de rebentar a guerra colonial.

Carrilho escreveu um interessante livro intitulado “Depois de Franco” em que perspetivava apenas uma democracia e depois ouvi-o numa entrevista em que disse que apesar de republicano respeitava o Rei Juan Carlos por ter instaurado a democracia em Espanha.

Enfim, foi um comunista pacífico por ter aprendido muito na Guerra Civil Espanhola em que participou como combatente e líder da juventude comunista e depois na guerrilha anti-franquista. Carrilho acabou por defender a tese de que os comunistas só pela via eleitoral é que devem chegar ao poder em Espanha e se possível em coligação com outras forças de esquerda, apesar de ter lutado toda a vida pelo socialismo comunista, primeiro de armas na mão e depois pela influência e organização política. Era quase a antítese do Cunhal.

Paz à sua memória e que seja recordado como aquilo que foi.



publicado por DD às 20:00
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Domingo, 16 de Setembro de 2012
Os Portugueses dão Notas Negativas às Magistraturas Portuguesas

 

A sondagem do Expresso revela que o PS ultrapassou o PSD em 0,7%, mas não será isso o mais importante.

O que causa preocupação é a pouca consideração e prestígio que gozam os juízes e o Ministério Público, ambos colocados muito em baixo com importantes notas negativas, apenas uns poucos pontos acima do Governo.

35,1% dos portugueses dão nota negativa aos juízes e apenas 17,4% positiva. Todos os políticos tão vilipendiados estão muito acima dos juízes e do Ministério Público.

Na maior parte dos países europeus, a justiça goza de grande respeito e popularidade, estando sempre muito acima dos políticos. Em Portugal estão bem abaixo, apesar do País possuir boas leis e bons tribunais equipados com o que há de melhor. Mesmo a PJ e os investigadores das várias polícias estão bem equipados.

A razão está no comportamento fanaticamente parcial dos magistrados que se juntam a um ou outro partido para combaterem o outro em verdadeira guerra civil.

As fugas planeadas ao segredo de justiça para provocar o assassinato de caráter de muitas figuras públicas tornaram a classe dos magistrados na ralé da sociedade em termos de sondagens e opinião pública.

Recordo aqui de uma camarada minha da minha secção, uma jurista casada com filhos que tinha a particularidade de ter uma voz muito forte devido ao tabaco e que ao telefone parecia voz de homem. Nos tempos em que quiseram incriminar Paulo Pedroso no processo Casa Pia, gravaram uma conversa em que ele a tratava por menina e largaram isso para as televisões sem cuidar de saber que era a interlocutora de PP. A gravação foi lançada para as televisões pelo juiz de instrução que sentia como um senhor feudal, inimputável e acima da própria lei. De resto é assim que se sentem alguns juízes. Depois meteram no processo um papel anónimo a acusar Ferro Rodrigues, mas com o cuidado de referir que era factos verificados há mais de vinte anos, logo insuscetíveis de serem averiguados por estarem prescritos, mas a ficou o atentado difamante, o crime de assassinato de caráter para liquidar a carreira política de um homem integro, honesto, professor catedrático, casado e pai de, pelo menos, uma filha bem conhecida.

Casos destes contra o PS são às dúzias e poderiam dar origem a uma biblioteca inteira.

Por isso e pelos muitos criminosos soltos por prescrição resultante da preguiça da justiça e falta de consideração com as pessoas. Por exemplo, o maior assassino português do século passado, o da Praia do Osso da Baleia, foi posto em liberdade, emigrou para França sem que a justiça portuguesa tenha avisado a polícia francesa da perigosidade do homem. Ele vive em Nice e uma cunhada em Paris. Já lhe telefonou a ameaçar de morte, tendo sido ela que informou os jornais e a Justiça francesa. O caso foi relatado nos jornais em Portugal e França.

O aumento da criminalidade em Portugal que se tornou gigantesca resulta, sem dúvida, da incapacidade dos juízes se imporem ao respeito e serem imparciais  e saberem distinguir o que é mais importante, o crime de morte, que a corrupção dos árbitros de futebol. Por isso, é o crime de morte que abunda em Portugal e diariamente cometem-se vários assassinatos. O que não admira dado serem os juízes a dar o exemplo com os seus casos de assassinato de caráter. Quando os juízes assassinam o caráter de tanta gente, não é de admirar que haja muita gente a disparar com pistolas e caçadeiras contra a família, incluindo filhos, esposas, irmãos, cunhados, etc.

