Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sexta-feira, 20 de Junho de 2008
Afeganistâo: A Guerra que a NATO não consegue vencer.

 

            A guerra do Afeganistão na chamada fase Nato após a invasão ocidental já dura há seis longos anos. É cada vez mais a guerra que a NATO não é capaz de ganhar, pois como escreveu o general Ruppert, referindo-se às potências industriais em guerra: “sem uma vitória rápida e decisiva, o emprego da força maciça não tem utilidade”. A guerra, diria eu, é saber onde empregar o fogo, o equivalente do golo no futebol, e quando não se sabe para onde ir, a guerra está perdida.

            Os talibans conseguiram uma vitória memorável quando na semana passada entraram na segunda maior cidade do país, Kandahar, e atacaram a prisão, libertando mil prisioneiros, enquanto a norte dessa cidade, uns 600 talibans ocuparam uma série de aldeias e vilas.

            As velhas Kalashnikov AK-47 e os lança-granadas RPG-7 estão a levar a melhor às armas bem mais modernas da ISAF (Força Internacional da Nato no Afeganistão), incluindo a poderosa G-36 empunhada na foto por uma militar alemã que na vida civil é uma funcionária pública. O que estará ela a fazer no Afeganistão? A posar para umas fotos, isso mesmo.

            Tropas de muitas nações ocupam o Afeganistão e estão neste momento a travar combates ferozes perto de Kandahar em perseguição dos talibans, enquanto a norte, junto à fronteira com a China na zona do Pamir, esconde-se o famoso Bin Laden e o seu estado-maior, obviamente apoiado pela China que no seu lado da fronteira, província de Xinjiang, combate o Movimento de Libertação do Turquistão do Leste, algo que terá sido formado pela CIA e pelos serviços secretos turcos para combater a China, mas sem qualquer confirmação oficial e sabe-se de fonte chinesa que não é necessariamente verídica.

            Naquelas paragens toda a gente tem motivos para combater seja quem for e a China sempre conheceu movimentos islâmicos turcomanos de resistência ao seu poder que é estranho àqueles povos de origem e fala turca. Não é pois de admirar que Bin Laden esteja na própria China e daí ser inacessível às forças da NATO e, talvez, interesse à China apoiar a resistência à NATO, mas o mais discretamente possível.

            De resto, a China conseguiu criar uma pequena NATO sua que dá pelo nome de SCO-Shangai Cooperation Organization, sendo formada pela China, Federação Russa, Casaquestão, Quirquizistão, Tajiquistão e Usbequistão. O objectivo era juntar forças em comum para combater o terrorismo e reduzir tensões fronteiriças resultantes da presença de muita tropa, principalmente russas. Sendo uma Aliança poderosa, a SCO pretende ter uma palavra a dizer na região e, talvez, os seus exércitos venham um dia a substituir os da NATO, pois o fundamentalismo islâmico dos talibans não é do agrado da China, a não ser que tenham firmado um pacto com Bin Laden para o proteger a troco de imunidade nos territórios dos referidos países da SCO.

            As forças da NATO totalizam actualmente uns 60 mil homens que apoiam mais de 100 mil homens do exército do presidente Amir Kazai, cada vez mais apelidado de presidente da autarquia de Kabul, pois os talibans dominam mais de 60% do território, principalmente a sul e deslocam-se no resto sempre que lhes apetece. No Sul, os combates tornaram-se violentíssimos com muitas perdas de vida de soldados da NATO. Ao todo acredita-se que já morreram mais de 13 mil homens, sendo a maior parte deles talibans, o que não impede que o recrutamento forneça tropas frescas aos talibans que esperam entrar um destes dias em Kabul quando a NATO se cansar da guerra.

            Os generais da NATO não foram treinados nem estão preparados para as guerras de povos, apesar de terem participado nalgumas, nomeadamente na antiga Jugoslávia, mas aí a geografia é já industrial, o que permite uma guerra destrutiva, enquanto no Afeganistão faltam objectivos. As montanhas altas, a paisagem desértica e as inúmeras grutas não são objectivos e, menos ainda, as paupérrimas aldeias de famílias islâmicas, provavelmente algo favoráveis aos talibans, mas sem que se saiba ao certo. Os talibans não usam fardas e vestem-se como os aldeões; as tropas da NATO tem de esperar que disparem para saberem se são inimigos.

            Os americanos estão convencidos que estão no Afeganistão e no Iraque a fixar os terroristas a campos de batalha distantes dos territórios ocidentais e assim a proteger europeus e americanos. Pode ser, mas resta saber qual a eficácia final do bombista suicida e do portador das AK-47 e RPG-7 e se está a impor à NATO um combate nos seus termos em que o alvo é sempre invisível para o Ocidente e altamente visível para os guerrilheiros.

            De qualquer modo, é evidente que aqueles aldeões talibans que combatem a NATO nunca seriam terrorista para atacar Nova Iorque, Londres ou Madrid. Aí, o terrorista está dentro e até nasceu nos países dessas cidades e é bem visto pela vizinhança, tendo mesmo frequentado as universidades locais.

            No Afeganistão, o que sucede é que está a falhar a táctica de substituir a guerra de ocupação por uma guerra civil, apoiando uma dada força política nacional e aliada como é a do exército do norte que ocupou Kabul depois da frente taliban ter sido bombardeada com as bombas de 9 toneladas americanas, a maior bomba convencional que alguma vez existiu nos arsenais bélicos.

            Enfim, após seis anos de guerra ocidental no Afeganistão, a NATO está quase na mesma situação dos soviéticos quando combateram anos a fio para apoiar um governo comunista em Kabul. Lutaram com um Bin Laden, armado e financiado pelos americanos que agora têm de combater esse seu antigo aliado para um dia passarem o combate para os chineses. Parece que ninguém aprende alguma coisa com as guerras perdidas deste nosso pequeno planeta.

 

 

 

 O blindado da aldeia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Forças de 14 paíse lutam no Afeganistão, se contarmos com quase insignificante presença portuguesa.

 



publicado por DD às 23:39
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