Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sexta-feira, 31 de Julho de 2015
Dieter Dellinger: A Ideologia da Dívida


O endividamento de países como Portugal, Grécia e muitos outros tem a ver com uma verdade já antiga: não pode haver milionários sem muita pobreza. Os pobres são os pilares da riqueza e, principalmente, os trabalhadores pobres, entre os quais se encontram já em Portugal pessoal jovem altamente qualificado. Os estágios são uma forma de fornecer pessoal muito qualificado quase a custo zero para as empresas.


Por cada multimilionário temos de estimar mais de 100.000 pobres, isto é, que ganhem menos de 60% do Pib per capita. Para o efeito os desempregados são o tradicional exército de reserva dos detentores do capital e o cutelo que leva os trabalhadores ativos a aceitarem tudo, incluindo horas extraordinárias gratuitas, baixos salários, precaridade com recibos verdes, etc.


Para a Europa germânica, tal como para os Medina e outros economistas, seriam os reformados a pagarem com a sua miséria a crise, mas, felizmente, a Constituição e o tribunal Constitucional não permitiram cortes absurdos nas reformas, mas virão de uma ou outra maneira se os próprios reformados forem votar na coligação Portas-Coelho.


Assim, para manter uma população maioritariamente de classe média, as sociedades têm de se endividar ou fazer como preconizava Sócrates, produzir produtos sofisticados para nichos de mercado ou alta tecnologia ou suscetíveis de serem vendidos em todo o Mundo. Em compensação adquirem-se artigos baratíssimos de consumo feitos na China, Bangla Desh, Cambodja, Vietname, etc. Curiosamente, o exército americano manda fazer as suas fardas e botas no Vietname e Cambodja onde se instalaram regimes que pagam cerca de 1 euro por dia aos seus trabalhadores, combatendo para isso o exército americano que servem humildemente.


A Alemanha quis estagnar os salários dos seus trabalhadores, compensando-os com os tais produtos baratos vindos da Ásia e tem à sua volta países como a Polónia, República Checa, Eslováquia sem o euro e com moedas desvalorizadas que fornecem todo o tipo de serviços e produtos a preços muito baixos.


As prostitutas checas e a cerveja são muito mais baratas na República Checa e é aí que os alemães vão consumir esses serviços e bebidas. Num hotel de Berlim reparei uma vez que a roupa é carregada em quantidade numa carrinha polaca que a vai lavar à Polónia e as empregadas de limpeza são romenas e polacas que vão trabalhar cinco dias, sendo instaladas aos montes em beliches numa espécie de caserna. O mesmo se passa com a reparação de carros. Telefona-se para a Polónia e de perto da fronteira vem um veículo que carrega o carro avariado, fazendo o condutor o orçamento para o trazer como novo passados uns dias.


Quer dizer, nos países maioritariamente de classe média, a exploração do trabalho é feita no exterior como nas antigas colónias e nos domínios imperiais da antiguidade.
O Estado pós-moderno gere uma nação desarmada e essencialmente comercial que deposita no dinheiro todo o seu poder.


Em Portugal, o problema resume-se a fabricar bens de consumo com salários do terceiro Mundo e ter pessoal qualificado como professores, médicos, funcionários, etc. a custos muito baixos. Só assim é que o paradigma da dialética pobreza-riqueza se concretiza. A crise resulta de que a esse paradigma sucede a síntese hegeliana que seria o equilíbrio entre a classe rica e a mais pobre na classe média quase total que pode consumir os serviços e produtos do capital, mas que ninguém quer pagar.Enfim, não há solução sem a querer e ir busca-la.



publicado por DD às 21:23
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2015
Varoufakis à Revista Alemã "Der Spiegel"

 

O Eurogrupo reúne com grande frequência, com ou sem crise, mantendo o princípio do secretismo de tudo o que se diz e tratam os responsáveis pelas finanças de 19 países europeus do euro mais a Lagarde do FMI, o Draghi do BCE e o holandês Dijsselbloem da Comissão Europeia.

O secretismo é estranho porque aí são tratados assuntos da máxima importância para a vida de mais de 310 milhões de cidadãos que utilizam o euro e 200 milhões da União que têm moeda nacional e os ministros das Finanças fazem parte de governos democráticos.

Numa recente conversa-entrevista de Yaris Varoufakis à revista alemã “Der Spiegel” no papel, o ex-ministro grego das Finanças relatou um pouco como se passam as coisas nesse grémio quando reuniu em Riga.