Os magistrados deveriam reunir-se num grande Congresso de Ética da Justiça para saberem distinguir o que é moral do imoral.

 



publicado por DD às 17:00
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2012
Austeridade Suicida com o Fim da UE

 

 

A ideia que a política de fomento de Sócrates é a causa da necessidade de uma austeridade suicida é completamente errada.

Primeiro porque as políticas de fomento foram impulsionadas pela União Europeia, já no governo de Cavaco, seguidas pelo de Guterres e depois de Sócrates.

A quota paga por Portugal à UE só regressa em termos de políticas de fomento infra-estrutural. Segundo os estatutos da UE os dinheiros de Bruxelas não permitem pagar despesas gerais e ordinárias como ordenados, pensões, etc.

Cavaco lançou a primeira e a maior PPP que foi a Ponte Vasco da Gama com a exploração e alargamento da ponte 25 de Abril, na qual se colocou o comboio.

A UE provocou a política de obras públicas, aceitou a entrada de Portugal no Euro e hoje retirou-se das suas responsabilidades, não deixando o BCE emitir moeda para colocar as economias a produzirem riqueza e não a criarem o desemprego.

Saliente-se que UE não permitia o fomento industrial, agrícola e piscatório. Antes pelo contrário, pagou para se produzir menos. Assim, a UE não deixou o Estado investir em novo alto forno na Siderurgia Nacional e fez uma entrega monetária para que não se reconstrua o alto forno, ficando a SN a produzir algum ferro a partir de dois fornos elétricos muito pequenos e a fazer corte de chapa e ferro importados.

Qualquer manual de Macroeconomia ensina-nos que o crescimento económico implica o aumento dos agregados monetários contidos no M3 e de capital investido a longo prazo. Isso consegue-se com muitas exportações, mas praticamente só há dois grandes exportadores no Mundo, a China e a Alemanha. O Japão ainda é exportador, mas já não tanto e possui um vasto império empresarial espalhado pelo Mundo que lhe proporciona rendimentos apreciáveis. A Coreia do Sul é um exportador equilibrado. Os restantes países do Mundo exportam mais ou menos ao mesmo tempo que importam bastante. O Brasil, a Argentina, os EUA, o Canadá dependem muito da cotação das matérias primas que exportam e umas vezes estão nos píncaros e outras vezes nas profundezas dos infernos.

A austeridade imposta a Portugal pela troika é suicida e irrecuperável porque o País não pode ir aos mercados a partir de 2014 para fomentar a produção agrícola e industrial. Algumas empresas exportadoras podem crescer se ganharem dinheiro suficiente, o que é cada vez mais difícil na atual conjuntura em que já a China e a Alemanha deixaram de ver as suas exportações a crescer.

Mário Draghi do BCE percebeu isso e quer emitir moeda para comprar títulos de tesouro em segunda mão e vencerem no prazo máximo de três anos. Enfrenta uma oposição feroz da Alemanha, já nem centrada na Merkel, mas no partido liberal e na ala mais conservadora da Democracia dita Cristã ao mesmo tempo que enfrenta também no seio do seu partido uma forte oposição às medidas de austeridade já assumidas desde há anos.

Os alemães descobriram agora não vão ter reformas. Quem tiver ganho um ordenado médio de 1.800 euros nos próximos 40 anos terá uma reforma de 400 euros e quem recebeu uma média de 3.600 euros terá uns 800 euros. Para receber uma reforma de mil euros torna-se necessário ganhar durante os referidos 40 anos cerca de 4.000 euros de média mensal global. Por outro lado, os fundos privados perderam em média mais de 80% do seu valor.

A não emissão de moeda, levou a uma queda brutal do valor de todos os ativos europeus, ou mesmo, de todos os bens e serviços, o que levou a troika a querer que os baixíssimos salários portugueses descessem ainda mais e o capital visse o custo do trabalho reduzido numa pequena percentagem. Curiosamente, ao capital isso não lhe agrada porque sabe que paga pouco e sem clientes solventes não vai a parte alguma. E que interesse têm os bancos que emitem ações a 4 cêntimos como está a fazer o BCP-Millenium. O governo quer taxar as casas que valem mais de um milhão de euros. Quantas são? Alguma dúzia. Nem o Estado, nem o Capital e, menos ainda, o Trabalho resolvem seja o que for com a queda de todos os valores traduzíveis em moeda.

