Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 1 de Janeiro de 2012
A Oligarquia expande-se cada vez mais no Mundo

            Para se chegar a oligarca ou grande patrão são necessárias três características essenciais, próprias dos grandes gestores: Utilizar as ideias dos outros, utilizar o dinheiro dos outros, utilizar o trabalho dos outros. Tudo sempre em seu próprio benefício.

            A história empresarial está cheia de casos elucidativos, mas convém explicar que isso se aplica em todos os conjuntos de atividade. O homem grande utiliza as ideias dos outros para concretizar um projeto técnico ou económico e de outros para arranjar o dinheiro necessário e mais outros ainda para organizarem o trabalho e, por fim, outros para  trabalharem sempre mais horas com cada vez menos ordenados. Isto é tanto sabedoria atual chinesa como tradicional capitalista desde Rockefeller e outros mais antigos como Bolton e Watson aos fundadores do Facebook.

            Mas, o essencial é fazer tudo sem boas maneiras; nada de fidelidades, amizades, honestidades, gratidão, etc. Nada disso, depois do outro estar em vias de esgotar aquilo que pôde dar há que pontapeá-lo o mais rapidamente para fora e nunca deixar que um outro ultrapasse o homem grande e seja tido como pai de uma ideia ou outra coisa qualquer. O grande gestor deve ter um outro a observar e, enquanto outros trabalham na sua especialidade, intrigar uns contra outros, e fazer com que se aniquilem mutuamente. Como nos combates dos gladiadores, o vencedor deverá ser aniquilado no próximo combate, sempre por outro. O génio é o que utiliza em todas as ocasiões os outros, tanto para subjugar internamente todos os outros como para esmagar os concorrentes de fora, os fornecedores e principalmente obter o dinheiro dos clientes. Em última análise é sempre isso que os outros devem fazer a favor do gestor genial.

            O grande economista austríaco Joseph Schumpeter escreveu em “Capitalismo, Socialismo e Democracia” que os grandes construtores de impérios empresariais são igualmente grandes destruidores de tudo o que se possa atravessar à sua frente.

            Mas, o génio também pode ser corrido do seu empreendimento, mas faz geralmente tudo para voltar ou derrotar os seus sócios de modo a estes se terem que render e sair sem um chavo. O exemplo máximo disso foi o de Gottlieb Daimler, um dos criadores do automóvel e da Mercedes Benz, várias vezes corrido da sua empresa, mas regressou sempre com mais sócios corridos a pontapés, porque os seus outros que ficaram dentro foram convencidos a não colaborarem com os candidatos a geniais construtores.

            Há muitas histórias antigas deste género, mas também as há recentes e dos nossos dias, mesmo deste “Facebook”. O denominado criador desta notável ferramenta informática Mark Zuckerberg começou com três colegas da universidade a fazerem uma ferramenta de contato com as namoradas e não só. Quando a coisa começou a funcionar, o Zuckerberg (Monte de Açúcar em alemão) patenteou tudo em seu nome e criou uma empresa que mobilizou alguns financiadores e aos 26 anos de idade era já multimilionário. Chegou a confessar que não foi simpático com o seu primeiro e principal sócio. Utilizou um sistema publicitário inventado por outros que parece não terem patenteado. Os anúncios são pagos pelos anunciantes por clicagem como também faz a Google. Quem clicar no anúncio para ver o seu conteúdo regista automaticamente uma visita e o anunciante paga uns cêntimos por isso. Como estão milhões de pessoas ligados a isto, o valor em bolsa da empresa é agora de milhares de milhões de dólares. Os antigos sócios foram devidamente pontapeados, apesar de terem tido a maior parte do trabalho nesta criação. O verdadeiro criador na selva que é o nosso Mundo é aquele que sabe chutar para fora os criadores e engenheiros das técnicas, finanças quando já não são absolutamente necessários.

