Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008
Estará a "Bolha Petrolífera" a rebentar?

 

            É espantoso que o barril de petróleo tenha descido hoje para 111,18     dólares, no momento em que escrevo, apesar do tufão Gustavo ter levado ao fecho das plataformas petrolíferas americanas do Golfo do México e estar outro em formação. Além disso, os acontecimentos na Geórgia não tiveram grande influência, mesmo com as forças russas em cima dos dois oleodutos que atravessam a pequeníssima República caucasiana com apenas 51 mil quilómetros quadrados. Esses oleodutos trazem o petróleo do Azerbeijão (Baku no Mar Cáspio) para a costa mediterrânica da Turquia e para o Mar Negro. Mesmo assim, as cotações do “crude” não param de descer, estando agora mais barato em cerca de 35 dólares relativamente ao seu máximo de há pouco mais de um mês.

            Segundo a revista “Der Spiegel”, o grande contributo para a queda do preço do barril foi dado por uma redução mundial no consumo com particular incidência nos EUA, cujo consumo diário sofreu uma quebra de quase 900 mil barris. Saliente-se que os americanos gastavam mais de 4 milhões de barris por dia. Esta redução de consumo nos EUA foi realizada pela população sem que a Administração Bush tenha tomado qualquer medida, tanto no sentido de economia de combustível como no incitamento ao desenvolvimento de alternativas energéticas, o que não deixa de nos admirar quando se fala de um país que tem projectos armamentistas que ultrapassam todas as despesas militares do resto do Mundo junto e toda a gente sabe que a dependência do petróleo representa uma grave lacuna na própria defesa dos EUA e, mesmo, na sua independência como grande nação industrial e militar.  Recordemos as palavras de Eisenhower depois do Dia D, “dêem-me combustível suficiente e em quatro semanas liberto a França e conquisto a Alemanha”. Os aliados levaram quase um ano a derrotarem uma Alemanha literalmente destruída de ponta a ponta porque o abastecimento em combustível não acompanhava as necessidades das suas forças; não por falta do mesmo, mas por falta de oleodutos e meios de transporte até à frente de batalha.

             Parece pois que a "bolha petrolífera" está mesmo a rebentar.

             Todos nós, automobilistas, deveremos continuar a poupar nos combustíveis. Utilizar a viatura só quando for necessária. Os economistas chamam "crise" a isso por implicar menos importações de combustíveis e menor desgaste dos carros com a inerente redução das respectivas vendas. Os economistas teimam em chamar a qualquer redução "crise", mas será mesmo crise não consumir tanto aquilo que até já não é tão necessário para muitas pessoas?

 

Texto de Dieter Dellinger

 

Adenda de 2 de Setembro de 2008

A "bolha" continua a rebentar com o barril a 106 dólares, o que representa uma queda de mais de 40 dólares desde meados de Julho passado.

As previsões a um ano, na base do qual eram negociados os futuros, estiveram já a mais de 200 dólares e estão hoje a 122 dólares e tudo indica que deçam muito mais.

Em compensação, a Toyota revelou uma gigantesca queda nos seus lucros e o falhanço completo da sua aposta nos SUV e carros de todo-o-terreno nos EUA, para os quais tinha instalado duas grandes fábricas que estão paradas, devendo uma passar a fabricar pequenas viaturas híbridas e eléctricas, mas vai levar mais de um ano até chegarem à produção em série.

Verdadeiramente, nos países adiantados com boas estradas por toda a parte, as viaturas de todo-o-terreno não são necessárias e pesam uma brutalidade.

 

 



publicado por DD às 22:06
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