Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Terça-feira, 1 de Abril de 2008
A Fome Soviética de 1933

 

 

De acordo com um comunicado da agência noticiosa russa Novostni, o parlamento da Federação Russa aprovou ontem uma declaração sobre a grande fome na União Soviética em 1932 e 1933; portanto há 75 anos.

O povo russo, através dos seus deputados eleitos recorda a imensa tragédia estalinista que levou à morte mais de vinte milhões de cidadãos por causa de uma quebra brutal na produção de alimentos.

Segundo os parlamentares russos, a origem da fome que se verificou mais nos campos que na cidade, foi provocada pela apressada e desorganizada colectivização da terra em que o poder comunista destruiu as bases da agricultura russa sem ser capaz de organizar a nova produção. De resto, a fome permaneceu mais ou menos endémica na URSS durante a vigência do regime. Digamos, mais uma continuada escassez de alimentos essenciais do que verdadeira fome.

O Parlamento Russo, na sua declaração, rejeita, contudo, que a “grande fome” de 1932/33 tivesse tido como objectivo liquidar o povo ucraniano, cujo estado soviético e independente tinha sido conquistado a mando de Lenine pelo exército vermelho russo nos anos vinte.

Tendo então sido a Ucrânia o grande celeiro do Império Russo, foi aí que as forças bolcheviques capturaram todos os alimentos, principalmente os cereais, não deixando e não distribuindo sementes para novas culturas. Com isso, a produção de cereais desceu brutalmente e nem ficou algo para o gado. Os parlamentares russos afirmam na declaração oficial que o mesmo aconteceu em muitas zonas da Rússia, nomeadamente nas terras banhadas pelo Rio Volga, na Crimeia, na Sibéria Ocidental, no Cáucaso, na Crimeia e tanto no Casaquistão como na Bielo-Rússia.

Efectivamente, o ex-Império Russo era imenso, mas sem sementes não há produção. O Partido Comunista da União Soviética não foi capaz de aprovisionar o sector agrícola colectivizado com as sementes, adubos e alfaias agrícolas necessárias, o que antes não representava qualquer problema porque os agricultores faziam-no por si próprio. E tratavam-se ex-Mujiques (trabalhadores agrícolas) a quem tinham sido distribuídas terras, mas recusavam a vender os seus produtos a custos inferiores aos da produção como pretendia o poder Estalinista. Para satisfazer a gula dos funcionários de Estaline tinham de entregar toda a produção, incluindo o que deveria servir para a sua alimentação e para as sementeiras do ano seguinte.

 Na altura, os territórios agrícolas soviéticos eram imensos, pelo que 80% do território podia ser cultivado, daí que uma conhecida economista do fim da era soviética tenha afirmado que a colectivização não foi da terra, mas sim dos trabalhadores que ficaram sem liberdade amarrados às unidades colectivas de produção como verdadeiros escravos. E foi com essa escravatura que se realizaram os primeiros planos quinquenais que incluíram obras monstruosas e completamente inúteis como canais que permitem navegar do Mar Negro ao Oceano Glacial Ártico e que gelavam durante metade do ano quando o camião e o comboio podia transportar mercadorias durante todo o Inverno.

 

 

 



publicado por DD às 18:57
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