Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 25 de Abril de 2015
Dieter Dellinger: "O 25 de Abril já foi!"

 

Hoje, 41 anos depois do 25 de Abril, qualquer cidadão pode ir às compras nas grandes mercearias das famílias Azevedo, Santos e estrangeiros do Lidl, Mini-preço, etc. Estão lá trabalhadores mal pagos, precários, sem direito a feriados ou domingos como escravos. Os clientes fazem uma parte dos trabalhos dos antigos trabalhadores e vão buscar a mercadoria às prateleiras e na sueca IKEA vão mesmo ao armazém buscar as peças do mobiliário para montarem em casa, pondo a vida em perigo quando a peça que pretende está lá na prateleira de cima sem que o patrão sueco tenha colocado escadas.
Contudo, o trabalho sofreu uma evolução gigantesca em termos de produtividade com informática, automação, empilhadores, camiões com sistemas de elevação, gruas, buldózeres, etc., etc. Mas nada disso se traduziu numa melhoria real e permanente das condições de vida. As famílias é que resolveram melhorar o seu nível de vida, reduzindo o número de filhos e trabalhando os dois membros do casal. Portugal sentia então os efeitos da emigração de mais de dois milhões de portugueses para França e outros países nos anos sessenta, acabando de vez com a miséria nas aldeias por via do seu despovoamento. O primeiro ordenado mínimo trouxe alguns benefícios, mas foi perdendo valor. A banca nacionalizada não vendia fundos sem fundo, nem negociava em papel, mas emprestava a quem queria comprar casa a 20, 25 e até 30 anos. Na maior parte pequenos apartamentos nos subúrbios para os muitos casais sem filhos ou só com um. Os empregos estiveram mais ou menos garantidos.
Depois vieram as asneiras. O português político acreditava em tudo o que era estrangeiro. O PCP via na URSS a personificação do paraíso e os outros países acreditavam na Europa dita próspera e generosa com o seu capitalismo dito social.
Mário Soares encostou-se à Alemanha, coisa que eu nunca fiz e nunca tive grandes contactos com as fundações alemãs e as suas ajudas “desinteressadas” que vinham dos serviços secretos alemães e da Nato, incluindo a CIA como tinha lido no início quando o assunto foi discutido no Bandestag e reproduzido na revista “Der Spiegel”. Mas, enfim, meteu-se Portugal na Comunidade Europeia sem se saber que aquilo era afinal a reprodução da “Nova Ordem” hitleriana em moldes mais democráticos desde que os países se comportassem bem e fossem obedientes. Depois, com Cavaco vieram dinheiros que em parte tinham ido daqui para Bruxelas. Cavaco fez umas autoestradas e a ponte Vasco de Abril com a Expo e esbanjou milhões com empresários que não investiram ou modernizaram as suas empresas. Foram carros de luxo e barcos de recreio.
Com outros governos, o Estado continuou a fazer estradas, escolas, hospitais, mas como o dinheiro de Bruxelas (metade português) só subsidiava projetos com uma outra metade também portuguesa, pelo que foi preciso endividar o País, principalmente após o início da crise financeira de 2007/8.
Depois fizemos a asneira máxima que foi entrar no euro. Paul Krugmann e Joseph Stiglitz (nobéis da economia) bem nos avisou: “Não façam essa asneira porque daqui a cerca de dez anos o euro levará a Europa para a ruina. Um grande grupo de países não pode viver sem emissões de moeda. Eu próprio pensei que era inveja dos americanos com medo que o euro suplantasse o dólar, mas estavam certos. O BCE não tinha condições para nada e os bancos centrais deixaram de fazer seja o que for.
Estamos, enfim, na lama. Só com a morte cada vez em maior número de idosos e muitos outros ainda na casa dos sessenta é que os economistas de Coelho e Portas pensam resolver os problemas do País. O cancro parece estar a resolver os problemas orçamentais de Portugal.
A revolução informática foi fantástica, mas não avançou em termos humanos. Nuns países há o regresso à Idade Média e na Europa ninguém vê a máquina e as elites querem o regresso a um passado cada vez mais distante em termos de exploração do trabalho.



publicado por DD às 19:25
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2015
Dieter Dellinger: Contas Nacionais

O Bloco de Esquerda disse na AR que as reservas financeiras de 17 mil milhões de euros atualmente na posse do Estado deviam servir para aumentos de ordenados, pensões, etc, porque com isso aumentaria o consumo e, como tal, também a receita em impostos.

É evidente que a rapariga do BE não percebe nada de contas, porque:

No último dia de Fevereiro deste ano a dívida pública total atingiu a soma astronómica de

228.226.646.971€ (228,226 milhões de euros) = 129,5% do PIB

 

Pelo que os 17 mil milhões são apenas 7,4% da dívida total e um pouco mais de 10% do PIB, devendo ao longo deste ano serem pagos um pouco mais de 7 mil milhões em juros. Os restantes 10 mil milhões destinam-se a pagar amortizações, não representando mais de 4,3% da dívida total.

 

Parecendo que a “almofada” de 17 mil milhões de euros é muito dinheiro e pode ser distribuída em despesas justas, na verdade não representam quase nada e injetar uma parte desses 4,3% da dívida (10 mil milhões) que ficarão livres depois de pagos os juros não vai provocar um aumento do PIB significativo, pois são apenas uns 5,8% do PIB e, a prazo, não resolveriam nada porque seria necessário pedir mais dinheiro emprestado para os juros e amortizações do próximo ano e anos seguintes.

 

Quanto menor for a dívida, mais livre ficará Portugal da ditadura germânica do BCE.

