Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.

Sábado, 7 de Janeiro de 2017
Paulo Silva – O Caçador de Tubarões

 

 

 

O Expresso Revista publica hoje um extenso e até interessante artigo sobre a figura do Inspetor de Finanças de Braga, Paulo Silva, com o pomposo título de “O Caçador de Tubarões”.

Sucede que só pescou um tubarão em 15 anos de incessante trabalho de investigação tributária e financeira com 6,5 terabytes de informação o que dá 6 x 1.073.741.824 kilobytes ou 1024 gigabytes só na “Operação Furacão” e 9 milhões de ficheiros e 200 mil registos bancários com buscas a mais de 700 empresas e pessoas e seis bancos pouco ou nada saiu de concreto.

A posse de tão gigantesca informação conduziu a um única condenação, a de Duarte Lima, o ex-líder do grupo parlamentar do PSD, condenado a 10 anos de prisão depois reduzidos a 6 anos e ainda fase de recursos e sujeito a ser condenado no Brasil por homicídio de Rosalina Ribeiro.

No início, o artigo toca a algo que conheço bem que é a questão do IVA nas importações. Diz o Expresso que Paulo Silva descobriu um conjunto de fraudes de fuga ao IVA nas importações através de falsas empresas que faturava ao importador direto. Diz o Expresso: Paulo Silva expôs a forma como estava a ser usada uma firma de importação de automóveis que funcionava como empresa de fachada, já que apenas servia para simular contratos de compra e venda para poder cobrar IVA ao verdadeiro importador final dos carros sem pagar por sua vez ao fornecedor fora de Portugal, beneficiando de um regime em vigor entre países da União Europeia. Era um tipo de esquema conhecido como “carrossel do IVA”.

Nada há de mais FALSO nesta afirmação que, aliás, parece não ter originado qualquer penalidade.

A falsidade reside no facto de na importação, fingida ou verdadeira, não se pagar IVA ao fornecedor estrangeiro de qualquer mercadoria, mas sim à Autoridade Tributária nacional.

Quando se importa algo de um país da União Europeia, o importador tem de pagar o IVA ao fisco português no momento em que paga a fatura do fornecedor, a qual deve trazer o número fiscal do comprador. Essa fatura foi antes comunicada ao fisco do país de origem pois os exportadores não pagam IVA e o fisco estrangeiro informa a Autoridade Tributária portuguesa. Geralmente, os exportadores estrangeiros exigem também uma nota de receção da mercadoria em Portugal. Se a mercadoria vier de um país exterior à União, o IVA é pago na Alfândega em que o importador só pode tirar a mercadoria após pagar taxas portuárias, direitos aduaneiros e o IVA.

Tudo o que está escrito sobre empresas que utilizam outras para aumentar o valor da fatura das importações é uma asneira pegada. Os computadores da Autoridade Tributária fazem o cruzamento dos dados automaticamente durante 24 horas por dia e o Banco de Portugal controla todas as saídas de dinheiro e quer conhecer as razões da importação e os bancos comunicam também ao fisco o pagamento ao exterior e já antes havia esse controlo semiautomático.

De qualquer modo, o IVA dos importadores não é um problema porque, por exemplo, uma empresa que importe mercadoria que tenha de pagar 1.000 euros de IVA na importação vai depois debitar IVA sobre o valor final de venda dessa mercadoria intacta ou transformada nalgum produto. Depois entrega ao fisco o IVA deduzido de todos os IVAs que pagou como o da própria importação mais o de todos os seus custos de atividade como eletricidade, água e até esferográficas. Com a grande concorrência de preços que há nos mercados mundiais e nacionais as margens não são elevadas, o IVA pago pelas empresas é sempre diminuto. O cliente final é que paga o verdadeiro IVA de 23% nos computadores estrangeiros, por exemplo.

É inacreditável que Paulo Silva ou o jornalista desconheçam esses factos, mas são referidos nomes de empresas nacionais e estrangeiras, incluindo nacionais com atividade no Reino Unido e número fiscal português, uma verdadeira aberração impossível de ser concretizada.

