Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015
Dieter Dellinger: Combustível Sintético é a Salvação do Planeta

 

Na conferência mundial do ambiente em Paris ouvi muita gente falar em encolher o consumo de combustíveis com mais, muito mais, desemprego, naturalmente.

Com o dinheiro que custa um grande porta-aviões, o problema do ambiente estaria resolvido a nível mundial, desde que os Estados prescindissem dos impostos sobre os combustíveis, pois a produção de hidrocarbonetos a partir do CO2 da atmosfera custará nos próximos tempos mais do dobro do preço dos refinados a partir do petróleo natural e mais ainda no futuro se o sintético substituir largamente o petróleo natural que então não vai ficar nos baixos preços atuais, mas descer para um quarto ou um quinto do atual. O Barril a 10 dólares será uma tentação para os Estados colocarem 40 a 50 dólares em cima como impostos. Sendo, contudo, possível que o preço do sintético venha a baixar desde que se invista na investigação científica e tecnológica. As grandes empresas petrolíferas não têm alternativa que não seja investirem também no sintético. Há todas as razões para acreditar num futuro limpo sem aquecimento global, a não ser que não tenha origem nos combustíveis fósseis.

A empresa alemã Sunfire GmbH em conjunto com a AUDI do grupo VW e a BIS E.M.S. GmbH conseguiu produzir o primeiro gasóleo sintético, denominado e-Diesel azul e que não é poluente por não largar partículas sulfurosas provenientes dos hidrocarbonetos fósseis. Designam o seu processo de “power-to-liquid”, fazendo a eletrólise reversível do vapor de água, estando a eficiência do sistema a melhorar constantemente. Com 250 kW produzem já 600 litros de combustível, utilizando 95% de carbono atmosférico que depois voltará após combustão nos automóveis ou geradores de eletricidade, etc.

Os americanos trabalham no sistema secretamente e consta que utiliza nos seus velhos bombardeiros B-52 uma mistura a 50% de sintético e outro tanto do habitual jet-fuel.

O processo não é verdadeiramente novo, dado que retoma a química que existiu durante a última guerra e que os aliados destruíram não só os equipamentos fabris como até as patentes.

Trata-se pois de produzir hidrogénio por eletrólise reversível a partir de eletricidade e fazê-lo reagir com monóxido de carbono CO obtido a partir de reações de vapor de água com CO2 da atmosfera ou de outra origem como uma central a carvão limpa. Tal como antigamente se obtinha o gás pobre nos gasogénios, agora transforma-se esse gás em hidrocarbonetos de cadeia longa para dar o gasóleo ou e-Diesel e gasolinas mais todos os materiais fabricados com hidrocarbonetos de cadeias.

O custo de produção depende do preço da eletricidade, pelo que a Sunfire/Audi quer instalar fábricas na Alemanha juntamente com instalações produtoras de eletricidade eólica para ficar independente dos monopólios da eletricidade, mas está já a estudar um processo inventado por dois cientistas suíças que fabricaram um filtro que permite separar o CO2 da atmosfera com um consumo extremamente baixo de eletricidade. O governo temeroso suíço deu apenas um subsídio de 130 mil francos.

O processo alemão baseia nas reações Fischer-Tropsch que permitiu retirar o azoto da atmosfera para a produção de adubos sintéticos que representou uma das maiores revoluções técnicas mundiais, fazendo a Europa prescindir do colonialismo, ou seja,. De territórios para o cultivo de cereais, cuja conquista foi sempre o objetivo da formação dos grandes impérios desde o de Alexandre o Grande aos da segunda metade do século passado. Quem não tinha um rio Nilo que inundava e adubava as terras e um Eufrates e Tigre na Mesopotâmia tinha de obter colheitas de cereais após vários anos de pousios.

Se o governo da Merkel for inteligente e não esmagar o processo com impostos, o avanço alemão será gigantesco. Não deixem pois os políticos e economistas meterem-se no negócio. Uns apropriam-se de eventuais receitas e os outros só conhecem os números do passado

O futuro está no sintético e as duas nações com que mais sofrem da poluição, a Índia e a China têm se agarrar aos novos processos de fabrico e possuem os meios financeiros para o fazerem. Basta que os seus dirigentes o queiram.

