Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016
A Europa tem Medo dos Muçulmanos e Quem tem Medo já está DERROTADO

 

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 Mesquita de Córdoba

 

A Alemanha Muçulmana

Uma escola alemã na Turquia acabou com o Natal, enquanto entraram mais de um milhão de muçulmanos na Alemanha, sendo cverca de metade refugiados sírios. Os outros são oriundos do Afeganistão, Paquistão, Somália, Marrocos, etc. Na Alemanha vivem já 7 milhões de muçulmanos turcos, palestinianos e marroquinos.

A Espoanha tem Medo

Os muçulmanos reivindicam "a mesquita de Córdoba". Autoridades da cidade que fica no sul da Espanha deram um duro golpe na reivindicação de propriedade da catedral pela Igreja Católica, pretendendo partilhar o templo com os muçulmanos.

O local foi inicialmente a igreja de São Vicente, que depois da conquista de quase toda Península pelos muçulmanos invasores serviu de mesquita por mais de 400 anos quando a Espanha islâmica fazia parte de um califado, antes do reino cristão de Castela conquistar a cidade e convertê-la novamente em igreja. Agora os islâmicos a querem de volta. Não têm direito à mais pquena parcela da Espanha e Portugal. Que mais não seja por se terem deixado derrotar pelo cristãos, ou seja, os anteriores ocupantes celtas, romanos e germânicos.

A França também se está a acobardar:

"Tudo é cristão", escreveu Jean-Paul Sartre depois da guerra. Dois mil anos de cristianismo deixaram uma marca profunda na língua francesa, paisagem e cultura. Mas isso não é bem assim de acordo com a ministra da Educação da França, Najat Vallaud-Belkacem (muçulmana). Ela acabou de anunciar que, em vez de dizer "Feliz Natal", os servidores públicos devem dizer "Boas Festas" - trata-se claramente de uma deliberada intenção de apagar do discurso e do espaço público qualquer referência à cultura cristã na qual a França

Ao mesmo tempo, alemães, holandeses, escandinavos e outros atiram-se aos povos fronteiriços da Europa, abrindo assim as suas fronteiras >à invasão muçulmana.

A Grécia, a Itália, a Espanha e Portugal são roubadas pelos holandeses, luxemburgueses e belgas e nada se faz para resolver os seus problemas e criar uma verdadeira unidade europeia.

Cegos pelo dinheiro, os muitos Schaeubles e nazis populistas só pensam no imediato que é reduzir os salários e pensões dos europeus em vez de reforçarem o poder de 500 milhões de europeus.

 

 

 

 

 

 



publicado por DD às 17:49
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger: Estaline no Expresso

 

 

 

O Expresso vai publicar a excelente biografia quase familiar de Estaline escrita por Simon Sebag Montefiori e que originou no Expresso de hoje um artigo de Francisco Louçã sobre o ditador.

Podemos e devemos separar o “estalinismo” do “comunismo” e ambos dos diversos socialismos. Louçã diz em caixa alta que “É absurdo comparar Estaline a Hitler”. Pode ser que também seja absurdo comparar Hitler a Salazar, apesar de haver muito mais em comum entre Estaline e Hitler, ou seja, milhões de cadáveres.

O estalinismo não foi uma verdadeira ideologia, era simplesmente o exagero do bolchevismo ou comunismo tal como o nazismo era uma falsa ideologia, uma espécie de nacional-socialismo para enganar o proletariado e apoiado pela burguesia alemã e, acima de tudo, pela burguesia proletarizada pela crise inflacionária de 1922 e pela austeridade dos governo dos últimos anos da década de 1920 e primeiros dois de 1930.

De qualquer forma, o que estava em causa então como o que está em causa na guerra entre o jihadismo e o resto do Mundo, incluindo o muçulmano, é a eterna mecânica poder. Como na física quântica há uma mecânica que determina todas as coisas.

Todo o mundo é governado por partidos políticos, mesmo as ditaduras militares acabam sempre por organizar qualquer coisa como uma União Nacional ou um Partido Bolivariano para agregar aqueles civis que vão deter os muitos cargos que o poder sempre distribui, sustenta e necessita.

A mecânica partidária é sempre a mesma; o chefe e a sua corte próxima e é disso que trata o livro “Estaline – A Corte do Czar Vermelho” e depois os delegados aos congressos, eleitos para comités ou comissões nacionais e os pequenos potentados obedientes e subservientes das províncias ou autarquias mais o pessoal da defesa policial ou militar e uns tantos apoiantes mais ou menos idealistas que servem para encher salas e comícios. São os que acreditam ou sentem o partido como um clube de futebol de que são adeptos.

No âmbito dessa mecânica há sempre uma luta pelo poder interno que deixa de existir no auge da liderança do chefe e reaparece quando este aparenta não ser capaz de se manter no poder. Nas democracias, o chefe do partido que se deixou escorregar para a oposição tem a prazo os seus dias contados, salvo raríssimas exceções.

Nas ditaduras, as fações partidárias são tratadas a tiro, nas democracias são ostracizadas ou em parte compradas com alguns cargos.

Louçã desculpa o Estalinismo com a II. Guerra Mundial e a Guerra Fria quando o modelo é muito anterior.

Estaline liquidou os melhores oficiais do exército vermelho, o que incitou Hitlerr a invadir a URSS em 1941. Curiosamente fê-lo com o muito petróleo que Estaline forneceu aos alemães durante o período do pacto germano-soviético.

Com Lenine, Estaline é nomeado secretário do Partido Bolchevique para o pessoal e para as nacionalidades no XII Congresso. Como chefe de pessoal colocou os amigos nos melhores lugares e após a morte de Lenine sobe a secretário-geral do Partido em 1922 e a partir daí luta para conseguir o poder absoluto que só consegue depois do XVII Congresso de 1934 em que elimina todos os delegados que receberam menos votos negativos que Estaline, pois nos congressos do Partido Comunista, os delegados recebiam uma lista de nomes e cortavam aqueles que não desejavam. Kaganovitch e Molotov contabilizaram 100 negativos cada um. Estaline terá tido 292 votos negativos, enquanto que o ex-burguês menchevique Kirov teve apenas dois votos negativos, isto para a Assembleia do Partido. Estaline nomeou Kirov como quarto secretário para o mandar governar Leningrado até ser misteriosamente assassinado por “anticomunistas” às ordens de Estaline e que deu origem à maior perseguição condenações à morte de comunistas que alguma vez a História regista.

Entre os revolucionários de1917, Estaline liquidou os seguintes que foram todos reabilitados postumamente depois da morte do ditador:

Entre eles:

  • Lev Kamenev - Membro do Comitê Central do Partido Bolchevique. Um dos membros da troika que governou a URSS entre 1923 e 1925. Condenado à morte[3].
  • Leon Sedov - Filho de Leon Trótski. Acusado e condenado nos Processos de Moscou, foi assassinado em Paris por um agente de Estaline.
  • Joseph Pianisky - Social-democrata em 1896, agente do Iskra em 1901, bolchevique em 1903. Foi membro do Comitê de Moscou do partido, da Comissão Central de Controle e do Comitê Central. Preso em 1937, desapareceu "misteriosamente" na prisão[3].
  • Nikolai Krestinski - Membro do Comitê Central em 1917 e seu secretário de 1919 a 1921. Condenado à morte e executado. Por 24 horas negou as "confissões" feitas no inquérito[3].
  • Ivar Smilga - Membro do Comitê Central desde 1911. Preso, desapareceu durante a grande purga[3].