    O Euro é a moeda de 330 milhões de habitantes e há uma grande responsabilidade da parte do BCE e dos países da zona euro no seu conjunto. As previsões apontam para um crescimento zero ou negativo da mais próspera economia europeia este ano, a alemã, e crescimentos negativos em quase todas as outras. O Euro é de todos e tem de servir todas as economias. Não podemos chegar a 2014, um século depois de iniciada a I. Guerra Mundial, com uma Europa totalmente destruída pela guerra alemã do Euro.

As recentes manifestações em Barcelona apontam para uma declaração de independência da Catalunha que pode levar a uma guerra civil porque as Forças Armadas Espanholas não querem independências regionais. Não devemos esquecer que a Guerra Civil Espanhola foi o prólogo da II. Guerra Mundial. Começou em 1936 e acabou precisamente em 1939, ano em que começou a referida guerra mundial



publicado por DD às 23:29
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Sábado, 8 de Setembro de 2012
Submarinos Corruptos?

 

 

 

Antigos administradores da Ferrostaal confessaram terem feito pagamentos corruptos num acordo com o Tribunal de Munique, pelo que foram condenados a penas suspensas de prisão e a multas de 18 mil euros cada. Foram oito administradores já demitidos da Ferrostaal.

A Cândida de Almeida foi a Essen e, segundo o Expresso de hoje, andou com uma magistrada portuguesa que domina a língua alemã e procuradores alemães a vasculhar os arquivos da Ferrostaal. Ainda de acordo com o mesmo jornal conseguiu que a Ferrostaal entregue a documentação apreendida depois de ter perdido três recursos para o evitar. Serão mais de 100 mil páginas sobre o negócio da venda de dois submarinos a Portugal nos tempos do Porta como MD.

Sucede que os negócios de dinheiros e eventuais comissões não foram pagas a partir da Alemanha, mas sim na Inglaterra através da empresa filial da Ferrostaal, a International Marine.

Esse empresa pagou à Espírito Santo Commerce (UK), Ltd a quantia total de 31,6 milhões de euros registada na contabilidade como pagamento de serviços prestados na área financeira. O Tribunal de Munique não conseguiu provar que se tratavam de comissões, mas os juízes alemães consideraram que o montante está muito acima do valor comercial desses serviços.

Além disso, um tal Juergen Adolff , Cônsul honorário de Portugal em Munique, recebeu a quantia de 1.679.324,41 euros. O juiz alemão considerou esta verba como corrupta, dado que a sua qualidade de cônsul, mesmo honorário, não permitia receber dinheiros por favores praticados. Entre esses favores estaria a organização de um encontro entre o então primeiro-ministro Barroso e administradores da Ferrostaal.

Por cada submarino, Portugal pagou mais 400 milhões de euros, a que se acrescentaram depois os torpedos italianos e outros armamentos. A marinha adquiriu um modelo designado U-209PN que aparentemente trata-se do casco relativamente antigo do modelo U-209 alongado para levar células de combustível que permitem produzir eletricidade para acionar os motores elétricos silenciosamente e a baixa velocidade durante muitas semanas sem ter emergir. Os gregos e os coreanos pagaram um pouco mais de 350 milhões pelo modelo mais moderno, o U-212. Aparentemente parecem iguais, e há quem diga que a designação U-209 não tem a ver com o desenho do casco, mas sim com uma menor quantidade de equipamentos, nomeadamente material de guerra eletrónica que não foi incluído, como disse o comandante Rapaz Lérias a uma jornalista do jornal Público. O comandante Lérias foi um dos assessores técnicos na compra dos submarinos e lamenta que não tenha vindo material de manutenção e verificação e que, ao contrário do que tinha sido inicialmente acordado, a formação do pessoal não foi gratuita, mas paga pelo Estado português por 4,5 milhões de euros.

“A falta de material de apoio logístico terá consequências nefastas nos custos de sustentação dos submarinos”.

