Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 16 de Março de 2008
Lisboa

 

       Num Blog denominado Bússola surgem ataques cheios de um palavreado ordinário contra Lisboa e o seu chamado centralismo e favoráveis ao Porto, mas sem uma análise séria sob o ponto de vista histórico, geográfico e económico.

           Sem me alargar demasiado,  a minha posição de lisboeta nascido na Estrada de Benfica é a seguinte:

 

A geografia é sempre injusta; coloca um maciço rochoso aqui; uma planície fértil ali, um deserto acolá, etc.

Lisboa é produto de uma geografia particularmente interessante no passado em que não era tão fácil mudar as condições geográficas. Lisboa tem um estuário que lhe permitiu ter um dos maiores portos naturais do Mundo; tem ricos terrenos agrícolas a norte e a sul do Tejo, nomeadamente nas lezírias e possui uma geomorfologia própria em colinas que permitia uma defesa fácil, próxima do mar, mas não tão próxima para que fosse facilmente atacável por piratas e outros inimigos vindos de barco.

            Como é sabido, no passado as cidades marítimas tinha a vantagem de serem pontos de ligação com o exterior, mas continham a desvantagem de serem atacáveis. Ora Lisboa tem uma extensão de rio até chegar ao grande estuário. Nunca foi fácil uma armada inimiga entrar e destruir os navios nacionais e sair incólume. As bombardas colocadas na Torre de Belém e em muitos fortins na Costa, incluindo S. Julião da Barra e Bugio, com um alcance de mais de 250 metros na época dos descobrimentos permitiam uma excelente defesa do estuário.

A costa que vai de Cascais para o Norte e as Arribas da Caparica nunca facilitaram o desembarque de forças inimigas..

Lisboa comunica pois com o Norte do País através de um litoral cheio de bons terrenos que vai até ao Porto e com o interior do Tejo das lezírias e o sul alentejano, tendo ainda uma "filial" geoportuária que é Setúbal e o Rio Sado. Não foi pois, por acaso, que em 1255 Lisboa se tornou a capital do reino.

As Linhas de Torres mostraram que foi possível erguer um bom perímetro de defesa em torno de Lisboa a partir de Torres Vedras com base na sua morfologia geográfica. O Porto teve de construir um porto artificial, Leixões, pois a barra do Douro foi sempre muito perigoso e muitos mais navios naufragaram nessa barra que na do Tejo. Quanto à questão do poder, a realidade é que a maior parte dos governantes do País não eram lisboetas. Um dos poucos lisboetas a ocupar cadeiras do Poder foi Mário Soares e actualmente nem Sócrates nem Cavaco são lisboetas. Os lisboetas não são muito bairristas, pois a maior parte dos habitantes de área urbana não nasceu na capital e votaram maioritariamente pela regionalização do País no último referendo. 

Em termos de logística de transportes, Lisboa com a Península de Setúbal é uma zona privilegiada e não foi por acaso que a Auto-Europa está instalada na Região. Lisboa é uma pequena cidade de 82 km2 (8.200 hectares) com 560 mil habitantes. Mais importante é a área urbana de Lisboa com 1,7 milhões de habitantes e ainda mais importante é a Região de Lisboa e Vale do Tejo que vai de Setúbal a Ferreira do Zêzere com 11 mil km2 e 3,4 milhões de habitantes e um PIB per capita acima da média europeia. Mas, neste aspecto, a RLVT não fica muito atrás da Região do Porto com mais de dois milhões de habitantes e muita indústria também. Não há razão alguma para bairrismo e regionalismos, pois Lisboa foi sempre o espaço em que todo o Portugal se mistura e é a região menos regionalista do País.

Pelas origens dos seus habitantes a Região Urbana de Lisboa é apenas Portugal.

Devo acrescentar que muitos lisboetas são a favor de uma descentralização e desconcentração do muito que há em Lisboa. 

A zona urbana de Lisboa está saturada; a circulação é cansativa e o centro da cidade está despovoado. Lisboa deixou de ser uma cidade interessante pois é um amontoado de cidades satélites com uma péssima urbanização e cheia de problemas. As praias são praticamente inacessíveis no verão tão grande é a multidão de carros que procuram parques de estacionamento.
Os cinemas e teatros de Lisboa ou já morreram ou estão em vias disso.

A Expo é um monstro de cimento, tal como Telheiras e está a acontecer com a Alta de Lisboa.     

           Enfim, salvou-se a Quinta das Conchas e Lilases graças à luta dos militantes de todos os partidos que se empenharam em preservar aquele espaço verde que a CML quis sempre cimentar e roubou um bocado.

           A zona de Cascais é também uma monstruosidade de prédios de uma arquitectura nem sempre bonita.

           Em Lisboa não apetece ir para parte alguma, apesarda sua enorme beleza. É cidade para ir apenas ao café da esquina. 




publicado por DD às 19:50
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5 comentários:
De Antonio A Felizes a 17 de Março de 2008 às 03:56
Dada a temática abordada, tomei a liberdade de publicar este seu "post", com o respectivo link, no blog

Regionalização
.
http://regioes.blogspot.com
.

