Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
Novas Baterias podem Revolucionar o Mundo da Energia - Análise de Dieter Dellinger

O automóvel movido a electricidade foi sempre o sonho dos ecologistas e tido como uma possível solução para o problema dos combustíveis fósseis, cujo esgotamento se prevê para daqui a uns 50 a 70 anos. Claro, desde que o problema das baterias seja resolvido, ou seja, a questão do peso e da carga eléctrica acumulada. E também o aproveitamento da energia eólica espera baterias mais capazes de acumularem electricidade para os períodos em que não há vento suficiente.

            Apesar de terem aparecido as viaturas híbridas com motores de explosão interna que permitem recarregar as baterias habituais, consumindo combustível, mas menos, a solução não está ainda aí. O problema passa pela invenção de baterias inteiramente novas com menos peso, mais carga eléctrica e recarregáveis em pouco tempo.

            A avaliar por dois recentes desenvolvimentos, parece que se caminha para uma solução adequada. No MIT, os engenheiros J. Schindall, R. Signorelli e J. Kassakian desenvolveram o chamado condensador de nanotubos de carbono que pode servir de bateria e na Austrália a engenheira Maria Skyllas-Kazacos da Universidade de New South Wales acaba de inventar a bateria “Redox-Flow Cell” de Vanádio.

 

            No primeiro dos casos, trata-se mais de um condensador  que uma bateria típica, pois condensa os electrões fornecidos pelos iões do electrólito numa imensa floresta de nanotubos de carbono, isto é, tubos com diâmetro de 10 elevado a -9 metros ou mil milhões de vezes menores que um metro). Efectivamente, no condensador não há reacção química como na bateria, mas apenas distribuição de cargas de um electrólito situado entre duas placas metálicas separadas por um espaço não condutor e sujeitas a uma diferença de tensão eléctrica. As forças electrostáticas fazem com que cada placa atraia os iões de sinal contrário, pelo que a armazenagem de energia é puramente física. Até agora, os condensadores eram simples complementos das baterias destinados a fornecerem rapidamente uma carga elevada, mas a sua capacidade estava limitada à superfície das placas ou eléctrodos, pelo que raramente chegava aos 5 a 6 watts/hora enquanto as bateria proporcionam fluxos de 60 a 90 watts.

            Apesar de se fabricarem excelentes ultra-condensadores com carbono poroso aplicado em folhas de alumínio, a ideia dos engenheiros do MIT ultrapassa tudo o que se possa imaginar, pois a superfície de contacto de milhões de nanotubos de carbono encerrados num espaço muito restrito é enorme. Com tubos de 100 micrómetros (10 elevado a -6 metros) de comprimentos e alguns nanometros de diâmetro, os super-ultra-condensadores terão capacidades inimagináveis. Os nanotubos serão fabricados com vapor de carbono projectado sobre partículas metálicas nanométricas nas quais os tubos crescem.

            Estes nanocondensadores poderão substituir as mais de 800 milhões de pilhas ou baterias dos telemóveis que são fabricadas anualmente mais as que se destinam aos computadores portáteis e à aparelhagem médica e, por fim, servir de bateria automóvel com utilização de um espaço e peso dezenas de vezes menor

            Da Austrália vem a notícia da invenção da bateria Redox-Flow-Cell para substituir a bateria ou acumulador de electricidade utilizado pelo automóvel e não só. O termo em inglês significa  a existência de uma reacção de oxi-redução em que uma substância ganha oxigénio e outra perde. Enquanto na bateria convencional a energia é fornecida pelas placas sólidas de chumbo no pólo negativo e óxido de chumbo no positivo, na Redox-Flow Cell há dois líquidos electrólitos como ácidos com sais metálicos dissolvidos que se movimentam para as câmaras celulares que servem de cátodo (+) e ânodo (-) da bateria separadas mutuamente por membranas. Aí descarregam a sua energia electrolítica. A carga depende do tamanho dos tanques e do número de células, razão porque a inventora afirma que poderá construir baterias com capacidade para acumularem energia eléctrica para ser fornecida tanto em 100 horas como em 100 dias ou mais, o que é interessante nos sistemas de aproveitamento de energia solar para fornecimento nocturno ou sazonal no Inverno de países mais chuvosos e frios.

            Quimicamente, a nova bateria assemelha-se mais às modernas células de combustível, só que em vez de oxigénio e hidrogénio funcionam com líquidos electrolíticos, os quais poderão ser utilizados em automóveis e trocados em bombas de abastecimento. O carro larga o líquido descarregado e recebe o mesmo com carga eléctrica.

