Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Opiniões Indicativas sobre a Economia

O Instituto Nacional de Estatística deu a conhecer indicadores económicos bastante negativos em termos de opinião dos portugueses obtida por amostragem.

A situação económica carece de uma explicação séria para evitar confusões. Se me perguntarem que acredito que 2008 será um ano de grande prosperidade e crescimento económico direi que não. E digo não enquanto português como diria enquanto cidadão de qualquer nação do Mundo, mesmo de um país produtor de petróleo, sabendo que o respectivo barril já desceu de um máximo de 100 dólares para os actuais 91 e acredito na descida para uns 75 a 80 dólares acompanhada pela desvalorização do dólar. O alto custo da energia e a problemática do CO2 estão a inquinar qualquer visão demasiado optimista da economia mundial e de qualquer país.

            Não acredito numa grande crise, mas tenho a certeza que este ano será de crescimentos muito reduzidos ou pequenas recessões. Enquanto não se resolver o duplo problema energético e do ambiente, o Mundo estará sempre à beira de uma recessão económica pequena ou média.

 

            Se eu fosse chinês, estaria ainda mais preocupado ao saber que desde meados de 2006 a China perdeu mais de 250 mil milhões de dólares só com a desvalorização da moeda norte-americana, além de ver os seus termos de troca, ou seja, horas de trabalho por dinheiro em quebra. Sabendo-se que os trabalhadores chineses ganham em média 50 cêntimos do dólar à hora na indústria desenvolvida, a perda traduziu-se em 500 mil milhões de horas trabalho deitadas fora, evaporadas, que correspondem ao trabalho anual de uns 250 milhões de trabalhadores chineses. Em termos de trabalho agrícola significa mais, pois os camponeses chineses auferem em média uns dois dólares diários, o que dá 20 cêntimos à hora para as dez horas da sua jornada diária. Para evitar tão grande desperdício, o governo chinês tem de gastar as suas reservas de mais de mil e trezentos milhões de dólares na importação de bens alimentares, equipamentos sofisticados, aviões, etc. A China Comunista com outros países asiático impôs um colbertismo (ou proteccionismo) mundial na base de baixos custos de mão-de-obra associado à política de exportação a todo o transe. Ora, não podem todas as nações do Mundo basear as suas expectativas económicas na exportação, pois iríamos repetir as várias crises económicas do passado que muitos historiadores classificam de crises capitalistas quando são crises de nacionalismos económicos de exploração cambial dos trabalhadores. Exporta mais quem pagar aos seus com uma moeda o mais distante possível do dinheiro na sua total acepção da palavra, isto é, moeda com a qual se possa comprar tudo o que seja necessário.

            Os EUA, tal como os países desenvolvidos, têm os seus mercados saturados e a crise do crédito americano resulta do facto de os que têm necessidades não possuírem dinheiro para pagar as prestações de bens como a casa, e, como tal, não adquirirem novos automóveis ou outros produtos. Por sua vez, os que têm algum dinheiro não necessitam de comprar nada de novo e o anúncio da crise leva-os a não se meterem em novas aquisições.

            Na Europa passa-se quase o mesmo, os mercados estão saturados, mesmo em Portugal, pois basta ver o número de carros e casas que temos e até o gigantesco número de obesos; 52% dos portugueses com mais de 18 anos são obesos ou pré-obsesos e entre os que têm mais de 45 anos são quase 80% os que têm peso a mais. Enfim, temos mais necessidade de andar a pé, imitar o Primeiro Ministro na prática do “jogging” do que comprar carros ou andar muito com eles, o que se traduz naturalmente numa quebra do mercado e sendo o fenómeno europeu ninguém está a ver os países da Europa a crescerem muito. A obesidade pode ser menor no resto da Europa, mas não deixa de ser um problema geral tal como o excesso de carros, casas, auto-estradas, etc.

            Neste momento, o futuro económico depende muito do estado, nomeadamente de uma boa política energética como a que tem seguido o engenheiro Sócrates com o mix eólicas, fotovoltaicas e hídricas e em especial as barragens de retorno nocturno da água à albufeira inicial por meio de bombas alimentadas pela electricidade das torres eólicas.

            Em síntese, não há hoje no Mundo economias independentes, nem a dos EUA e, menos ainda, a do primeiro exportador mundial, a China. A economia mundial cresceu bastante nas últimas décadas, principalmente, no continente asiático com mais de 60% da população mundial e as próprias economias africanas têm crescido, mas a partir de níveis muito baixos. Não há razões nem para optimismos nem para pessimismos acentuados. Há apenas razões para trabalhar com o objectivo de salvar o Planeta, portanto, a Humanidade.



publicado por DD às 21:42
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