Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 31 de Maio de 2008
Manuela Ferreira Leite

       

 

No seu discurso de vitória, a Drº Manuela Ferreira Leite colocou-se como oposição de esquerda ao governo do PS com a afirmação de insensibilidade social de Sócrates. Manuela segue assim as críticas do PCP, BE e CDS, sem qualquer inovação. Todo o firmamento partidário pretende caçar votos ao PS com a questão social, no que tem sido acompanhado por toda a comunicação social, tanto da parte de jornalistas de jornais de direita como dos mais neutros, já que não existem meios de comunicação de esquerda. E acrescente-se ainda a tradicional posição dos sindicatos que vai subindo de virulência conforme nos aproximamos das eleições.

            Portanto, todo o País informativo, e política- e sindicalmente organizado reclama uma nova política social do PS.

            O Governo de Sócrates não tem outra alternativa senão fazer a vontade ao País e ir mais ao bolso dos magnatas da comunicação social, por exemplo.

            Mas, Sócrates tem um problema grave a resolver. É que ele não é o proprietário e administrador de uma empresa chamada Estado que pode ou não dar umas coisas. Ele é simplesmente o gestor dos impostos dos portugueses e tudo o que é dada é tirado. Ele pode dar muito, tirando muito agora ou deixar para depois com défices e inerentes empréstimos que serão sempre pagos pelos contribuintes com todos os juros possíveis. Nunca poderá pois fazer duas coisas em simultâneo como é exigido pela oposição: reduzir os impostos e fazer uma política muito vasta e abrangente que inclua as próprias classes médias. Também nunca poderá evitar as consequências da subida do petróleo bruto, as quais tem incidência na balança de pagamentos do País e, nas bombas de abastecimento ou fora delas, serão sempre os portugueses a pagar os novos preços do barril pois tudo o que entra em Portugal é para ser pago pelo respectivo preço, gostemos ou não.

            O PS tem estado a recuar. Sócrates substituiu o Ministro da Saúde, cuja obra de reestruturação do Serviço Nacional de Saúde era notável, mas as poucas manifestações contra ela tiveram um grande relevo televisivo e um enorme impacto junto de todos os portugueses que começaram a sentir que todos os hospitais e centro de saúde iriam fechar. Também recuou um pouco nalgumas reivindicações dos professores que não querem ser avaliados e até na questão das promoções e carreiras dos funcionários públicos e não poderá deixar de mexer um pouco mais nas reformas, salários mínimos, ordenados da função pública, etc., seguindo os inteligentes avisos e conselhos das oposições, sindicatos e comunicação social.

            Com esta oposição e estes recuos naturais, Manuela Ferreira Leite até pode ser eleita Primeira Ministra em 2009, mas terá uma herança terrível, pois o Governo pode vir a fazer aquilo que ela RECOMENDA agora, mas que, de certeza, no poder não poderá concretizar, principalmente se o petróleo continuar a subir e chegar mesmo aos 200 dólares como vaticinam alguns especialistas para 2009.

            Com 70 anos de idade, Manuela Ferreira Leite não terá energia suficiente para resolver aquilo que não tem mesmo solução. Portugal com mais sensibilidade social, o que incluirá a descida artificial dos combustíveis, poderá ter de vir a gastar em 2009 mais de 16 mil milhões de Euros com os 80 milhões de barris de petróleo que importa  para uso dominante nos meios de transporte, já que as cimenteiras e as centrais térmicas utilizam um combustível pesado que não passa do resíduo da refinação do petróleo bruto para obter etilenos, gasolinas, gasóleos e óleos lubrificantes e que se não fosse utilizado teria de ser vendido para fora a preços de saldo ou deitado fora, pois com as renováveis temos cada vez menos necessidade desse resíduo.

            Ela tem duas alternativas: fazer uma oposição férrea de esquerda tipo Jerónimo de Sousa e transmitir a falsa ideia de que não estamos metidos numa crise mundial e ganhar eleições, mas depois não terá mesmo meios para governar e fará como Durão Barroso, abandonará rapidamente o Poder, ou então fará uma oposição mais séria e poderá ou não ganhar eleições, mas se o conseguir terá alguns meios para chegar ao fim do mandato com 73 ou 74 anos de idade, sem, naturalmente, ter idade para um segundo mandato, até porque a crise dos recursos do Planeta veio para ficar por muitos anos, a não ser que se concretize rapidamente o tal motor a água do mar que me refiro num post anterior.

 

            Nota: Curiosamente ouvi o Dr. Morteira Nabo na TSF de ontem. O bastonário da Ordem dos Economistas referiu-se à capacidade dos decisores políticos portugueses que mandaram construir a gigantesca conduta que traz água da Barragem do Castelo de Bode para a Grande Lisboa, permitindo que o consumo de água tivesse passado dos 200 milhões de metros cúbicos das décadas de setente e oitenta com grandes interrupções durante o verão para os actuais 800 milhões com possibilidade de crescer para os mil milhões. Ele comparou isto com o caso de Barcelona que importa água em navios tanques, estando mais próxima das Barragens dos Pirinéus que Lisboa do Castelo de Bode.

            No “El Pais” tenho lido que no verão muitas cidades espanholas têm falta de água, incluindo Madrid, e recordo aqui que o Algarve está hoje bem fornecido, incluindo a zona para onde costumo ir, perto de Monte Gordo, enquanto do outro lado da fronteira tenho visto cartazes a pedir para se poupar água e proibições de regas de jardins, etc.

            Conclusão minha: os espanhóis podem ter a gasolina e o gasóleo mais barato, mas não têm água mais barata nem em quantidade suficiente, excepto nas regiões chuvosas do País Basco, Galiza, Astúrias e Navarra. Em Madrid nunca bebi água da torneira porque me pareceu intragável.



publicado por DD às 21:47
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