Mesmo que haja engano e em vez de importação se queria dizer exportação, o absurdo continua, o exportador não paga nem exige IVA e pode deduzir todos os IVA pagos com o fabrico de produtos ou compra de matérias-primas e se só exportar, recebe todos os IVAs de volta, incluindo o da eletricidade, etc. Por outro lado, dada a tremenda concorrência mundial, não há muito lugar a vendas com grandes margens de lucro que permita ir depositar no Panamá ou nas Ilhas Virgens de parte do valor da venda ao exterior.

O juiz de instrução Carlos Alexandre costumava delegar em Paulo Silva as investigações sob o ponto de vista financeiro de onde sairiam as provas de crimes cometidos. Tudo começava com um Processo Administrativo fiscal.

O artigo refere também Sócrates e pode ler-se no artigo acerca de Paulo Silva: “O que lhe sobra em capacidade para analisar tudo o que são fluxos financeiros falta-lhe em capacidade para construir uma narrativa do CRIME. Onde está a narrativa da CORRUPÇÃO” (as maiúsculas são minhas)..

O artigo é longo e fala ligeiramente no caso dos submarinos adquiridos por Paulo Portas e sem conclusão nenhuma nem referência à condenação alemã de corrupção ativa de dois administradores da Ferrostaal.

Além disso, Paulo Silva, o grande inspetor, nunca se preocupou com o caráter criminoso da existência de falsas sedes de empresas portuguesas na Holanda com o objetivo de fugir ao pagamento da taxa liberatória de 28% e que representa o maior crime de fiscal alguma vez praticado em Portugal e que deve ascender já a vários milhares de milhões de euros.

Paulo Silva é uma anedota sem investigar Jerónimo Martins, Continente, EDP, REN, GALP, Amorim, etc. apesar de ter investigado crimes iguais praticados pelo BES que criou para a família Espírito Santo e para clientes falsas sedes destinadas a fugir ao fisco.

 



publicado por DD às 17:38
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016
A Europa tem Medo dos Muçulmanos e Quem tem Medo já está DERROTADO

 

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 Mesquita de Córdoba

 

A Alemanha Muçulmana

Uma escola alemã na Turquia acabou com o Natal, enquanto entraram mais de um milhão de muçulmanos na Alemanha, sendo cverca de metade refugiados sírios. Os outros são oriundos do Afeganistão, Paquistão, Somália, Marrocos, etc. Na Alemanha vivem já 7 milhões de muçulmanos turcos, palestinianos e marroquinos.

A Espoanha tem Medo

Os muçulmanos reivindicam "a mesquita de Córdoba". Autoridades da cidade que fica no sul da Espanha deram um duro golpe na reivindicação de propriedade da catedral pela Igreja Católica, pretendendo partilhar o templo com os muçulmanos.

O local foi inicialmente a igreja de São Vicente, que depois da conquista de quase toda Península pelos muçulmanos invasores serviu de mesquita por mais de 400 anos quando a Espanha islâmica fazia parte de um califado, antes do reino cristão de Castela conquistar a cidade e convertê-la novamente em igreja. Agora os islâmicos a querem de volta. Não têm direito à mais pquena parcela da Espanha e Portugal. Que mais não seja por se terem deixado derrotar pelo cristãos, ou seja, os anteriores ocupantes celtas, romanos e germânicos.

A França também se está a acobardar:

"Tudo é cristão", escreveu Jean-Paul Sartre depois da guerra. Dois mil anos de cristianismo deixaram uma marca profunda na língua francesa, paisagem e cultura. Mas isso não é bem assim de acordo com a ministra da Educação da França, Najat Vallaud-Belkacem (muçulmana). Ela acabou de anunciar que, em vez de dizer "Feliz Natal", os servidores públicos devem dizer "Boas Festas" - trata-se claramente de uma deliberada intenção de apagar do discurso e do espaço público qualquer referência à cultura cristã na qual a França

Ao mesmo tempo, alemães, holandeses, escandinavos e outros atiram-se aos povos fronteiriços da Europa, abrindo assim as suas fronteiras >à invasão muçulmana.