 

Foto: Estaline embalsamada. Era para ser colocado ao lado de Lenine, mas enterraram-no num cemitério na Georgia, salvo erro.



publicado por DD às 21:33
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Domingo, 18 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger: Portugal tem Saldo Primário Positivo

Com 10 dos 12 meses do ano já passados, assim vai a execução orçamental.

Estes dados compreendem os 10 primeiros meses de 2016 e os últimos 2 meses de 2015. Período marcado pela formação do governo e implementação das políticas por ele defendidas.

Os dados seguintes comparam os 12 meses terminados em OUT/2016 com os 12 meses terminados em OUT/2015:

...

Receita Total : 43,361M€ ( + 432M€ ; + 1.0% )

Das quais :
Receitas fiscais : 39,422M€ ( + 709M€ ; + 1.8%)

IRS : 12,131M€ ( - 604M€ ; - 4.7%)
IRC : 4,886€ ( - 210M€ ; - 4.1%)
IVA : 14,852M€ ( + 144M€ ; + 1.0%)
ISP : 3,090M€ ( + 871M€ ; + 39.2%)

Despesa Total : 49,474M€ ( + 429M€ ; + 0.9%)

Despesa Corrente Primária : 42,026M€ ( + 191€ ; + 0.5%)
Despesa de Capital : 1,238€ ( - 124M€ ; - 9.1%)
Despesas com juros : 7,448M€ ( + 238M€ ; + 3.3%)

Saldo Primário : + 1,335M€ ( melhorou 241M€ ) - é de salientar a melhoria deste saldo primário sem o assalto às reformas e aos salários dos fuincionários.

Saldo : -6,113M€ ( melhorou 2M€ ; corresponde a 3.4% do PIB projetado para 2016)

O BP que é do contra teima em utilizar vírgulas onde deveria colocar pontos. Se os portugueses utilizam os pontos para marcar os mil, milhões, etc., o Costa do BP deve fazer com que os seus boletins utiloizem a escrita NACIONAL e não a inglesa.


Por assunto: Execução Orçamental



publicado por DD às 18:25
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Dieter Dellinger: A Obesidade Mata mais que a Fome no Mundo

Cuidado com o Natal
Segundo as estatísticas mundiais, a obesidade mata mais que a fome devido às doenças que provoca como cardiovasculares, diabetes, etc.
A obesidade crescente é doença dos países ricos e até emergentes que erradicaram muitas doenças dos países pobres e do mundo em geral como a peste, tuberculose, tifo, sífilis, varíola e gripe. Esta última ataca ainda bastante as pessoas idosas.
Vacinas, antibióticos e higiene eliminaram muitos agentes patogénicos, permitin...do a explosão populacional apesar da queda da natalidade. Em 1800, uma em cada três crianças morria muito cedo, os adolescentes e jovens estavam sujeitos a todo o tipo de doenças singulares e pandemias.
Cada vez mais se morre de doenças degenerativas (Alzheimer, etc.) e sofre-se nas idades avançadas de problemas degenerativos como osteoporose, degenerescência macular, modo de vida com ateroscleroses locais e generalizadas, etc.
Mark Zuckerberg criou com mais de mil milhões de dólares uma fundação que tem por objetivo erradicar todas as doenças mortais, só para chatear bestas políticas como Medina Carreira e aquele deputado que considera a velhice como uma "peste grisalha" e quem o censurou foi condenado pela justiça como se estivéssemos numa ditadura.

fascista



publicado por DD às 18:11
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016
Trump vai nomear um Governo de Multimilionários com Património superior a um Terço das Famílias Americanas

 

De acordo com dados estatísticos da Reserva Federal Americana publicados na folha económica "Quartz", os 17 membros do governo de Donald Trump possuem um somatório patrimonial superior a um terço dos norte-americanos, ou seja, às 43 milhões de famílias mais pobres dos EUA, portanto um terço das 126 milhões de famílias registadas fiscalmente nos EUA, das quais 13% têm património zero a negativo.

Nunca na história americana e, talvez, da Humanidade, o capital através dos seus verdadeiros detentores ocupou o poder de uma forma tão descarada.

Tradicionalmente, o capital utilizava políticos organizados em partidos para satisfazerem os seus interesses, financiando as suas campanhas eleitorais ou comprando-os com bonificações corruptas. Mas, desta vez não há lugar a corrupção, são os multimilionários que estão em pessoa no poder e vão legislar e governar diretamente de acordo com os seus interesses sem terem de pagar nada a ninguém.

Os 15 biliões de dólares que possuem os membros do gabinete de Trump correspondem ao património de 130.000 famílias das classes médias dos EUA que é uma das nações com um dosrendimento nacionais mais elevados do Mundo.

Assim, há uma maioria de nações entre as 192 representadas na ONU que têm um Pib inferior ao dos 15 governantes centrais norte-americanos.

O em breve ex-presidente Obama praticamente não tem património e vai viver numa casa alugada pelo Estado com a pensão estatal para ex-presidentes Em compensação, Trump quer ganhar do Estado apenas 1 dólar por ano e é porque a legislação americana não autoriza que alguém trabalhe para o Estado sem salário. Provavelmente, o grande acionista e presidente do Conselho de Administração da maior empresa petrolífera do Mundo, a Exxson-Mobil também não vai querer mais de que um dólar anual de remuneração.

Parece que Trump não quer o novo avião presidencial encomendado à Boeing que deveria ser um Jumbo 747 até porque tem o seu próprio luxuoso Boeing 757 comprado em segunda mão a um dos principais donos da Microsoft.

As ações da Goldman Sachs têm estado a subir porque o poder vai ser ocupado por alguns dos seus maiores acionistas e clientes e saliente-se que a Reserva Federal aumento em 0,25% a taxa de juro diretora, pretendendo que chegue durante o próximo ano a 1,5 ou 1,75%. Os donos do dinheiro querem juros mais elevados, como é óbvio.

 



publicado por DD às 18:33
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Domingo, 11 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger copiou: Arnaldo Matos colocou o MRPP ao lado do Estado Islâmico

 

Arnaldo Matos regressou em força ao MRPP e já colocou o partido ao lado do Estado Islâmico. Num editorial do Luta Popular crítico da tomada de posição do Partido Comunista de França, Arnaldo Matos afirma que os atentados de Paris foram “um acto legítimo de guerra” e que foram cometidos por “combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo, nomeadamente francês”. Regista o homem que esteve três décadas em silêncio e regressou ao MRPP para afastar Garcia Pereira: “Foi praticado por franceses, nascidos em França, vivendo em São Dinis e noutros bairros do Paris suburbano”.

