Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
Dieter Dellinger Copia Arnaldo de Matos, o Aliado Português do Terrorismo

Os Marxistas-Leninistas-Maoistas da França e da Bélgica

E os Ataques dos Jiadistas Franceses e Belgas a Paris

 

De Arnaldo Matos
Para o Camarada Lúcio

Quatro dias depois dos ataques dos jiadistas franceses a Paris, o Partido Comunista de França (marxista-leninista-maoista) e o Centro Marxista-Leninista-Maoista da Bélgica publicaram uma Declaração Conjunta sobre aqueles acontecimentos, declaração que não pode deixar de merecer dos comunistas portugueses o mais vivo e profundo repúdio.

Voltamos a este assunto por duas ordens de razões: primeira, porque a declaração conjunta de 17 de Novembro de 2015 dos marxistas-leninistas-maoistas franceses e belgas os coloca totalmente fora do movimento operário comunista internacional e faz deles um bando de lacaios do imperialismo, em particular do imperialismo americano e francês; e, depois, porque Paris é a segunda maior cidade portuguesa, digamos assim, considerando a vasta emigração de trabalhadores portugueses desde os anos sessenta do século passado e as três gerações de luso-descendentes com dupla nacionalidade, existentes actualmente em França. Os ataques dos jiadistas franceses a Paris na sexta-feira, 13 de Novembro de 2015, acabaram por matar três emigrantes portugueses, e colocaram alguns antigos comunistas marxistas-leninistas da emigração lusa do lado do imperialismo francês e da sua política terrorista em África e no Oriente Médio.

É o que acontece, segundo me dizem, com o camarada Lúcio, emigrante operário de Guimarães, um dos mais antigos militantes do Partido, que voltou agora, depois de uma viagem a França, para condenar o terrorismo islamista de 13 de Novembro em Paris. Se a informação é verdadeira, Lúcio abandonou o marxismo-leninismo e o internacionalismo proletário e assentou praça nas fileiras ideológicas reaccionárias do imperialismo francês, ao lado de François Hollande, de Manuel Valls, de Sarkozy, de Marine Le Pen… e de Alain Badiou.

Se ainda se acha comunista e revolucionário, Lúcio tem a estrita obrigação de saber que a violência é a parteira da história e que, enquanto marxista-leninista, tem o dever de repudiar, de todo em todo, o ponto de vista ideológico contra-revolucionário da pequena burguesia relativamente à violência, como qualquer coisa que seria essencialmente e sempre má e imoral.

No plano dos princípios, nós, comunistas, nunca rejeitámos nem podemos rejeitar o terror. O terror é um dos aspectos da guerra, que pode convir perfeitamente e pode mesmo ser indispensável em determinados momentos do combate. Os ideólogos hipócritas do imperialismo e da reacção é que condenam o terror como estratégia de combate das forças anti-imperialistas, do mesmo passo que ocultam o terror quotidiano dos imperialistas contra os povos explorados e oprimidos do mundo.

É certo que os comunistas rejeitam o emprego do terror fora do quadro de operações de um exército revolucionário combatente, articulado a todo um sistema de luta, isto é, rejeitam-no como meio de ataque isolado, independente de uma força armada e em si mesmo auto-suficiente – cfr. Lenine, Por Onde Começar? Obras Completas, Vol. V das Edições Sociais, Paris, 1976, pág. 15.

Mas os jiadistas franceses, nascidos em França, não praticaram os seus actos de guerra como actos isolados; os jiadistas franceses, muito embora nascidos e agindo militarmente em França, executaram os seus actos de guerra no quadro da estratégia de um dos exércitos dos povos árabes e muçulmanos – o exército do Estado Islâmico –, quotidianamente vítimas dos bombardeamentos de guerra do imperialismo americano, europeu e francês, bombardeamentos sistemáticos de terror sobre populações indefesas.

O imperialismo francês, conjuntamente com o imperialismo europeu e americano, designadamente através da NATO, está há mais de vinte anos em guerra contra povos islâmicos no Magrebe, no centro de África e no Médio Oriente, numa frente que vai da orla atlântica africana às montanhas do Hindocushe, na Ásia Central, praticando os mais bárbaros actos de guerra e de terror. Que a classe operária e os comunistas nos países imperialistas, nomeadamente em França, não se ergam contra a burguesia dos seus próprios países imperialistas é crime que não pode ser jamais esquecido e muito menos perdoado. Mas o que não podem é ser condenados como terroristas os franceses, nascidos muito embora em França, que se juntaram aos povos islâmicos explorados e oprimidos pelo imperialismo francês, americano e europeu, para derrubar esse mesmo imperialismo no interior do seu próprio covil.