A Grécia, a Itália, a Espanha e Portugal são roubadas pelos holandeses, luxemburgueses e belgas e nada se faz para resolver os seus problemas e criar uma verdadeira unidade europeia.

Cegos pelo dinheiro, os muitos Schaeubles e nazis populistas só pensam no imediato que é reduzir os salários e pensões dos europeus em vez de reforçarem o poder de 500 milhões de europeus.

 

 

 

 

 

 



publicado por DD às 17:49
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger: Estaline no Expresso

 

 

 

O Expresso vai publicar a excelente biografia quase familiar de Estaline escrita por Simon Sebag Montefiori e que originou no Expresso de hoje um artigo de Francisco Louçã sobre o ditador.

Podemos e devemos separar o “estalinismo” do “comunismo” e ambos dos diversos socialismos. Louçã diz em caixa alta que “É absurdo comparar Estaline a Hitler”. Pode ser que também seja absurdo comparar Hitler a Salazar, apesar de haver muito mais em comum entre Estaline e Hitler, ou seja, milhões de cadáveres.

O estalinismo não foi uma verdadeira ideologia, era simplesmente o exagero do bolchevismo ou comunismo tal como o nazismo era uma falsa ideologia, uma espécie de nacional-socialismo para enganar o proletariado e apoiado pela burguesia alemã e, acima de tudo, pela burguesia proletarizada pela crise inflacionária de 1922 e pela austeridade dos governo dos últimos anos da década de 1920 e primeiros dois de 1930.

De qualquer forma, o que estava em causa então como o que está em causa na guerra entre o jihadismo e o resto do Mundo, incluindo o muçulmano, é a eterna mecânica poder. Como na física quântica há uma mecânica que determina todas as coisas.

Todo o mundo é governado por partidos políticos, mesmo as ditaduras militares acabam sempre por organizar qualquer coisa como uma União Nacional ou um Partido Bolivariano para agregar aqueles civis que vão deter os muitos cargos que o poder sempre distribui, sustenta e necessita.

A mecânica partidária é sempre a mesma; o chefe e a sua corte próxima e é disso que trata o livro “Estaline – A Corte do Czar Vermelho” e depois os delegados aos congressos, eleitos para comités ou comissões nacionais e os pequenos potentados obedientes e subservientes das províncias ou autarquias mais o pessoal da defesa policial ou militar e uns tantos apoiantes mais ou menos idealistas que servem para encher salas e comícios. São os que acreditam ou sentem o partido como um clube de futebol de que são adeptos.

No âmbito dessa mecânica há sempre uma luta pelo poder interno que deixa de existir no auge da liderança do chefe e reaparece quando este aparenta não ser capaz de se manter no poder. Nas democracias, o chefe do partido que se deixou escorregar para a oposição tem a prazo os seus dias contados, salvo raríssimas exceções.

Nas ditaduras, as fações partidárias são tratadas a tiro, nas democracias são ostracizadas ou em parte compradas com alguns cargos.

Louçã desculpa o Estalinismo com a II. Guerra Mundial e a Guerra Fria quando o modelo é muito anterior.

Estaline liquidou os melhores oficiais do exército vermelho, o que incitou Hitlerr a invadir a URSS em 1941. Curiosamente fê-lo com o muito petróleo que Estaline forneceu aos alemães durante o período do pacto germano-soviético.

