Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016
Um Banco Cheio de Zeros

 

 

 

Vício do compadrio, ganância, provincianismo, devassidão, enchente de complexos, imaturidade, sobrestimação, falsidade, incompetência, fraqueza, arrogância, falhanço, decadência, bonomia e ingenuidade. Quem procurar um motivo para a queda do “Deutsche Bank” pode servir-se deste acervo de palavras que todas servem e com evidência.

Assim iniciou a revista alemã “Der Spiegel” desta semana um artigo de 12 páginas sobre o maior banco alemão, presente em 70 países com 101.104 funcionários em 2.790 sucursais e mais lesados que habitantes de Portugal, além de 561.559 acionistas perdedores com 1,38 mil milhões de ações a valerem 13 euros cada na passada quinta-feira depois de caírem mais de 50% em 12 meses. O DB vale hoje 17,94 mil milhões de euros depois de perder nas bolsas sensivelmente o mesmo valor, estando sujeito a pagar uma multa nos EUA no valor de 12 mil milhões de euros num só processo e outro tanto da parte dos milhões de lesados que adquiriram os seus fundos hipotecários praticamente sem fundo ou muito rotos.

O “Deutsche Bank” com 132 anos de existência começou por ser um banco normal para se tornar num banco de investimento na Alemanha, onde os seus principais dirigentes tinham assento em mais de 400 Conselhos de Administração e Conselhos Fiscais. Mas, a dada altura, os seus administradores fartaram-se das pequenas cidades alemãs onde estava a VW, a Daimler-Benz, a Bayer, entre muitas outras empresas, e quiseram conquistar o Mundo. Trabalhar entre Nova Iorque, Singapura e Tóquio e entre a Cidade do Cabo e Stockolm, etc..

De todos os grandes bancos, o DB seria o terceiro ou quarto maior no Mundo em 2008, mas só o DB não se importou com a crise financeira e, tal como o BES, continuou a sua atividade de vendedor de fundos com fraca liquidez, derivados, futuros de aposta na evolução de preços de muitas matérias primas, Hedgefonds (fundos ditos garantidos), etc. Até nas transações cambiais, o “software” do DB conseguia roubar aos clientes qualquer coisa que na maior parte das vezes nem davam conta disso, mas que no total são milhares de milhões ao longo dos anos.

Tudo para fazer o cliente perder dinheiro porque a administração estava apenas preocupada em saber quem iria substituir quem nos conselhos de administração e fiscal e quantos milhões se ganhava na venda de papéis de pouco valor por bastante dinheiro.

O cliente depositante passou a ser apenas uma pessoa para ser convencida a comprar alguns desses ditos produtos financeiros que deram juros “fabulosos” na passado e assim seria no futuro. Pouco interessavam mesmo os depósitos nem o capital que de vez em quando era fagocitado pelo banco, isto é, as ações eram compradas pelos diversos centros de negócios e trituradas, reduzindo o capital, fazendo aumentar os lucros percentuais que chegavam aos 30% ou mais do verdadeiro capital do DB que chegou a ser de apenas 9% dos capitais do grupo.

O principal centro de negócios do DB denominava-se “Global Markets” e lucrou em dez anos mais de 25 mil milhões de euros.

O artigo do“Der Spiegel” é demolidor para o DB, colocando de rasto todos os seus CEOs desde há duas décadas ou mais.

Para todos que nem eram alemães há muito tempo, o termo “Deutsche” criava uma auréola de confiança que levava os clientes a comprarem aquilo que um CEO chegou a dizer: “nós damos-lhes porcaria e eles dão-nos ouro”. Os seus gestores compravam tudo o que podiam desde que não valesse nada, colocavam lá umas ações da Daimler, da MAN ou da BASF entre outras empresas e o pessoal convencia-se que era acionista da grande e lucrativa indústria alemã quando tinha apenas umas migalhas nos seus fundos.

Entre 1994 e 2015, o pessoal do DB aumentou em 30%, mas os bónus e ordenados subiram em mais de 200%. Ganhava-se muito no DB, principalmente os administradores e os gestores que chefiavam equipes que vendiam muito papel. Claro, também o gestor de cliente com êxito era muito bem pago.

O DB deixou há anos de ser um verdadeiro banco alemão, sendo mais anglo-americano em que a língua inglesa era a utilizada em quase todas as reuniões e durante vinte anos os seus presidentes foram sempre estrangeiros, desde o suíço Ackermann ao indiano Jain e ao atual britânico Cryan. O indiano Jain consta que ganhou no DB para cima de 400 mil milhões de dólares no tempo que dirigiu o “Global Markets” e depois todo o grupo bancário.