No editorial, Arnaldo Matos que, quando liderou o MRPP era conhecido como “o grande educador da classe operária”, escreve: “Não é o islamismo, mas o imperialismo a causa real, verdadeira e única do ataque a Paris. Agora os franceses já sabem que a guerra de rapina movida pelo imperialismo francês em África e no Oriente Médio tem como consequência inevitável a generalização da guerra à própria França, à capital desse mesmo imperialismo moribundo”.

Arnaldo Matos afirma que as posições do partido comunista de França, que condenam o terror, são “um ultraje à teoria revolucionária” e “um insulto à memória histórica e ao internacionalismo da heróica classe operária francesa, a quem devemos a gloriosa Comuna de Paris, a primeira ditadura do proletariado revolucionário”.

O histórico “grande educador da classe operária” conclui que “o cobarde e terrorista imperialismo francês, que conjuntamente com o imperialismo ianque, inglês, alemão e europeu em geral tem estado a massacrar os povos do Iraque, do Afeganistão, da Síria, da Líbia, do Chade, da Nigéria e do Mali durante os últimos vinte anos, não está impune e pode ser atacado no próprio covil em que se acoita e se consideraria seguro”.

Arnaldo Matos recusa considerar que o “terror” esteve na base dos ataques de Paris. “A lógica profunda do ataque a Paris não é o terror, não é o horror, não é a crueldade; a lógica é a lógica da guerra, dente por dente, olho por olho, até derrotar o inimigo. Terror, horror, crueldade são os ataques aéreos, de mísseis de cruzeiro, de artilharia, de drones, conduzidos pelo imperialismo, designadamente francês, sobre os homens, os velhos, as mulheres e as crianças das aldeias e das cidades de África e do Médio Oriente, para roubar-lhes o petróleo e as matérias-primas”.

Continua Arnaldo Matos: “Os atacantes de Paris nem chocolates roubaram: levaram a guerra aos franceses, apenas para acordá-los: para lembrar-lhes que o governo e as forças armadas do imperialismo francês estão, em nome da França e dos franceses que julgam ter o direito de se poderem divertir impunemente no Bataclan, a matar, a massacrar, a aterrorizar com crueldade inenarrável os povos do mundo”.

O PCTP/MRPP, fundado em 1970, era dirigido há longos anos pelo advogado António Garcia Pereira. A seguir às legislativas, Arnaldo Matos afastou Garcia Pereira e os dirigentes mais próximos do líder - a “corrente liquidacionista do partido”, segundo as palavras de Arnaldo.

“Sob a direção bicéfala de dois reacionários anticomunistas como Conceição Franco e Garcia Pereira, o nosso partido e a classe operária portuguesa foram totalmente desligados da teoria revolucionária, cortados do sangue vivificador do marxismo-leninismo”, escreveu Arnaldo Matos também em editorial do “Luta Popular”.

Arnaldo Matos fez violentíssimas críticas a Garcia Pereira, e também à família do ex-líder do PCTP-MRPP. Uma das acusações era participar em programas de televisão.

“Durante três longos anos, os operários puderam - ou teriam podido, se para tanto tivessem tido paciência - ouvir o papagaio Garcia Pereira, semanalmente, na estação televisiva do jornal Económico, dar conselhos à classe dominante para sair da crise onde se atolava, mas nunca o ouviram pronunciar uma única palavra sobre a revolução proletária, sobre a luta pela sociedade comunista, sobre os princípios fundamentais do marxismo-leninismo, sobre a organização dos trabalhadores para derrubarem o capitalismo”. Mas os pecados de Garcia Pereira à frente do MRPP eram, segundo Arnaldo Matos, imensos: “O programa mínimo do Partido era transformado num programa político minúsculo, pequeno-burguês, assexuado e reaccionário”.

“Garcia Pereira teve por longo tempo ao seu alcance uma tribuna televisiva a partir da qual poderia ter desferido ataques demolidores ao governo de traição nacional PSD/CDS ou de se lhe opor com a divulgação da teoria da revolução e da ideologia comunista, mas preferiu sempre limitar-se a comentar amavelmente as perguntas capciosas dos locutores de serviço, em vez de se apresentar como um dirigente comunista de um partido revolucionário proletário, o que obviamente seria exigir-lhe demais, pois Garcia Pereira, tal como o seu par Conceição Franco, não é nem nunca foi esse dirigente comunista revolucionário”, conclui Arnaldo Matos.

Arnaldo Matos Estado Islâmico

 

 



publicado por DD às 19:11
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Arnaldo Matos acerca de Garcia Pereira: Copiado por Dieter Dellinger da Luta Popular

Eram 13h34 de 28 de Julho de 2015 quando Garcia Pereira recebeu um email. Remetente: Arnaldo Matos. O advogado e cabeça-de-lista do MRPP apressou-se a consultar o que o fundador, seu mentor e líder histórico do partido tinha para lhe dizer. Começava assim: "Quando saíste ontem do meu escritório, já pela uma e meia da tarde, pareceu-me ter-te ouvido resmungar entre dentes qualquer coisa como ‘cansaço’ e ‘férias’. O cansaço é legítimo e faz bem à saúde. Porém, se tu e os teus amigos do Comité Central pensam ir de férias antes de constituírem as listas dos 22 círculos eleitorais e de as apresentarem ao País, isso significa ruptura total e definitiva comigo."

O email ameaçador, um de vários trocados entre as duas maiores figuras da história do MRPP (a sigla oficial é maior: PCTP/MRPP, de Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado) a que a SÁBADO teve acesso, prosseguia: "No Comité Central de um partido revolucionário não há lugar a férias; há mas é tarefas políticas a cumprir em nome da classe operária e do povo, nos tempos apropriados." As eleições legislativas estavam próximas e Arnaldo Matos – a maior referência política e intelectual de Garcia Pereira, que lhe prestava uma reverência sem limites – não admitia distracções. Embora não tivesse qualquer cargo no partido, na prática era ele quem exercia o poder total na sombra, como o demonstra o tom utilizado com Garcia Pereira – que, na semana passada, anunciou a saída do partido, em ruptura com Arnaldo Matos –, a quem acusava de pôr as "comodidades reaccionárias pequeno-burguesas à frente dos interesses do Partido", ao planear ir, juntamente com os restantes membros do Comité Central, para férias quando havia trabalho para fazer.

"Não aceito discutir contigo nem com ninguém!"
No que dependesse de Arnaldo Matos, isso não aconteceria. O líder histórico determinou um prazo máximo para a elaboração das listas: 15 de Agosto. Tinham cerca de duas semanas. Seria impossível cumprir o objectivo fixado, a menos que os membros do comité central abdicassem do período de descanso com as suas famílias – o ideal seria, aliás, recrutá-las para a causa revolucionária. "Os membros do Comité Central deveriam saber mobilizar as suas famílias para os ajudarem a cumprir as suas tarefas. Se não conseguirem, então é melhor que mandem as mulheres e os maridos para férias sozinhos e para longe, de modo a não atrapalharem as tarefas eleitorais, que aliás já deveriam estar cumpridas", acrescentou Arnaldo Matos, que terminou de forma categórica: "Não aceito discutir o conteúdo desta carta nem contigo nem com ninguém."