Com Lenine, Estaline é nomeado secretário do Partido Bolchevique para o pessoal e para as nacionalidades no XII Congresso. Como chefe de pessoal colocou os amigos nos melhores lugares e após a morte de Lenine sobe a secretário-geral do Partido em 1922 e a partir daí luta para conseguir o poder absoluto que só consegue depois do XVII Congresso de 1934 em que elimina todos os delegados que receberam menos votos negativos que Estaline, pois nos congressos do Partido Comunista, os delegados recebiam uma lista de nomes e cortavam aqueles que não desejavam. Kaganovitch e Molotov contabilizaram 100 negativos cada um. Estaline terá tido 292 votos negativos, enquanto que o ex-burguês menchevique Kirov teve apenas dois votos negativos, isto para a Assembleia do Partido. Estaline nomeou Kirov como quarto secretário para o mandar governar Leningrado até ser misteriosamente assassinado por “anticomunistas” às ordens de Estaline e que deu origem à maior perseguição condenações à morte de comunistas que alguma vez a História regista.

Entre os revolucionários de1917, Estaline liquidou os seguintes que foram todos reabilitados postumamente depois da morte do ditador:

Entre eles:

  • Lev Kamenev - Membro do Comitê Central do Partido Bolchevique. Um dos membros da troika que governou a URSS entre 1923 e 1925. Condenado à morte[3].
  • Leon Sedov - Filho de Leon Trótski. Acusado e condenado nos Processos de Moscou, foi assassinado em Paris por um agente de Estaline.
  • Joseph Pianisky - Social-democrata em 1896, agente do Iskra em 1901, bolchevique em 1903. Foi membro do Comitê de Moscou do partido, da Comissão Central de Controle e do Comitê Central. Preso em 1937, desapareceu "misteriosamente" na prisão[3].
  • Nikolai Krestinski - Membro do Comitê Central em 1917 e seu secretário de 1919 a 1921. Condenado à morte e executado. Por 24 horas negou as "confissões" feitas no inquérito[3].
  • Ivar Smilga - Membro do Comitê Central desde 1911. Preso, desapareceu durante a grande purga[3].

 

Foto: Estaline embalsamada. Era para ser colocado ao lado de Lenine, mas enterraram-no num cemitério na Georgia, salvo erro.



publicado por DD às 21:33
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Domingo, 18 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger: Portugal tem Saldo Primário Positivo

Com 10 dos 12 meses do ano já passados, assim vai a execução orçamental.

Estes dados compreendem os 10 primeiros meses de 2016 e os últimos 2 meses de 2015. Período marcado pela formação do governo e implementação das políticas por ele defendidas.

Os dados seguintes comparam os 12 meses terminados em OUT/2016 com os 12 meses terminados em OUT/2015:

...

Receita Total : 43,361M€ ( + 432M€ ; + 1.0% )

Das quais :
Receitas fiscais : 39,422M€ ( + 709M€ ; + 1.8%)

IRS : 12,131M€ ( - 604M€ ; - 4.7%)
IRC : 4,886€ ( - 210M€ ; - 4.1%)
IVA : 14,852M€ ( + 144M€ ; + 1.0%)
ISP : 3,090M€ ( + 871M€ ; + 39.2%)

Despesa Total : 49,474M€ ( + 429M€ ; + 0.9%)

Despesa Corrente Primária : 42,026M€ ( + 191€ ; + 0.5%)
Despesa de Capital : 1,238€ ( - 124M€ ; - 9.1%)
Despesas com juros : 7,448M€ ( + 238M€ ; + 3.3%)

Saldo Primário : + 1,335M€ ( melhorou 241M€ ) - é de salientar a melhoria deste saldo primário sem o assalto às reformas e aos salários dos fuincionários.

Saldo : -6,113M€ ( melhorou 2M€ ; corresponde a 3.4% do PIB projetado para 2016)

O BP que é do contra teima em utilizar vírgulas onde deveria colocar pontos. Se os portugueses utilizam os pontos para marcar os mil, milhões, etc., o Costa do BP deve fazer com que os seus boletins utiloizem a escrita NACIONAL e não a inglesa.


Por assunto: Execução Orçamental



publicado por DD às 18:25
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016
Trabalhador Precário - Patrão Precário


No Expresso de Economia de 26 de Novembro é feita a descrição de um grande investimento alemão no alargamento de uma fábrica de pás para eólicas em Aveiro.



