Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.

Terça-feira, 8 de Outubro de 2013
Que nos matem a todos ….

 

Os idosos solitários viúvos ou viúvas costumam ter na rádio, pela manhã, uma distante companhia e, sem dúvida, tendem a preferir a TSF que lhes dá notícias a toda a hora. Mas hoje, a desconhecida idosa, triste e vacilante, recebeu um choque de monta quando ainda não tinha tomado o seu café e a torrada preparada com as mãos trémulas. Ouviu e mal podia acreditar nas palavras que os seus ouvidos recebiam. O governo vai retirar 100 milhões de euros às pensões de sobrevivência de todos os regimes de reforma.

 Já lhe tiraram muito com a hipócrita taxa de solidariedade e com os novos escalões de IRS, aumentaram-lhe o IMI do pequeno apartamento adquirido há quase 50 anos, aumentaram a eletricidade tão preciosa para os dias frios de inverno, o gás e a água e agora ainda vão ao que resta.

 Na padaria, a idosa queixou-se que, pelas suas contas, vai ficar com menos do que ela recebia quando o marido era vivo e reformado. Já quase não vê de uma vista e da outra apenas uns 50% e tem de ir a Coimbra à consulta do médico que a operou de um glaucoma causado pela diabetes.

 Que nos matem a todos, disse a octogenária. A senhora Merkel que mande através da troika instalar as câmaras de gás que os seus compatriotas tão bem souberam construir durante a guerra. Nós, os idosos, somos os novos judeus da Europa, querem a nossa liquidação final, querem-nos mortos sem tratamentos e à fome e ao frio.

 Na verdade, foi um golpe tremenda anunciado pelo Portas, o tal que era contra todos os aumentos de impostos. O egoísmo totalitário instalou-se em todas as sociedades globalizadas. A Igreja Católica nada diz porque a austeridade assassina vem de dois partidos ditos democratas-cristãos e Francisco, como os seus antecessores, acha bem tudo o que tem o nome de Cristo sem se insurgir contra a hipocrisia máxima dos fingem nele acreditar para roubarem sempre mais.

 Querem matar os velhos para não emitir alguma moeda, para que a banca privada ganhe fortunas com os juros de usura que pratica aos Estados com o dinheiro do BCE recebido a 0,5 e 1% ao ano.

 Quanto tempo é que isto vai durar? Perguntou a idosa na padaria aos poucos anciãos que ainda se arrastam até ali para comprar pão e, eventualmente, tomar um café. Todos discutiam a notícia, todos lamentavam a sua falta de forças para se revoltarem e um deles disse: “pois é, ninguém se revolta por nós; julgam que nunca chegarão a velhos. Não me refiro aos políticos que esses roubam o suficiente para a sua velhice, mas aos honestos cidadãos trabalhadores e às classes médias”. Ficaram todos mudos e quedos, fixando os raios solares que hoje entravam alegremente na padaria, mas que nada tiravam da tristeza daqueles que trabalharam toda a vida para NADA.

 



publicado por DD às 21:47
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
Reformados e Esperança de Vida

 

 

 

Os reformados a quem estão a ser roubados os subsídios de férias e natal devem organizar-se em grupos e levar o caso a tribunal, acusando Coelho, Gaspar e Mota de roubo. Os que sofreram um roubo total porque recebem mais de 1100 euros são cerca de 90 mil e os roubados parcialmente devem ser da ordem dos 500 a 600 mil. Quase um milhão fica de fora por terem sido roubados toda a vida ou porque roubaram a segurança social e nunca descontaram sobre o que ganhavam, mas isso é outra história.

O Centro Nacional de Pensões considerou sempre 14 ordenados anuais, mesmo que um trabalhador ou empresário só recebesse 12 ou 13. Muitos pequenos empresários e profissionais liberais preferiam fazer as contas a 12 ordenados que se pagavam a si mesmo por razões de contabilidade mais homogénea. Mas, nesses casos, o CNP fazia a divisão por 14. Assim, quando o cálculo eram os melhores dez anos dos últimos quinze, dividia-se a totalidade do recebido por 140 e descontavam-se 20% para calcular a pensão mensal a pagar 14 vezes. Mesmo no cálculo da soma de toda a vida, a pensão é calculado pela divisão da soma total pelo número de anos vezes 14 menos 20%. Hoje, fazem-se contas mais complexas com indexantes e cálculos de esperança de vida para reduzir ainda mais as pensões.

O dinheiro das reformas não é um bónus, mas sim a devolução à sociedade civil daquilo que ela depositou no Estado ao longo de toda a vida e que foi sempre sujeito a impostos diversos para além dos descontos da segurança social.

Um processo não deverá ser muito caro porque um advogado pode tratar de um conjunto de pessoas que foram roubadas.