Contrariar "O" camarada – Arnaldo Matos é o único militante do MRPP que é designado desta forma – estava fora de causa para Garcia Pereira. O seu estatuto de quase divindade não dava margem para rebeldias de nenhuma espécie. A solução era, portanto, fazer aquilo a que no partido se chama um exercício de autocrítica, reconhecendo as suas falhas numa primeira fase, para seguidamente mobilizar os camaradas para a realização da tarefa.

Eram exactamente 10h18 do dia seguinte quando os elementos do Comité Central receberam um email proveniente de Garcia Pereira. Começava assim: "Na sequência da muito justa e firme crítica que (…) foi dirigida pelo camarada Arnaldo Matos aos membros do Comité Central e em especial a mim próprio sobre a tarefa político-eleitoral das legislativas e os nossos erros, em particular os meus, foi decidido pelo Comité Permanente…" Seguia-se o anúncio das deliberações – e todas iam ao encontro das ordens de Arnaldo Matos. Garcia Pereira demonstrava assim que aprendera a lição do "Grande Educador da Classe Operária": "É absoluta e mesmo criminosamente inadmissível a pasmaceira e indiferença com que os responsáveis das listas, em particular os das mais atrasadas, estão a encarar o assunto, fingindo não perceber que o seu dever mais básico é marcharem, imediatamente e custe o que custar, para o terreno, levando consigo a propaganda do partido (…) e com ela contactando com as massas e conquistando candidatos da zona e dos sectores mais avançados para a nossa candidatura, em vez de se porem a carpir e a lamuriar sobre as suas próprias incapacidades pequeno-burguesas!"

Foi por isso sem lamúrias especiais que as listas foram feitas dentro da data prevista. Com meios modestos, o partido partiu para a rua em campanha. Apesar do parco orçamento, o MRPP acabou por ter grande visibilidade, embora não pelos melhores motivos. Um cartaz radical em que surgia a cara de Garcia Pereira acompanhada pelo slogan"Morte aos Traidores" provocou uma onda de indignação geral que obrigou à sua retirada. Não foi um processo pacífico. A frase, muito utilizada na comunicação interna do MRPP, terá sido imposta por Arnaldo Matos e adoptada com reservas pelo Comité Central. Mas, como sempre acontecia, ninguém se atreveu a questionar a vontade d’O camarada – também conhecido dentro do partido pelos pseudónimos João, Viriato ou Espártaco.

A reunião que não chegou a acontecer
Na noite de 4 de Outubro, o ambiente na sede de campanha do MRPP era de desolação. O partido não só não tinha eleito um deputado – o objectivo mais ambicioso – como perdera cerca de três mil votos face às eleições de 2011, em que obtivera 62.683. "Foi uma derrota, mas não foi uma hecatombe", diz à SÁBADO um militante que se empenhou fortemente na campanha.

O Comité Permanente marcou no próprio dia das eleições uma reunião para as 21h do dia 6. Objectivo: reflectir sobre o que correra mal. Eram 19h50 quando Domingos Bulhão, membro do Comité Central, da Comissão Permanente e director e mandatário financeiro da campanha, recebeu um SMS de Carlos Paisana, também ele membro do Comité e da Comissão e director do Luta Popular, o jornal do partido.

"Dás-me boleia?"

Domingos Bulhão respondeu sem demora. "Boleia para onde? A reunião foi cancelada."

Carlos Paisana ainda não sabia, mas estava oficialmente suspenso de funções desde o início daquela tarde. Furioso com os resultados, Arnaldo Matos – aliás, Viriato – assinara um texto inflamado no Luta Popular em que fazia uma avaliação calamitosa da performance dos principais dirigentes do MRPP na campanha. "Se o Partido não alcançou nenhum dos objectivos políticos imediatos ao seu alcance, tal fica unicamente a dever-se à incompetência, oportunismo e anticomunismo primário do secretário-geral do Partido e dos quatro membros do Comité Permanente do Comité Central, que tudo fizeram para sabotar a aplicação do comunismo", denunciava Viriato, que acrescentava as punições decididas: a suspensão do secretário-geral, dos membros do Comité Permanente e a destituição de toda a redacção do Luta Popular. Mais: os cinco membros do Comité Permanente estavam intimados a apresentar, no prazo máximo de oito dias, a sua autocrítica sobre os "erros cometidos na direcção do partido". Havia, sublinhou, que afastar do MRPP "os social-revisionistas, social-fascistas e demais oportunistas que tomaram conta das nossas fileiras". A purga interna estava em curso.

Afastamentos ilegais
Os membros do Comité Permanente oscilaram entre o pânico e a indignação. Na sua maioria militavam no partido há dezenas de anos. Alguns tinham estado presos. Achavam que não mereciam aquele tratamento. Mais do que isso: todos concordavam que Arnaldo Matos não possuía autoridade formal para tomar decisões daquele cariz. "Ele não exercia qualquer tipo de função partidária, não era membro de nenhum órgão. Aquilo era tudo ilegal", afirma Domingos Bulhão – nome de código Jaime – à SÁBADO. Num gesto de inédita rebeldia, o Comité Permanente acabou mesmo por reunir à revelia da vontade expressa por Viriato. Mas a aparente insurreição foi fogo-fátuo. Já sentados à mesa, as hesitações entre os revoltosos começaram a surgir. O primeiro a baquear foi Luís Franco – também conhecido por Conceição –, o secretário-geral.

"– Nós não devíamos estar aqui porque estamos demitidos..."

Domingos Bulhão reagiu.

"– Demitidos por quem? Quem elege ou demite militantes no partido não é o camarada Espártaco!"

Luís Franco estava em pânico.

"– Se ‘O’ camarada sabe que estamos aqui pode pensar que é uma traição. Recuso-me a dirigir a reunião."

Domingos insistiu. "– Há coisas importantes a tratar, não podemos deixar de reunir."

 

Olhou para Garcia Pereira em busca de apoio. Nada. Também o advogado considerou tratar-se de uma trai- ção a Arnaldo Matos. Regressaram a casa – tinham de começar a pensar nos seus textos de autocrítica, que acabaram mesmo por escrever.

Há vários meses que havia sinais de que Arnaldo Matos tinha um problema com Garcia Pereira. Fontes do partido garantem que o líder histórico, hoje com 76 anos, nunca conviveu bem com a exposição pública do seu pupilo, a quem chamava "papagaio" e a quem criticava a ambição de conquistar um lugar no parlamento. A tensão era visível em detalhes tão milimétricos como... a luta dos pescadores da sardinha.

No dia 23 de Agosto – em plena campanha pré-eleitoral – Arnaldo Matos pediu à sua secretária para passar para formato de email um texto que acabara de escrever manualmente e para, de seguida, o remeter a Garcia Pereira. Tratava-se de um violento raspanete por alegadamente o seu afilhado de casamento se ter "apropriado" de uma causa que era sua. Garcia Pereira escrevera um artigo no Luta Popular criticando o Governo por não apoiar a pesca da sardinha – isto sem ter tido em conta que o próprio Arnaldo Matos já dissertara sobre o tema no dia 9 de Janeiro de 2015, através de um "artigo político panfletário", como o próprio o designou, intitulado "Pescadores sem sardinha e sem salários".