            A engenheira australiana Skyllas-Kazacos utiliza para o efeito electrólitos com sais de vanádio, um metal utilizado para a produção de aços duros para peças de ferramentas. O preço do vanádio é elevado e tende a aumentar, mas nas baterias não há propriamente consumo do sal, já que este actua como um catalizador sempre renovável. A aquisição inicial seria cara, mas a duração deverá ser muito longa. Contudo, a equipa australiana está a experimentar muitos outros materiais eventualmente mais baratos.

            Enfim, todos os países do Mundo deveriam estar a trabalhar neste tipo de solução energética e noutros, mesmo em Portugal, onde não vale a pena estar a financiar todas as ciências com verbas diminutas das quais nada resultará. Dever-se-á antes concentrar esforços em alternativas energéticas como estas e muitas outras, nomeadamente no estudo da fotossíntese das plantas para conseguir processos artificiais que conduzam a produções energéticas revolucionárias.

            Claro, é fácil dizer e escrever, mas realizar e descobrir é bem mais difícil e a prova é que o Mundo ainda não encontrou a verdadeira alternativa ao petróleo bruto.

 

 


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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007
Opinião de Dieter Dellinger: Energia e Ambiente

         

   As dificuldades que os EUA enfrentam no Iraque, cujo desfecho da actual guerra não permite fazer previsões optimistas e o aparecimento do acutilante Hugo Chávez no país mais rico em petróleo do Continente americano estão a causar grandes preocupações aos dirigentes americanos, tanto republicanos como democráticos. As propostas de Bush quanto ao etanol brasileiro e sul-americano são uma maneira de reduzir a influência de Chávez na América do Sul e levar o petróleo a descer de preço com evidente vantagem para os países tropicais capazes de produzirem muito mais etanol a partir da cana do açúcar que os países subtropicais e temperados a partir do milho, colza, etc. Se os EUA reduzirem os direitos de importação do etanol, a produção será altamente rentável para o campo e produzirá um aumento geral dos preços de toda a produção agrícola com evidente vantagem para os eternos sacrificados e pagadores de todo o desenvolvimento industrial, os agricultores. Saliente-se que a fome em várias partes do mundo não resulta da falta de alimentos, mas sim do seu baixíssimo custo que provoca a miséria de 1.500 milhões de pequenos agricultores que produzem alimentos, mas não obtêm rendimentos para satisfazer as necessidades básicas dos respectivos agregados familiares. A cidade com os seus supermercados explora cada vez mais o campo, qualquer que seja o regime político, pelo que a inversão da situação é uma necessidade absoluta para que haja mais justiça social e mais desenvolvimento no nosso pequeno Planeta.

 

            Os EUA não estão dispostos a repetir os erros do passado. Em 1973 elaboraram leis para reduzir o consumo dos carros e encontrar substitutos do petróleo que foram esquecidas logo que o petróleo desceu de preço. Agora, numerosos estados americanos legislaram no sentido de as gasolinas terem percentagens crescentes de etanol e os gasóleos de óleos vegetais, independentemente de uma queda nas cotações do barril de petróleo vir a tornar os combustíveis de origem vegetal mais caros. Espera-se que depois da tão desejada saída de Bush, um nova administração em Washington venha a elaborar leis federais nesse sentido.

            O petróleo é um combustível a prazo e poderá estar esgotado dentro de algumas décadas ou um a dois Séculos se forem confirmadas as imensas reservas existentes no Golfo do México e noutros locais do Planeta. Mas, se o consumo continuar a aumentar exponencialmente terá de ser feito por parte de todo o Mundo um esforço imenso para o substituir. E tem sido feito, mas a favor do carvão que encerra em si o gravíssimo problema da poluição atmosférica ou emissão excessiva de gases de estufa a provocar um aquecimento global, o degelo das calotes polares e o aumento do nível das águas oceânicas com prejuízos incalculáveis para as zonas costeiras.

            Sendo os EUA a potência científica líder do Mundo, pode afirmar-se que a impossibilidade de resolver o problema da sua dependência relativa aos combustíveis fósseis pela via imperialista não pode deixar de proporcionar um bem imenso à Humanidade. No fundo, os americanos, em conjunto com europeus e japoneses, estão em condições de encontrar a verdadeira solução para a dupla problemática da exiguidade dos recursos petrolíferos do globo e da excessiva emissão de dióxido de carbono com as consequências nefastas para o futuro que toda a comunidade científica mundial já reconhece. Claro, a solução do problema passa em primeiro lugar pelo querer que foi algo inexistente nos EUA.

