Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Terça-feira, 12 de Junho de 2012
Arrogâncias

 

Uma das características mais salientes dos grandes empresários e administradores e até dos médios e alguns pequenos é a arrogância. O velho Santos notabilizou-se pela sua arrogância como o maior merceeiro português, quase a par com outro arrogante, o Belmiro de Azevedo, mas ambos com peneiras suficientes para ensinar aos eleitos o que deve ser feito e isso significa sempre aumentar as suas imensas
fortunas.

Mas entre os arrogantes aqueles que mais exageram nisto são os banqueiros e os administradores de bancos. Todos falam como se fossem senhores da sabedoria absoluta. Basta ouvir o Ricardo Salgado Espírito Santo com o seu ar sério, os óculos no nariz a falar pausadamente como se fosse uma espécie de proprietário de Portugal. Depois vemos o Ulrich a dizer há pouco tempo que chegou o momento para privatizar a CGD; imaginem, agora com a banca mundial toda de rastos, a começar pelo seu banco, vender o maior banco português; talvez a 5 cêntimos a ação. João Salgueiro fala também do púlpito como mandatário do único deus em que acredita, o dinheiro.

Nenhum daqueles que pretendem ser os senhores do dinheiro tem a humildade de reconhecerem que pertencem a uma classe falhada, principalmente porque nunca reconheceram que o “seu dinheiro” é fundamentalmente dos depositantes e de muitos pequenos acionistas que praticamente perderam tudo o que investiram. E quando se pagam a sia mesmo ordenados milionários estão a roubar os acionistas e depositantes.

Juntamente com os banqueiros americanos e quase todos os gestores de bancos europeus foram desde 2o08 os grandes culpados da crise financeira que a Europa vive e que se está a propagar lentamente a todo o Mundo.

A desonestidade em querer vender, e continuam nisto, produtos ditos estruturados sem base financeira, futuros de futuro desconhecido e muita porcaria mais, deveria fazer deles presidiários para toda a vida.

Em Espanha tinham inventado a categoria de “preferentes”, convencendo os espanhóis que aquelas contas eram seguras e podiam dar 20% ou mais de juros, quando não passavam de produtos ditos estruturados que nada valem hoje e não têm garantias do Estado por não serem considerados depósitos.

Na sua arrogância, todos os administradores banqueiros criticavam o Estado, considerando os cuidados médicos, a educação, as infraestruturas, etc. como as culpadas de tudo e mais alguma coisa. Eles, com os parcos juros que pagavam pelos depósitos e, com
isso, desincentivaram a poupança, enganaram muita gente com produtos estruturados e emprestaram a torto e a direita para a compra de casas,
acreditando na sua imensa estupidez que o imobiliário iria crescer para sempre.
Há uns anos atrás, a EDP disse que tinha já 6 milhões de contadores domésticos.
A partir desse número, qualquer gestor deveria ficar de pé atrás e dizer, o mercado está saturado. Emprestar sim, mas mais para a recuperação do que para as novas construções e aí cuidado, ver bem a capacidade do utente do crédito.  

Há dias ouvi o António Borges todo erecto a falar alta numa entrevista televisiva. O homem não presta para nada, mas tem um ar teatral de quem é o melhor do Mundo e arredores. É do tipo velhota de sucesso dos WC, ou seja, aquela velhota que toma conta dos sanitários e não faz nada para os manter em condições, mas está sentada muito sorridente à saída com uma mesinha ao lado e um prato cheio de moedas. Os utentes que acabaram de mijar olham para a velhota e sentem-se na obrigação de largar um moeda. Outra que cumpre bem a sua obrigação e lava aquilo tudo, não
recebe nada.

Borges andou de banco em banco e de lugar em lugar sempre com aquele ar de quem sabe e, afinal, não sabe nada e, por isso, nunca quis responsabilidades verdadeiras como seriam as de um ministro das Finanças. Agora está nos “prós e contras” a debitar as suas estupidezes neo-liberais em que o liberal é só para ele, não para os doentes terem a liberdade de serem tratados, os alunos a liberdade de serem ensinados, etc.

Uma das condições já presumidas e a serem impostas pela EU ao emprestar 100 mil milhões à Espanha é correr com alguns administradores falhados e
recebedores de ordenados milionários. Ora o não sei quantos Rato que geria o Bankia quer 1,9 milhões de indemnização para sair do Bankia e não trabalhar na banca durante dois anos. Sucede que nenhum banco espanhol ou estrangeiro vai querer o homem e o Bankia deve ser fechado, indemnizando-se os depositantes e mais ninguém.



publicado por DD às 00:11
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