Na cabeça de Arnaldo Matos era impensável qualquer camarada voltar a emitir opinião sobre um assunto já reflectido por si – alegadamente, estaria tudo dito. "Para o Comité Central, para ti e para a redacção do jornal a luta política dos pescadores da sardinha morreu definitivamente em meados de Janeiro de 2015. Ora bem: tendo tu as responsabilidades que tens no Partido e no jornal, acho que é preciso teres uma grande lata para vires escrever e publicar o artigo que hoje publicas."

A indignação prosseguia uns parágrafos mais abaixo: "Quando é que aprendes a ler os artigos que vou publicando no jornal? Quando é que te decides a olhar para os operários, para os trabalhadores, para os pescadores, para o povo, para os pobres e compreendes que eles querem lutar?" E concluía: "O teu artigo sobre os pescadores da sardinha pode enganar muita gente mas – tira daí o sentido – não me engana a mim."

Filha de Garcia Pereira entra em cena
Uma vez mais, Garcia Pereira aceitou o "raspanete" do mentor. No mesmo dia, reencaminhou-o aos membros do Comité Permanente. E acompanhou-o do seguinte comentário: "Camaradas, esta é a justa crítica que o camarada Arnaldo Matos me dirigiu sobre a pesca da sardinha, que referi no meu SMS e para a qual peço a vossa atenção e vigilância! Tenho que conseguir reflectir seriamente em todas as minhas tarefas e responsabilidades!" Visto publicamente como alguém com forte personalidade, na sua relação com Arnaldo Matos o advogado – que, à imagem do que sucedeu com o líder histórico do MRPP, recusou falar com a SÁBADO – nunca foi capaz de abandonar uma postura de alguma submissão.

Antes de fazer intervenções públicas importantes ia ao seu escritório situado na Avenida Elias Garcia, em Lisboa, aconselhar-se com ele. Escutava-o a propósito das suas aparições regulares num programa da Económico TV. Consultava-o sobre a estratégia para debates. Convidava-o para convívios familiares. Chegou a levar-lhe jornais e cigarros a casa durante o fim-de-semana.

A filha de Garcia Pereira numa carta aberta publicada na sua página no Facebook, já depois da decisão de afastamento tomada por Arnaldo Matos e da guerra dialéctica que entretanto se instalou num partido dividido em dois, Rita Garcia Pereira foi impiedosa para o fundador do MRPP, recordando episódios que revelam facetas desconhecidas do homem que, quando ela era criança, a tratava por "filhota". "Tu, que te arvoras num grande exemplo, aliás no único exemplo, és aquele que, em pleno restaurante do aeroporto da Madeira, te recusaste a aceitar um guardanapo de papel e gritaste ao empregado: ‘Isso nem me serve para limpar o cu.’ Grande Educador, Arnaldo, Grande protector da classe operária", escreveu. A advogada e professora universitária recorda ainda os tempos em que o pai o visitava enquanto ela, ainda criança, esperava no carro que ele regressasse para irem buscar os irmãos.

Revoltada com a humilhação em curso, Rita Garcia Pereira é implacável: "A única coisa boa que a tua espiral de loucura teve foi que vou deixar de ter de tolerar a tua constante má-criação (...) essa mesma que diriges àqueles que supostamente queres defender. Não tenho de tolerar mais os ‘filhos da puta’, os ‘cabrões’ e outros que tais que diriges às pessoas que te servem."

Em entrevista à SÁBADO, Sandra Raimundo, ex-secretária pessoal de Arnaldo Matos, confirmou a postura "ditatorial" e a retórica violenta do antigo patrão. Quando foi designada para secretariar Arnaldo Matos, Sandra resistiu. Era membro da Comissão de Imprensa do partido e não desejava sair. Acabou obrigada a fazê-lo e a sua vida, afirma, "transformou-se num inferno". Proibida de falar com os membros do MRPP, foi obrigada a trabalhar 12 horas por dia. Entrava às 7h30 porque às 8h, quando pontualmente chegava Arnaldo Matos, tinha de ter o café preparado. Recentemente, publicou uma carta num blogue em que acusa "O" camarada de tentativas de agressão a militantes e de levar um estilo de vida faustoso à custa do partido, que passará pela frequência de hotéis e restaurantes de luxo, bem como pela utilização de carros de alta cilindrada pagos pelo MRPP à custa da subvenção estatal que é a sua única fonte de rendimento actual.

Em entrevista à SÁBADO, Carlos Arsénio – nome de código Alberto – confirmou os gostos extravagantes d’"O" camarada. Membro do partido desde a clandestinidade – chegou a estar preso em 1975 –, ao longo dos anos fez tudo o que havia para fazer: colou cartazes pela noite dentro, pertenceu a todos os órgãos e, mais recentemente, foi-lhe atribuída pelo Comité Permanente a tarefa de servir de motorista a Arnaldo Matos. Apesar da sua história no partido aceitou humildemente. "Encarei-a como mais uma forma de servir", afirma. Durante os três meses em que diariamente se relacionou com Arnaldo Matos, Carlos Arsénio ficou indignado com alguns comportamentos e opções d’"O" camarada. "Nas suas deslocações pelo País, nunca aceitava ir num carro qualquer. Exigia sempre um Mercedes. Se o partido lhe arranjasse menos do que isso já dava direito a discussão", afirma. Domingos Bulhão, também ele militante há mais de 40 anos, também serviu voluntariamente Arnaldo Matos como motorista. Vendedor de profissão, acordava todos os dias às 6h30 para conseguir atravessar a ponte 25 de Abril – habita na Margem Sul do Tejo – para antes das 8h da manhã estar à porta da casa de Arnaldo Matos, na Avenida 5 de Outubro, para fazer uma viagem de dois minutos até ao seu escritório. Depois disso voltava a atravessar a ponte em sentido contrário – tinha de ir trabalhar. Tudo isto voluntariamente.

Quando, na sequência de uma discussão por causa de um atraso, Carlos Arsénio foi afastado por Arnaldo Matos das suas funções, soou-lhe a déjà vu. É que fora o mesmo Arnaldo que decidira, em 2014, a sua saída do Comité Central por este se recusar a integrar a redacção do Luta Popular. "Um comunista não recusa uma tarefa revolucionária", terá dito então. Nessa altura Carlos Arsénio já não era especialmente popular junto d’"O" camarada por em 2013 ter sido o único membro do Comité Central que apresentou "informalmente" reservas ao afastamento compulsivo de Orlando Alves, na altura director do Luta Popular e membro do Comité Central.

 

"O Orlando Alves foi afectado por um cancro e, sentindo-se diminuído, alegou falta de condições de saúde para continuar em funções. Mas ‘O’ camarada não aceitou. Disse que a doença não é motivo para fugir às responsabilidades revolucionárias, propondo o seu afastamento compulsivo, o que achei uma injustiça tremenda", diz à SÁBADO. Nessa altura, Carlos Arsénio foi criticado pela generalidade dos seus camaradas, incluindo Garcia Pereira: "Disse-me que estava a pôr a amizade pessoal acima dos interesses políticos do partido." Orlando Alves viria a morrer na sequência da doença.

