Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 21 de Setembro de 2014
Doença Letal das Elites ????

 

 

 

O artigo publicado no Expresso por um tal António Augusto Silva, dito professor do IST, com o título "Doença letal das elites" traduz uma mudança de visão da crise portuguesa.

 

Na verdade, há uns três anos atrás, tudo era culpa de um único “malandro”, José Sócrates, “culpado” do caso Freeport que os magistrados perseguiram durante 6 ou 7 anos sem encontrarem a mais pequena prova de crime ou ilegalidade, mas sem nunca reconheceram que não se tratava apenas de incompetência jurídica, mas simples inocência do ex-PM socialista.

 

Agora, após mais de três anos de governo dos outros dois partidos que também tinham experiência governamental passou a ser tudo culpa dos políticos, tanto dos governantes como dos oposicionistas, ministros, deputados ou autarcas.

 

Tudo mudou depois da derrocada do BPN dos amigos de Cavaco, do Banco Privado do Rendeiro e dos mais ricos da sociedade, do BCP de Jardim Gonçalves, tido como génio das finanças, e, por último do BES e GES liderados pelo homem mais “credível” como o Ricardo banqueiro com os óculos de ler na ponta do nariz. No meio disto tudo vimos muitos empresários ir à falência, a seleção nacional de futebol falhar e um vasto processo de desindustrialização e redução da agricultura e pescas que dura há décadas.

 

Assim, o tal Silva chegou à conclusão que as elites portuguesas não prestam e que “Portugal mergulhou num ciclo de declínio, disfuncionalidade, estagnação, mais desemprego, erosão do capital humano, pobreza crescente e falta de esperança” nas suas palavras.

Há verdade nisto em Portugal como o há em muitos países do Planeta, ou seja, em mais de 250 nações representadas na ONU e não em quantos países? Meia dúzia talvez sejam de mais.

 

A Alemanha parecia ser a vencedora da corrida atual, mas as coisas já começam a tremer, o crescimento acabou, a competitividade dos seus produtos não é a mesma porque os mercados começam a sucumbir a uma austeridade imposta em grande parte pelos alemães a mostrar que as suas elites também não estão à altura das circunstâncias. E começa-se a ver que não estão hoje como não estiveram há 100 anos nem há 75 anos, Os grandes militares alemães, os seus políticos e os prósperos industriais, incluindo professores, cientistas, etc. cometeram erros nunca vistos em país algum e hoje mergulham numa aberração austeritária que poderá levar toda a Europa para uma terceira catástrofe em pouco mais de 100 anos, se bem que agora mais financeira e económico que militar, apesar de que este último aspeto não é descartável num futuro próximo. A Alemanha recuperou graças em parte ao apoio ocidental que necessitava de um país forte a servir de rolha ao Mundo Comunista Soviético na sua passagem para a Europa. Também o Japão tinha essa função geográfica de impedir a URSS de sair livremente para o Pacífico e daí a ajuda norte-americana.

As elites portuguesas são portadoras das mesmas ideias das suas congéneres europeias e não são piores nem melhores que outras. Se compararmos com os criminosos oligarcas russos e chineses, com os exploradores dos povos da índia, Bangla Desh, etc. e com os milionários americanos e brasileiros para não falar em espanhóis, italianos mafiosos, franceses, etc. não há razão para o pessimismo português.

 

Portugal foi grande quando as duas matérias primas da civilização eram a pedra e a madeira, ambas existentes em abundância no País. Com elas, Portugal descobriu o Mundo e construiu um notável conjunto de fortalezas que permitiu manter durante séculos a independência contra um vizinho muito maior e mais poderoso e um império que aguentou em simultâneo o embate de espanhóis, franceses, holandeses e pirataria moura.

Quando a civilização passou a centrar-se em torno do carvão e do ferro, Portugal começou a recuar. Não possuía essas matérias primas, cujos custos de importação eram exorbitantes nos últimos veleiros e daí o seu atraso industrial, apesar de que no Século XIX havia elites científicas e técnicas capazes e o ensino superior, médio e técnico industrial ter começado a dar alguns frutos. Portugal nesse Século conquistou uma parte importante do continente africano, deixando para trás ou ombreando com as grandes potências europeias, principalmente a Alemanha, a França e a Itália que ficaram com uns restos mais ou menos desérticos. Apenas o Reino Unido ultrapassou Portugal.

 

Enfim, o senhor Silva não tem razão e os portugueses não podem deixar de acreditar no futuro. Fomos vítimas de uma Europa tirânica liderada pela aberração germânica e por um capitalismo que se apoderou dos Estados, mesmo sem o querer verdadeiramente, mas por imposição da Alemanha que quis um BCE e uma moeda privatizada para servir os interesses dos banqueiros privados e que, afinal, nem para isso serviu. Basta ler na revista “Der Spiegel” os escândalos que envolvem os maiores bancos alemães como o “Deutsche Bank” e o “Commerzbank”, além de outros bancos ingleses e americanos.

 

Dar dinheiro a banqueiros não resolveu qualquer problema como geralmente acontece quando se dá  tudo o que uma criança quer e nem quis. Banqueiros e grandes capitalistas são crianças mimadas que não sabem o que é a vida, pelo que a lei do esforço nem sempre é com essa gente. É não é uma questão de nacionalidade portuguesa, é geral. De resto os portugueses são uma miscelânea europeia tal como os espanhóis, franceses, etc.

O Sr. António Silva não tem o direito estúpido de inventar uma "raça" inferior chamada portuguesa.



publicado por DD às 22:12
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