Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Rússia: Velhos soldados com material antigo

 

Míssil anti-tanque Spyke israelita também em uso no exército da Geórgia.

 

 

 

Nas imagens televisivas e fotográficas do exército russo na Geórgia salta à vista a “velhice” dos seus soldados, aparentemente tão ou mais velhos que os seus tanques T-72 modelo de 1971 com peça de 125 mm e as suas “Avtomat Kalashnikova Model 1974”. Homens com 35 a 40 anos em material da mesma data em termos de modelo ou mesmo de fabrico e oficiais com muito cabelo branco. Trata-se do resultado de as Forças Armadas russas serem constituídas em grande parte por profissionais e terem um serviço militar obrigatório de 12 meses, o que não dá para criar verdadeiros especialistas, mas permite mobilizá-los e continuar a sua preparação durante algum tempo em escolas de armas.

Os velhos T-72 fazem muito barulho e expelem muito fumo dos seus motores diesel de 12 cilindros e 500 cavalos, o que é pouco para fazer andar uma máquina que pesa mais de 40 toneladas. Os “poderosos” canhões de 125 mm provocam geralmente um recuo muito forte que parte as transmissões se for disparado a andar e engrenado. O comandante do tanque dá duas vezes a ordem de fogo. A primeira é para o motorista desengatar a caixa de velocidades e a segunda para o atirador disparar.

São visíveis nas imagens, as velhas torres redondas em aço vazado ou fundido sem a laminagem frontal de alguns modelos mais modernizados. Os georgianos usam os mesmos tanques de fabrico ucraniano, mas cobertos com “tijolos” de um material reactivo que ao receber um impacto de bala de canhão ou míssil reage explosivamente em sentido contrário para reduzir a pressão sobre a blindagem do tanque.

Os tanques são extremamente vulneráveis aos excelentes mísseis israelitas anti-tanque “Spyke” que podem ser auto-dirigidos ao alvo ou filo-guiados pelo atirador. De resto, perante a eficácia deste tipo de míssil e de outros, os próprios israelitas pretendem deixar de possuir tanques, tendo mesmo cessado a produção dos seus notáveis tanques “Merkva”, tidos como dos melhores do mundo. Claro, mesmo com esses mísseis, utilizados a pé pelos georgianos ou numa viatura blindada de fabrico turco “Cobra”, a diferença em termos de concentração de fogo é imensa da parte da Rússia, principalmente devido ao poder da sua força aérea comparada com a quase inexistência de arma aérea da Geórgia, limitada a pouco mais de vinte aviões subsónicos de ataque ao solo.

 

            Tanto o exército russo como o georgiano utilizam a Kalashnikova AK-74M, uma excelente modernização da velha AK-47, a arma que mais gente matou em toda a História da Humanidade e sem ter entrado numa guerra mundial ou de grande escala. A AK-74M foi uma resposta soviética à redução de calibre das armas da Nato, pois dispara uma bala de 5,45 mm com um alcance letal de 1.350 metros e foi introduzida nas forças soviética em 1974, sendo já a arma mais utilizada no Mundo por ter sido adoptada pela Rússia, Ucrânia, China, Índia e muitos outros países ex-soviéticos e do Terceiro Mundo.

 

 

A Rússia possui umas forças armadas com 1 milhão e 37 mil homens e anunciou que foi atacada pela Geórgia, cujas FAs se limitam a 32 mil homens organizados em cinco pequenas brigadas de infantaria, uma de artilharia e uma de blindados.

Além disso, a Federação Russa abrange 17 milhões de km2 de terra com a linha mais longa entre leste e oeste de 8 mil km. A Geórgia compreende 52 mil km2, um pouco mais de metade de Portugal. Enquanto que os russos são 145 milhões, os georgianos andam pelos 4,9 milhões.

 

Enfim, a Guerra do Cáucaso parece ser a da formiga contra um velho paquiderme.

 

 

 

                    T-72 com os “tijolos reactivos” do exército da Geórgia

 



publicado por DD às 00:13
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