Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 22 de Outubro de 2011
A Solução para a Crise Financeira que a Alemanha não quer

 

 

 

 

A União Europeia está hoje numa estranha dependência de um só país, ou antes, de uma senhora que não deseja outra solução que não seja transformar os países europeus em crise numa espécie de pequenas Chinas com custos sociais e salariais irrisórios.

Contudo, a solução que está na mesa é única com duas modalidades estratégicas.

 

A única é o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), o qual pode assumir duas estratégias de ação:

1) Licenciar-se como um banco com 440 mil milhões de euros de capital e nessa qualidade comprar títulos ou bilhetes de tesouro a juros muito baixos aos estados dos países em dificuldade e vendê-los ao Banco Central Europeu que fará a aquisição com dinheiro fresco (emissão de moeda), conseguindo assim respeitar o Artº 123 do Tratado de Lisboa que proíbe ao BCE a compra direta aos estados de dívida pública e o Artº 125 que não autoriza os avais do BCE aos títulos de dívida pública. A verba de 440 mil milhões representam 4,6% do Pib da Zona Euro que é de 9,4 biliões (milhões de milhões) de euros. Os alemães querem que seja uma agência e utilize para o efeito apenas os 440 mil milhões de euros, o que é uma quantia insuficiente para salvar países como a Espanha e a Itália que estão em dificuldades. Mesmo só para a Grécia, Portugal e Irlanda esse capital não daria para resolver o problema. O BCE pode e deve emitir o dinheiro suficiente para permitir aos países europeus crescerem, pois a própria Alemanha deixou de crescer e o índice de encomendas à sua indústria revela uma quebra profunda a anunciar uma recessão em 2012. O partido da senhora Merkel parece estar de saída; as próximas legislativas alemãs devem mudar o panorama político.

Esse é o modo como funcionam muitos bancos centrais, nomeadamente o Fed americano e os bancos centrais do Japão e da Grã-Bretanha.

A emissão de moeda a partir do nada proporciona importantes lucros ao BCE, mas estes são distribuídos pelos países membros ao fim de cada ano. De algum modo, os vendedores de títulos ao FEEF nestas condições recebem uma parte ou todo o dinheiro que ficaram a dever e assim, o novo dinheiro em circulação fica na prática isento de juros. Atualmente, muito do dinheiro que temos nas contas bancárias e carteiras paga juros.

 

2) A segundo solução destinada a satisfazer a obsessão alemã seria o FEEF incentivar os bancos e os mercados em geral a voltarem a adquirir dívida pública, dando uma garantia de 20% em caso incumprimento por parte do país vendedor. Deste modo, o capital de 440 mil milhões poderia transformar-se numa garantia para 2 biliões de euros,  tida como suficiente para resolver os problemas europeus. Saliente-se aqui que a dívida pública de toda a Zona Euro é praticamente igual a 100% da soma dos Pibs dos 17 países membros. Mas, neste segundo caso, os juros seriam muito mais elevados, pois o risco de perder 80% do investimento em títulos públicos não é suficiente para levar os mercados a aceitarem juros e seguros baixos e os juros altos impedem o crescimento e não permitem resolver o problema financeiro de qualquer país.

 

A primeira das soluções seria mais adequada, tanto mais que a crise financeira que abrange quase todos os países europeus à exceção de três ou quatro é o resultado de uma força invisível e insuscetível de ser devidamente calculada que foi a não emissão de moeda por parte do BCE durante 9 anos, ou a insuficiente emissão, pois nas estatísticas do BCE não se vislumbra bem qual o montante das emissões, já que nos agregados monetários M3 com e sem M1 e M2 não há uma separação entre emissão e a natural multiplicação bancária de moeda resultante da utilização de pagamentos e depósitos por Netbanco, cartões de crédito, etc. O BCE falhou como banco emissor dos 330 milhões de habitantes da Zona Euro e não acompanhou uma inflação média de 2,5 a 3% ao longo dos 9 anos de vida do euro que terá produzido uma inflação global superior a 30% sem compensação em termos de aumentos de impostos e nem redução das despesas sociais dos estados. Para a Alemanha, que exporta quase 70% do seu Pib em grande parte para a União Europeia, o problema da moeda não se coloca porque ficou com o dinheiro dos outros países e ao comprar/emprestar a outros países teve importantes lucros.

