Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
Por Dieter Dellinger: "O Candidato Russo - Paradigma da Oligarquia"

O fenómeno ideológico e de ciência política mais curioso da época presente foi a transformação do modelo comunista de Estado e sociedade em sistemas oligárquicos. Num, o chinês, foi feito com a continuada presença do partido comunista no poder. Noutro, na ex-URSS, foi concretizado em simultâneo com o desmantelamento do império colonial moscovita e transformação da Federação Russa numa “democracia” de partido quase único com a continuação do Kremlin a ser a alma diretora da República depois de tomada pelo tenente-coronel do KGB Akary Akakievitch Putin que entrou no palácio dos antigos czares com a mesma modesta insolência de um Vladimir Ilyitch Uliánov de cognome Lenine e depois do Ioseb Besarionis Dze Džuğashvili que utilizou o nome de Estaline para se eternizar na história.

 


Que os inquilinos principais da velha fortaleza do centro de Moscovo não tenham perdido nada da insolência patente nas fotos e do poder e vontade de esmagar à sua vontade o Povo não é de admirar. Foi sempre assim na velha e moderna Rússia. Só a fraqueza do Czar Nicolau II (Nikolái Alieksándrovich Románov) que não habitou a fortaleza é que fez cair a autocracia em 1917, então já semi-constitucional.

 


A presente transformação processou-se sem revolução, apenas uma pequena escaramuça em Moscovo com a presença de Ieltsin que, sem saber quem mandava, passou a ser ele a mandar e beber quanto vodka podia. Entretanto iniciou-se o processo de privatização da economia russa e os ministros oriundos do PCUS apoderaram-se de quanto puderam na base de uns títulos de propriedade distribuídos a toda a população que podiam ser trocados por ações sem que tivesse sido formado um registo oficial de propriedade.

 


Vem isto a propósito das próximas eleições presidenciais em que a vitória de Akakievitch Putin parece assegurada pela máquina burocrática do Estado com alguns competidores manobrados pelo Kremlin e muitas manifestações de protesto, já que o moderno Czar cumpriu dois mandatos e colocou no seu lugar o seu primeiro ministro Medvedew para poder agora voltar a candidatar-se a mais dois mandatos.

 


Um dos candidatos à presidência da Federação é um homem paradigmático da Rússia atual, Mikail Prochorov, alguém com um perfil semelhante ao do conhecido Abramovitch e tido como proprietário da segunda maior fortuna da Federação Russa avaliada nuns 20 mil milhões de euros. Mas, o notável é que enriqueceu de repente aos vinte e seis anos de idade depois de se ter formado em finanças e de ocupar alguns lugares importantes na qualidade de homem de confiança do então vice-primeiro ministro Vladimir Potanin que organizou a introdução do capitalismo e privatização da economia russa.

 


Prochorov foi catapultado para a administração do banco Uneximbank e de sociedade com o seu mentor organizou a privatização da gigantesca empresa ex-soviética Norilsk Nikel que explorava minas de níquel, ouro, prata, etc. na Sibéria, além de possuir muitas propriedade e outras empresas subsidiárias. Tal como nos tempos do Czar e nos do Comunismo, na Rússia quem manda é dono e assim os dois sócios tornaram-se proprietários da empresa, do Uneximbank e de outros bancos que adquiriram. Provavelmente utilizaram a tática muita bem descrita pela jornalista Anna Politkoskaya descrita no seu livro “A Rússia de Putin” que consistia em apresentar uns títulos de ações geralmente falsas ao juiz da comarca da sede da empresa que reconhecia como válidos e se o não fizesse aparecia morto à porta de casa. De resto, foi isso que acontece à jornalista Anna Politkovskaya.

 


A partir daí, Prochorov organizou a exploração mineira, vendendo a parte da empresa que não interessava e comprando navios de transporte finlandeses com proa reforçada sem serem verdadeiros quebra-gelos, mas que puderam transportar da Sibéria Árctica todo os valioso minério para os portos onde podia ser reexportado.

 


Os dois sócios acumularam uma fortuna imensa e dividiram-na para cada um ser oligarca à sua maneira. Aquilo dava para tudo. Prochorov, um homem de dois metros de altura e muito desportista, comprou tudo o que alguém podia sonhar ter; um avião a jato, um iate do tamanho de uma fragata, uma frota de carros de luxo e o importante clube de basebol americano “New Jersey Nets”. Pouco antes da crise tinha vendido 25% do seu conglomerado mineiro, pelo que na altura em que as ações caíram redondamente na própria Rússia, EUA e outros países, Prochorov estava com uma imensa liquidez que lhe permitiu fazer importantes aquisições em empresas internacionais de exploração mineira e em quase tudo o que lhe apareceu a preços de saldo.


Hoje, concorre oficialmente contra Akakievitch Putin, mas há quem acredite que se trata de um candidato forjado pois fundou recentemente uma empresa de nanotecnologias apoiada com dinheiros do Kremlin para explorar a investigação feita nesse campo por institutos públicos de ciência. Ou então, é uma emanação do ainda presidente Dmitri Anatoljewitsch Medwedev que, dizem as más línguas, queria permanecer no cargo de presidente, mas o ex-coronel do KGB não deixou. As sondagens não lhe dão mais de 5%, mas na Rússia ninguém sabe o que é uma verdadeira sondagem e, menos ainda, uma eleição mesmo democrática. Há uma linha de continuidade em todo o poder russo que vai da famigerada polícia política do Czar, a Okrana, ao KGB (Komitet gosudarstvennoi bezopasnosti, Comité de Segurança do Estado) dos últimos tempos do comunismo, passando pela Checa fundada por Lenine, transformada em GPU de Estaline e que hoje foi dividida em várias organizações como o Serviço de Segurança Federal, Serviço de Inteligência Estrangeira, Grupo Alfa Antiterror, Força Vympel e Guarda Fronteiriça. O especialista Akakievitch Putin não quer uma grande organização porque pode apresentar alguns perigos.

 

 

 

 



publicado por DD às 22:34
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