Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 14 de Março de 2009
Comunidade Vida e Paz contra Plano de Salvação dos Sem-Abrigo

 

 

Os católicos da “Comunidade Vida e Paz”, sob influência da hierarquia da Igreja, estão contra o Plano Governamental de Integração dos Sem-Abrigo, apesar do Secretário de Estado da Segurança Social ter dito que o seu plano contempla o trabalho conjunto com organizações privadas de solidariedade social. O líder da referida organização veio dizer que o Plano de Integração não traz nada de novo como se 75 milhões de euros não fossem nada de novo. Mas, estamos em ano de eleições, e alguma hierarquia da Igreja Católica está em campanha eleitoral contra o PS.

      Fundamentalmente, o Governo quer criar planos individuais de inserção que contemplem diferentes áreas como habitação, saúde, emprego, protecção social na velhice, etc. de cada um dos sem-abrigos, começando por fornecer um alojamento condigno, apoio alimentar e orientação para uma vida activa ou reforma social. A Segurança Social quer pois  trabalhar com profissionais de psicologia e sociologia, pois as pessoas de bom coração que se têm dedicado a minorar a má sorte dos sem-abrigo pouco ou nada têm conseguido.

      O número dos sem-abrigo ronda as 1.700 pessoas, quase todas em Lisboa e Porto, podendo ser bem menor dado que há uma certa variação contínua e movimentação, pelo que frequentemente são contados a dobrar. Daí que os 75 milhões de euros previstos seja uma verba apreciável, uns 44 mil euros por cada sem-abrigo, tanto mais que Estado e as Câmaras de Lisboa e Porto possuem edifícios livres em quantidade suficiente para alojar os sem-abrigo. Edifícios invendáveis dada a actual crise financeira mundial e por causa da saturação do mercado de habitação em Portugal com 6 milhões de unidades habitacionais para 3,9 milhões de famílias.

      Torna-se pois relativamente fácil resolver o problema dos sem-abrigo dado o seu número exíguo, tal como não foi difícil resolver, numa escala muito mais vasta, o problema de outro tipo de “sem-abrigos”, os habitantes das barracas. Lisboa conseguiu erradicar as barracas e alojar quase 20% dos seus habitantes em 70 novos bairros sociais, tornando-se assim a capital mais social da Europa ou, mesmo, do Mundo. Não só Lisboa como praticamente todo o País.  

     Tanto a Igreja como as Televisões e o próprio presidente Cavaco agitaram muito a questão sos sem-abrigo e referem continuamente o problema da exclusão e inclusão social. Dado o facto de a verdadeira miséria ser estatisticamente reduzida, o problema tem solução. Claro, eles sabem isso e muita informação vem com a questão da “nova miséria”, ou seja, das classes médias que passam fome. É fácil falar de um problema opaco, mais difícil é quantificar e saber se algumas entrevistas dadas nas televisões correspondem á verdade.

      Os sem-abrigo serviam e servem muito bem para a Igreja Católica e Cavaco acusarem o Governo. As televisões entrevistam dois ou três sem-abrigo e é o suficiente para se criar uma imagem de país de miséria. Daí que a Igreja Católica não esteja contente com o Plano do Secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, imediatamente combatido por Jorge Santos, presidente da organização católica “Comunidade Vida e Paz”, que nem se deixou influenciar pelo facto de no plano do Governo estar incluído a cooperação com todas as organizações privadas de solidariedade social.     

      Em declarações à TSF, o presidente da Comunidade Vida e Paz, aplaudiu o conceito de sem-abrigo, mas disse que a estratégia do Governo não é nova em Portugal.

 

A Comunidade Vida e Paz tem «uma equipa técnica num espaço aberto ao diálogo que atende personalizadamente os sem-abrigo», tenta motivá-los e define um «plano individual de recuperação para cada um» deles, disse Jorge Santos, mas na prática não resolveu nada e, principalmente, não foi capaz de começar pelo alojamento gratuito, o factor principal que torna uma pessoa sem-abrigo.

 

O Governante socialista Pedro Marques afirmou que o conceito “Casa Primeiro”, foi herdado dos Estados Unidos, onde foi provado que a melhor estratégia de inserção de um sem-abrigo deve começar por dar-lhe uma «habitação individual de qualidade».

 

Os sem-abrigo que vejo diariamente na zona do Conde Redondo e outras são geralmente pessoas idosas que perderam a casa e a família por razões diversas e que dificilmente podem ser incluídas numa nova vida de trabalho. Por isso, há que dar-lhes o abrigo necessário e um Rendimento Mínimo ou Pensão Social para as necessidades básicos. Alguns, mais novos, podem ser orientados para programas do tipo Novas Oportunidades. O fundamental é que não haja pessoas a dormir ao relento nas ruas de Lisboa e Porto, devido à óbvia falta das condições mínimas de higiene, saúde, segurança, etc. Alguns compatriotas nossas não conseguiram organizar ou manter uma vida normal, pelo que devem ser ajudados.

 

Por exemplo, nessa zona funciona o Hospital Miguel Bombarda que ocupa uma grande área e que está muito desocupado, porque os doentes mentais são cada vez mais tratados em ambulatório. Assim, uma parte dos enormes edifícios pode ser transformada em pequenos apartamentos para o sem-abrigo. Também os muitos hospitais daquela zona podem servir para o efeito, dado que a Área Urbana de Lisboa necessita de hospitais onde as pessoas habitam e não sete unidades de saúde ali num raio de pouco mais de um quilómetro com uma escassa densidade habitacional.

 

Triste é que um tal Jorge Santos não sinta satisfação por o Estado querer resolver o problema que ele com boa vontade não resolveu ou até nem quis resolver. Talvez o objectivo da “Comunidade Vida e paz” seja chamar a atenção para o problema, o que, em si, não deixa de ser meritório por induzir no Governo o uma plano para resolver o problema.

 

 



publicado por DD às 22:36
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