Para descobrir a verdade, há que constituir o Dr. Ricardo Salgado Espírito Santo em arguido e detê-lo para confessar toda a verdade sobre as verbas recebidas, dado que a Escom (UK) pertence ao BES que não se pode continuar a dizer que o dinheiro foi para pagar serviços e partiu para diversos offshores.

Para além dessa gigantesca verba, há outra mais modesta de apenas um milhão de euros recebida pelo vice-almirante reformado Rogério de Almeida que atuou na qualidade de consultor técnico do Consórcio Submarino Alemão que, em princípio foi o vendedor dos submarinos, e que tem escritório em Lisboa. O vice-almirante é engenheiro construtor naval e uma sumidade nesse campo, tendo desenhado as excelentes corvetas portuguesas, pelo que a verba pode ser adequada e já pagou o respetivo IRS.

Enfim, se o Dr. Salgado Espírito Santo não quiser, neste caso “não há políticos corruptos em Portugal”, como disse a Dra. Cândida de Almeida na Universidade de Verão do PSD.

Nota: A Ferrostaal não é um fabricante de submarinos ou seja do que for, mas um representante de grandes empresas alemãs em muitos países do Mundo, atuando na área dos grandes projetos, incluindo os militares e ficou famosa por ter participado na venda dos blindados alemães “Fuchs” à guerra de guerra nuclear, química e bacteriológica, vendidos pelo chanceler Kohl a Arábia Saudita quando da I. Guerra do Golfo. Eram dos stocks do exército alemão e foram vendidos por um preço a uma empresa ligada à Ferrostaal e revendidos, ou simplesmente faturados, quase pelo dobro aos sauditas. Parece que toda a gente ganhou dinheiro, incluindo o chanceler Kohl.

 

 

 



publicado por DD às 21:44
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012
A Greve ao Consumo dos Portugueses

 

O Jornal Público está a virar um bocado à esquerda e compreende-se.

Sendo o jornal a “voz do dono”, este não está satisfeito com a situação atual. As classes médias estão a fazer uma espécie de greve ao consumo, uns por imperiosa necessidade e muitos outros por receios quanto ao futuro e por ouvirem diariamente que os portugueses viviam acima das suas necessidades.

De alguma forma, pode dizer-se que as classes médias passaram de 37,2% da população em 1988 para 51,8% em 2008, isto nos homens. Nas mulheres consideradas individualmente não foi tanto assim, mas o número de mulheres casadas a trabalharem aumentou bastante, pelo que os seus salários vieram acrescer ao dos maridos, permitindo às famílias um melhor nível de vida, salientando-se que a queda da natalidade que potenciou a capitação familiar.

No mesmo período de tempo, o operariado industrial e agrícola passou de 62,8% da população masculina para 47,7% e nem todo o operariado pode ser considerado pobre ou proletário., pelo que podemos cifrar os vários estratos populacionais tidos como médios em 60 a 65%.

Hoje, assiste-se a um empobrecimento acelerado das classes médias, principalmente a elevada percentagem daqueles que caíram no desemprego, já mais de 15% da população ativa, acrescentando-se os reformados médios que perderam mais de 25% de poder de compra em 2011 e 2012. Os mais pobres ficaram ainda mais pobre por via dos aumentos do IVA e da retirada de apoios como o RSI e o Complemento Social de Idosos.

Tudo isto traduz-se nas vendas dos supermercados e, principalmente, nas margens de lucro; Pingo Doce, Continente, Hipermarchais, etc. tiveram que entrar no esquema do desconto duro com margens mínimas nas lojas e nos produtores.

Acrescente-se ainda que uma das características da civilização do bem-estar residia no excesso de consumo alimentar, nomeadamente de produtos açucarados. Hoje, sabe-se que o açúcar é uma droga, suscetível de criar dependência e obesidade com uma vida mais curta. A venda de gelados do Santos caíram imenso também; aquilo é veneno, principalmente para as crianças.

A vida está feia para o Belmiro, Alexandre Santos como para os franceses dos Hipermarchais e os alemães dos Lidl, etc. Isto para não falar em outros bens como automóveis, combustíveis e até, curiosamente, passageiros nos transportes públicos. Por exemplo, a venda de telemóveis caiu 21% no segundo trimestre em Portugal, relativamente ao período homólogo do ano anterior. Foram vendidos 96 mil aparelhos a menos por mês. A venda de Smartphones não compensou a quebra brutal nos telemóveis. Os automóveis estão ter quebras da ordem dos 45% quando já no ano anterior tinham caído as respetivas vendas.

