Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Que Futuro para o Euro?

 

Enquanto a Grécia mergulha no caos de uma violenta e agressiva greve geral, a bruxa Merkel prepara-se com o sócio Sarkozy para recusar os “eurobonds”, títulos de tesouro a emitir pelo Banco Central Europeu que passaria assim a funcionar como qualquer banco central antes do euro ou como funcionam os dos países exteriores à zona euro, isto é, como emissor de moeda para a compra de títulos de dívida. De resto, o BCE é um único banco central sem as competências de uma entidade do género.

 

Para a bruxa e alguns outros países europeus, a salvação do Euro está no naufrágio dos países periféricos em dificuldades, a começar pela Grécia, cujas medidas de austeridade impostas pela União Europeia e FMI vão provocar uma queda do respectivo PIB em 4,5% ou mais, em troca de um crédito de 110 mil milhões de euros, os gregos têm de passar por uma cura que não se sabe se vai tratar o doente ou conduzi-lo à morte.

 

A Alemanha recusa os títulos de tesouro do BCE porque tem uma dívida gigantesca, apenas 3% do Pib menos que a Portuguesa, mas com um valor per capita superior ao dobro do português. Os alemães financiam-se nos seus grandes bancos a 2,5 a 2,7% e temem que se esses bancos forem obrigados a colocar dinheiro no BCE os juros podem subir em mais de 1%. Os “eurobonds” passariam a vencer juros da ordem dos 3,7%, o que representa um aumento de uns 230 euros per capita ou um total de 18.860 milhões de euros anuais de despesa para o Governo alemão.

 

Para além disso, há uma recusa do chamado “bail out” europeu, ou seja, uma garantia de todos os países da eurozona para com as dívidas dos que estão em maiores dificuldades.

 

Apesar de haver uma maioria de países a favor dos “eurobonds”, não é muito provável que venham a ser aceites. Curiosamente, a França deveria estar ao lado dessa maioria porque a sua dívida soberana é superior à portuguesa em percentagem de um Pib muito superior ao português.

 

Ao ler os noticiários vindos da Alemanha, pude verificar que muitos economistas dos institutos de previsões que aconselham o governo da bruxa Merkel propõem uma redução da zona euro. Os mais importantes acham que o euro deveria ser uma moeda comum à Alemanha, Finlândia, Holanda e Áustria. Entre os vários argumentos pode ler-se que Portugal sofreu uma quebra de competitividade de 50% desde que adoptou o euro e que a “oligarquia” parisiense sabotou desde o início a política de estabilidade da moeda única. Na verdade, as muitas fábricas estrangeiras que fecharam mostram que houve essa quebra em Portugal, apesar de que algumas indústrias nacionais conseguiram sobreviver graças a um esforço de modernização e aperfeiçoamento dos seus produtos.

 

Alguns economistas pretendem que a União Europeia financie com um importante subsídio a saída da Grécia e outros países como Portugal da eurozona. Portugal poderia ver as suas dívidas liquidadas desde que saísse do euro, podendo então desvalorizar a sua moeda de modo a tornar as exportações mais competitivas e dificultar as importações que se tornariam mais caras. Citam o exemplo da Polónia que está com um crescimento importante e tem uma dívida pública na sua moeda de 51% do seu Pib. O seu défice para este ano está estimado em 7,1% do Pib, mas como a moeda pode perder valor, assim a dívida me valor atual não sofre um grande aumento.

 

Enfim, vamos ver o que os chefes de Governo da EU vão decidir na reunião que começa a 16 de Dezembro de 2010.



publicado por DD às 23:58
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