 

Nome de Arnaldo em sites de prostituição
Uma das regras no MRPP é nunca colocar o indivíduo acima do colectivo. Vários militantes com quem a SÁBADO falou admitiram que viram as suas vidas pessoais destruídas pelas ausências constantes ao longo de anos. No partido, festas de anos, aniversários de casamento ou outro tipo de convívios ditos "pequeno-burgueses" não são razão para abandonar as tarefas revolucionárias. Também por isso, uma fatia da guerra dialéctica que a purga em curso gerou está a ser alimentada, sobretudo nas redes sociais, pelas famílias e amigos dos militantes. Nos últimos dias o conflito radicalizou-se, com insultos de parte a parte.

Os textos publicados no Luta Popular são crescentemente insultuosos para os próximos de Garcia Pereira, que foram acusados de, entre outras coisas, terem colocado o nome de Arnaldo Matos em sites de prostituição e pornografia – uma imputação totalmente refutada pelos visados. Ninguém sabe como terminará o conflito – embora todos os intervenientes garantam que não acabará bem para ninguém. No Facebook, Rita Garcia Pereira, uma das insultadas, fez um ponto de situação. Dirigindo-se a Arnaldo Matos, escreveu: "O tempo dirá quem tinha razão e se os fins que dizes ter (bem diversos, note-se, dos que acho que são os teus) justificaram os meios ínvios a que recorreste. Só espero que vivamos o suficiente para seres confrontado com os resultados. Porque eu cá estarei à tua espera." 


Entrevista a Sandra Raimundo: "Arnaldo tentou fazer-me uma lavagem cerebral"

Durante quanto tempo trabalhou como secretária de Arnaldo Matos?
Cerca de três semanas. Eu tinha feito voluntariado no partido e depois trabalhei na comissão de imprensa. A dada altura fui designada para secretariar o Arnaldo Matos. Inicialmente resisti, mas disseram-me que não tinha possibilidade de escolha.

Porque é que deixou de o fazer?

Não aguentava mais. Era uma tortura trabalhar com ele. Não podia falar ou emitir opinião sobre nada.

Quais eram as regras?

Logo no primeiro dia disse-me que a partir daquele instante eu estava proibida de falar com membros do partido. Deixei de ter contacto com os camaradas. Com ele só estava autorizada a falar o estritamente necessário para o trabalho. Disse-me logo que tinha de o tratar por "senhor doutor. No dia-a-dia, vivia num ambiente de terror. Foi como se Arnaldo Matos tivesse tentado fazer-me uma lavagem cerebral, como se me tivesse tentado impor uma nova vida. Estava 12 horas por dia fechada num cubículo, praticamente sem falar.

 

Como era o seu dia?
O escritório não tem movimento porque o Arnaldo Matos não tem clientes. O telefone nunca toca. Eu tinha de chegar pelas 7h30 porque se, pelas 8h, quando ele chegava, não tivesse o café pronto ele explodia de fúria. Não tinha hora de saída.

Que outras tarefas lhe estavam atribuídas?

Basicamente batia num computador os textos que ele escrevia manualmente. Ele não percebe nada de informática. Muitas vezes não percebia a caligrafia dele e pedia-lhe para me ditar os textos. Ele ficava furioso.

O que pensou quando leu o texto publicado no Luta Popular, em que foi acusada de só ter emprego no MRPP por ser sobrinha de um alto dirigente?
Que era uma injustiça muito grande. O meu tio [Domingos Bulhão] nada teve a ver com a minha colocação.

 

 

 

 

 



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Dieter Dellinger copiou do LP: "Garcia Pereira: O Perfil de um Canalha"

Do Jornal "A Luta Popular"

A reunião de ontem do Comité Distrital de Lisboa do Partido fez um balanço vasto e profundo dos nove meses de luta pela denúncia e afastamento do grupo liquidacionista anti-partido, capitaneado pela dupla anti-comunista primária de Pereira/Franco.

Foram estudados todos os documentos com os quais o camarada Arnaldo Matos, fundador do Partido, denunciou, frequentemente perante todo o comité central, o anti-marxismo e o anticomunismo primários de Garcia Pereira, o qual se escondia atrás do secretário-geral burocrata e analfabeto Conceição Franco, para desferir cobardes ataques à classe operária e ao povo trabalhador.

O movimento de denúncia de Garcia Pereira atingiu já um ponto bastante alto junto dos operários e outros trabalhadores.

Garcia Pereira vivia à conta do dinheiro que explorava, através da sua profissão, aos trabalhadores que procuravam os serviços do seu escritório de advogado.

Na reunião de ontem, tomou-se a decisão de denunciar perante a classe operária e perante os trabalhadores, o carácter pioloso e canalha de Garcia Pereira, e dar a conhecer a denúncia que o camarada Arnaldo Matos nunca deixou de fazer desse canalha.

Nos arquivos do Partido constam documentos comprovativos do carácter reaccionário e canalha de Garcia Pereira, denunciados a tempo, e que o comité central do Partido frequentemente preferia ignorar.

No dia 21 de Agosto de 2015, quando se preparava a participação do Partido nas eleições legislativas e o jornal Luta Popular Online deveria ser reorganizado para poder cumprir o papel de jornal político e órgão central do PCTP/MRPP, o camarada Arnaldo Matos endereçou ao canalha Garcia Pereira a seguinte correspondência, com um solene aviso, que a seguir se transcreve na íntegra:

“Caro Garcia Pereira,

Estás a ir por um mau caminho, se continuas a fingir não perceber o que te digo.

Olhei para a primeira página do Luta Popular Online de hoje e fico sem saber se as alterações que apresenta são ou não a nova primeira página, subsequente às minhas críticas e concelhos de anteontem.

Se são, só me resta mandar-te à merda e deixar de aturar as tuas garotices.      

As observações que te enviei visavam reunir os nossos melhores gráficos para redefinirem, segundo uma nova linha política e após ampla e livre discussão, a nova maqueta da primeira página, quanto à espacialidade, cor, títulos, letras e lugar de relevo a conceder ao editorial, como peça nobre da linha do Partido.

Vejo que nada disso foi feito nem entendido, e que se optou por pequenas alterações isoladas, fora de uma nova linha política consequente, e que, quanto ao editorial, a minha observação sobre o filete vermelho levou pura e simplesmente à eliminação do filete vermelho unicamente do editorial…      

Compreendi perfeitamente.      

Passarei a comunicar unicamente com o comité central no seu conjunto, a ver se há lá alguém que entenda o que é que está em causa e o que eu digo.