O responsável pela fábrica disse ao Expresso que ali em Aveiro não é difícil arranjar pessoal, mas sucede que após poucos anos de trabalho e já especializados os trabalhadores saltam para fora, mesmo para o estrangeiro. Naturalmente que vão ganhar muito mais.



Tenho ouvido queixas do género a todos os nívelis mesmo da dona de um café situado nas minhas vizinhanças que tem muita aparelhagem porque compram tudo congelado e em diveros fornos elétricos fazem pão e outras coisas. Há dias, a mulher do dono queixava-se que uma empregada muito eficiente e expedita resolveu ir-se embora de um dia para o outro sem aviso prévio.  Deveria estar a trabalhar a recibos verdes ou a contrato muito curto. A rapariga vive longe de Lisboa e já ouvi queixar-se que gastava mais de duas horas por dia nesse "trabalho" improdutivo e extenuante que são as deslocações. Arranjou emprego a cinco minutos de casa com mais dez euros que o ordenado mínimo e comida.



O engenheiro de um estaleiro naval contou-me que a sua empresa emprega pessoal subcontratado e que os bons mecânicos de motores diesel navais estavam a faltar, só havia pessoal para limpar, lubrificar e apertar algumas portas e parafusos. Um dia tiveram lá um navio com uma avaria no motor e foram obrighados a pedir ao fabricante escandinavo para mandar dois mecânicos para fazerem a reparação e orientar o pessoal que têm. Estavam preparados para ter um intérprete de inglês e qual não foi o espanto deles, os dois mecânicos que vieram da Escandinávia eram portugueses.



A Auto-Europa resolve o problema do pessoal qualificado mandando-os trabalhar na Alemanha quando em Portugal não tem trabalho para toda a gente porque sabe que um bom montador de carros define a qualidade do mesmo. Há anos comprei um VW Golf em que o bujão da caixa de velocidades estava mal metido e o carro vertia óleo logo no primeiro dia. Fiquei sem o carro durante um mês para substituirem a caixa de velocidades.



Por toda a parte a qualidade do trabalhador é determinante e não são os ordenados mínimos ou quase que proporcionam essa qualidade. São aceites por jovens que querem treino e conhecimentos e depois saltam para fora. Nem é preciso ser cientista ou engenheiro programador de informática. Qualquer bom especialista arranja trabalho em muitos países da Europa e até nos EUA, Canadá, Austrália, etc.



Por isso não pensem os responsáveis pelas Associações Patronais que a Lei do Trabalho determina tudo. Na verdade, não determina absolutamente NADA.




publicado por DD às 22:39
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Domingo, 27 de Novembro de 2016
Dieter Dellinger: A Crise Italiana

 

Os italianos vão referendar no próximo dia 4 de Dezembro uma proposta do atual PM, Matheo Renzi, de alteração constitucional no sentido de tornar o país mais governável e com menos mudanças de governo. Desde 1945, a Itália conheceu 60 governo e confronta-se com um gravíssimo problema financeiro, proporcionalmente semelhante ao português.

A dívida pública italiana é de 2,2 biliões de euros que correspondem a 133% do seu PIB, portanto em % superior à portuguesa.

Vários políticos italianos como Beppe Grillo com o seu partido 5 Estrelas e Berlusconi com a sua Lega Norte pedem o Não à alteração constitucional. Matheo Renzi, o PM, disse antes que se demitiria se a sua proposta constitucional fosse recusada, mas agora parece que não seria de imediato para não deixar o país enfrentar a crise financeira sem governo e com uma economia de crescimento muito débil.

A Itália tem um parlamento de duas câmaras com eleitos por voto proporcional. O Senado tem 315 elementos e a câmara baixa mais de 620 deputados. Renzi quer reduzir o número de senadores e modificar as leis eleitorais de modo a permitir maiorias mais saudáveis e mais conciliação entre Senado e Câmara Baixa, já que os representantes de ambas são eleitos segundo uma metodologia diferente.

