Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 1 de Maio de 2011
Manuel Carvalho da Silva

 

Catamaram da Soflusa, a empresa mais grevista do País e que pertence ao povo português para servir o povo.

 

 

 

 

            O sindicalista mais famoso do País, Manuel Carvalho da Silva, vai deixar a liderança da CGTP ao fim de 25 anos do atividade.

            Na entrevista que dá ao Expresso, Carvalho da Silva confessa que não conhece nenhum dos oligarcas portugueses e que, em 25 anos, nunca esteve sentado a uma mesa com eles a negociar melhores condições de trabalho para os trabalhadores da Sonae, Grupo Jerónimo Martins, Corticeira Amorim, BES, BCP, etc., etc. Quase nunca falou com oligarcas exploradores como Alexandre Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo, Amorim, Ricardo Espírito Santo e mais uns tantos.

            Logo que as antigas empresas públicas EDP, PT, Cimpor, Portucel/Soporcel, etc. passaram a privadas deixaram de ter greves. A banca quando era estatal tinha greves frequentes. Depois de privatizada, despediu mais de 50% do seu pessoal sem qualquer greve.

            Na verdade, Carvalho da Silva foi o líder de uma central sindical dos trabalhadores das empresas públicas de transportes ou antes apenas dos condutores. Empresas do povo português que trabalham exclusivamente para o mesmo povo. Carvalho da Silva nunca reconheceu que a CP, a Refer, o Metro, a Transtejo, a Soflusa, as escolas públicas, os hospitais, os tribunais, etc. são empresas ou instituições do povo português. Muitos quilómetros andei eu a pé por causa das greves do Metropolitano de Lisboa, o que não me fez mal, mas tive sempre pena dos transtornos causados a tantos trabalhadores portugueses. As greves nas horas de ponta da manhã são maquiavélicas e revelam um espírito profundamente maldoso e tirânico, estalinista mesmo, pois incomodam os trabalhadores mais mal pagos, os que não se deslocam diariamente de carro e alguns mais que trabalham em zonas onde o estacionamento de viaturas não é possível nos dias de greve de transportes e até nos dias normais. As empresas até poupam dinheiro porque não pagam as horas de greve do pessoal nem a eletricidade ou combustíveis e desgaste de material.

            Para Carvalho da Silva, greve foi sempre sinónimo de paralisação dos transportes públicos com fins políticos, pois os trabalhadores que fazem greve nessas empresas são geralmente apenas os condutores, os quais sempre foram os trabalhadores mais bem pagos do país no âmbito daqueles que não são dirigentes nem possuem importantes graus académicos. Ao contrário disso, Carvalho da Silva nunca conseguiu organizar greves nas empresas privadas de transporte como a Barraqueiro, Fertagus, etc.

            Os objectivos de Carvalho da Silva foram sempre políticos contra quem está no poder. Recordo que quando a General Motors da Azambuja fechou, Carvalho da Silva disse em público a enorme barbaridade que o fecho da empresa foi combinado em São Bento entre Sócrates e os dirigentes da GM. Na verdade, estiveram lá os responsáveis pela empresa americana que chegou a pedir a falência global, mas foi para evitar o fecho da empresa, foi para ver o que o Estado podia fazer para que Azambuja continuasse a funcionar. A GM apresentou uma conta astronómica de vários milhares de euros por viatura Combo montada que acabaria em muitos milhões de euros a serem pagos pelo povo português aos capitalistas americanos. E não tenho dúvidas, se Carvalho da Silva tivesse tido influência junto dos trabalhadores da Auto-Europa há muito que esta empresa teria fechado em Portugal. O que vale é terem um líder da Comissão de Trabalhadores que não é comunista nem servil mandatário de Carvalho da Silva. Xora, o dirigente em causa, negociou uma flexibilização no horário de trabalho que permitiu garantir os postos de trabalho e, afinal, os períodos de interrupção dos trabalhos nem chegaram a ser usados como previsto porque as vendas dos carros continuaram, apesar de em 2009 se presumir que a indústria automóvel iria parar em toda a parte do Mundo ocidental.

            Carvalho da Silva nunca pensou que não podia haver alguém que acreditasse que um Primeiro-Ministro estivesse interessado no fecho de uma empresa fabril e no aumento do desemprego. Quando fez aquela afirmação, Carvalho da Silva deve ter pensado, todos os ouvintes das rádios e telespetadores são uma cambada de estúpidos e acreditam que um governo quer mesmo que as empresas fechem e haja mais desemprego.

            Hoje, Carvalho da Silva pode estar contente com a obra feita. As empresas públicas de transporte estão falidas e são uma das causas dos problemas que o País enfrenta porque não podem fechar como aconteceu às grandes empresas armadoras de navios estatizadas depois do 25 de Abril em que os sindicatos conseguiram fazer multiplicar a massa salarial por 3 a 4 vezes com o trabalho habitual de um navio a navegar durante mais de 24 horas. Acabaram todas falidas e fechadas porque os fretes concorrentes eram muitas vezes mais baratos e, ainda por cima, estava-se na transição do navio de porão com carga geral para o porta-contentores. Foi uma grande vitória para a CGTP e para o PCP, Portugal ficar sem marinha mercante.



publicado por DD às 19:07
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