Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Terça-feira, 10 de Junho de 2008
Mais vale acender uma vela que chorar pelo escuro

 

 

 

            Um dos piores defeitos dos humanos é sem dúvida a tendência para arranjar bodes expiatórios e acusar uns e outros de todos os problemas e desgraças que nos acontecem a nós, humanos imperfeitos e nem sempre suficientemente “sapiens”. Foi assim com as epidemias do passado e até com os terramotos. No Portugal de 1755, a Santa Inquisição ainda arranjou uns culpados para queimar em sofrimento atroz nas suas fogueiras. Hoje, apesar da nossa pretensa civilização, a loira muito “inteligente” Sharon Stone disse que os chineses estão com um mau “karma” por tratarem mal o Tibete e daí os terramotos que têm sofrido.

            Vem isto a propósito do aumento do preço do petróleo que muita gente teima em ver apenas especulação e impostos quando se trata de um problema muito mais fundo, ou seja, de mais de 6 a 10 mil metros de profundidade. É que a essa distância da superfície parece que há bastante petróleo, principalmente no mar a mais de 250 km das costas como acontece com as recentes descobertas ao largo de Santos no Brasil, mas de extracção caríssima. O mesmo acontece com o muito petróleo existente no Canadá, Venezuela, EUA e outros países misturados com lamas e xistos, cuja extracção é cara e consumidora de muita energia, dado que o material rochoso terá de ser aquecido a temperaturas elevadas para dele se extrairem os hidrocarbonetos.

            Mas, se as descobertas vão permitir um consumo mundial de mais de 130 milhões de barris a partir dos 2025 é problemático. Actualmente a produção anda pelos 85 milhões de barris e o consumo deveria estar sem grandes aumentos nos 87 milhões. Com a alta de preços, o consumo tende a descer para o nível da produção ou mesmo abaixo. Nesse caso, é provável que o preço desça um bocado e tem descido ligeiramente nos últimos dias. Ver o Painel do Petróleo que dá o preço do “crude” logo após qualquer alteração.

            Os actuais poços de petróleo estão a esgotar-se com uma redução de 8% ao ano na produção e o aparecimento de novos poços está a um nível inferior aos necessários oitenta e sete milhões de barris diários e mais no futuro, dado que a procura está a aumentar a 1,5% ao ano, graças ao consumo ainda reduzido da China, Índia e outros países emergentes.

            A oposição teima em obrigar o Governo a descer o Imposto sobre os Combustíveis quando isso seria facilitar um problema geral que um Governo de então reconheceu como existente há mais de dez anos quando iniciou os gigantescos projectos das energias renováveis com 3 mil aerogeradores já instalados e as duas maiores centrais de produção de electricidade fotovoltaica do Mundo. São essas as velas que se acenderam e devem continuar porque ainda só produzimos 42% da electricidade que consumimos a partir das renováveis, o que significa um recorde europeu e um avanço muito grande relativamente à meta de 39% proposta pela EU para 2010. Portugal ambiciona chegar muito mais longe, projectando investir muito em dez novas barragens. De Janeiro a Março deste ano, a electricidade de origem eólica ultrapassou a produzida nas barragens.

            Portugal é hoje o segundo maior produtor per capita de electricidade de origem eólica e o quinto mundial em volume, logo a seguir à Dinamarca, estando a tornar-se numa potência industrial do sector com capacidade para produzir as gigantescas pás em plásticos reforçados por fibras de vidro, torres, equipamento eléctrico de transformação, rectificação e geradores eléctricos, além de material mecânico diverso.

            Para além das centrais eólicas e produção de painéis fotovoltaicos, incluindo o filme fino voltaico mais barato. Muitas indústrias nacionais estão cheias de entusiasmo a desenvolver e inventar novos métodos de produção de electricidade a partir do sol, havendo quem tenha inventado novos sistemas da base da concentração do calor por meio de espelhos. E na biomassa, o INETI está a trabalhar activamente em novos modelos de produção de metano de origem orgânica, nomeadamente a partir de certas algas.

            Enfim, as velas estão acesas, não há necessidade de chorar por estar escuro.

 



publicado por DD às 23:39
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