Para enfrentar a avalanche de processos, o DB tem provisionado 5 mil milhões de dólares que não vão chegar e não se está a ver que alguém venha a comprar uma parte de um banco tão grande e tão complexo em que os Conselhos de Administração não conseguem saber tudo o que se passa. O seu habitual relatório de contas é um grosso volume de mais de 500 páginas, nas quais nenhum acionista consegue descortinar a verdadeira situação do banco.

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publicado por DD às 15:08
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016
Dieter Dellinger: A Inacreditável Dependência do BCE

É inacreditável que o banco emissor da moeda que os portugueses usam diariamente mais quase 300 milhões de europeus dependa para as suas decisões de uma agência de rating canadiana (DBRS), portanto, de um país que nada tem a ver com Portugal nem com a União Europeia, não utiliza o Euro e desconhece tudo sobre as economias europeias.

Enquanto isso, o BCE instalado duas torres de mais de 50 andares em Frankfurt está cheio de economistas e especialistas em finanças e direito nacional e europeu, conhecendo todas as transações feitas pelos bancos centrais dos 16 países membros através do sistema TAG2 não é capaz de tomar uma decisão.

O destino de Portugal depende de agências PRIVADAS situadas do outro lado do Atlântico apesar de haver uma vasta administração em Bruxelas para os 510 milhões de europeus e um Parlamente Europeu com mais de 700 deputados a ganharem altos salários e com direito a secretariado individual, carro, etc.

Para que serve isso tudo, quando dependem da opinião de agências que nunca ninguém ouviu falar.

Isto é uma contradição absoluta. O Sr. Draghi para emitir para Portugal 2% das emissões do BCE precisa de uns canadianos para lhes darem informação sobre Portugal quando veio aqui e falou com governantes, banqueiros e até com o PR Marcelo Rebelo de Sousa. Toda esta gente não lhe diz nada ou menos que uns anónimos canadianos.

Esta Europa e este Mundo está mesmo virado do avesso.

 



publicado por DD às 16:10
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016
Dieter Dellinger: Economia Social – Visão Abrangente

Publicado na Revista “Cadernos de Economia” Nr. 116 de Jun/Set. de 2016.

 

Economia Social – Visão Abrangente

Dieter Dellinger

 

Na definição de economia social há uma certa tendência, a nível europeu, de separar o social estatal do privado, incluindo apenas este último na chamada economia social.

 

Considerando economia social tudo o que visa a melhoria do bem-estar das populações e garantir a sua sobrevivência no nascimento como na velhice, na saúde como na doença, no trabalho como no desemprego, podemos afirmar que o principal setor económico em Portugal é o social baseado na solidariedade da contribuição individual obrigatória ou voluntária e no trabalho remunerado como gratuito.

 

Numa recente conferência sobre economia social organizada em Portugal foi dito que existem 55.300 entidades referenciadas com 260 mil trabalhadores a gerirem 3,8% do PIB. Na Alemanha, o setor de economia social privado gere 7,7% do PIB e abrange 4,4 milhões de trabalhadores. Isto porque centenas de caixas de crédito mútuo (verdadeiros bancos sem acionistas privados) estão presentes em todas as cidades e vilas e têm a seu cargo as economias da maioria da população.

 

Delimitar no concreto a economia social é abranger o mutualismo bancário, as muitas instituições de solidariedade social que visam principalmente o apoio às crianças e aos idosos sem serem um simples negócio para uma qualquer entidade patronal, sendo principalmente misericórdias, das quais temos a gigantesca Santa Casa que gere os jogos e que faz de todo o jogador do euromilhões, totoloto, etc. um ganhador na medida em que se não recebeu um prémio, ajudou os mais necessitados numa ação abrangente de apoio.

Para além disso, o cooperativismo que muitos idealistas gostariam de ver como substituto do próprio capitalismo, mas que nunca conseguiu ser por razões que têm a ver com o imenso progresso tecnológico associado à globalização que levou a uma corrida nunca vista na história pelo lucro e poder de menos de 1% da população mundial que domina toda a economia. Saliento que os Kolkozes soviéticos eram um cooperativismo de partido ou Estado e os Kibutzins israelitas tiveram um importante papel na história de Israel, mas desapareceram quase por completo. Na China ainda funcionam razoavelmente as cooperativas de aldeia que se encarregam cada vez mais da componente social dos habitantes, entregando as tarefas produtivas aos agricultores que as gerem de acordo com as condições mercantis. Mas a urbanização obrigou o governo chinês a introduzir o modelo de segurança social e de serviço nacional de saúde semelhante ao português.