A publicidade histérica da Worten e outras lojas de materiais supérfluos com o apelar ás crianças para obrigarem os pais a comprarem mochilas bonitas, cadernos, material de escrita, etc. mostram que essas empresas estão desesperadas como está o setor dos automóveis.

Os portugueses são pacíficos. Não reagiram à austeridade com cocktails Molotov ou pedradas na polícia, preferiram a greve quase geral ao consumo e fazem muito bem se, com isso, conseguirem reduzir peso a mais e não gastar em futilidades fabricadas na China por empresas coreanas e alemãs.

Claro, desta greve surgiu a queda nas receitas do Estado e com o aumento já anunciado por Passos Coelho dos impostos em 2013, a greve será ainda mais acentuada.

É curioso que a venda de automóveis em toda a Europa está a cair a uma média de mais de 7% ao mês e os alemães começam a ficar preocupados e espantados com a quebra enorme nos seus modelos de luxo.

Repare-se que na China, várias altas individualidades do Partido Comunista perderam as suas posições privilegiadas por possuírem viaturas de grande potência, nomeadamente Ferraris. Segundo alguns blogues, essa gente, tanto políticos como milionários e oligarcas, estão a esconder as suas bombas ou a desfazerem-se delas, passando a circular em viaturas mais modestas.

No Dubai, vimos Ferraris de um milhão de euros abandonados no parque do aeroporto, porque os milionários estão a fugir do país e deixam as viaturas de luxo com a chave de ignição colocada e, provavelmente, com muitas prestações por pagar.

A crise começou há mais de cinco anos, mas parece que a procissão ainda vai no adro. A hora da Alemanha e de outros países que se julgavam blindados contra todas as crises está a chegar paulatinamente.



publicado por DD às 20:25
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Domingo, 2 de Setembro de 2012
O Caso Freeport - Corrupção de magistrados ou de quem?

Freeport das Bahamas com praia, hotéis, marina, outlet, etc., como todos os outros espalhados pelo Mundo.

 

 

O Expresso dedicou uma página inteira ao caso Freeport para relevar as convicções e dúvidas dos juízes que julgaram Smith e Pedro, mas não coloca em questão o caráter surrealista do processo contra o arquiteto português e o engenheiro britânico. Ambos foram levados a tribunal por um juiz de instrução com “provas” fornecidas pelo Ministério Público e foi este que pediu em primeiro lugar a absolvição dos arguidos, considerando que as suas provas não tinham valor. A suposta vítima do crime de tentativa de extorsão que teria sido cometido por Pedro e Smith não apresentou queixa e disse nada conhecer sobre o caso. O acusador acusa e depois pede a absolvição porque sempre soube que os arguidos estavam inocentes, mas pretendia apenas que se falasse em Sócrates na sala do tribunal. De alguma forma é um caso de uma alegada corrupção política e jurídica dos magistrados que levaram um processo a tribunal sem provas contra os arguidos, mas aparentemente movidos por sórdidos motivos político-partidários.

Tal como antes, havia apenas o disse que disse, o disse que outros ouviram dizer, mas nada de palpável e suscetível de ser provado em concreto contra seja quem for.

O único elemento material que existe em todo o caso Freeport é uma gravação de uma conversa de Smith com um solicitador britânico em que afirma que depois da aprovação do projeto alterado e reduzido para cerca de um terço e só com o outlet Freeport (terceira versão), ele, Smith, teria entregue dinheiros ao secretário do Ministro do Ambiente durante dois anos. A dita terceira versão foi aprovada pouco antes das eleições e a seguir veio o governo Durão Barroso com Nobre Guedes como ministro do Ambiente e Sócrates reduzido à simples condição de deputado do PS e, nem sequer, ainda líder do partido. Smith fala em ministro e não refere o nome Sócrates ou Nobre Guedes, mas a realidade é que só poderia ser este último a receber e só este tinha secretário. Nobre Guedes poderia ter anulado o projeto, dado ter sido aprovado demasiado próximo das eleições e nada estar construído quando entrou em funções. Claro, considerando que Smith teria falado verdade a um solicitador que não representava a justiça e com o qual não tinha nenhuma obrigação jurídica para falar verdade.

