Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Os Programas de Manuel Pinho

 

Uns corninhos acabaram por valer que um vasto conjunto de programas para o desenvolvimento do País e, por isso, o ministro Manuel Pinho teve de se ir embora.

            De entre os muitos programas de apoio à economia gizados e negociados por Manuel Pinho e a sua equipe salientam-se os seguintes:

 

1)      Do QREN – o Programa Operacional Factores de Competitividade com financiamento de Bruxelas no valor de 3.104 milhões de euros a desenrolar entre 2007-2013 e que é um dos três Programas Operacionais geridos pelo Ministério da Economia.

2)      Programa de Apoio às PME do IAPMEI e do Turismo do ITP também geridos pelo ME com a dotação de 912 milhões de euros só em 2009.

3)      Programa de Modernização do Comércio com 114 milhões de euros geridos entre 2005 e 2009.

4)      Programa de Apoio aos Investimentos na Produção de Energia que prevê um Investimento total de 7.000 milhões de euros no conjunto de ajudas comunitárias, empréstimos a baixo juro do Banco Europeu de Investimentos, ajudas directas do estado e financiamentos privados. Na actual legislatura, este programa atribuiu 1.700 megawatts de potência em torres eólicas, além do programa das dez barragens dividido entre a EDP, Iberdrola e Endesa, estando algumas das barragens da EDP já em construção ou vias de projecto de engenharia.

5)      Programa de Apoio à Indústria no valor de 4.000 milhões de euros, no qual se destaca o gigantesco investimento da Portucel na maior fábrica de papel do Mundo no valor de 550 milhões de euros. Esta fábrica pode exportar papel por ano quase no valor do seu custo, ou seja, 500 milhões de euros, correspondente a uns 3 a 4% das exportações nacionais. Além disso, salienta-se o apoio à co-generação de energia nas fábricas da Portucel/Soporcel que permite produzir e reaproveitar o calor das máquinas para gerar mais electricidade que aquilo que gigantescas máquinas de pasta e de papel consomem. Acrescente-se ainda os investimentos da Repsol, Artenius e Air Liquide em Sines. O projecto Repsol esteve tremido, mas Manuel pinho conseguiu resolver a situação e está em curso o investimento de 1,1 milhões de euros.

6)      Plano Estratégico Nacional do Turismo com projectos em curso no valor de 2.000 milhões de euros, nomeadamente de Tróia, Costa Terra, Pinheirinho, Vidago, Costa Vicentina, Douro, etc.

 

 

Para além dos programas referidos em curso, Manuel Pinho criou os PIIP – Programas de Investimento em Infraestruturas Prioritárias no valor de 25 mil milhões de euros e os PIN-Projectos de Interesse Nacional destinados a acelerar processos de licenciamento do investimento e fornecer o apoio necessário em termos de abastecimentos de electricidade, água, saneamento básico e formação de pessoal. Estes e outros projectos, incluindo os acima citados, permitem contabilizar entre 2005 e 2008 um saldo positivo do investimento estrangeiro da ordem dos 16.504 milhões (investimento – desinvestimento). Claro que a partir da crise mundial iniciada em Agosto de 2008 o investimento começou a diminuir e  regista um saldo de apenas 2.500 milhões de euros em 2008 e, provavelmente, menor em 2009. Muito desse investimento estrangeiro foi também para Investigação e Desenvolvimento do qual se salienta o do recém-formado grupo Nokia-Siemens que já emprega mais de 1.500 engenheiros e é um dos dois únicos centros de excelência do grupo.

 

Saliente-se ainda que devido ao desenvolvimento das energias renováveis, principalmente eólicas e co-generação, a importação de fuelóleo para as centrais térmicas sofreu uma quebra de 20,8%. Curiosamente, o consumo do coque de petróleo, um resíduo oriundo das refinarias portuguesas e importado de fora destinado às cimenteiras aumentou 43,6% em 2008, relativamente a 2007 por causa do aumento de produção de cimento para o mercado nacional e para exportação.

 

Enfim, estes são a parte mais importante dos programas do Governo Sócrates no campo da Economia que a Manuela Ferreira prometeu RASGAR.

 

Acrescente-se que há nestes programas para fomentar a produção de valor acrescentado alguns empréstimos bem negociados com o BIE a juros baixíssimos, mesmo inferiores a 1% que seria uma lástima não aproveitar.

 

Portugal está a comprar menos no estrangeiro e a importar menos dinheiro para privados, pois tem o mercado do imobiliário saturado com 6.250.000 unidades habitacionais independentes para 3,8 milhões de famílias. Dessas unidades, cerca 1,4 milhões ainda estão em pagamento, mas qualquer que seja a crise, ninguém vai levar para fora as casas. O estúpido do Medina Carreira critica tanto o investimento privado, esquecendo-se que serviu principalmente para o imobiliário que fica para as actuais gerações e é deixado para filhos, netos ou sobrinhos. Quando o parvalhão do Medina diz que as próximas gerações vão pagar o endividamento nacional esquece-se de contabilizar o valor do activo e o facto deste activo durar séculos.

 

Recordo que o cimento foi inventado pelos romanos no século II e que a Igreja de Santa Maria de La Mare em Roma data dessa época, ou seja, de há 1.800 anos, continuando firme a sua gigantesca abóbora. Isto quer dizer que um edifício de cimento armado revestido a mármore ou grés nas escadas e andares térreos pode durar bem dois mil anos. Claro, Medina Carreira é jurista e nada sabe de activos e passivos e menos ainda de técnicas de construção. No fundo é o típico analfabeto de muitas ciências que julga que não é.

 



publicado por DD às 22:58
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