 

Os quatro anos de governo PSD/CDS provocaram um aumento da dívida pública em mais de 50 mil milhões de euros e o saldo das contas públicas de 1 de Março de 2014 a 28 de Fevereiro de 2015 foi de -7.304 milhões de euros.

O saldo primário sem juros foi ainda negativo de -228 milhões de juros, ou seja, 3% do saldo total, portanto, ainda fora do tratado orçamental que obrigava a um saldo primário já positivo.

 

Por isso, o PS como partido consciente não foi reivindicar um aumento da despesa pública porque seria impossível o seu pagamento, tanto mais que nada indica em termos de investimentos que o PIB venha a crescer mais de 1 a 1,5% este ano.

 

As pessoas criticam António Costa de não ser um fala-barato; um mentiroso como Passos Coelho, Jerónimo e a rapariga do BES. Não, Ferro Rodrigues é um economista doutorado e professor que conhece bem as contas públicas e com António Costa não vai querer conquistar votos com aldrabices.

 

Ferro Rodrigues pode não ser muito televisivo, mas é um sólido economista e político e, principalmente, uma pessoa de uma seriedade absoluta, o que até pode desagradar ao eleitorado que gostaria que tivesse uma varinha mágica para corrigir os desmandos de 4 anos de aumento da dívida pública sem investimentos estatais ou privados e com muitas privatizações que vão custar este ano e no futuro muitos milhares de milhões de euros em falta de receita e em despesas adicionais com fundos de reforma privados que passaram para o Estado com as inerentes obrigações de pagar as reformas atuais e futuras dos trabalhadores da banca e de outros setores.


 

Assim, comparando com os 12 meses terminados em FEV/2014

Receita Total : 41,382M€ ( - 244M€ ; - 0.6% ) Das quais :

Receitas fiscais : 37,245M€ ( + 572M€ ; + 1.6%) IRS : 12,800M€ ( + 149M€ ; + 1.2%) IRC : 4,499€ ( - 555M€ ; - 11.0%) IVA : 14,038M€ ( + 692M€ ; + 5.2%) ISP : 2109.1M€ ( + 33M€ ; + 1.6%)

Despesa Total : 48,866M€ ( - 156M€ ; -0.3%) Despesa Corrente Primária : 41,484M€ ( - 454M€ ; - 1.1%)

Despesa de Capital : 1286€ ( - 323M€ ; - 20.1%)

Despesas com juros : 7382M€ ( 299M€ ; + 4.2%) Saldo Primário : - 102M€ ( melhorou 210M€ ) Saldo : -7,484M€ ( - 298M€ ; - 2.3% )

 

Dívida Pública Portuguesa total emitida (FEV/2015) : 228.226.646.971€

A dívida teve a seguinte variação média diária nos períodos indicados: 

2015 : + 43.477.477€ (últimos 12 meses terminados em FEV/2015)

2014 : + 35.271.397€

2013 : + 26.667.217€

2012 : + 53.616.271€

2011 : + 63.331.160€

2010 : + 52.132.112€

2009 : + 39.133.457€

 

Este mês a dívida emitida aumentou cerca de 2.341M€.

Comentários:

1. Nos 12 meses terminados no final de FEV/2015, os certificados de aforro e tesouro foram responsáveis por cerca de 40% do aumento da dívida, o que é um bom sinal de poupança interna. Esta poupança fica no país, e o Estado ainda recupera uma parte dos juros pois há retenção via IRS.

2. 8.40% (8.47% no mês passado) do total da dívida é detida, diretamente, por particulares. É o 1º mês, após 19 meses consecutivos em sentido contrário, que esta %% dominui. É de esperar que a dívida subscrita por particulares caia continue em baixa, embora as notícias recentes de bancos a pagar 0% por depósitos a prazo possam refrear as diferença

 

Dados referentes aos 12 meses terminados em JAN/2015. Isto é, os meses de FEV/2014 a JAN/2015.

Assim, comparando com os 12 meses terminados em JAN/2014

Receita Total : 41099.6M€ ( - 357.6M€ ; - 0.9% ) Das quais :

Receitas fiscais : 36963.7M€ ( + 442.8M€ ; + 1.2%)

IRS : 12783.3M€ ( + 235.7M€ ; + 1.9%)

IRC : 4461.1€ ( - 605.5.2M€ ; - 12.0%)

IVA : 13868.5M€ ( + 580.9M€ ; + 4.4%)

ISP : 2109.1M€ ( + 23.5M€ ; + 1.1%)

 

Despesa Total : 48403.9M€ ( - 190.3M€ ; -0.4%)

Despesa Corrente Primária : 41388.1M€ ( - 377.2M€ ; - 0.9%)

Despesa de Capital: 1296.0€ ( - 316.8M€ ; - 19.6%)

Despesas com juros : 7040.6M€ ( 211.7M€ ; + 3.1%)

Saldo Primário: -288.5M€ (melhorou 19.6M€ ; + 6.4%)

Saldo: -7304.3M€ (- 167.3M€ ; - 2.3% ; aprox. - 4.3% PIB previsto em 2015 )

 

Calendário das Amortizações da Atual Dívida Pública em mil milhões de euros (10^9)

2015: 6,94 * 10^9                               2025: 10,16

2016: 15,27                                        2026: 03,28

2017: 14,99                                        2028: 00,83

2018: 15,93                                        2029: 00,43

2020: 15,58                                        2030: 03,53

2021: 19,34                                        2031: 00,03

2022: 05,52                                        2032: 04,23

2023: 08,86                                        2033: 04,68

2024: 04,30                                        2034: 01,08

 

 



publicado por DD às 21:52
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