 

 

A Alemanha é politicamente incómoda, mas foi preciso libertar-se dos russos e americanos para começar a resolver o imenso problema que é a poluição atmosférica e a importação de petróleo bruto. De resto, a queda dos preços do crude” tem a ver com o conhecimento de que o petróleo fóssil tem os dias contados. Também foi preciso que a Rússia tentasse conquistar a Ucrânia para a Alemanha saber que não pode contar com o gás natural russo, apesar de a sua venda ser indispensável à Rússia que não exporta mais nada.

 

 

 



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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015
O CASO VOLKSWAGEN

 

 

 

 

A „indústria“ mundial da advocacia deve esfregar as mãos de contentamento com a possibilidade de quase 11 milhões de processos contra a VW e os tribunais devem temer uma catástrofe jurídica devido à carga de trabalho para o qual nenhum sistema de justiça está preparado.

A VW lançou a partir de 2007 o seu novo motor Diesel, o EA 189, tido como o menos poluente de sempre e capaz de satisfazer a apertada norma europeia Nr. 6 de não produzir nos gases de escape mais de 80 mg de monóxido e dióxido de azoto por quilómetro percorrido quando recentes medições em carros novos indicam valores da ordem dos 500 mg na estrada. Saliente-se que norma 6 foi adaptada no passado mês de Setembro e as normas 5 e 4 anteriores já prescreviam valores muito abaixo dos 500 mg.

O motor vem com a etiqueta “blue motion”. Trata-se de um turbo-diesel com injeção “common-rail” e cilindragens de 1,2 a 2,0 litros, equipando viaturas dos mais diversos modelos da VW, Audi, Seat, Skoda e é a própria VW que afirma ter fabricado 11 milhões de motores do género. Provavelmente, outras marcas de carros utilizam o mesmo motor, porque nem todas fabricam motores Diesel.

A descoberta na Alemanha há mais de um ano e agora nos EUA de que esses motores não satisfaziam essa norma em estrada, mas apenas no banco de ensaios pois vêm providos com o programa na centralina do motor alterado para modificar o sistema de escape nos bancos de ensaio. De qualquer modo, o ensaio em banco de rolos nada tem a ver com a circulação cheia de semáforos, peões, subidas e descidas, engarrafamentos, etc.

A identificação pela centralina das condições de ensaio é normal porque os carros são verificados num sistema de rolos e tem de haver algo que em caso de bloqueio desses cilindros impeça a viatura de avançar para a frente, mas foi acrescentado um programa adicional que leva o motor a funcionar com baixa emissão de óxidos de azoto, se bem que a custo mais elevado ou com potência mais baixa. Acontece que o banco de ensaios de poluição não se preocupa com a potência nem com o custo dos filtros de escape ou com a tipologia dos injetores.

A VW reservou já 6,5 mil milhões de euros para modificar os carros de modo a satisfazerem as normas antipoluição, naturalmente a troco de algo que não vem nos catálogos.

Todos os motores EA 189 podem emitir menos óxidos de azoto, os quais misturados com o dióxido de carbono são muito tóxico para o organismo humano e causam asma e provocam também o aquecimento global. A centralina, ou chip central do motor, pode ser alterado para que os motores de cilindrada mais baixa recebam mais ar na mistura com o gasóleo e, como tal, menos pressão nos pistons ou os gases de escape saiam através de dois filtros que também reduzem a potência do motor.

Nos carros de cilindrada maior, nomeadamente no Sharon exportado pela Auto Europa para a Alemanha, a solução antipoluição consiste na existência de um segundo filtro cheio de um líquido denominado pomposamente de “AdBlue” e que mais não é que uma mistura de 31,5% de ureia sintética e água desmineralizada, além de um catalisador. Esses Sharons levam um depósito de 17 litros do referido líquido. Os óxidos de azoto reagem com o amoníaco resultante da passagem seletiva da ureia por um catalisador seletivo SCR, produzindo as moléculas inofensivas de azoto, 2N, e água. O amoníaco não é utilizado diretamente por cheirar mal e ser perigoso. Mas, acontece que o líquido é consumido em cerca de 0,4 litros aos 100 km, pelo que o depósito deverá ser enchido umas duas a três vezes por ano ou por cada 4.000 km e nem na Alemanha o AdBlue está à venda nas bombas de gasolina quanto mais no estrangeiro, obrigando os proprietários a deslocarem-se a uma oficina VW para atestar o referido depósito. Por isso, só no banco de ensaios é que o motor funciona com os dois filtros, o normal para a fuligem e algumas partículas sulfurosas e o que elimina os óxidos de azoto ou nitrogénio como dizem os brasileiros e que formam uma poeira muito fina que empesta as áreas de grande circulação automóvel.