Nas reuniões do Eurogrupo a que Varoufakis participou, o holandês de nome impronunciável abre a sessão e dá oito minutos a cada um dos 21 presentes para falarem depois de dizer umas coisas. São pois três horas em que, segundo Varoufakis, quase todos leem algumas páginas de papel, sendo que ao fim do terceiro discurso alguns bocejam já, outros inclinam ligeiramente a cabeça a dormitarem. O grego disse ao “Der Spiegel” se ele, em vez de propor soluções para o problema grego, cantasse o hino nacional sueco, ninguém daria por isso. Tudo ali no Eurogrupo está orientado para o que diz o alemão Wolfgang Schäuble e todos dizem aquilo que o germânico quer ouvir, mas alguns ultrapassam-no em muitos aspetos o pensamento do próprio homem da cadeira de rodas e isso não é do seu agrado. Parece que ele exige unanimidade, mas nada de exageros , na sua cara parece ler-se o pensamento de Schäuble a dizer “o que é que este gajo quer da minha pessoa ou deixe de me lamber as minhas botas”. Varoufakis nunca se refere a mulheres no Eurogrupo porque, talvez, a Maria Luís seja a única ou porque tem uma loira melhor em casa.

Schäuble quando entra na sala com a sua cadeira de rodas a grande velocidade costuma voltar-se para todos e dizer bem alto: “olá rapazes, eu estou aqui” e nunca disse olá rapariga para a portuguesa. Ele entra quase em último lugar para não ter de cumprimentar os colegas um a um, assim entra como a estrela da companhia.

O principal de qualquer sessão são os oito minutos de Schäuble e em todos há sempre as mesmas palavras como “a minha criação”, “a minha melodia” “a minha orquestração” com a cabeça sempre em movimento. Aparentemente Schäuble sente-se como o chefe de orquestra de ministros das Finanças da zona euro e, talvez, mais.

Todos estão de acordo com Schäuble. Numa das últimas reuniões o ministro francês Michel Sapin atreveu-se a ter uma opinião própria e falou nas relações assimétricas entre o seu país e a Alemanha, mas para tal utilizou uma série de floreados linguísticos para dar uma sensação de bem estar, apesar de tudo. Schäuble ouviu e levantou a sua mão esquerda como que a bater na mão direita de Sapin, castigando-o assim pelo seu atrevimento, disse Varoufakis.

Logo após as eleições, na primeira reunião do Eurogrupo, Michel Sapin atreveu-se a dizer que “há agora uma nova situação, não podemos continuar como até agora, temos de arranjar um compromisso com a Grécia.

Schaeuble respondeu, “as eleições não mudam nada. Se após cada eleição as condições mudassem não chegaríamos a nada”. O francês recolheu-se na sua cadeira sem nada dizer.

Varoufakis não disse quais as reações de Schäuble às suas propostas, provavelmente para não perturbar o trabalho do governo grego, mas disse que logo após ser empossado ministro foi a Berlim falar com Schäuble e este nem lhe estendeu a mão e disse “vamos diretos ao assunto que o traz aqui”, correndo com a sua cadeira de rodas para o seu gabinete.

Varoufakis disse noutro ponto da conversa que é socialista e que só um socialista pode ser democrata, salientando que cometeu erros, principalmente ao dar a entender aos gregos que poderia reestruturar a dívida grega sem o peso de uma política extrema de austeridade e que seria possível fazer uma política com outros objetivos.

Ainda acrescentou que depositou algumas esperanças na Merkel, pensando que “ela seria a cavalaria que iria libertar os gregos dos índios de Schäuble, mas verificou que Merkel tinha como objetivo levar o Syriza a sair do governo, enquanto Schäuble prefere a saída da Grécia do euro”.

Varoufakis disse ainda que para as esquerdas, os alemães adquiriram a reputação de serem parte de um neocolonialismo imperial que quer construir uma Europa de acordo com os seus desejos e sonhos, acrescentando que o filósofo francês Guilles Deleuze lhe citou uma frase de Slavoj Zilek relativamente ao sonho europeu da Merkel: “se te deixares prender no sonho de outro, então estás perdido”.

Mas, referindo-se a todas as personalidades que conheceu, aquela que mais detestou nem foi a Lagarde, o Schäuble ou o Juncker, mas antes Sigmar Gabriel, o ministro SPD da economia no governo alemão e vice-chanceler, dizendo: “é um velho problema das esquerdas, dividirem-se e arranharem-se todas, principalmente quando estão no poder e pretendem afastarem-se na qualidade de esquerda pragmática das utopias. Assim é Gabriel como é o presidente Hollande e primeiro ministro italiano Renzi. Todos seguem a Merkel, enojando as suas hostes, e Tsipras já começa a seguir o mesmo caminho.

Claro que Varoufakis confessou também ter pecado dessa maneira e não ter procurado expropriar as fortunas das 200 famílias mais ricas da Grécia quando até a senhora Lagarde do FMI lhe mandou a lista desses oligarcas com a indicação dos milhares de milhões que colocaram no estrangeiro e onde estão.

