Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 16 de Fevereiro de 2014
O Padre resolve o Problema da Dívida


Foi proposta por dois especialistas e consultores em finanças públicas da EU (Pierre Pâris e Charles Wyplosz) uma solução para resolver o problema das dívidas públicas que representam na zona euro cerca de 95% do total dos Pibs dos 18 países membros. O Expresso descreve o método denominado PADRE do acrónimo em inglês de “Politically Acceptable Debt Restructuring”.
O Expresso não explicou bem o funcionamento da proposta que consiste em o BCE ou outra instituição europeia, mas só pode ser o BCE, comprar 4,6 biliões de euros em títulos de dívidas públicas existentes nos mercados, ou seja, cerca de metade do total. Ao mesmo tempo, permitiria um “swap” (troca) por títulos emitidos pelos diferentes países de caráter perpétuo e sem vencer juros. O BCE passaria a pagar o serviço dessa dívida que deverá rondar os 161 mil milhões de euros anuais, utilizando para o efeito os lucros que normalmente distribui pelos diferentes países em função das suas quotas no capital do BCE.
Não sei se o BCE dispõe de liquidez suficiente para fazer essa operação de resgate de metade da dívida da zona euro sem emissão de moeda, apesar dos proponentes dizerem que o BCE iria recorrer a créditos dos mercados para fazer a aquisição das dívidas. Acredito que seria uma solução muito pesada para o BCE sem monetarização, mesmo que parcial, mas como a massa monetária sofre uma quebra brutal devido à redução e aos prejuízos da atividade bancária, qualquer emissão de moeda para o efeito não deverá no imediato ter muita influência na inflação, limitando-se mais a impedir a deflação em curso na zona euro. Posteriormente será restabelecida a normal atividade financeira, mas a dívida irá sendo amortizada e as economias deverão ter crescido de modo a aumentar a oferta sem crescimento acentuado dos preços.
Isto seria a reestruturação ideal das dívidas públicas, podendo Portugal passar a gerir uma dívida de 55% do seu PIB, segundo o Expresso, perfeitamente sustentável ou antes liquidável que será o termo mais apropriado. Contudo, os autores da proposta não querem um “swap” tão favorável aos países sem uma contrapartida que seria a quase ausência de défice estrutural nas contas públicas sem considerar os juros e um não crescimento da dívida remanescente por recurso aos mercados que assim se veriam com uma menor oferta de dívida, logo mais segura com possibilidade de vencer juros bem mais baixos que os atuais. No caso português permitiria mesmo recorrer mais a poupanças nacionais com uma redução apreciável ou isenção do imposto liberatório de capitais que é de 28%, mantendo os juros baixos oferecidos pelos Fundos Europeus que são de 2,6% por um prazo médio de 19,8 anos, segundo o Expresso.
O défice estrutural e limite da dívida pública seria inscrito na Constituição e, eventualmente, referendado pelo eleitorado. Assim, satisfazia-se toda a gente; a esquerda teria a sua “reestruturação da dívida”, que nunca foi pedida como um simples apagão, o centro e a direita também com a garantia de não voltarem ao passado.
É evidente que isto não poderia deixar de ser uma operação única e não destinada aos governos para gastarem dinheiro e fazerem presentes para ganharem eleições, nem para disfarçar poupanças, passando serviços do Estado para privados a custarem o mesmo ou mais ainda.
Isto não abrange o sistema bancário que só em 2013 teve um prejuízo global de 1.600 biliões de euros, mas será o crescimento das economias a proporcionar mais lucros à banca ou então encontrar-se uma solução adequada á banca no âmbito de uma União Bancária em que também a banca seria impedida de fazer asneiras e distribuir salários de milhões pelos seus administradores. De resto, uma parte da dívida pública portuguesa, 12 mil milhões de euros destinam-se a capitalizar a banca, apesar de que não são os seus capitais que proporcionam lucros, mas sim os serviços prestados aos clientes.
Claro que tudo depende da Alemanha; se aceitar uma proposta desta que lhe é favorável de duas maneiras, já que tem igualmente uma dívida elevada e necessita de mercados, tudo bem, os outros países aceitarão. Se os alemães se armarem em estúpidos, nada feito e a solução será mesmo acabar com o euro e a União Europeia, refazendo umas tantas EFTAs.



publicado por DD às 19:18
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Junho 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
17

18
19
20
22
23
24

25
26
27
28
29
30


posts recentes

Os Fogos em Portugal

Portugal em Forma e Antón...

O "Crime" da EDP

Dieter Dellinger: BOAS NO...

Dívida Pública: Acordo BE...

Suicídio da Europa segund...

Marcelo Condecora Soares ...

Comissária Desconhecida q...

Produção de Automóveis

Défice de 2%

arquivos

Junho 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Junho 2016

Maio 2016

Março 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Julho 2005

Junho 2004

Maio 2004

tags

todas as tags

links
subscrever feeds