Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 13 de Abril de 2008
O Resgate do "Le Ponant"

 

         O “Le Ponant” é um magnífico e luxuoso navio à vela e motor para cruzeiros de luxo, propriedade da companhia CMA-CGM de Marselha e explorado pela “Compagnie des Illes du Ponant” que opera mais dois navios de cruzeiro de luxo, ou seja, o “Le Levant” e o “Le Diamant”. Mede 80 metros de comprimento e dispõe de 32 cabines para 64 passageiros e uma tripulação de 32 homens e mulheres. Um cruzeiro num navio destes deve ser, sem dúvida, uma das mais agradáveis maneiras de navegar nos mares do nosso Planeta, só acessível a quem tem uma boa conta bancária.

         O navio regressava das Ilhas Seychelles e navegava ao largo de Adem, a uns 300 km da costa, quando foi abordado de surpresa por uma embarcação com 10 a 12 piratas bem armados com as habituais Kalashnikovs AK-47 e o lança-granadas RPG-7 originários da região semi-autónoma de Putland no Sul. A Marinha de Guerra Francesa tem sido parca em pormenores, mas foi logo avisado e o “Le Ponant” passou a ser seguido do ar um avião de observação francês da base de Djibuti e depois por um Aviso “Le Comandant Bouan” que estava em operações de apoio às forças da Nato no Afeganistão.

         O facto de o “Le Ponant” não levar passageiros tem a ver com o custo dos seus cruzeiros, pelo que recebe, por exemplo, nas Seychelles, turistas que viajaram de avião e fazem aí pequenos cruzeiros de dias ou uma semana apenas. De resto, o “Le Ponant” deveria receber passageiros em Malta para um pequeno cruzeiro no Mediterrâneo.

         Já na costa somali, o armador do navio e as autoridades francesas que estiveram sempre em contacto com os piratas negociaram um acordo de 1,3 milhões de euros que foram entregues num porto da Somália em troca da libertação dos reféns e do navio.

         Logo de seguida os comandos franceses desembarcaram de helicópteros e foram em perseguição dos piratas, conseguindo deter seis deles com cerca de metade do dinheiro do resgate. Um membro do governo regional do local diz que três pessoas terão perdido a vida quando os helicópteros se aproximavam dos piratas, disparando rajadas de metralhadora. Os franceses negam o facto, o que não significa que não seja verdade. Os piratas vão ser levados à justiça francesa para julgamento. O general Jean Louis Georgelin  comandou a operação com utilização de comandos e helicópteros que saíram de Djibuti e ainda com o apoio acrescido da fragata Jéan-Bart. Logo que os piratas libertaram os reféns e procuravam fugir com o saco do dinheiro os hélios franceses iniciaram a perseguição aos veículos, disparando tiros de intimidação, pelo que não atingiram gravemente nenhum dos piratas que não passavam de pescadores somalis. Um dos hélios aterrou frente a uma das viaturas e os seis piratas renderam-se. Enquanto parte da tripulação do “Le Ponante” se abrigou na fragata Jéan-Bart, o “Le Ponant” foi tomado pelos marinheiros franceses e, bem protegido, navega no Mar Vermelho a caminho do Mediterrâneo.

         De acordo com o general Georgelin foram recuperados alguns sacos “interessantes”, provavelmente com cerca de metade do resgate e esse dinheiro não era público, mas sim do operador do navio.

         Curiosamente, a zona norte da Somália, Puntland,  praticamente autónoma, e que foi a antiga Somália Britânica tem sido uma zona calma sem conflitos locais e aparentemente sem dar origem a actos de pirataria.

         De qualquer forma foi uma operação muito bem sucedidas, mas das poucas. Pois na costa Somali têm-se verificado muitos casos de pirataria e impõe-se aí como no estreito de Malaca que a Comunidade Internacional estabeleça uma força anti-pirata, como pediu o primeiro-ministro  francês François Fillon durante a sua recente visita a Tóquio.

         O IMO (INternational Maritime Bureau) revela que em 2007 se registaram 24 casos grave de pirataria por parte somalis. O ataque ao “Le Ponant” foi o segundo em dois dias e o número de actos de pirataria elevou-se em mais de 10% em 2007, relativamente ao ano transacto.

         A Marinha Alemã chegou uma ou mais unidades a vigiarem a costa somali. Não sei se abandonaram a tarefa ou não. De qualquer forma, as marinhas europeias possuem fragatas com hélios em tais quantidade que podem disponibilizar rotativamente uma permanência de umas seis fragatas naquela costa e outras tantas no Estreito de Malaca, no qual as marinhas de Singapura, Indonésia e Malásia vão já fazendo algum trabalho, aparentemente não de todo eficiente, o que sofreria uma alteração com a presença de navios europeus.

Fragata Jéan-Bart – um poderoso escoltador de esquadra e lançador de mísseis anti-aéreos “Crotale” e anti-navio “Exocet”. O deslocamento máximo é 4.500 toneladas, sendo movido por turbina “Olympus” que permitem atingir os 30 nós e motores diesel “Pielstick” para velocidades de cruzeiro dos 17 aos 21 nós. Também está equipado com uma peça automática de 100 mm igual às usadas pela marinha portuguesa e leva 40 mísseis SAM (SM-1) americanos, 12 Sadral SAM, todos anti-aéreos. Os seus sistemas são extremamente eficazes contra mísseis de cruzeiro razante e contra aviões. Só não possui muito armamento anti-submarino por sercada vez menor a ameaça global submarina. Como as fragatas portuguesas leva 1 helio Linx.

 

Aviso “Commandant Bouan” ou Corveta da Classe A 69. Data de 1984 e tem um deslocamento máximo 1250 toneladas. A velocidade máxima é de 23,5 nós e percorre 4.500 milhas a 15 nós. Está armado com dois lançadores de mísseis Exocet M 38, 1 peça automática de 100 mm igual à utilizada pela marinha portuguesa, 4 catapultas para torpedos anti-submarinos e algum armamento menor. A guarnição é de 105 militares, estando o navio perfeitamente equipado para operar em águas tropicais.

           


publicado por DD às 19:55
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