O AdBlue permite poupar algum gasóleo porque evita a tradicional técnica de fazer os gases de escape regressarem aos cilindros para uma segunda combustão e assim produzirem menos poluentes à custa de uma mistura mais rica em combustível.

Só na Alemanha circulam 2,8 milhões de viaturas de passageiros e comerciais com esse motor, garantindo a VW que basta uma alteração do programa da centralina para que tudo fique bem de acordo com as normas europeias. Até agora não foi explicado se se trata de fazer com que todos os gases de escape passem pelos dois filtros ou só por um.

A nível mundial, o problema é mais complicado porque o motor EA tem sido adaptado a diversos mercados e não corresponde a uma construção única no que respeita a injetores e catalisadores dos filtros.

Nos carros com 1,6 litros de cilindrada parece que é necessário mudar para outro tipo de injetores e mais qualquer coisa que só estará disponível por volta de Setembro de 2016.

Na Alemanha e em muitos países, os automóveis devem por lei manter os consumos e emissões de catálogo tanto no banco de ensaios como na circulação normal, mas qualquer automobilista sabe por experiência própria que os consumos reais nada têm a ver com os indicados pela marca, mesmo circulando a 90/100 km na autoestrada, pelo que acontece o mesmo com as emissões. Só que é muito difícil definir o que é circulação normal.

Juridicamente, a situação parece muito complicada. A direção da VW diz que as reclamações devem ser feitas ao concessionário que vendeu o carro que não tem culpa do sucedido e este deverá então processar a VW. Só que o gigante VW tem muito poder sobre os concessionários a quem vende milhões de carros a créditos com juros baixo financiados pelo VW Bank. O concessionário procurará negar algo de errado ou chegar a acordo com o cliente.

O maior perigo jurídico para a VW vem dos EUA onde precisamente circulam menos VW em geral e menos a Diesel em particular, mas há uma advocacia extremamente feroz. Contudo, o SUV da Porsche a Diesel tem tido vendas importantes com campanhas publicitárias denominadas “clean Diesel”. Para além dos utentes das viaturas, também vários governos se preparam para processar a VW. Na Coreia do Sul, começaram a proibir a circulação dos VW Diesel até descobrir-se que acontecia o mesmo aos Hyunday fabricados na República Checa com motores vindos da Coreia.

Em Portugal e Espanha, as autoridades não se querem meter no assunto com medo que se verifiquem desinvestimentos nas fábricas do grupo na Península Ibérica. O mesmo acontece na China que também não quer perder as fábricas VW que lá estão instaladas.

O escândalo VW veio, sem dúvida, pôr em causa o maior orgulho da indústria automóvel alemã, a sua tecnologia Diesel, e os motores é a parte mais fabricada na Alemanha e exportada para as fábricas que possui em todos os continentes. A VW é um gigante com mais de 120 fábricas e 600 mil trabalhadores diretos e muitos mais indiretos, vendendo cerca de 180 mil milhões de euros em viaturas e acessórios.

A tecnologia Blue é utilizada em muitas marcas, nomeadamente no Mercedes Bluetec E350, G350, GLK220 e 250, ML250, etc, bem como nos BMW Blueperfomance, no Opel Bklueinjection, no Peugeot Blue HD, etc.

Esta crise terá consequências na indústria e economia alemã, pondo um certo travão à arrogância do bávaro Schaeuble da extrema-direita que blasfémia com o nome de Cristo no seu partido e é tão amigo da austeridade até à morte das economias mais frágeis da Europa.

Dieter Dellinger - Publicado na Revista "0 Economista - Anuário da Economia Portuguesa" - 28ª Edição 2015



publicado por DD às 17:26
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015
É de uma investigação a fundo que o Governo Passos tem medo

Quem Ganhou com as Privatizações e como se ganham milhões a vender os bens da PÁTRIA.