 

Os 1% da população mundial que dominam a economia querem estar fora do social e, como tal, gostam da solidariedade entre os pobres com exceção das Fundações que criam quando as suas fortunas são incontáveis e os impostos também.

 

Recordo aqui Bismarck que inventou o Estado Social pago pelos trabalhadores, associando-o às salsichas feitas com ingredientes de pior qualidade. Dizia o político alemão: se o povo soubesse como são feitas as leis e as salsichas, não respeitava umas e não comia as outras. Na verdade, ao criar um desconto salarial que serviu para proporcionar uma reforma a todos os trabalhadores, Bismarck inventou um “ovo de Colombo”, fazendo com que os próprios explorados paguem o social. Claro, a esperança de vida na idade da reforma era muito menor que a atual.

 

Por isso, não podemos separar a Segurança Social, o ADSE, o Serviço Nacional de Saúde e até a Escola Pública da Economia Social que no passado histórico nunca fizeram parte da “Coroa”, ou seja, do Estado. Não visam o lucro e são pagos pelos beneficiários. Trata-se de um mutualismo gigantesco que até podia ser separado do Estado com uma gestão eleita pelos contribuintes e beneficiários e, apenas, um controle estatal para evitar quaisquer desvios financeiros. Há algo do género na Suíça para uma parte da reforma, estando a cargo do Estado uma reforma básica igual para todos.

 

A economia social não se esgota na solidariedade e caridade porque pode abranger as associações desportivas não ligadas ao negócio do futebol e outros, associações culturais, recreativas, de bombeiros voluntários, enfim, tudo o que não vise a acumulação individualizada de capital, incluindo os grupos de pressão para proteger o futuro da Humanidade de um excesso de poluição e as organizações eclesiásticas que fazem caridade e lutam contra o aborto e a prostituição, apoiando as necessidades das pessoas que recorreram a esses meios.

 

Também podemos falar de algumas grandes multinacionais sociais, entre as quais estão as diversas organizações do tipo “Médicos sem Fronteira” e a gigantesca “Green Peace” com a sua frota de navios que tentam impedir a destruição dos oceanos e preservar o futuro da Humanidade neste pequeno oásis cósmico a que damos o nome de Terra. Para preservar os oceanos, um grupo de holandeses criou a organização “Ocean Cleanup” que se destina a limpar os mares e oceanos das milhares de toneladas de plásticos e outros detritos industriais que estão a matar os corais e a própria fauna piscícola. Outra organização denominada “Secore” especializou-se na defesa dos imensos bancos de corais, dos quais muitos apresentam apenas corais mortos. Conseguem produzir em tanques embriões de corais e coloca-los em base de cimento no fundo dos mares para crescerem e voltarem a formar os recifes coralíferos.

Enfim, apesar de estarmos a viver a mais fantástica revolução tecnológica e científica de sempre, acordamos todos os dias com a uma crise social maior que a do dia anterior. Recordo que nos últimos vinte anos assistimos à maior descoberta científica de sempre que foram os mais de 3.200 exoplanetas, dos quais uns 21 podem fazer parte dos raríssimos oásis cósmicos como a nossa Terra.

A política e a gestão não são capazes de resolver o problema do imenso desemprego, destruição das classes médias e aumento da pobreza. A economia social pode ter minorado a situação, mas há quem a queira totalmente de graça, destruindo a componente solidária organizada pelos estados, a única que funciona para quase todos os cidadãos.

 

 

 

 

Dieter Dellinger



publicado por DD às 16:17
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016
A UBER é um Roubo

 

O Jornal Económico escreve que a plataforma de mobilidade registou vendas de 715 mil euros o ano passado e pagou 34 mil euros em impostos, um número inferior à Ginginha do Rossio. E diz que o grosso das receitas “vai diretamente para a sede na Holanda”, a UBER BV.

 

Os portugueses que sabem que só as receitas do OE nacional é que pagam a escola pública, o serviço de saúde, a segurança social, etc. NÃO devem utilizar a Uber nem comprar em lojas estrangeiras.

 



publicado por DD às 21:15
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