Os procuradores portugueses desvalorizaram este depoimento filmado e gravado em 2006 apesar de ser o único em que se falou diretamente de um ministro, falando do que se passou entre 2002 e 2004. O autor do vídeo, um tal Alan Perrkins revelou o que estava no vídeo, confirmando que Smith disse que entre 2002 e 2004 houve pagamentos, mas não revelou quem pagou, quanto pagou e quais as datas concretas dos diferentes pagamentos, apesar de Perkins ser um alto funcionário da Freeport, mas sem ter tido uma responsabilidade direta no projeto português. Os administradores da Freeport ouvidos em tribunal negaram qualquer pagamento e a juíza considerou que não falaram verdade como se ela pudesse ter alguma certeza sobre a verdade de qualquer afirmação sem possuir qualquer documento revelador da eventual mentira.

Todos os outros depoimentos, mesmo os referidos em tribunal no falso processo contra Smith e Pedro são de quem ouviu dizer que se pagou dinheiro a alguém que ninguém sabe quem foi e sempre em data posterior à aprovação do projeto, logo a alguém do ministério de Nobre Guedes.

Entre 2004 e 2006 não se pode falar de Sócrates como ministro do Ambiente e nunca foi referido qualquer pagamento a um deputado do PS.

O tribunal que absolveu Smith e Pedro não quis aprofundar o essencial, a questão das datas, permitindo que se deduza daí uma alegada corrupção ao serviço de interesses contrários ao PS e, como tal, a Sócrates.

Como já escrevi anteriormente, alguns magistrados consideram uma prova de corrupção a aprovação da terceira versão muito reduzida do projeto Freeport a poucos dias do governo Guterres sair do poder. Não querem ver que isso deve antes ser uma prova do contrário, dado que todas as referências a luvas são de pagamentos faseados ao longo de dois anos porque não há nenhuma saída substancial de dinheiro de qualquer conta, há pequenas saídas que podem ter sido utilizadas para gastos pessoais dos detentores das contas e os valores referidos por uns e outros são completamente díspares e a irem parar ao Ministério do Ambiente foram quando Nobre Guedes era ministro.

De resto, a imprensa nunca referiu bem a história do processo nem as datas do mesmo.

Sabe-se que a construção e concessão de exploração da Ponte Vasco da Gama foi entregue num concurso muito rápido a uma empresa de vão de escada, a “Trafalgar House” pertencente ao marido e filho da Sra. Tatcher e que não passava de uma mediadora para receber comissões ou dividir comissões com compradores de material de guerra britânico e outros negócios em que entrava a influência da Sra. Tatacher. O negócio com a oferta da exploração da Ponte 25 de Abril no âmbito de uma concessão ou PPP, que incluiu também o recebimento de uma avultada quantia proveniente de fundos comunitários e a construção e exploração da Ponte Vasco da Gama, foi tão proveitoso para as partes envolvidas que logo após a assinatura dos contratos de concessão com formação da empresa Lusoponte, a Trafalgar House dissolveu-se, desapareceu do mapa, não sendo possível examinar os seus arquivos que deverão ter sido já queimados.

Foram os britânicos da Trafalgar e Lusoponte que chamaram a Freeport para se instalar nuns terrenos adquiridos com antecedência por um cidadão britânico com a garantia de que seria possível construir ali um Freeport com marina, hotel, campos desportivos. Aconteceu que a marina, hotel e campos desportivos foram chumbados pelo ministério de Sócrates. Não conhecemos a data em que o britânico comprou os terrenos e a quem e, menos ainda, quando é que a Freeport os comprou ao britânico. O objetivo da Trafalgar/Lusoponte era rentabilizar a ponte, criando um grande pólo de atração turística em Alcochete que só foi concretizado em cerca de um terço e, ao mesmo tempo, ganhar algum com a compra de um terreno que antecipadamente não tinha qualquer valor porque quem o vendeu pode não ter tido conhecimento dos projetos britânicos.

Não pretendo aqui acusar Nobre Guedes até porque acredito que não houve pagamentos, mas apenas recordar que nos dois anos posteriores à aprovação do Freeport foi Nobre Guedes o ministro do Ambiente.


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publicado por DD às 23:02
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