A traição a PORTUGAL rendeu muito aos governantes e os Rosários e Carlos ainda não iniciaram investigações.
Porquê 28 milhões para Assessorias?

Do jornal PÚBLICO
Naquele que é o primeiro relatório de uma análise que está a fazer aos processos de privatização efetuados desde 2011, algumas das principais críticas do Tribunal de Contas (TdC) vão para a atuação da Parpública. A holding que gere as participações empresariais do Estado e que foi a entidade executora das privatizações da EDP (conclusão da 7ª e 8ª fase) e da REN (2ª fase), que são apreciadas nesta primeira auditoria, merece reparos pela falta de transparência em aspetos relacionados com a escolha dos consultores para os negócios.
Segundo o TdC, estes processos de privatização (realizados entre 2011 e 2013) tiveram encargos totais de consultadoria de aproximadamente 28 milhões de euros, dos quais 411 mil euros referentes a assessoria jurídica e o remanescente relativo a consultadoria financeira (que incluiu 50 mil euros da avaliação das empresas e 27 milhões da assessoria da venda).


Queixando-se da dificuldade no acesso a alguma informação e documentos da Parpública, o TdC sublinha negativamente a forma como a holding (hoje presidida por Pedro Ferreira Pinto, mas à época de início das privatizações era dirigida por Joaquim de Oliveira Reis, e, depois, por Joaquim Pais Jorge) geriu situações de conflito de interesses. Diz o TdC que “a Parpública não assegurou que os consultores financeiros (seja para a avaliação prévia ou a assessoria no decurso do processo de venda) ficassem impedidos de assessorar posteriormente os potenciais investidores, no mesmo processo, o que veio a acontecer com a contratação do BESI no processo de (re)privatização da EDP e da REN”.


Não só o banco de investimento do antigo BES prestou serviços ao Estado como avaliador, como depois foi consultor financeiro dos compradores: a China Tree Gorges, no caso da EDP, e a State Grid, compradora da REN. “Constata-se, assim, que a Parpública não tomou as devidas precauções para evitar os conflitos de interesse, o que não é consentâneo (…) com a experiência da empresa”, aponta o TdC.


A auditoria refere outra situação relacionada com os consultores financeiros em que a “atuação da Parpública torna-se passível de censura pública”. O TdC recorda que as avaliações económicas e financeiras da REN e da EDP couberam ao Millennium BCP, Caixa Banco de Investimento (CaixaBI) e BESI, entidades que já estavam pré-selecionadas para o efeito. Mas os restantes trabalhos de consultadoria financeira foram efetuados conjuntamente pelo CaixaBI e pela Perella, que foi subcontratada pelo banco de investimento da CGD “com o consentimento tácito da Parpública, sem estar incluída na lista dos pré-qualificados para a assessoria financeira aos processos de privatização”.


O Tribunal sublinha que a Parpública “não poderia, por ação ou por omissão, consentir a subcontratação por um candidato pré-qualificado de outra entidade que não figurava na lista”. Um subcontratado que agiu “de forma interventiva e autónoma (…) com o assentimento da Parpública”, reforça um sublinhado do TdC.
E embora, em sede de contraditório, a holding pública tenha vindo “alegar que a participação da Perella se resumia à mera figura de auxiliar”, prevista na lei, o Tribunal lembra que a Perella dividiu equitativamente com o CaixaBI os honorários pagos pela Parpública para a assessoria financeira (27 milhões).


O TdC assinala ainda uma “dualidade de critérios” no processo de seleção dos assessores. É que para a escolha dos avaliadores e assessores jurídicos foram várias as entidades convidadas a apresentar propostas, mas para a assessoria financeira, “cujo valor foi largamente superior ao dos dois primeiros” só foi convidada uma entidade: o CaixaBI.


A instituição presidida por Guilherme d’Oliveira Martins vai mais longe e diz que a holding pública evidencia “falta de transparência” no que toca à “contratação de consultores externos associados aos processos de privatização”; acusa-a de incumprir as orientações da Direcção Geral do Tesouro e Finanças (DGFT) em matéria de contratação de consultadoria técnica e também contesta o entendimento da Parpública de que não está sujeita ao código de contratação pública (CCP) e de que não tem por isso de publicar os respetivos contratos no portal BASE.