As leis circulam entre uma e outra câmara durante anos, salientando-se o caso mais curioso o da tortura. Há 27 anos atrás, o governo de então assinou a convenção da ONU contra a tortura, mas ainda hoje não foi possível elaborar uma lei que criminalize a tortura, continuando o texto a subir e descer entre as duas câmaras com emendas e mais emendas.

Quase todos os partidos da oposição querem votar Não e querem a saída da Itália da União Europeia e do Euro, o que seria um cataclismo financeiro, já que pagar a dívida com euros seria impossível porque o BCE não iria emprestar mais dinheiro e com liras desvalorizáveis os credores não vão aceitar ou aceitam sem emprestar mais. O Pib italiano é mais de 1,6 biliões de euros ou quase 10 vezes o português.

Sendo a terceira ou quarta maior economia da Europa, a Itália sofreu o desastre da mecânica europeia de enviar para Bruxelas uma elevada parte do IVA e de direitos de importação e ter de receber de volta apenas para projetos decididos por funcionários de segunda categoria de Bruxelas e no valor de metade dos projetos de investimento apresentados. Assim, tal como Portugal, a Itália foi confrontada nas últimas décadas com investimentos públicos quase obrigatórios em alternativa à perda dos biliões enviados para Bruxelas.

Os governos italianos foram igualmente enganados pela Merkel quando esta pediu a todos os países da União para em 2008/9 investirem o mais possível a fim de evitar uma grande depressão devido à crise americana. Só que Schaeuble não quis alterar as condições de financiamento e não deixou injetar liquidez nos mercados. Queria investimentos sem dinheiro ou à custa dos salários e reformas dos pensionistas em que o mercado de obras públicas aumentava enquanto o mercados dos consumos pessoais diminuía. Para os alemães, só as reformas estruturais (cortes nas referidas pensões e salários) é que devem ser feitas.

Por outro lado, a Itália com o Euro forte sofre muito a concorrência da globalização, não tendo os seus empresários feito os mesmos esforços que os alemães, apesar de que a Itália é ainda um país exportador e importador. A sua economia é muito importante, mesmo com a dívida, e não conseguiu reduzir ordenados que não são muito altos, mas gigantescos a nível extra-europeu devido ao euro.

 



publicado por DD às 19:21
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Sábado, 19 de Novembro de 2016
Dieter Dellinger: Trump e Brexit: Uma Oportunidade para a Europa Continental

 

 

A eleição de Trump é ainda uma carta desconhecida para a União Europeia. Ele pouco falou de política externa dos EUA e parece que vai escolher para a dirigir pessoas da sua laia, ou seja, da extrema-direita. Querem uma América grande como se o fosse já e sem explicar qual o nível de grandeza a que querem chegar.

Trump mostrou-se cordato com Putin que espera uma melhoria das suas relações com os EUA para ter campo de manobra na reconstrução de parte da antiga URSS, uma herdeira do Império dos Czares que Lenine considerava ser uma prisão de nações sem nada ter feito para libertar esses presos. Estaline limitou-se a chamar Repúblicas às nações prisioneiras que nas celas permaneceram. Com o apoio de Trump até onde poderá ir Putin? Eis uma incógnita. Mas nada nos indica que Trump será bom para a Europa que ele desconhece.

Quanto ao Brexit é, certamente, um enfraquecimento da União de 28 nações, mas não pode deixar de ser um motivo para reformular toda a política da União até agora vigente. Claro, desde que removido o escolho que representa Schaeuble ou que este tenha aprendido alguma coisa.

A EU sem o Reino Unido (63 milhões de habitantes) fica com 440 milhões de almas e um Pib ainda fantástico de pouco mais de 12 biliões de euros ou cerca de 66 vezes o Pib português, pelo que qualquer ajuda verdadeira a Portugal e à Grécia, cujo Pib é ligeiramente superior ao português, não tem qualquer significado nas contas europeias e não terá também muito se algo for feito a favor da Espanha e da Itália. Um “Quantitative Easing” assimétrico a favor dos que mais precisam não vai provocar inflação significativa, mas antes o crescimento da economia europeia que atualmente anda pelos 1,5 a 1,6% e, como tal, é anémico. Nenhum país pode crescer na Europa se os outros também não crescerem.

