Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 23 de Fevereiro de 2008
A Sedes e Portugal

A afirmação bombástica de uma organização há muito esquecida, a Sedes, de que Portugal está à beira de uma crise social faz parte daquilo que podemos designar de “quase notícia”. Não havendo nada verdadeiramente de novo, há uma afirmação de pessoas desempregadas da política e do poder, mas com aspirações. Há pois umas palavras que pouco têm a ver com a realidade e são a notícia do dia.

Portugal vive hoje uma situação de normalidade e esta é também problemática, principalmente para os que querem o poder, sejam da oposição partidária, sejam das oposições internas nos partidos, sejam de fora dos partidos. Há muitos aspirantes e poucos ou nenhuns lugares vagos. Muitos se perfilam para adquirir protagonismos na esperança de virem a serem candidatos partidários ou independentes a qualquer coisa. Para isso, fazem um retrato aterrador da situação portuguesa e, curiosamente, são contra uma certa doença nacional e também são contra todo e qualquer remédio. Gostariam que o paciente estivesse nas suas mãos e consideram isso a solução do problema.

Portugal faz parte de um Mundo ligeiramente doente. As economias estão doentes quando crescem muito, porque o fazem à custa da exploração exagerada do trabalho e ambiente como sucede na China, Índia, etc. e padecem igualmente de alguma maleita quando o crescimento é fraco e induz o aumento da taxa de desemprego. Enfim, as economias não funcionam sem fazer fumo, o trabalhador é consumidor de energias e a concorrência mundial não dá grandes margens de manobra para atingir o óptimo

Para a maior parte das pessoas da Sedes e de outros sectores próximo, o Estado é muito gordo, mas estão contra qualquer cura de emagrecimento e não sabem que o Estado português absorve, mais por cento menos por cento, a mesma parte do PIB que o conjunto dos países da OCDE, o que é dizer que quase todo o Mundo. Um sinal de crise foi precisamente o emagrecimento do Estado com a inerente falta de empregos para muitos licenciados em cursos muito interessantes que só encontram aplicação em certos serviços públicos e quase por favor. Historiadores em muitos institutos de história, sociólogos em serviços de estudo da sociedade, psicólogos nas escolas, serviços públicos, economistas e cientistas políticos em muitos ministérios, juristas por toda a parte, etc., etc. Isto porque as empresas privadas não têm lugar para tantos licenciados não técnicos. A nossa civilização é cada vez mais técnica e pouco humanista.

A economia privada cresceu 2,5% em 2007, enquanto o Estado retraiu-se em quase 2% do PIB. Recordemos que o Estado participa no PIB por via dos salários dos seus funcionários e a quota destes desceu de 14 para 12% vírgula qualquer coisinha. Uma parte importante das despesas do estado são as devoluções à sociedade sob a forma de pensões e os muitos serviços indispensáveis como saúde, educação, segurança, etc.

O País deveria ter um crescimento espectacular, mas este só é possível por duas vias: a da já referida exploração do trabalho, quer do trabalhador da produção e dos serviços, quer do trabalhador intelectual da alta tecnologia e ciência e tudo com uma onda de empreendedorismo enorme. Sucede que a exploração é pouco interessante e susceptível de criar situações de grande conflito social e o empreendedorismo é algo que surge em circunstância muito especiais por sectores. Não se decreta, não surge do saber, apesar de estar relacionado com todo o saber, mas tem a ver com oportunidades que se aproveitam. Portugal tem algumas empresas boas e está a trilhar um caminho lento no que respeita às empresas. Anda tudo a apalpar os mercados e à procura de furos, nichos, espaços de oportunidades. Há muitos ensaios e alguns resultados positivos, infelizmente não tantos como seria desejável, mas quem não realizou pessoalmente esse desejável que atire a primeira pedra.

Por outro lado, o País está relativamente saturado de quase tudo como já tenho referido em muitos escritos. Desde o número de casas aos quilómetros de auto-estrada, ao número de professores que é quase o dobro da média europeia, ao número de médicos, ao parque automóvel, etc. Falta mais indústria e mais agricultura e aqui o empresário dispõe de tudo mas tem de enfrentar a concorrência de todo o mundo.

Portugal é hoje um país de tal modo equipado e que muita gente considera desnecessárias uma série de obras; não querem barragens, aeroporto, pontes, comboios mais rápidos, etc.  Claro, faltam alguns hospitais na zona da grande Lisboa e nalguns locais mais e que estão em vias de entrar em construção. Mesmo na habitação social, está muita coisa feita, quase todos os imensos bairros de barracas dos tempos recentes já desapareceram, mas ficaram os críticos de tudo.



publicado por DD às 00:18
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Fevereiro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28


posts recentes

Euro ou "Bitcoins" Portug...

Mário Centeno: O que caus...

Faaleceru o HOMEM da Libe...

Paulo Silva – O Caçador d...

A Europa tem Medo dos Muç...

Dieter Dellinger: Estalin...

Dieter Dellinger: Portuga...

Dieter Dellinger: A Obesi...

Trump vai nomear um Gover...

Dieter Dellinger copiou: ...

arquivos

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Junho 2016

Maio 2016

Março 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Julho 2005

Junho 2004

Maio 2004

tags

todas as tags

links
subscrever feeds