O redator da revista “Der Spiegel” acaba o artigo com a seguinte frase: “Por mais interessante que seja o que conta sobre a crise da Europa, ele nada conseguiu, também é um político falhado.

Nota: Pessoalmente e fora do artigo, eu acredito que se o Syriza tivesse tido a coragem de confiscar e nacionalizar todas as fortunas e grandes empresas da Grécia com o “propósito aparente” de pagar a dívida, Schäuble e Merkel já não seriam os mesmos.

 

 

 

 



publicado por DD às 00:56
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2015
Dívida Pública per Capita umentou 70% com Governo Passos/Portas

Nos seis anos de governo Sócrates, a dívida pública aumentou em 52.560 milhões de euros, portanto, 1,06 milhões por hora. Nos quatro anos do Passos/Portas, a dívida aumentou em 59,9 mil milhões, portanto, em 1,7 milhões por hora, quase 70% MAIS.

Segundo os dados do IGCP-Instituto de Gestão do Crédito, o ex-PM do PS deixou a 31 de Maio de 2011 uma dívida pública de 164.384 milhões de euros, a qual subiu para 224.155 milhões de euros a 31 de Maio de 2015.
Em quatro anos, a dívida aumentou em 59,9 mil milhões de euros, o que dá o extraordinário valor de 14,9 mil milhões por ano, 40,95 milhões de euros por dia ou 1,7 milhões de euros por hora.
Paulo Portas diz que deixou a "casa arrumada" com o crescimento da dívida em 1,7 milhões por hora.
Por cada português, Sócrates deixou uma dívida de 15.650 euros e a Coligação atingiu a 31 de Maio o valor de 21.350 euros.
Para que serviram os aumentos de impostos, os cortes de salários e pensões? e a ausência de obras?
As Parcerias Público Privadas são responsáveis por cerca de mil milhões de euros este ano, o que representa 6,7% do crescimento da dívida. Além disso, o governo beneficiou de mais de três anos de redução geral dos juros das dívidas públicas e privadas e não fez obras.
As tão faladas pensões de reforma custam 14 mil milhões de euros anuais, mas os descontos em sede de TSU proporcionam ao Estado cerca de 14,5 mil milhões de euros, pelo que não é aí que está a origem do atual descalabro do endividamento público.
O Estado tem hoje menos funcionários, mas gasta fortunas colossais com escritórios de advogados, serviços de informática, consultoria, segurança, limpeza, etc.



publicado por DD às 19:15
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Terça-feira, 7 de Julho de 2015
Dívidas da Zona Euro - Realidades Impagáveis


Os políticos, tal como o homem da rua, e até os economistas têm muita dificuldade em lidar com números grandes e a Europa não teve a sagacidade de inventar o equivalente ao “conto de reis” para facilitar as contas de cabeça como fizeram os portugueses nos tempos do escudo.

Toda a gente fala da Grécia como se tivesse a barriga ou os cofres cheios e ninguém estivesse encarcerado em dívidas impagáveis.

O axioma da zona euro é o seguinte: o seu Pib é de 9,5 biliões (milhões de milhões) de euros, o que dá 30.645 euros per capita e a dívida total dos 19 países é de 94% do Pib, correspondente a 8,949 biliões ou 20,8 mil euros per capita.

Curiosamente, a dívida portuguesa de 208 mil milhões de euros dá 20 mil euros por habitante e a dívida grega é de aprox. 17,7 mil euros por residente.

Como se vê, o conjunto dos países do euro têm dívidas superiores às dos portugueses e gregos em termos individuais, mas não relativamente aos seus rendimentos que são mais baixos.


O País mais pesporrente da Europa, o da Merkel e Schaeuble, tem um Pib de 3.852,5 mil milhões de euros e uma dívida de 74,7% que dá 2.877,8 mil milhões ou 35,97 mil euros por cada um dos seus 80 milhões de habitantes.

Como se vê, a dívida alemã per capita é mais do dobro da grega e é 75% superior à portuguesa.

Não há verdadeiramente um problema grego, mas sim da zona euro que não consegue lidar com uma dívida de 94,2% do seu Pib porque tem um Banco Central que durante anos não emitiu dinheiro, permitindo um endividamento irreal que na maior parte nem é dinheiro, mas sim registos informáticos utilizáveis para pagamentos.

Cumpriu-se a profecia do Nobel da Economia Paul Krugmann que deu cerca de 10 anos para o euro destruir a Europa ou ser destruído. Estamos precisamente nesse ponto de inflexão. No futuro muito próximo ou acaba o euro ou a União Europeia porque ninguém é capaz de enfrentar os números na sua execrável realidade.


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publicado por DD às 00:23
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