Com uma política fiscal honesta em que ninguém rouba os parceiros como fazem a Holanda, Luxemburgo e Irlanda e com uma solidariedade no sentido de dotar o Pacto Orçamental de Estabilidade e Crescimento com a componente Crescimento que não tem acontecido até agora. Nunca haverá crescimento se a maioria das populações auferirem de rendimentos muito baixos.

Por outro lado, os EUA vão obrigar a que seja criada uma Nato europeia um pouco mais forte que a soma das forças armadas dos 27 países com alguma despesa acrescida, mas não muito. Recordemos que a Alemanha gasta apenas 1,2% do seu Pib na defesa quando a Nato tinha estabelecido um mínimo de 2%. Esta ainda grande Europa de 440 milhões de habitantes tem de ser capaz de se defender de modo a evitar qualquer agressão ou conflito provocador.

A nova Europa sem o Reino Unido necessita de uma unidade sentida de forma positiva pelas respetivas populações e não, apenas, pela negativa dos cortes orçamentais, da redução da despesa em saúde e educação e empobrecimento dos trabalhadores e reformados.

E não há tempo a perder, o neonazismo espera vir a ser decisivo em próximas eleições, principalmente na França. Com Marine Le Pen na presidência francesa acabou-se a União Europeia que foi sempre baseada no eixo Paris-Bonn e depois Berlim.

 

 

 



publicado por DD às 18:52
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016
Dieter Dellinger: A Inacreditável Dependência do BCE

É inacreditável que o banco emissor da moeda que os portugueses usam diariamente mais quase 300 milhões de europeus dependa para as suas decisões de uma agência de rating canadiana (DBRS), portanto, de um país que nada tem a ver com Portugal nem com a União Europeia, não utiliza o Euro e desconhece tudo sobre as economias europeias.

Enquanto isso, o BCE instalado duas torres de mais de 50 andares em Frankfurt está cheio de economistas e especialistas em finanças e direito nacional e europeu, conhecendo todas as transações feitas pelos bancos centrais dos 16 países membros através do sistema TAG2 não é capaz de tomar uma decisão.

O destino de Portugal depende de agências PRIVADAS situadas do outro lado do Atlântico apesar de haver uma vasta administração em Bruxelas para os 510 milhões de europeus e um Parlamente Europeu com mais de 700 deputados a ganharem altos salários e com direito a secretariado individual, carro, etc.

Para que serve isso tudo, quando dependem da opinião de agências que nunca ninguém ouviu falar.

Isto é uma contradição absoluta. O Sr. Draghi para emitir para Portugal 2% das emissões do BCE precisa de uns canadianos para lhes darem informação sobre Portugal quando veio aqui e falou com governantes, banqueiros e até com o PR Marcelo Rebelo de Sousa. Toda esta gente não lhe diz nada ou menos que uns anónimos canadianos.

Esta Europa e este Mundo está mesmo virado do avesso.

 



publicado por DD às 16:10
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016
Dieter Dellinger: Os Fundos dominam a Economia Mundial

