Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 11 de Dezembro de 2016
Dieter Dellinger copiou do LP: "Garcia Pereira: O Perfil de um Canalha"

Do Jornal "A Luta Popular"

A reunião de ontem do Comité Distrital de Lisboa do Partido fez um balanço vasto e profundo dos nove meses de luta pela denúncia e afastamento do grupo liquidacionista anti-partido, capitaneado pela dupla anti-comunista primária de Pereira/Franco.

Foram estudados todos os documentos com os quais o camarada Arnaldo Matos, fundador do Partido, denunciou, frequentemente perante todo o comité central, o anti-marxismo e o anticomunismo primários de Garcia Pereira, o qual se escondia atrás do secretário-geral burocrata e analfabeto Conceição Franco, para desferir cobardes ataques à classe operária e ao povo trabalhador.

O movimento de denúncia de Garcia Pereira atingiu já um ponto bastante alto junto dos operários e outros trabalhadores.

Garcia Pereira vivia à conta do dinheiro que explorava, através da sua profissão, aos trabalhadores que procuravam os serviços do seu escritório de advogado.

Na reunião de ontem, tomou-se a decisão de denunciar perante a classe operária e perante os trabalhadores, o carácter pioloso e canalha de Garcia Pereira, e dar a conhecer a denúncia que o camarada Arnaldo Matos nunca deixou de fazer desse canalha.

Nos arquivos do Partido constam documentos comprovativos do carácter reaccionário e canalha de Garcia Pereira, denunciados a tempo, e que o comité central do Partido frequentemente preferia ignorar.

No dia 21 de Agosto de 2015, quando se preparava a participação do Partido nas eleições legislativas e o jornal Luta Popular Online deveria ser reorganizado para poder cumprir o papel de jornal político e órgão central do PCTP/MRPP, o camarada Arnaldo Matos endereçou ao canalha Garcia Pereira a seguinte correspondência, com um solene aviso, que a seguir se transcreve na íntegra:

“Caro Garcia Pereira,

Estás a ir por um mau caminho, se continuas a fingir não perceber o que te digo.

Olhei para a primeira página do Luta Popular Online de hoje e fico sem saber se as alterações que apresenta são ou não a nova primeira página, subsequente às minhas críticas e concelhos de anteontem.

Se são, só me resta mandar-te à merda e deixar de aturar as tuas garotices.      

As observações que te enviei visavam reunir os nossos melhores gráficos para redefinirem, segundo uma nova linha política e após ampla e livre discussão, a nova maqueta da primeira página, quanto à espacialidade, cor, títulos, letras e lugar de relevo a conceder ao editorial, como peça nobre da linha do Partido.

Vejo que nada disso foi feito nem entendido, e que se optou por pequenas alterações isoladas, fora de uma nova linha política consequente, e que, quanto ao editorial, a minha observação sobre o filete vermelho levou pura e simplesmente à eliminação do filete vermelho unicamente do editorial…      

Compreendi perfeitamente.      

Passarei a comunicar unicamente com o comité central no seu conjunto, a ver se há lá alguém que entenda o que é que está em causa e o que eu digo.

Arnaldo Matos”

 Perante a carta, clara e sem hesitação, do fundador do Partido, Garcia Pereira embrulha-se como um réptil seboso, tentando desviar as questões políticas suscitadas para o campo das questões pessoais, alegando as dificuldades das suas relações com a mulher e alguns dos filhos, ou com o Fisco, para escapar às suas responsabilidades políticas. Vejam a resposta do Garcia Pereira e digam-me os leitores se é ou não próprio de um verme, um sujeito que não hesita em invocar o nome da mulher e dos filhos para justificar as suas piores patifarias…

“Caro Camarada,

Li o teu mail. Sinto-me literalmente perdido e transtornado. A tua ruptura para comigo é algo de praticamente inultrapassável. Na verdade, és e sempre serás uma referencia, um farol na minha vida. Salvaste-me a vida, a física e a política, em 1978. Apoiaste-me sempre em todas as situačoes mais difíceis da minha vida. NUNCA o poderei esquecer! Reconheço a justeza das tuas críticas mas estou a sentir o chão fugir--me debaixo dos pés. Sinto-me profundamente cansado Estou a enfrentar rupturas pessoais, familiares, designadamente com a Sandra, que me fala em separação e Ricardo, que cortou relações), profissionais (com participações à Ordem e ameaças de processos indemnizáveis, tendo deixado praticamente de advogar) de toda a ordem. Estou com dívidas, designadamente ao Fisco, que não consigo pagar! Nem vejo como. Tenho tentado (ainda ontem estive durante horas a preparar e a apoiar a Fernanda Calaça) mas sinto que efectivamente não tenho estado à altura das responsabilidades. Quero porém dizer-te que não quero ir por maus caminhos nem cometer garotices, muito menos contra ti. Esta não é a 1a página da linha do Partido.

Tenho de me aguentar, isso eu sei. Mas não consigo ver como posso passar sem o teu contacto, o teu apoio, a tua amizade. Desculpa. Nunca te quis atacar nem menosprezar quer política quer pessoalmente!

