Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Terça-feira, 25 de Setembro de 2012
A Austeridade Liberal Falhou e nâo tem Futuro

 

 

            Estive a ouvir os liberais de direita Proença de Carvalho, Medina Carreira e  Paulo Trigo Pereira. Ninguém tem explicações para o problema, antes falavam nas gorduras do Estado e na possibilidade de reduzir largamente as despesas públicas e agora são confrontados com duas duras realidades.

A primeira foi o aumento da despesa do Estado em 0,4% relativamente ao ano anterior, apesar de ter cortado em 15,2% os vencimentos dos funcionários e as pensões dos reformados. Comparado com o Governo Sócrates, a despesa real aumentou no valor descomunal de 15,6%. Incompreensível com cortes nas obras, introdução de gravosas taxas moderadoras em todos os atos médicos e redução dos preços dos medicamentos, o que foi obra de Sócrates que muito impulsionou a introdução dos genéricos.

A segunda foi a redução das receitas em todos os impostos menos no IRS que, mais uma vez, significou ir diretamente ao bolso dos portugueses.

Ninguém tinha uma explicação para isso, nem o professor Paulo Trigo Pereira que escreveu um interessante livrinho intitulado “Portugal: Dívida Pública e Défice Democrático”. As soluções que todos os liberais propuseram falharam redondamente.

Agora, o Governo parece que quer fazer um grande aumento do IRS de modo a ir buscar os tais 15,2% dos vencimentos de f. p. e reformados e mais uns dois e meio a três mil milhões de euros para reduzir o défice. O resultado não pode ser brilhante. Em Portugal há um número muito importante de trabalhadores individuais, como advogados, contabilistas, canalizadores, reparadores, construtores civis, mecânicos e oficiais de diversos ofícios, mediadores de propriedades, incluindo a vasta classe de agricultores e patrões de PMEs. Toda essa gente, perante um IRS exagerado vai encontrar meios de contornar o imposto, reduzindo o seu salário e procurando por outras vias receber verbas. E não é difícil porque o Estado não pode controlar tudo e carregar nas pequenas empresas e auto-empregos é levar tudo à falência. Já ouvi falar em administradores de grandes empresas que estão a passar a consultores e a receberem fora do País uma parte dos seus salários sem descontar IRS.

Além disso, está provado que em macroeconomia a redução do poder de compra de todos é a redução dos rendimentos de todos ao mesmo tempo. A austeridade simultânea conduz à recessão, à redução de receitas e ao aumento de despesas em desemprego.

Convém salientar que os défices estão mal calculados, pois Bruxelas e, em particular, a Alemanha e todos os liberais consideram qualquer despesa pública como um luxo ou algo de supérfluo. Assim, Alqueva é considerada um luxo, uma auto-estrada é o mesmo, apesar de sabermos que os alemães gastam mais de 1% do seu PIB em engarrafamentos por as suas autoestradas serem muito antigas. Nas rádios alemãs, ainda à meia-noite oiço as informações sobre engarrafamentos nas mais diversas autoestradas germânicas e foi numa rádio que ouvi o tal custo de 1%.

O professor Trigo deu a entender na Sic que considerava as universidades e politécnicos como despesas supérfluas e haveria no ensino superior muito para cortar, também há liberais que consideram os cuidados médicos para os pobres idosos como um luxo, pois seria melhor que morressem o mais cedo possível. Os próprios submarinos foram contabilizados em 2011 quando deveriam ser pagos ao longo de muitos anos, salientando que o povo português não está informado sobre a forma de pagamento. Ao contrário disso, uma empresa privada que adquira um navio ou faça outros investimentos deverá amortizar tudo ao longo de um determinado número de anos, contabilizando em cada ano só o valor amortizado como despesas, mesmo que tanha pago o investimento a pronto.

Na Europa, os Estados criaram empresas públicas e PPP para poderem pagar ao longo dos anos em correspondência com a realidade e a liberdade que também possuem as empresas privadas e os cidadãos que adquirem casa a vinte ou trinta anos.

Enfim, os liberais de direita estão a levar toda a Europa à ruína e Merkel repete os erros do governo Bruening de 1931/32, cuja austeridade provocou uma onda de desemprego que proporcionou a subida ao poder do mais tenebroso ditador que a Humanidade alguma vez viu e que deixou mais de 35 milhões de mortos atrás de si. Será isto que querem os liberais de direita?



publicado por DD às 00:03
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