Arnaldo Matos”

 Perante a carta, clara e sem hesitação, do fundador do Partido, Garcia Pereira embrulha-se como um réptil seboso, tentando desviar as questões políticas suscitadas para o campo das questões pessoais, alegando as dificuldades das suas relações com a mulher e alguns dos filhos, ou com o Fisco, para escapar às suas responsabilidades políticas. Vejam a resposta do Garcia Pereira e digam-me os leitores se é ou não próprio de um verme, um sujeito que não hesita em invocar o nome da mulher e dos filhos para justificar as suas piores patifarias…

“Caro Camarada,

Li o teu mail. Sinto-me literalmente perdido e transtornado. A tua ruptura para comigo é algo de praticamente inultrapassável. Na verdade, és e sempre serás uma referencia, um farol na minha vida. Salvaste-me a vida, a física e a política, em 1978. Apoiaste-me sempre em todas as situačoes mais difíceis da minha vida. NUNCA o poderei esquecer! Reconheço a justeza das tuas críticas mas estou a sentir o chão fugir--me debaixo dos pés. Sinto-me profundamente cansado Estou a enfrentar rupturas pessoais, familiares, designadamente com a Sandra, que me fala em separação e Ricardo, que cortou relações), profissionais (com participações à Ordem e ameaças de processos indemnizáveis, tendo deixado praticamente de advogar) de toda a ordem. Estou com dívidas, designadamente ao Fisco, que não consigo pagar! Nem vejo como. Tenho tentado (ainda ontem estive durante horas a preparar e a apoiar a Fernanda Calaça) mas sinto que efectivamente não tenho estado à altura das responsabilidades. Quero porém dizer-te que não quero ir por maus caminhos nem cometer garotices, muito menos contra ti. Esta não é a 1a página da linha do Partido.

Tenho de me aguentar, isso eu sei. Mas não consigo ver como posso passar sem o teu contacto, o teu apoio, a tua amizade. Desculpa. Nunca te quis atacar nem menosprezar quer política quer pessoalmente!

Forte Abraço (se mo permites)

Garcia Pereira”

Note o leitor, na resposta, que o camarada Arnaldo Matos esclarece o canalha Garcia Pereira, que já desde o Verão de 2013 que se apercebia que as suas relações com o Partido não iriam longe.

“Caro Camarada Garcia Pereira,

Estás permanentemente a misturar problemas e relações pessoais com problemas e relações políticas, e essa mistura não te permitirá nunca fortalecer nenhum dos tipos de relações, nem resolver nenhuma das espécies de problemas.

Em relação aos problemas políticos, que são os prioritários, a questão é simples e há muito está identificada: o actual comité central liquidou, nos últimos vinte e cinco anos, a base teórica marxista, a base ideológica comunista e a base política revolucionária do Partido e cortou a sua ligação às massas.

O partido comunista foi transformado num partido democrata burguês, destinado a disputar eleições, a eleger um deputadinho e a participar num governo com o PS ou o PSD.

Os dirigentes do Partido nos vários escalões serviram-se do Partido para organizarem a sua vidinha e deixaram completamente de se preocupar com a revolução.

A situação agora está brava, porque a contra-revolução tomou o freio nos dentes e vocês, com uma cobardia inaudita, abandonaram os operários, os pobres e o povo.

Todas as tentativas que fiz nos últimos sete anos, - data da crise económica financeira mundial (2008) – não tiveram grande sucesso, porque os dirigentes do Partido não estavam para ai virados, não estudavam, não lutavam, nem se mostravam preocupados senão com os euros que a europa alemã lhes pudesse proporcionar.

O que esses falsos e hipócritas dirigentes não previram é que essa nova pele reaccionária, que haviam entretanto vestido, iria rebentar com as suas próprias vidas e cortar todas as suas relações com os explorados, os pobres e a revolução.

Enquanto eu me esganhava para recuperar e refundar o Partido, tu e os teus amigos do Comité Central não só não apoiavam as iniciativas tomadas para alterar tudo o que devia ser alterado, mas até ensaiavam uma guerra especial contra o papão, destinada a mostrar que não tinham medo do papão…

Pobres estúpidos!

Pode ser que vocês estejam todos a descobrir agora que, afinal, a força ideológica e política dos revolucionários é também o cimento que fortalece as relações pessoais e familiares!

Não pretendo intrometer-me nas relações entre ti e a tua mulher. Mas a conversa que tive convosco no Verão de 2013, ao almoço, no Porto Santo, foi suficiente para perceber que nem as tuas relações com o Partido nem as relações entre ti e a tua mulher iriam muito longe.

Espero sinceramente que consigas vencer as dificuldades por que me dizes estarem a passar. Mas se casaste com a Sandra sem teres tido a coragem de lhe prantear que o teu sonho supremo era a revolução, as responsabilidades partidárias e o amor à classe operária e aos pobres, cometeste um erro ou um duplo erro: o erro de não teres sonhos revolucionários ou e o erro de não teres coragem de lhe confessar que tinhas ou não tinhas esses sonhos, de modo a que ela ficasse bem ciente do que é que a esperava e pudesse partilhar da tua vida.

É uma questão de lealdade e de seriedade!

Suponho que ainda irão a tempo de corrigir os erros que porventura hajam sido cometidos, até porque me parece que a tua mulher tem qualidades pessoais muito apreciáveis.

Tudo está em saber que sonhos alimentam vocês os dois e se eles são pessoalmente compatíveis em termos políticos.

Relativamente aos problemas económicos por que passas, não vejo como possa discuti-los contigo, quando os meus são incomparavelmente piores que os teus. E eu vivo no mesmo andar onde vivia há cinquenta anos!

Se tens dívidas ao fisco, elas terão de ser pagas. Deves ter um plano para pagá-las e pedir a colaboração dos teus amigos. Por mim, ajudarei no que puder.

Problemas profissionais vais tê-los sempre, enquanto tiveres essa profissão. Não vejo é que esses problemas devam ocupar muito do teu tempo, pois não merecem isso.

Problemas com os filhos resolvem-se por si mesmo, indo cada um para seu lado, e só devem preocupar os pais quando os problemas são de saúde. Aí temos que ajudar em tudo o que pudermos: mas não é um problema; é uma dor ao nível da emoção, do sentimento e do amor. Sei o que é isso melhor que ninguém, mas ainda ando por aqui a lutar comigo para cumprir as minhas tarefas, velho de 76 anos.

Relativamente às tarefas políticas, essas não tenho mesmo ideia de como ajudar-te a resolvê-las, porque a questão é que tu não queres resolvê-las.

Se quando 150 polícias invadem o Bairro da Cova da Moura, tu não sabes o que é que deves fazer, só vejo uma solução: reunires imediatamente o Comité Central ou o Comité Permanente e tomar uma decisão imediata.

Mas o problema da Cova da Moura já devia, quanto ao fundo, ter uma solução política e organizativa tomada e executada há anos.