            Compreende-se que os EUA recusem resolver o problema energético pela via reducionista, apesar de ser inevitável que o venham a fazer em parte. Essa via pode provocar o desemprego de milhões de trabalhadores se também for seguida pelos europeus e outras nações e consistir numa quase proibição da circulação automóvel e num racionamento severo do consumo de energia eléctrica. A civilização tecno-industrial não pode ser reduzida sem que a pobreza e a miséria se alastre por todo o Planeta e venha a provocar convulsões sociais que não deixariam de confluir para guerras violentas.

            A administração Bush recusou a assinatura do protocolo de Kyoto e os republicanos têm atacado publicamente os principais cientistas que alertam para a grave crise mundial que pode resultar do aumento do teor em CO2 na atmosfera.

 

            Além disso, a ciência tem à sua disposição muitas soluções para o problema energético que, não sendo ainda suficientes, apontam para vias possíveis de harmonização entre o ambiente, o emprego e o nível de vida dos povos do Mundo. Só que as soluções imediatas são paliativos parciais e as mais promissoras vão levar ainda uma a duas décadas a serem concretizadas.

            As alternativas ao petróleo são as seguintes:

            - Combustão de carvão com captura do CO2, o chamado carvão limpo, só acessível a países ricos e adiantados e capaz de dar resultados dentro de dez anos ou mais, além do carvão líquido ou gasoso para substituir os combustíveis nos transportes. Contudo, é a alternativas que está a receber mais investimentos, para além do nuclear e da energia eólica, havendo centenas de centrais no Mundo em projecto e construção.

            - Etanol produzido por fermentação de cana do açúcar, milho, soja, colza, cardo, etc., menos poluente e susceptível de proporcionar ganhos relevantes aos agricultores de numerosos países. Pode ser utilizado como combustível único nos motores de automóvel ou misturado com gasolinas. Os fabricantes estão a construir motores do tipo flex que podem utilizar qualquer destas alternativas.

            - Óleo vegetais para misturar aos gasóleos no chamado bio-diesel. Também menos poluente e susceptível de serem produzidos em qualquer país do Mundo.

            - Energias alternativas como a eólica, energia das ondas e hídrica. Estão a ser implementadas em todo o Mundo, particularmente em Portugal, mas têm os seus limites, apesar de serem as únicas que não produzem qualquer emissão de CO2 ou outro gás de estufa, excepto um pouco no fabrico dos respectivos equipamentos.

            - Energia solar, uma das mais importantes alternativas para a produção directa de energia eléctrica pela via dos painéis de silício ou por concentração da radiação solar para a obtenção de altas temperaturas. Totalmente limpa, excepto, evidentemente, na construção dos equipamentos.

            - Hidrogénio nas células de combustível em que há uma electrólise a seco ao contrário com produção de energia eléctrica proporcionada pela reacção de hidrogénio com o oxigénio com libertação de vapor de água. Seria o sistema ideal para carregar baterias, principalmente das baterias construídas laboratorialmente em nanotubos de carbono e que se carregam em segundos. Estas células vão ser utilizadas nos submarinos portugueses que estão em construção e têm proporcionado energia em satélites e naves espaciais.

            - Nuclear. Também de emissão quase nula de gases de estufa e, hoje, menos poluente em resíduos altamente radioactivos, mas mesmo assim, a acumulação dos mesmos em dezenas de países não deixará de preocupar as populações do planeta quanto à segurança das gerações vindouras.

            - Produção de hidrocarbonetos sintéticos a partir do CO2, o que teria a dupla vantagem de eliminar excessos desse gás de estufa e utilizá-lo como fonte de energia. Já realizado em laboratório, mas com um catalisador muito caro, a platina, pelo que só será viável a partir do momento em sejam encontrados catalisadores mais acessíveis.

 

            Para já, o aumento dos preços do barril de petróleo provocou um crescimento desmesurado do consumo de carvão na produção de electricidade, nomeadamente nas gigantescas economias emergentes da China e Índia e mais lentamente noutras, já que 1,5 mil milhões de habitantes do Terceiro Mundo não têm as suas habitações ligadas à electricidade. A queima do carvão em centrais térmicas está a provocar um aumento da poluição em gases de estufa, já que o carvão é 72% mais poluente que o gás natural e 32% mais que os petróleos.

 

Efectivamente, as emissões de CO2 são para a China o maior pesadelo, pois 75% da sua electricidade é produzida em centrais térmicas a carvão e para sustentar o crescimento de quase 10% anuais da sua economia, os chineses inauguram uma central térmica por semana em média e estão a construir a maior central térmica do mundo para 12 GW que produzirá mais electricidade que as três maiores centrais nucleares do mundo e vai emitir mais CO2 que Portugal inteiro, ou seja, mais de 60 milhões de toneladas anuais. O custo é da ordem dos 6% do PIB português.