Os 10 maiores fundos de investimento capitalistas são americanos e gerem ativos no valor de 21.826 milhares de milhões de dólares ou 21,8 triliões americanos e biliões europeus. Recordemos a este propósito que o Pib do conjunto dos 28 países da União Europeia com mais de 500 milhões de habitantes é de 10.237,71 milhares de milhões ou 10,2 biliões de dólares. Portanto, os 10 maiores fundos capitalistas americanos gerem mais do dobro do PIB da União Europeia, o que dá aproximadamente metade do PIB mundial. O principal fundo é o Blackrock que gere 4.898 milhares de milhões, seguido pelo Vanguard com 3.600 milhares de milhões, o State Street com 2.301 milhares de milhões, etc. Pode dizer-se que a economia alemã é já quase uma Blackroot AG, estando toda controlada por esse fundo, incluindo o setor militar que tende a ser integrado em empresas americanas controladas por aquele fundo. Os Estaleiros onde foram construídos os submarinos portugueses, o Howaldswerfte, está integrado na empresa americana General Dynamics. Os fundos americanos têm a característica de investirem num determinado número de sectores como, por exemplo, a indústria automóvel e de acessórios e partes dos mesmos. Cada fundo gere alguns sectores, não fazendo concorrência entre eles. No seu sector, qualquer destes fundos tem participações em todas as indústrias ou serviços dos seus sectores preferidos, geralmente com um administrador. Tanto podem ter 10% da Mercedes como 45% da Fiat-Chrysler, por exemplo, mais investimentos em fabricantes de material elétrico, pneus, caixas de velocidades, travões, etc. Assim, estes fundos estão dentro de tudo o que se passa no sector principal e anexos e, geralmente, não desejam a concorrência entre fabricantes, só aparente, preferindo que os preços sejam relativamente altos sem exageros. Daqui deixo a minha pergunta: o que valem os Estados hoje em dia e o que vale o Estado português que gere uma pequena parte de um minúsculo PIB de 175 mil milhões de euros igual a pouco mais de um miléssimo da fortuna gerida pelos 10 maiores fundos americanos? Para além dos investimentos empresariais, os fundos gerem as dívidas externas da maior parte dos países do Mundo e os 10 americanos não são únicos porque há algumas dezenas ou centenas de fundos mais pequenos, tanto americanos como europeus, japoneses, chineses, etc. Talvez uns 200 grandes administradores gerem toda a economia mundial. Nunca o Estado foi tão necessário como hoje e nunca as nações dependem tanto do Estado para preservarem a sua independência e o bem-estar dos seus habitantes. Os Estados e as autoridades que regulam a concorrência e as bolsas devem saber ao certo quem são os grandes acionistas de todas as empresas, cotadas ou não e a partir daí assumirem que a propriedade comum de um fundo é pior que a cartelização, sendo já um monopólio, mesmo que na aparência as empresas sejam independentes e até concorrentes.



publicado por DD às 23:03
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Quarta-feira, 1 de Junho de 2016
Dieter Dellinger Comenta: Crimes e Condenações de Gente NORMAL

Um Homo Sapiens, pretenso hetero, matou a ex-mulher à paulada e levou 16 anos e meio de cadeia. Se não incomodar os guardas estará cá fora daqui a 7 ou 8 anos. A mulher é que foi enterrada para toda a eternidade.
Entretanto, os juízes de Aveiro depois de aplicarem já penas de 22 anos ao sucateiro Godinho estão ainda a preparar mais condenação para atingir o cúmulo jurídico de 25 anos.
Godinho "assassinou" uns carris da CP abandonados e datados de 1908. Além disso dava umas go...rjetas a uns chefes de armazéns de sucata de grandes empresas. Mas, os juizes de Aveiro não o condenaram por esses "assassínios", mas sim por ser amigo do Varas do PS. Isso é que foi crime pior que matar a mulher à paulada que, de resto, parece um crime habitual perpetrado por tantos seres normais que todo os vizinhos dizem bem e matam mulheres, filhos, filhas. Até uma senhora normal e inspetora superior da PJ deu uns inofensivos 14 tiros na velhota avó do marido, cujos 80 anos a tornaram num elmento da peste grisalha. Os magistrados foram compreensivos para essa desinfeção a respeito da peste grisalha e até a ilibaram. Só os tipos mais velhos e próximos de fazerem parte da peste grisalha é que obrigaram as primeiras instâncias a repetir o julgamento, a fim de saber que a velhota levou mesmo 14 tiros e não 13 ou 12. Seria injusto condenar uma inspetora por disparar da sua Glock 14 tiros quando pode ter disparado apenas 13.



publicado por DD às 21:25
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