Forte Abraço (se mo permites)

Garcia Pereira”

Note o leitor, na resposta, que o camarada Arnaldo Matos esclarece o canalha Garcia Pereira, que já desde o Verão de 2013 que se apercebia que as suas relações com o Partido não iriam longe.

“Caro Camarada Garcia Pereira,

Estás permanentemente a misturar problemas e relações pessoais com problemas e relações políticas, e essa mistura não te permitirá nunca fortalecer nenhum dos tipos de relações, nem resolver nenhuma das espécies de problemas.

Em relação aos problemas políticos, que são os prioritários, a questão é simples e há muito está identificada: o actual comité central liquidou, nos últimos vinte e cinco anos, a base teórica marxista, a base ideológica comunista e a base política revolucionária do Partido e cortou a sua ligação às massas.

O partido comunista foi transformado num partido democrata burguês, destinado a disputar eleições, a eleger um deputadinho e a participar num governo com o PS ou o PSD.

Os dirigentes do Partido nos vários escalões serviram-se do Partido para organizarem a sua vidinha e deixaram completamente de se preocupar com a revolução.

A situação agora está brava, porque a contra-revolução tomou o freio nos dentes e vocês, com uma cobardia inaudita, abandonaram os operários, os pobres e o povo.

Todas as tentativas que fiz nos últimos sete anos, - data da crise económica financeira mundial (2008) – não tiveram grande sucesso, porque os dirigentes do Partido não estavam para ai virados, não estudavam, não lutavam, nem se mostravam preocupados senão com os euros que a europa alemã lhes pudesse proporcionar.

O que esses falsos e hipócritas dirigentes não previram é que essa nova pele reaccionária, que haviam entretanto vestido, iria rebentar com as suas próprias vidas e cortar todas as suas relações com os explorados, os pobres e a revolução.

Enquanto eu me esganhava para recuperar e refundar o Partido, tu e os teus amigos do Comité Central não só não apoiavam as iniciativas tomadas para alterar tudo o que devia ser alterado, mas até ensaiavam uma guerra especial contra o papão, destinada a mostrar que não tinham medo do papão…

Pobres estúpidos!

Pode ser que vocês estejam todos a descobrir agora que, afinal, a força ideológica e política dos revolucionários é também o cimento que fortalece as relações pessoais e familiares!

Não pretendo intrometer-me nas relações entre ti e a tua mulher. Mas a conversa que tive convosco no Verão de 2013, ao almoço, no Porto Santo, foi suficiente para perceber que nem as tuas relações com o Partido nem as relações entre ti e a tua mulher iriam muito longe.

Espero sinceramente que consigas vencer as dificuldades por que me dizes estarem a passar. Mas se casaste com a Sandra sem teres tido a coragem de lhe prantear que o teu sonho supremo era a revolução, as responsabilidades partidárias e o amor à classe operária e aos pobres, cometeste um erro ou um duplo erro: o erro de não teres sonhos revolucionários ou e o erro de não teres coragem de lhe confessar que tinhas ou não tinhas esses sonhos, de modo a que ela ficasse bem ciente do que é que a esperava e pudesse partilhar da tua vida.

É uma questão de lealdade e de seriedade!

Suponho que ainda irão a tempo de corrigir os erros que porventura hajam sido cometidos, até porque me parece que a tua mulher tem qualidades pessoais muito apreciáveis.

Tudo está em saber que sonhos alimentam vocês os dois e se eles são pessoalmente compatíveis em termos políticos.

Relativamente aos problemas económicos por que passas, não vejo como possa discuti-los contigo, quando os meus são incomparavelmente piores que os teus. E eu vivo no mesmo andar onde vivia há cinquenta anos!

Se tens dívidas ao fisco, elas terão de ser pagas. Deves ter um plano para pagá-las e pedir a colaboração dos teus amigos. Por mim, ajudarei no que puder.

Problemas profissionais vais tê-los sempre, enquanto tiveres essa profissão. Não vejo é que esses problemas devam ocupar muito do teu tempo, pois não merecem isso.

Problemas com os filhos resolvem-se por si mesmo, indo cada um para seu lado, e só devem preocupar os pais quando os problemas são de saúde. Aí temos que ajudar em tudo o que pudermos: mas não é um problema; é uma dor ao nível da emoção, do sentimento e do amor. Sei o que é isso melhor que ninguém, mas ainda ando por aqui a lutar comigo para cumprir as minhas tarefas, velho de 76 anos.

Relativamente às tarefas políticas, essas não tenho mesmo ideia de como ajudar-te a resolvê-las, porque a questão é que tu não queres resolvê-las.

Se quando 150 polícias invadem o Bairro da Cova da Moura, tu não sabes o que é que deves fazer, só vejo uma solução: reunires imediatamente o Comité Central ou o Comité Permanente e tomar uma decisão imediata.

Mas o problema da Cova da Moura já devia, quanto ao fundo, ter uma solução política e organizativa tomada e executada há anos.



publicado por DD às 18:38
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