Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Os Clientes do Rendeiro, segundo a Visão de 2003

 

 

Qual é o cliente típico do banco? – Pergunta da Revista Visão de Agosto de 2003 a João Rendeiro, então um dos “meninos bonitos” do muito liberal capitalismo luso:

João Rendeiro: É empresário com idade superior a 40 anos. A conta média no BPP é de cerca de um milhão de euros. Isto não significa que os clientes comecem imediatamente com esse montante. Geralmente abrem conta com 250 mil euros. Entretanto, o banco já fez uma apreciação potencial do cliente e percebeu que pode chegar ao saldo médio típico do banco.

 

V.: Tendo como alvo investimentos médios daquela ordem, a carteira de clientes não tende a estagnar?

JR: Há mais pessoas com um milhão de euros que se possa pensar. E nós próprios, para falar com franqueza, muitas vezes nos surpreendemos com a dimensão do mercado.

 

V.: Qual é a vossa base de clientes?

JR: Temos entre mil e dois mil clientes. Sendo o saldo médio de 1 milhão de euros, temos mais de mil milhões de euros sob gestão.

 

Nessa altura, os capitais próprios do BPP eram de 15 milhões de euros, cobrindo apenas 1,5% dos montantes confiados à sua gestão, o que é tanto como nada e querem agora esses mil a dois mil milionários que os contribuintes entrem com o dinheiro que o genial Rendeiro delapidou.

 

Em 2003, João Rendeiro detinha 15,9% do capital do BPP, mas fazia uma vida de multimilionário com uma colecção já de centenas de obras de arte de grande valor, além de uma vivenda grande luxo no condomínio mais caro do país, ou seja, na quinta que foi do antigo rei do estanho boliviano, o Patino. Pinto Balsemão seria talvez o segundo maior accionista com 7,23% do capital e o cargo de presidente do conselho consultivo do banco, seguindo-se Álvaro Barreto, também do conselho consultivo, Diogo Vaz Guedes, administrador não executivo, Stefano Saviotti também conselheiro, José Miguel Júdice que, como não podia deixar de ser, também estava nesse barco como presidente da assembleia-geral do BPP. O Rui Machete detinha através da sua Fundação Luso-Cia, perdão Luso-Americana, 2,63% das acções e curiosamente o impoluto lutador contra a corrupção, João Cravinho, também fazia parte do conselho executivo do banco, não se sabendo com que percentagem do capital accionista e como lá foi parar o ex-ministro do Equipamento Social do primeiro governo de António Guterres, hoje com um tacho importante no Banco Europeu para a Reconstrução ou Construção ou sei lá o quê. Aníbal Cavaco Silva, dizem as más-línguas, teria então gabinete próprio no BPP, mas não se sabe para fazer o quê? Terá sido a contabilidade?

 

Nessa altura, 2003, sabia-se já na praça que uma parte importante dos negócios de Rendeiro dava prejuízo. Fundamentalmente ele comprava grandes pacotes de acções para os vender com lucro ou deter na esperança de obter bons dividendos, o que raramente acontecia. Há seis anos comprava-se caro e havia dificuldade em vender muito mais caro, apesar de, por vezes, se fazer um ou outro bom negócio. Fundamentalmente, o BPP era uma dona branca, pois deveria pagar uma parte dos juros aos tais clientes milionários com os dinheiros dos clientes que iam entrando. O lucro propriamente do BPP resultava da contabilização de comissões

 

 

 



publicado por DD às 22:55
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