Cumprimentos


De DD a 18 de Março de 2008 às 07:47
Caro António Felizes,

Agradeço o facto de colocar o texto no seu interessante blog "regiões".
O assunto tem sido discutido no Clube "Margem Esquerda" com o Fonseca Ferreira, pelo que haverá matéria para discussão para depois da Páscoa.
D. Dellinger


De Pedro Menezes Simoes a 17 de Março de 2008 às 10:52
Caro DD, não ligue ao Bússola. Infelizmente, os seus autores optaram por desperdiçar o capital de notoriedade do blogue para devaneios pouco construtivos. E, há que dizê-lo, os comentários hooliganísticos que lá se fazem dão um tom ainda mais agressivo aos Posts.

Aliás, o bussola diz que aponta sempre para o norte, mas aponta sempre para o próprio umbigo, no Porto.

Há seguramente blogues / autores mais construtivos no norte que, sem deixar de protestar com o Estado Central, o sabem fazer de forma moderada e construtiva (perdoe-se um ou outro excesso, pois faz parte da natureza humana). Recomendo-lhe o Norteamos (do qual faço parte), a Baixa do Porto (porto.taf.net), o Blogminho, o Regionalização.

De resto, parabéns pelo texto, que reflecte o que penso. O desenvolvimento desequilibrado do país, apenas beneficia uma pequena elite em Lisboa, mas globalmente tem sido esta a apenas tem prejudicada. O custo de vida inflaccionado (nomeadamente na habitação) é um peso enorme para as classes mais baixas. A pressão populacional descontrolada tem estado a destruir a qualidade de vida da cidade.

"Disclaimer": Vivi em Lisboa durante 3 anos. O Ano passado regressei ao Porto.


De DD a 18 de Março de 2008 às 07:54
É verdade caro amigo. Nem tudo são rosas em Lisboa, a começar pelo custo de vida.
Basta sair um bocado de Lisboa e ir às Caldas da Rainha, Leiria, etc. para adquirir uma série de bens mais baratos que em Lisboa.
Até reparações de carros, relógios, etc.

Mesmo assim, com todos os defeitos, eu não trocaria a Lisboa em que nasci por outra cidade qualquer do Mundo. Mas, é natural, gostamos sempre da terra que nos viu nascer e até os tuaregs gostam do seu deserto saariano como observei em Tinduf quando lá fui com o Otelo Saraiva de Carvalho para dar apoio moral à Frente Polisário.
Dieter Dellinger


De Hilário Godinho a 7 de Maio de 2008 às 17:14
Peço Asilo Político, Je demande Asile Politique, Ich verlange politisches Asyl, I ask for Political asylum
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Resistência Portuguesa Militar e Civil Anti Pide/D.G.S.E. -----

Liberdade, Democracia, Justiça, Imprensa, Direitos Humanitários. Sim.
Ditaduras, PIDE/D.G.S.E., Tortura, Fome, Corrupção. Não Obrigado.
Peço Asilo Político, Dinheiro, Doente e Invalido com Fome em Tribunal com Dívidas.
Enviar dinheiro para a Anti Pide/D.G.S.E..
Sr. Godinho --- Dornacherstrasse, 245 --- CH 4053 Basel --- Suisse. -----

Se não pode impôr a paz, pode convencer pelo exemplo. -----

Peço Asilo Político. -----

Donativos para a Resistência Portuguesa Militar e Civil Anti Pide/D.G.S.E..
Hilário Vicente Rosa Godinho --- Conta de Épargne UBS CHF --- Nº conta 233-691451.M1F --- Nº de cliente 233-691451 --- Iban CH21 0023 3233 691451M1F --- SWIFT Adresse (BIC): UBSWCHZH80A --- UBS AG --- Postfach, CH
4053 Basel --- Suisse. --- Ou --- Sr. Godinho --- Dornacherstrasse, 245 --- CH 4053 Basel --- Suisse. ---
Telefone: 0041 765 450 994. Comuniquem na Imprensa Mundial. Eu falo Português, E também Francês. -----
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Peço Asilo Político, Je demande Asile Politique, Ich verlange politisches Asyl, I ask for Political asylum
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Résistance Portugaise Militaire et Civil Anti Pide/D.G.S.E. -----

Liberté, Démocratie, Justice, Presse, Droits Humanitaires. Oui.
Dictatures, PIDE/D.G.S.E., Torture, Faim, Corruption. Non Merci.
Je demande Asile Politique, l'argent, le malade et l'invalide avec la faim devant le tribunal avec des dettes.
Envoyer argent pour l'Anti Pide/D.G.S.E..
Mr. Godinho --- Dornacherstrasse, 245 --- CH 4053 Basel --- Suisse. -----

Si ne peut pas imposer la paix, peut convaincre par l'exemple. -----

Je demande Asile Politique. -----

Donations pour la Résistance Portugaise Militaire et Civil Anti Pide/D.G.S.E..
Hilário Vicente Rosa Godinho --- Compte d'Épargne UBS CHF --- Nº de compte 233-691451.M1F --- Nº de client 233-691451 --- IBAN: CH21 0023 3233 6914 51M1F --- SWIFT Adresse (BIC): UBSWCHZH80A --- UBS AG --- Postfach, CH 4053
Basel --- Suisse. --- Ou --- Mr. Godinho --- Dornacherstrasse, 245 --- CH 4053 Basel --- Suisse. ---
Téléphone: 0041 765 450 994. Communiquent dans la Presse Mondiale. Je parle Portugais, Et aussi Français. -----

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