            Um caso interessante que tem muito a ver com o meio em que estou a escrever este texto é o do famoso Bill Gates. A IBM, num época já passada e que parece estar a chegar a Portugal, não queria empregados fixos, apenas exteriores a recibos aos quais encomendava tarefas na convicção que o prestígio da IBM era tal que ninguém se iria atrever a trair o gigante inventor do computador. Gates colocou uma equipa de outros a criarem o programa máquina para os computadores pessoais. Surgiu assim o MS-DOS que foi logo patenteado em seu nome enquanto a IBM, completamente aparvalhada, pagava uns recibos quase sem valor quando comparada com o que estava criado. Depois disso, Bill Gates avançou, substituiu a sua equipe por outra melhor, e tornou-se no homem mais odiado do Mundo na informática. Primeiro, levou toda a gente a ter de utilizar o programa máquina e depois foi esmagando os construtores de programas parciais como a Word Star, a Lotus, etc. e inclui o Word, o Excell, etc. nos seus programa e chegou à proeza máxima que foi ancorar o Outlook no seu Microsoft Office e tornar-se no patrão mundial do meio de comunicação por e.mail e bateu até a Apple que tinha melhores programas, mas que cometeu o erro de os utilizar só nos seus computadores, enquanto o Windows conquistava o Mundo inteiro e entrava em todos os computadores, qualquer que fosse a sua origem e nacionalidade. Até com os copiadores dos seus programas ele ganhava, porque se habituavam aos Windows e acabavam por comprar as novas versões, principalmente quando estava tudo amortizado há muito e os MS Office tornaram-se baratos. As pessoas que trabalhava para a Microsoft tinha de estar disponíveis 24 horas por dia, podendo ser chamadas a qualquer momento para realizar algum trabalho, prática muita seguida com as empresas e linguistas que faziam os corretores ortográficos. Bill Gates foi um autêntico gangster da informática e tornou-se a dada altura no homem mais rico do Mundo, agora ultrapassado por um oligarca mexicana que terá começado na droga, o Carlos Slim, e é dono de uma grande parte das empresas de telemóveis da América Latina.

            Bill Gates foi suficientemente esperto para não se meter no setor que dava muito trabalho, ou seja, nos programas específicos para certas funções como contabilidade, tratamento de dados para o Estado e grandes empresas, engenharia de máquinas, etc., nada como reproduzir aos milhões o Windows e o Office, vendidos pela Net sem sequer ter um suporte material.

            Depois de anos de guerra contra tudo e todos e tantos milhares de milhões de dólares ganhos, Bill criou uma Fundação para ajudar as criancinhas com fome em África. Deixa apenas 5% da sua fortuna aos filhos que já é muito, no seu entender, e deve ser. Que façam mais, aconselha ele.

            Num filme americano, cujo nome, não me recordo, o protagonista milionário dizia que para chegar onde ele chegou é preciso fazer o que é necessário. Isso incluía naturalmente matar quando necessário. Duarte Lima terá chegado a isso por causa dos 5 milhões da Rosalinha. Mas quem bateu o recorde nesse aspeto foi, sem dúvida, John D. Rockefeller, cuja prática foi muito bem retratada noutro filme americano, cujo nome também não me recordo.

            Nos anos selvagens e brutais do pós-guerra civil americana, John D. quis unir toda a indústria petrolífera americana, dispersa em centenas de pequenas empresas e exploradores de poços de petróleo, num única empresa majestática, a sua, naturalmente. Para isso utilizou todos os métodos para comprar barato os concorrentes; desde sabotagem com explosivos, assassinato de pequenos empresários, descarrilamentos de comboios de vagões tanques, ameaças a bancos que financiavam os outros produtores. Tudo foi feito pelos outros de John D. Rockefeller até que o seu império abrangeu  90% da produção americana na “Standard Oil” que foi obrigada pelas leis da concorrência a dividir-se em duas ou três empresas, nas quais o John D. tinha comparticipações importantes, principalmente através de bancos, cujo capital dominava.

            Curiosamente, este tipo de capitalismo altamente selvagem nasceu nas Repúblicas da antiga União Soviética após mais de 70 anos de comunismo, no qual era suposto surgir um homem novo, solidário, socialista e capaz de se sacrificar a trabalhar para o bem comum. Os homens novos nunca foram boas rezes. Que o digam os historiadores do cristianismo e escreve Gerald Messadié em “História Geral de Deus”.

            Com a queda do comunismo, num ápice surgem oligarcas com fortunas colossais que ninguém consegue explicar como lhes foram parar às mãos. Uma conhecida jornalista russa descreve a metodologia em que o assassinato de juízes que se recusavam a acreditar uns papéis tidos como ações de certas empresas se tornou comum. Outros juízes aceitavam despachar em conformidade e recebiam luxuosas viaturas. Com o despacho judicial, os atuais oligarcas entravam nas empresas e tomavam conta de tudo. Hoje, Putin tem um oligarca como adversário nas próximas eleições presidenciais. Se o quiser eliminar, basta pôr os seus serviços secretos a investigar como o homem fez a sua fortuna e ele estará arrumado. Não há oligarcas ou multimilionários honestos. A honestidade é coisa de pobres e classes médias mais baixas que altas.

            O antigo ministro da informática da República Federal Russa da antiga URSS, o engenheiro Ievtuchenkov é hoje nada menos que o proprietário de toda a indústria informática, incluindo edifício e terrenos de Selenikov, uma cidade satélite de Moscovo que foi construída para imitar o Silicon Valley da Califórnia. Além disso possui a antiga agência estatal de turismo “Inturist” e uma cadeia de mais de 2 mil lojas de brinquedos, coisa que não existia nos gloriosos tempos soviéticos. Para abastecer essas lojas, instalou 14 fábricas de brinquedos baratos na China.