 

Há tempos ouvi algo de inacreditável na TVI Notícias. Uma enfermeira ou uma médica dizia que as pessoas devem aprender a morrer em casa e as famílias devem habituar-se a isso. Claro, não disse, mas pensou, sem chatear os hospitais e gastar dinheiro do Ministério da Saúde para dar a impressão que os f. da p. que governam este país estão a gerir bem as finanças públicas e a p. da Merkel fique satisfeita.

Só faltava dizer ainda que as criancinhas devem nascer em casa com parteiras a fim de permitir ao f. da p. Macedo fechar as maternidades.

 O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem vindo a defender o aumento da idade de reforma em um ano sempre que a esperança média de vida aumentar por igual período, como solução para evitar a rutura dos sistemas de pensões. O FMI esquece que há duas idades limites de esperança da vida média: a em boas condições físicas que raramente ultrapassa os 65 anos e a cheia de problemas de saúde como má visão, artroses, diabetes, problemas cardio-vasculares, etc. em que a medicina permite que se viva muitos anos ainda, mas sem grandes esforços nem o stress de trabalho intenso ou até certo ponto fazer um trabalho que se goste e do qual se tenha muita experiência. Estou a lembrar-me do Manuel de Oliveira com 103 anos que quis ir para casa para continuar a fazer filmes, apesar de ter um “by pass” e dois “stents” coronários. Com isso pode viver-se muitos anos.

Estatísticas


 

O governo diz que não quer aumentar a idade da reforma, mas pretende antes o plafonamento, o que não é menos perigoso para os cidadãos, principalmente no futuro.

Na Segurança Social, a observação do quadro que vem na Pordata mostra-nos números arrepiantes, isto é, 1,6 milhões de portugueses reformados por velhice, dos quais apenas 5,9% auferem uma reforma superior a 1.000 euros, sendo 5,2% entre os 1.000 e os 2.500 euros, 0,62% entre 2.501 e 5.000 euros e apenas 0,05% com mais de 5.000 euros.

No lado inferior há mais de 7.654 ditos beneficiários com reformas até 50 euros, 37.957 com 51 a 151 euros; 172.481 com 151 a 250 euros; 1.188.160 com 251 a 500 euros e 155.943 com 501 a 1000 euros. Mais de 1.000 euros são auferidos por apenas por 99.436 pensionistas.

Para o governo, plafonar só tem sentido se se limitar aos tais 5,9% ou 99.436 pensionistas porque as reformas milionárias são de 907 pensionistas que representam os já referidos 0,05%.

Oriundos da função pública há 440.194 pensionistas com uma média de 1.250 euros cada, dos quais 4.832 auferem mais de 4.000 euros de pensão de reforma.

Portugal é tão rico em reformados miseráveis e pobres como quantitativamente paupérrimo em ricos reformados, pelo que acabariam por ser as classes médias a pagar, pois são as pessoas a quem o governo Coelho pode extorquir mais umas poucas centenas de euros por ano. Repare-se que o corte total dos dois subsídios de natal e férias abrange apenas uns 5% dos reformados do setor privado, daí saírem duas conclusões. Primeiro; não influenciam as contas públicas ou reduzem o défice; segundo, não influenciam as sondagens eleitorais. 5% com mais de 1.100 euros não tem interesse financeiro ou eleitoral. Claro, esses 5% fustigados por um Estado opressor e debaixo de uma montanha de impostos e taxas terão um peso bem superior aos seus 5% nas próximas eleições, dado que os pobres não têm razão nenhuma para irem votar.

Mesmo assim, o futuro terá outros quadros, nomeadamente daqui a dez anos ou vinte porque toda a gente desconta e as reformas inferiores a 500 euros serão menores. Daí o interesse em protelar em dois anos mais a idade da reforma e impedir as reformas antecipadas, muitas das quais são responsáveis pelo seu baixo nível financeiro.

Os números portugueses, sejam salários, reformas ou subsídios são tão baixos e as receitas igualmente tão insignificantes, incluindo o próprio PIB que a ideia de que o Estado possa um dia vir a ter um défice de 0,5% é uma burrice total. Não sei como PS do Seguro foi capaz de votar favoravelmente uma asneira dessas, tanto mais que nenhuma nação europeia, nem a Alemanha, vai alguma vez conseguir de uma forma continuada ter défices assim tão baixos, a não ser que se alterem os estatutos do BCE e este passe a emprestar diretamente aos Estado a 0,75% como o faz à banca privada que não sabe o que fazer ao dinheiro, dado não ter confiança nas economias da zona euro.

Portugal foi o primeiro a aprovar no parlamento essa burrice, mas acredito que muitos outros parlamentos vão chumbar esta medida, pelo que nunca será aplicada. Talvez o PS tenha disso a consciência e votou num papel que só serve para o caixote de lixo e os burros do PSD/CDS saíram todos contentes com a votação mais estúpida da legislatura.



 



publicado por DD às 17:03
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