            Tanto a China como a Índia possuem muito carvão, mas não só. Ao contrário do petróleo, o carvão está muito mais espalhado por todos os continentes e existe tanto na Europa como nos EUA em quantidade muito apreciável. Foi parcialmente abandonado nos países mais ricos devido aos elevados custos de extracção e à poluição, mas está de volta. Mesmo assim, 40% da electricidade mundial é produzida em centrais que queimam carvão, mas em muitos países ultrapassa largamente essa percentagem como na Polónia em que 99% da sua electricidade é de origem térmica com carvão.

            Muita gente defende o direito da China e da Índia de continuarem a queimar carvão, mas a grandeza desses dois estados faz com que as primeiras vítimas da poluição atmosférica sejam os próprios residentes, podendo a poluição excessiva vir a afectar gravemente o crescimento económico e a sustentabilidade das respectivas economias no seu todo. A China está hoje a emitir anualmente mais de quatro mil milhões de toneladas de CO2, o que está a afectar a saúde dos seus cidadãos nas principais zonas industriais.

 

            Claro, o carvão pode vir a ser o grande combustível do futuro se utilizado de uma forma limpa, isto é, com os gases poluentes ligados a sistemas de captura de CO2, dioxinas, partículas, etc. Neste momento, há uma central térmica a funcionar nesses termos na Dinamarca e outra em construção na Alemanha. O CO2 é capturado por um absorvente químico, o mono-etanol amina, mas os respectivos fumos deverão ser reaquecidos para concentrar o dióxido de carbono. O custo total do processo é da ordem dos 50 euros por tonelada de CO2 capturado; bastante caro quando se pensa que para produzir um megawathora de electricidade térmica a partir do carvão emite-se uma tonelada de CO2 e depois de capturado o CO2 terá de ser colocado nalgum lado, nomeadamente injectado em poços de petróleo vazios.

 

            Segundo a revista “Science et Vie”, estão a ser estudados outros processos como o da injecção de oxigénio na combustão para obter uma alta concentração de CO2 a misturar com vapor de água. Claro, com o contra de o custo de produção de oxigénio puro ser igualmente caro. Outra solução parecida é a do “singás” resultante da queima do carvão pulverizado na presença de oxigénio e vapor de água e que terá 65% de monóxido de carbono e 30% de hidrogénio. Este gás algo semelhante ao gás pobres dos antigos gasogénios arde facilmente, produzindo gases de expansão para alimentar turbinas de duplo fluxo como as dos aviões em que a combustão inicial acciona uma primeira turbina e a segunda é accionada por vapor de água super-aquecido. O rendimento é muito elevado, pelo que o combustível necessário será menor e o “singás” ou gás de síntese integrado em ciclo combinado pode servir para accionar turbinas de compressão dos gases de escape da combustão aberta do carvão pulverizado e permitir uma captura mais fácil do CO2.

            Os EUA lançaram-se num projecto ambicioso com a tecnologia do “Singás” que implica um investimento de mais de mil milhões de euros denominado “FutureGen” que deverá produzir electricidade a partir de 2013, semelhante ao projecto europeu “HypoGen” e ao australiano “ZeroGen”. As centrais desses projectos vão produzir electricidade e simultaneamente combustível líquido e hidrogénio. Os críticos do carvão limpo dizem que a exploração mineira e o transporte também são poluidores, mas, claro, não é possível existir vida animal sem emissão de CO2 e todo o trabalho é emissor do dióxido.

           

O ideal é ligar a combustão do carvão à redução do CO2 com produção de hidrocarbonetos puríssimos. Para o efeito, produz-se primeiro hidrogeniões por electrólise solar da água (fotoelectrólise), fazendo passar os referidos catiões por um polímero apenas permeável aos mesmos para depois numa zona de nanotubos de carbono com platina como catalizador dar-se a redução do CO2  que se transforma em vários hidrocarbonetos CxHy como tolueno, octano, dodecano, etc. e vapor de água. Obtêm-se assim gasolinas puríssimas sem os poluentes naturais como enxofre, etc. utilizáveis nos automóveis ou noutras produções energéticas. As próprias viaturas poderão até capturar para os seus depósitos os fumos do escape, todo CO2, desde que o turbo do motor seja utilizado para comprimir os referidos fumos que serão trocados por gasolina nas respectivas bombas. Num automóvel médio, o consumo de 0,1 litro de gasolina produz uns 150 g de CO2, o que significa que se torna necessário um sistema turbo para comprimir o gás do escape ou capturar apenas uma parte do CO2 produzido.