Estas vendas geraram uma receita bruta de 3,2 mil milhões de euros, dos quais 2,7 mil milhões foram entregues pela Parpública ao Estado para amortização da dívida pública, refere o TdC. Apesar de considerar os modelos de privatização e os encaixes “adequados” e de referir o impacto positivo das operações nas avaliações regulares da troika, o Tribunal destaca que, “numa perspetiva de racionalidade financeira, o timing imposto” para a sua concretização representou para o Estado “um custo de oportunidade” por terem sido realizadas num “enquadramento económico muito negativo”, ao que se soma “a perda de dividendos futuros, anualmente distribuídos por estas empresas”.


Falhas estratégicas
O tribunal nota que um dos objetivos da acção foi apreciar a “salvaguarda do interesse público com respeito pela lei”. E a forma como se acautelou este interesse também não foi exemplar, refere o TdC. É que embora a lei-quadro das privatizações tenha passado a prever a salvaguarda de ativos estratégicos em sectores fundamentais para o interesse nacional, o TdC recorda que a eficácia desta norma implicava que o Governo definisse o regime extraordinário para salvaguarda de ativos estratégicos até ao dia 13 de Dezembro de 2011, o que só se verificou a 15 de Setembro de 2014, quase três anos depois. Segundo o TdC, a justificação do Governo para o atraso foi o envolvimento da Comissão Europeia na realização do diploma, o que levou a várias alterações, mesmo com os processos em curso.


Assim, mesmo que o decreto de privatização da EDP e da REN e o acordo de venda e de parceria estratégica contivessem referências à salvaguarda do interesse nacional, “não foi prevista qualquer cláusula de penalização para o seu incumprimento, pelo que, nestes dois processos, não foram tomadas medidas legislativas que acautelassem os interesses estratégicos do Estado Português após a conclusão do processo de privatização”, critica o TdC.


Da análise ao trabalho da recolha de legislação em vigor em vários países sobre a salvaguarda de ativos que o Governo encomendou ao escritório de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados (que recebeu honorários de 367 mil euros nestes processos), e que serviu de base ao regime aprovado em 2015, o TdC conclui ainda “que a postura do Estado Português revela-se menos adequada, quando comparada com a de alguns dos países europeus que protegem claramente os seus ativos estratégicos”.


É que em vários Estados europeus, em sectores como a energia, as águas e a defesa nacional, a salvaguarda dos interesses nacionais faz-se através da fixação de limites na aquisição dos ativos por entidades estrangeiras, do reforço do poder do Estado através das chamadas golden shares ou da garantia da maioria do capital em mãos públicas.


Falhas de informação
O reporte de informação no âmbito dos processos também foi claramente insuficiente, concluiu o TdC: “O Governo nunca instituiu medidas obrigatórias de reporte de informação por parte das entidades executoras dos processos de privatização, com vista à prestação de contas no âmbito desses processos, ficando por garantir a accountability necessária para estas operações”, refere a auditoria. O TdC relata ainda que sobre este assunto, a Parpública o informou que faz o reporte das operações de privatização ao Governo, mas não ao público em geral, quando, como destaca o Tribunal, as boas práticas da OCDE recomendam que a divulgação seja pública.


A falta de prestação de contas estende-se também à DGTF, que no seu relatório anual sobre o Sector Empresarial do Estado (SEE), não faz qualquer referência a estes processos, de forma a que se apreciem os fluxos de entradas e saídas de empresas do SEE, bem como os respetivos impactos na redução da dívida pública com a receita proveniente da venda destes ativos. Os auditores do TdC lamentam ainda que não tenha sido efetuada (até 30 de Novembro de 2013) qualquer apreciação da forma como correram os processos que permitam tirar ilações para futuras privatizações.


Também o grau de envolvimento no processo da Comissão Especial de Acompanhamento (CEA) das privatizações merece reparos ao TdC. A sua nomeação tem ocorrido na fase final dos processos de venda, pelo que as competências têm-se cingido a emitir opinião sobre as propostas vinculativas, sem que haja acompanhamento do processo de privatização desde o seu início, diz ainda a auditoria.



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