Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Segunda-feira, 14 de Novembro de 2005
HUKOU
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Hukou é o termo que traduz a existência de ESCRAVATURA na China Comunista.



Como acontecia em todos os países comunistas e verifica-se ainda na China, Vietname, Coreia do Norte e Cuba, os trabalhadores não só não são donos dos seus locais de trabalho como não possuem a posse dos seus países, isto é, não podem deslocar-se livremente de um local para outro da sua Nação e, como tal, carecem sempre de uma autorização de residência que tende a amarrá-los ao local de nascimento quaisquer que sejam as condições aí vigentes.



Na China, essa autorização chama-se Hukou, sendo equivalente a um passaporte interno, sem o qual um trabalhador não pode alugar uma casa, receber assistência médica e ter direito a uma reforma.



Na China, a pobreza rural excede tudo o que é imaginável. Os camponeses receberam pequenas leiras de terreno, mas têm de colocar a maior parte dos produtos em mercados do Estado a preços ínfimos e só uma pequeníssima parte é que pode ser vendida em mercados livres. Esses camponeses têm o seu Hukou rural da aldeia. Mas, a miséria impele-os para as zonas costeiras onde o capitalismo multinacional instalou mais de duzentas mil fábricas e onde crescem diariamente novos capitalistas com uma capacidade de exploração para além de todos os limites.



Calcula-se que a miséria total e autêntica escravatura rural abrange mais de 350 milhões de pessoas, pelo que daí deslocam-se anualmente para as cidades ditas ricas dezenas de milhões de homens e mulheres para trabalharem sem o Hukou urbano. Geralmente, são os próprios novos capitalistas da construção e outras actividades que vão buscar os trabalhadores aos campos e colocam-nos em dormitórios horrendos tipo barracão para 50 pessoas e duas ou três instalações sanitárias extremamente sumárias. Os trabalhadores dormem em esteiras no chão, recebem uma tigela de arroz com uma ou duas ervilhas.



Ao fim de meses de trabalho, os trabalhadores sem o Hukou local raramente recebem qualquer salário; são verdadeiros ESCRAVOS.



E se os trabalhadores normais das regiões urbanas auferem de salários baixíssimos da ordem dos 35 a 50 cêntimos do dólar à hora, os novos trabalhadores recebem salários teóricos de 15 a 25 cêntimos do dólar, deduzindo o patrão os custos do imundo barracão. Não estão abrangidos pela Segurança Social e não têm direito a qualquer reforma. E na maior parte dos casos não chegam a receber qualquer cêntimo do Yuan, mesmo depois de anos de trabalho. São verdadeiros ESCRAVOS sem dinheiro para regressarem às suas terras ou recorrerem a qualquer autoridade. De resto, os comunistas detentores do poder na China acham que o homem e a mulher do Mundo rural aguenta tudo e é muito servil e obediente, servindo para conter quaisquer reivindicações dos trabalhadores das cidades, pois é desses que os comunistas têm medo. Preferem que o trabalho humilde e monótono nas fábricas e na construção civil seja feito pelos 350 milhões de disponíveis do Mundo Rural e que os citadinos venham a ocupar posições um pouco superiores de capatazes do capital, na plena acepção dada por Karl Marx no Século XIX. Curiosamente, o comunismo da Mão Tse-tung e Liou Chão-chi, (ex-presidente e autor do livro “Para ser um bom comunista”), culminaram na mais monstruosa exploração dos seres humanos que a Humanidade alguma vez viu.



Os ESCRAVOS que vão para as zonas costeiras sem o Hukou urbano ou fabril vêm e aldeias do centro-interior da China, das províncias de Yenan e Shensi. Aldeias de casas escavadas nas colinas margosas de argila e calcária; autênticas cavernas com portas e janelas para o exterior a dar o aspecto de casas. Cultivam uma pequena porção de solo nos vales relativamente férteis e outra nas difíceis colinas e planaltos de loesse, uma terra fina resultante da erosão eólica que absorve a água das chuvas e é pouco estável por falta de trabalhos de cobertura com revestimentos arbustivos como os da Europa Central em terrenos iguais. Em toda essa região imensa da China faltam as sebes vegetais que transformaram os campos franceses de Normandia batidos pelo vento em terrenos agrícolas de grande qualidade. Os comunistas destruíram as poucas sebes para acabar com a propriedade privada do solo e assim reduziram a fertilidade do solo em mais de 90%, criando as condições para a existência de mais de 350 milhões de ESCRAVOS.



Actualmente, há estudantes universitários de direito que instalaram algumas ditas “Clínicas Legais” para legalizarem esses trabalhadores e conseguir o pagamento dos seus baixos salários, mas sem grande êxito, já que a Polícia Comunista Chinesa tem fechado muitas dessas ditas Clínicas.



Apesar do aumento do número de fábricas, os salários médios chineses sofreram uma redução de quase 50%, segundo o “Instituto de Economia Internacional” Esta queda traduziu-se no embaratecimento dos produtos exportados em 10 a 45%.
Segundo o especialista em questões chinesas, Mark Barenberg, da Columbia University, o trabalho chinês tornou-se tão barato que já nem o Bangla Desh, a Índia e outros países pobres podem competir.



No conjunto EUA/Canadá/União Europeia pode contar-se com a perda de 100 milhões de postos de trabalho devido à ESCRAVATURA chinesa.



publicado por DD às 23:56
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