Sabe-se que a exploração imperialista dos operários, povos e nações oprimidas do mundo consegue comprar, com o produto da exploração e por meio da mais violenta e terrorista das opressões, as forças revolucionárias dos próprios países imperialistas e atrelá--las ao seu carro de guerra da exploração dos operários, dos povos e das nações estrangeiras.

Mas os comunistas não se vendem nem abdicam da sua ideologia revolucionária e do internacionalismo proletário. Esperamos que Lúcio tenha a coragem de permanecer neste caminho, antigo e corajoso, que sempre foi o seu.

O assunto reveste-se assim da maior importância para os comunistas marxistas-leninistas portugueses, para a classe operária e para o povo português, nomeadamente emigrante, mas também para o movimento comunista internacional e para a revolução mundial proletária.

Os disparates reaccionários dos auto-proclamados marxistas-leninistas-maoistas franceses e belgas começam logo no primeiro parágrafo do texto da Declaração Conjunta: “Fazemos - dizem eles – um comunicado comum, porque os nossos dois países são directamente tocados “ (…) “pelos ataques de sexta-feira 13 de Novembro, em Paris”.

Ora, sob o ponto de vista estritamente ideológico e político, os ataques dos jiadistas franceses e belgas a Paris são um assunto que diz muito mais directamente respeito aos comunistas e proletários de todos os países e aos povos e nações oprimidas do mundo inteiro do que aos países da França e da Bélgica propriamente ditos, que diz muito concretamente mais respeito aos interesses da revolução mundial proletária contra o imperialismo do que aos interesses mesquinhos dos chamados marxistas-leninistas-maoistas da França e da Bélgica.

A única questão que cumpre aos marxistas-leninistas-maoistas franceses e belgas esclarecer efectivamente é a questão de saber quais os motivos que levaram e levam franceses, nascidos em França, e belgas, nascidos na Bélgica, a organizarem e a conduzirem, nos seus países natais, combates contra o imperialismo, designadamente o imperialismo francês e belga.

Sobre este tema altamente importante, e de que os auto-proclamados marxistas-leninistas-maoistas da França e da Bélgica fogem sistematicamente com o rabo entre as pernas, é que gostaríamos de conhecer uma declaração conjunta do Partido Comunista da França (m-l-m) e do Comité (m-l-m) da Bélgica.

Diga-se aliás de passagem que o Partido Comunista da França (m-l-m) tem no seu portal digital mais de oitenta declarações, três das quais sobre os ataques de Paris, mas não tem uma única tomada de posição pública sobre as guerras movidas pelo imperialismo francês ou americano contra os povos islâmicos do Magrebe, da África ao sul do Saará, do Oriente Médio e do Afeganistão. Isto é que são uns marxistas-leninistas-maoistas de pacotilha e de traição… Mudos e calados quando se trata das guerras movidas pelo imperialismo contra os povos e nações oprimidas do mundo; palradores enfrénicos quando se trata de condenar os actos de violência dos povos e nações oprimidas do globo contra o cobarde terrorismo imperialista.

Os ditos marxistas-leninistas-maoistas da França e da Bélgica estão de que lado: do lado do imperialismo francês, belga, europeu e americano, que bombardeia e aterroriza os povos e nações explorados e oprimidos desde o Mediterrâneo ao limite sul do SHAEL e da orla africana do Atlântico ao limite oriental do Afeganistão, onde já está em curso a nova guerra mundial do imperialismo pelo domínio e partilha do globo, ou do lado dos proletários, dos povos e nações explorados e oprimidos dessa área do planeta?

E que vão esses pretensos marxistas-leninistas-maoistas da França e da Bélgica fazer: vão juntar-se à polícia e às forças armadas da França e da Bélgica para denunciar, perseguir, aprisionar e matar os jiadistas franceses e belgas que atacaram o imperialismo no interior dos seus próprios países imperialistas, ou vão pôr-se à cabeça do proletariado francês e belga para denunciar, isolar e derrubar o imperialismo no interior dos seus próprios países imperialistas?

 

 

 


publicado por DD às 14:20
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