            Por estranho que pareça, ao fim de vinte anos de capitalismo, Moscovo é a segunda cidade do Mundo com maior número de oligarcas multimilionários; são aí mais de 50. A primeira cidade a abrigar gente desse calibre é Nova Iorque com uns 60 oligarcas e uma tradição capitalista de dois séculos, pelo menos. Mas, em Londres há mais oligarcas russos que ingleses.

            O multimilionário faz fortuna com os outros, estranhos ou da própria família. Quantas vezes, o oligarca ocupa a empresa que deveria herdar em partes iguais com os irmãos e consegue apoderar-se de tudo, caso Champalimaud,  que andou nos tribunais durante décadas, mas ganhou com as habituais más maneiras dos multimilionários.             Depois de enganar o Estado português que lhe deu três bancos de que nunca tinha sido dono a 100% e os vendeu ao Santander, resolveu deixar como legado uma parte do seu dinheiro para criar uma fundação e assim limpar o seu nome, se é que isso é possível. Outros, aproveitam-se da confiança de um patrão fugido ao comunismo no Prec em Portugal e com as procurações passadas apoderam-se de tudo, caso Belmiro de Azevedo que conseguiu o inacreditável que foi a compra por quase nada da cadeia francesa Continente com os franceses aterrorizados com medo do comunismo. Dizem as más línguas que Belmiro financiou o partido para agitar os trabalhadores de modo a tornar aquilo muito mais barato. Belmiro confessou em entrevista que ficou com algo da família do falecido banqueiro, mas que multiplicou de tal maneira o valor da Sonae que os herdeiros acabaram por ficar com mais do que tinham antes. Por isso, as multinacionais mudam sempre os gerentes das suas filiais ao fim de pouco anos para evitar que assumam o controle local do negócio em benefício próprio. Os substitutos podem não saber nada de português e de Portugal, mas evitam que alguém roube aquilo tudo com empresas paralelas ou na própria empresa e quando já sabem dizer bom dia e boa tarde vão-se embora.

            Na China, a situação tem muitas facetas. Para exportar, o Governo chinês autorizou todo o tipo de fabrico e exploração dos trabalhadores a menos de 50 cêntimos do dólar à hora e proibiu a criação de entraves por parte de autoridades locais e concorrentes, mas deixou os chineses copiarem o que quiseram e fabricar em paralelo, pelo que muitas nacionais abandonam agora o país ou fabricam só uma parte dos seus produtos. Para o mercado interno, principalmente a construção civil, restauração, etc. , as autoridades fecham os olhos a todo o tipo de exploração que chega à escravatura. Muitos construtores fizeram fortunas colossais ao irem às aldeias buscar pessoal  e aboletá-lo em armazéns de madeira para trabalharem dez horas por dia quase sem ordenado. Os jovens estudantes de direito e juristas que quiseram defender os trabalhadores acabavam geralmente presos.

            No setor estatal que é grande na China e abrange a banca, seguros, energia, petrolíferas, siderurgias, minas, estaleiros navais etc., só sobe a altos cargos pessoas que mostrem mais fidelidade ao regime que à família e aos colegas. Assim, quem não for delator de algum colega ou familiar que criticou a política oficial não sobe pois mostra uma fidelidade duvidosa. Mesmo no estrangeiro, os chineses são convidados a revelarem o que pensam os compatriotas com que trabalham ou convivem. Fazer mal a alguém faz parte do modo de vida das classes ascendentes, também na China.

            Nunca houve tantos oligarcas no Mundo como hoje, contando-se muitos nos países emergentes como Brasil, México, China, etc. Todavia, o elemento feminino não conta na oligarquia que se fez a si próprio. As multimilionárias são quase todas viúvas ou herdeiras como a Christy Walton que herdou do pai a maior empresa do Mundo, a ceia de supermercados Walmart. Só na Ásia, principalmente na China, é que há algumas milionárias que fizeram a sua fortuna, utilizando os outros fora da cama, mas mesmo assim, não se contam entre a verdadeira oligarquia mundial do dinheiro.

            Os Estados enfrentam com cada vez mais dificuldades as más maneiras das oligarquias que quase por toda a parte pagam 20 a 25% de taxa liberatória sobre os milhares de milhões de juros auferidos pelos seus gigantescos pacotes de ações, enquanto os seus quadros mais bem pagos têm de desembolsar até 70% ou mais em imposto dos rendimentos do trabalho. O trabalho dos ditos outros é muito mais taxado do que dos que deles tiram proveito. É uma injustiça mundial, pois com uma população cada vez maior, os Estados são reféns das empresas que eles julgam que criam empregos quando isso é tudo menos verdade. O emprego está cada vez na pequena empresa, mas por falta de poder as PME são espremidas até ao tutano pelos Estado, juntamente com os seus trabalhadores e patrões. Foi por isso que o governo do Coelho aumentou o IVA da restauração para 23%.

 



publicado por DD às 18:39
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