 

A posição alemã, nomeadamente do ministro das Finanças Schäuble, é que os investidores privados (bancos, seguradoras, fundos, etc.) devem pagar uma parte importante das dívidas gregas, ou seja, trocar dívidas a altos juros por títulos cortados a 50% com juros mais baixos. Schäuble diz com alguma razão que os privados não podem encaixar os lucros que têm tido com juros astronómicos e serem depois compensados com dinheiro dos contribuintes. Por isso, os alemães defendem uma espécie de falência grega ou de outros países que leve o BCE ou o já formado FEEF a intervir numa divisão equitativa com os mercados privados de preferência a 50% para cada lado.

 

Claro, numa situação como a descrita em 1, o BCE pode intervir com o FEEF e Fundo Monetário na liquidação aos privados de parte da dívida pública grega, considerando que juros acima dos 4% são especulativos e representam um roubo, não devendo ser liquidados.

 

De qualquer modo, as falsas soluções em curso não conduzem a nada pois são um obstáculo ao crescimento. Portugal e a Grécia, tal como a Espanha e a Itália, não podem crescer se estiverem amordaçados a juros extremamente elevados. Portugal pode congelar salários e pensões de tal modo que chegue a um défice de 0% em 2014, mas isso não permitirá o crescimento económico e o regresso ao défice será uma certeza porque vivemos numa situação de alguma inflação e o longo congelamento de rendimentos de uma parte da população tornar-se-á intolerável. A dada altura, os

trabalhadores e pensionistas terão de ser compensados com alguns aumentos e os impostos não podem crescer eternamente.

 

Todas estas situações tendem a provocar a desvalorização do euro, o que tem acontecido de uma forma invisível porque o dólar se desvalorizou ainda mais e os americanos não se preocupam com o valor da sua moeda porque assim defendem as suas depauperadas indústrias devido à concorrência chinesa. No caso do euro, por exemplo, já foi trocado por cinco reais brasileiros e agora apenas por dois e qualquer coisa. Por isso, os emigrantes brasileiros andam furiosos a escreverem comentários anti-portugueses na Net. Quanto mais desvalorizado estiver o euro, mais baratos ficam os Mercedes e os Airbus e melhor podem os europeus vender as suas mercadorias. A Alemanha terá tudo a ganhar como um dos primeiros exportadores mundiais sem ser já uma nação de ponta nas descobertas científicas e na evolução tecnológica. Isso ainda vem em grande parte dos EUA e outros países.

 

 

Dívida Pública Portuguesa estava assim distribuída a 31.12.2010:

 

            Banco nacionais: 17 mil milhões de euros,

            Bancos alemães: 6 mil milhões

            Bancos franceses: 6 mil milhões

            Bancos espanhóis: 6 mil milhões

            Outros bancos europeus; 5 mil milhões,

            FMI/EU: 21 mil milhões

            Fundos de pensões e outros fundos ou aplicações, seguradoras, etc. 77 mil milhões..

 

 

 

 

 

2010

 

2010

País

População

Dívida Pública

% PIB

Per Capita

 

Milhões

Milhões Eu

 

Euros

 

 

 

 

 

Eurozona

330,00

7.937.206,90

85,1

24.052,14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bélgica

10,92

341.019,00

96,8

31.228,85

Alemanha

82,00

2.079.628,60

83,2

25.361,32

Estónia

1,34

951,00

6,6

709,60

Irlanda

4,48

148.074,20

96,2

33.052,28

Grécia

11,31

328.588,00

142,8

29.065,72

Espanha

46,15

638.767,00

60,1

13.840,21

França

65,07

1.591.169,00

81,7

24.453,19

Itália

60,07

1.843.015,00

119

30.681,12

Chipre

0,81

10.618,70

60,8

13.109,51

Luxemb.

0,51

7.660,90

18,4

14.962,70

Malta

0,42

4.248,30

68,0

10.115,00

Holanda

16,65

371.028,00

62,7

22.283,96

Áustria

8,40

205.211,60

72,3

24.429,95

Portugal

10,64

160.470,00

93,0

15.081,77

Finlândia

5,37

87.216,00

48,4

16.241,34

Suécia

9,42

146.405,00

39,8

15.541,93

Eslováquia

5,40

26.998,40

41,0

4.999,70

 

 

 

 

 

 


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