            Fechar o ciclo do carbono é a grande solução, perfeitamente viável desde que haja determinação e financiamento necessário. De qualquer modo, não é provável que algo assim seja posto em funcionamento antes de 2020, mas nunca se sabe, pois basta de repente encontrar o catalisador economicamente viável para pôr todo o Mundo a fabricar gasolinas a partir da reacção de redução do CO2.

Processo de Utilização do Carvão sem Emissões Poluentes - Via Carbonato de Cálcio

 

 

 


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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007
Petróleo a Menos de 50 Dólares o Barril

 

Chevrolet Volt – Um meio para economizar combustível

 

 

 

No ano passado, quando o preço do barril de petróleo atingiu os 75 dólares, ninguém podia imaginar que menos de um ano depois, o mesmo barril estaria já ligeiramente abaixo dos 50 dólares.

            Contudo, nada parece ter acontecido para provocar tal queda, excepto um Inverno de temperaturas benignas no seu primeiro terço e em países como os EUA, Canadá, Europa do Norte, etc.

            Para além disso, o consumo na China e na Índia continuou a aumentar, a guerra do Iraque tornou-se mais brutal e alguns países produtores como a Venezuela e o Irão pedem incessantemente que a OPEC decida por uma quebra na produção, a fim de manter o preço alto. O próprio corte temporário dos fornecimentos de petróleo e gás russos que atravessam a Bielo-Rússia não teve grandes implicações no preço do barril, apesar de ter preocupado os governantes da Europa central. O Mundo habitou-se às oscilações dos preços e sabe que, por enquanto, ainda há muito petróleo.

            Nos últimos seis meses, a produção petrolífera aumentou em 1,5 milhões de barris diários oriundos de Angola, Azerbeijão, Brasil e Canadá, enquanto a produção russa de gás e petróleo apresenta-se promissora em termos de crescimento desde que os novos oleodutos e gasodutos estejam em funcionamento. Quer isto dizer que o peso dos países não pertencentes à OPEC não pára de aumentar no contexto da produção mundial de gás e petróleo.

            Para além disso, é o facto que quase todos os países do Mundo estão a investir em energias alternativas para a produção de energia eléctrica, nomeadamente na base dos eólicos e Portugal inaugurou na Aguçadoura (Póvoa do Varzim) a primeira central eléctrica que vai buscar às ondas do mar a energia necessária. Acrescente-se ainda a redução dos consumos de gasolina e gasóleo nos carros.

            No recente Salão Automóvel de Detroit, tanto a GM como a Ford apresentaram os seus protótipos híbridos eléctricos, o Chevrolet Volt e o Ford Airstream, e sabe-se que os dirigentes dos dois gigantes americanos do automóvel não se podem dar ao luxo de prescindir dos híbridos e de outras soluções energéticas porque isso seria mais uma vez entregar o futuro ao japoneses que já vendem em todo o Mundo os seus carros híbridos e pode dizer-se que estão bem uns cinco anos adiantados relativamente ao resto do Mundo.

            Claro, a quebra no preço do barril reduz o esforço das empresas petrolíferas nas sondagens e perfuração de novos poços petrolíferos. Até agora, sempre que se quis, foi possível encontrar novas jazidas de petróleo, mesmo que em locais difíceis e sabe-se que a grandes profundidades há muito petróleo. Só que o custo e o risco aumenta exponencialmente com a profundidade, pelo que só um preço muito elevado leva as empresas a assumir grandes custos e riscos, mas uma vez encontrados novos poços, estes tendem a amortizar os custos e o petróleo passa a ser altamente lucrativo se o preço não descer muito.

            Actualmente, mesmo com um preço mais baixo, o petróleo não deixa de causar dores de cabeça aos dirigentes europeus e americanos dada a extrema dependência dos seus países. Acrescente-se que a China e a Índia como novos grandes consumidores também estão dependentes dos hidrocarbonetos importados, pelo que a tendência vai igualmente no sentido das energias alternativas e na procura de substitutos dos combustíveis fósseis. A China está a apostar na construção de um grande número de centrais nucleares para garantir uma suficiente produção de electricidade sem emissão de CO2 e a Índia pretende continuar o seu programa de centrais nucleares.

            Ao mesmo tempo, muitas instituições científicas do Mundo procuram sucedâneos dos hidrocarbonetos. Na Alemanha, o carvão de coque não poluente está a chegar e espera-se em breve construir a primeira central térmica que não emite qualquer fumo para o exterior.

 


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