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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger copiou: Da glória à queda: Garcia Pereira, "anticomunista primário

 

de Paulo Santos Sousa"

PartilharNa mais recente purga do MRPP, a polémica não se fica pelas querelas ideológicas: está em causa saber quem controla o dinheiro proveniente da lei de financiamento dos partidosNa sequência do desaire eleitoral (60 045 votos contra 62 610 em 2011) que, mais uma vez, deixou o PCTP-MRPP às portas de São Bento, Garcia Pereira foi suspenso, juntamente com os outros membros do comité permanente do comité central, acusados de "incompetência, oportunismo e anticomunismo primário". Nas últimas semanas, a luta entre a autoproclamada "linha marxista-leninista", do líder histórico Arnaldo Matos, e a "linha capitulacionista", assim batizada pelos opositores de Garcia Pereira, azedou no seio do partido maoista.A crise no PCTP-MRPP foi desencadeada por uma carta incendiária publicada no jornal online Luta Popular, logo no dia seguinte às eleições. Assinada "Espártaco", exigia a purga dos dirigentes que falharam a missão, apesar de terem "as melhores condições objetivas de sempre para alcançar os seus objetivos políticos imediatos: uma situação política geral de profundo repúdio pela política de austeridade governativa, cerca de 800 mil euros em dinheiro, provenientes da lei de financiamento dos partidos (12 euros por voto obtido nas eleições legislativas de 2011 e durante quatro anos), e um membro do comité permanente do comité central com um programa de televisão semanal na ETV [Garcia Pereira]".Ao mesmo tempo, multiplicaram-se no jornal online do partido os artigos assinados por Arnaldo Matos, de 76 anos, o líder histórico que abandonara formalmente o MRPP há quase quatro décadas. Ao longo dos últimos 30 anos, o advogado madeirense, que ficou conhecido em 1975 como o "grande educador da classe operária" (ver caixa), continuou a ser considerado pelos militantes como um mentor. Mas há muito que, para os media e para os eleitores, o rosto do PCTP-MRPP passara a ser outro advogado: Garcia Pereira.O litígio que agora opõe os antigos camaradas não se deve, unicamente, a divergências políticas. Logo na primeira carta, Espártaco ordenava: "Os atuais responsáveis pelas finanças do partido devem apresentar o relatório e contas de todo o tempo em que dirigiram financeiramente o partido, entregando a pasta à nova comissão no prazo de 15 dias, sem prejuízo de entregar imediatamente à Comissão Financeira as contas bancárias e os dinheiros do partido."No meio da lavagem de muita roupa suja, Sandra Raimundo identifica Espártaco como um pseudónimo de Arnaldo Matos. E faz várias referências a questões financeiras, que terão afinal contribuído para tornar desavindos camaradas com mais de quatro décadas de militância em nome do proletariado.

  • É neste clima de acusações que surge uma ex-secretária de Arnaldo Matos, Sandra Raimundo. Acusada no Luta Popular de "insultar pessoalmente o partido e alguns dos seus militantes nas chamadas redes sociais", é apresentada como sobrinha do dirigente suspenso Domingos Bulhão, "o responsável pelos dinheiros e contabilidade do partido, atualmente sob investigação". A visada escreveu um direito de resposta irreproduzível aqui, mas que foi publicado no blog Insurgente.
  • Embora o cargo de secretário--geral fosse ultimamente ocupado por Luís Franco, sindicalista do metro, a figura mais conhecida daquela força política continuou a ser Garcia Pereira, habitual cabeça de lista às legislativas e à Câmara de Lisboa, além de candidato às presidenciais.
  • Num tom imperativo, a carta exigia, além da suspensão do secretário-geral (Luís Franco) e dos membros do comité permanente, a formação de uma Comissão Política Especial, destinada a preparar um congresso extraordinário. A rematar, duas palavras de ordem: "Viva o partido comunista operário! Morte aos traidores!"
  • A violência verbal subiu de tom e chegou a ser dirigida à mulher e à filha do conhecido advogado lisboeta, que o tinham defendido no Facebook. Garcia Pereira, que ainda a 13 de outubro tweetava um link para um artigo de Arnaldo Matos, acabou por atirar a toalha ao chão: "Informo que, embora com uma enorme mágoa, mas também com a firme convicção de que a história não nos deixará de julgar a todos, me vi constrangido, como única alternativa com um mínimo de dignidade, a apresentar, no passado dia 18 de novembro, a minha demissão", lê-se no comunicado que enviou aos jornais.
  • Um raro momento mediático da campanha do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses - Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP-MRPP) nas legislativas do passado dia 4 de outubro foi a polémica em torno da palavra de ordem "morte aos traidores". Quem diria então que, pouco mais de um mês depois das eleições, o principal rosto daquele partido seria obrigado a apresentar a sua demissão, acusado de... traidor.
  • Pub
  • Paulo Sousa Lopes


publicado por DD às 16:00
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016
Trabalhador Precário - Patrão Precário


No Expresso de Economia de 26 de Novembro é feita a descrição de um grande investimento alemão no alargamento de uma fábrica de pás para eólicas em Aveiro.



O responsável pela fábrica disse ao Expresso que ali em Aveiro não é difícil arranjar pessoal, mas sucede que após poucos anos de trabalho e já especializados os trabalhadores saltam para fora, mesmo para o estrangeiro. Naturalmente que vão ganhar muito mais.



Tenho ouvido queixas do género a todos os nívelis mesmo da dona de um café situado nas minhas vizinhanças que tem muita aparelhagem porque compram tudo congelado e em diveros fornos elétricos fazem pão e outras coisas. Há dias, a mulher do dono queixava-se que uma empregada muito eficiente e expedita resolveu ir-se embora de um dia para o outro sem aviso prévio.  Deveria estar a trabalhar a recibos verdes ou a contrato muito curto. A rapariga vive longe de Lisboa e já ouvi queixar-se que gastava mais de duas horas por dia nesse "trabalho" improdutivo e extenuante que são as deslocações. Arranjou emprego a cinco minutos de casa com mais dez euros que o ordenado mínimo e comida.



O engenheiro de um estaleiro naval contou-me que a sua empresa emprega pessoal subcontratado e que os bons mecânicos de motores diesel navais estavam a faltar, só havia pessoal para limpar, lubrificar e apertar algumas portas e parafusos. Um dia tiveram lá um navio com uma avaria no motor e foram obrighados a pedir ao fabricante escandinavo para mandar dois mecânicos para fazerem a reparação e orientar o pessoal que têm. Estavam preparados para ter um intérprete de inglês e qual não foi o espanto deles, os dois mecânicos que vieram da Escandinávia eram portugueses.



A Auto-Europa resolve o problema do pessoal qualificado mandando-os trabalhar na Alemanha quando em Portugal não tem trabalho para toda a gente porque sabe que um bom montador de carros define a qualidade do mesmo. Há anos comprei um VW Golf em que o bujão da caixa de velocidades estava mal metido e o carro vertia óleo logo no primeiro dia. Fiquei sem o carro durante um mês para substituirem a caixa de velocidades.



Por toda a parte a qualidade do trabalhador é determinante e não são os ordenados mínimos ou quase que proporcionam essa qualidade. São aceites por jovens que querem treino e conhecimentos e depois saltam para fora. Nem é preciso ser cientista ou engenheiro programador de informática. Qualquer bom especialista arranja trabalho em muitos países da Europa e até nos EUA, Canadá, Austrália, etc.



Por isso não pensem os responsáveis pelas Associações Patronais que a Lei do Trabalho determina tudo. Na verdade, não determina absolutamente NADA.




publicado por DD às 22:39
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