Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Sexta-feira, 14 de Maio de 2004
Contra as Bases Estrangeiras - Pela PAZ
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As bases militares estrangeiras são uma ofensa à dignidade, à segurança e às soberanias nacionais, são elementos de ameaça e agressão a todos os povos e refletem uma política de agressão, diz o CPPC (Conselho Português para a Paz e Cooperação) no Comunicado em que anuncia a sua participação na Marcha da Rota, em Puerto de Santa Maria, Andaluzia.

Por tudo isso, militantes do CPPC vão juntar a sua voz à das muitas organizações espanholas e portuguesas que no próximo dia 16 (domingo) se vão maifestar na Rota, pela PAZ, Contra a Guerra, Contra as Bases Militares Estrangeiras na Península Ibérica.


Efectivamente, desde que terminou a "Guerra Fria" há mais catorze anos, não se justificam mais bases estranegeiras, tanto na Península ibérica como na Europa em geral e no Mundo.

O antigo "inimigo" desmantelou-se e a sua maior parte, a Federação Russa, tornou-se membro observador da Nato e entraria na União Europeia se os canais diplomáticos indicassem que o seu pedido seria aceite. Como potência que é, a Federação Russa não poderia perdr a dignidade ao ver a porta da UE fechada.



publicado por DD às 23:06
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RETOMA CADA VEZ MAIS DISTANTE
De acordo com os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), divulgados esta quinta-feira, o desemprego registado em Portugal abrangeu 462,56 mil pessoas em Abril de 2004, ou 6,6% da população activa, sendo de admitir que no fim do ano teremos alcançado os 8 a 9% de desemprego.


Este número representa um agravamento de 9,1 por cento em relação a igual período do ano anterior, apesar de representar uma diminuição relativamente ao passado mês de Março, mas são as circunstâncias inerentes à sazonalidade em que o tempo mais quente propícia o trabalho na construção civil, na agricultura, principalmente nas estufas, nos serviços inerentes ao turismo, etc.


Acrescentes-se que as exportações caíram 4,5% nos dois primeiros meses do ano relativamente ao mesmo período do ano anterior e o consumo inerno, tanto público como privado estagna ou diminui mesmo. Assim sendo, depois de um primeiro trimestre com queda do PIB estamos a viver um segundo trimestre na mesma ordem, o que seria o nono trimestre de queda, a não ser que os efeitos do Euro invertam a situação.


De acordo com as previsões, o Euro 2004 deverá trazer a Portugal 1,5 milhões de pessoas que poderão gastar uns 150 milhões de euros, ou seja, cerca de 0,12% do PIB. Deverá ser esse o impacto do Euro 2004 na economia portuguesa. Muito pouco para a actual crise.


O pior é que a queda das exportações é estrutural e resulta do fecho de dezenas de fábricas, quase todas com produções dirigidas exclusivamente para a exportação e que não voltam a retomar o trabalho pois foram mesmo desmanteladas.


Enfim, com o barril do petróleo a ultrapassar os 40 dólares tudo indica que este ano será o segundo de queda do PIB, aumento do desemprego e redução do poder de compra dos portugueses.


Uma desgraça nunca vem só, costuma dizer-se.


publicado por DD às 09:54
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Menor Défice do Estado - Maior Défice dos Cidadãos
Os grandes aumentos de impostos estão a dar o seus resultados no equilíbrio financeiro do Estado à custa do desiquilíbrio dos dinheiros dos cidadãos e das empresas.

Aumentou o IRS, os pagamentos por conta, o IVA, a antiga Contribuição Autárquica, hoje IMI, o Imposto Automóvel, o Imposto sobre a Gasolina, etc.

Assim, o total da Receita passou de 6 593 milhões de euros de Janeiro a Março de 2003 para 7 1047,7 milhões em 2004.

O Total da Despesa pasou no mesmo período de 8 429 milhões de euros para 8 5361,3

O Saldo Global continua altamente negativo, apesar de ligeiramente menos, tendo passando de -1 837 em 2003 para -1 432 no primeiro trimestre deste ano.

Anualizado, o défice supera os 4,4%, devendo ser agravado pelo défice da Segurança Social devido ao aumento do desemprego, pelo que será a venda da Galp e da Portucel que vão este ano reequilibrar as contas.

Claro, quando o imposto sobre o património rústico e urbano começar mesmo a doer, o que se verificará lá para 2006 e 2007, então não haverá mais défices, mas os milhões de proprietários de pequenos apartamentos e reduzidas propriedades rurais sentir-se-ão apenas inquilinos do Estado, pois o novo IMI será como que uma renda.

As viúvas e os reformados com baixas reformas que compraram a custo os seus pequenos apartamentos vão passar fome para poderem alimentar um Estado incapaz de se reformar, por mais que Durão Barroso diga o contrário.

Fonte: DGO. Notas: não inclui activos e passivos financeiros nem transferências para o FRDP.


Execução Orçamental do Estado excluindo o pagamento de despesas de anos anteriores (Janeiro a Março)



publicado por DD às 01:40
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ASSEMBLIA MUNDIAL DA PAZ
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Em Atenas nos passados dia 5 a 10 de Maio teve lugar a Assembleia Mundial da Paz com a presença de uma meia centena de organizações dos mais diversos países do Mundo.

Entre uma estratégia de Paz e uma de confronto globalizado, saiu vitoriosa a do confronto com a subita e inopinada eleição do cubano Orlando Foundora para presidente do Comité Executivo do Conselho Mundial da Paz e do grego Thanassis Pafilis para Secretário-Geral da Organização que passou a ter sede em Atenas. Ambos são destacados dirigentes dos Partidos Comunistas dos respectivos países e têm como preocupação essencial o ataque aos EUA.

De resto, a maior parte das organizações presentes segue a mesma linha, à excepção da portuguesa e as de vários países europeus, nomeadamente os nórdicos, que mantém a linha do pacifismo para os problemas do Mundo. A delegação portuguesa era constituída pelo prof. Domingos Lopes, coronel Pessoa, dra. Sandra Benfica e Vitor Silva que viram-se surpreendidos pela subita eleição do cubano Fondoura sem prévia discussão nem plano de acção. Os portugueses pretenderam adiar a eleição dada a ausência de várias candidaturas e de programas de acção.

O Conselho Mundial da Paz está organizado em Comités Regionais, tendo Portugal sido eleito para a Comissão Executiva pela Europa em primeiro lugar seguido pela Espanha, França, Grécia, República Checa, Alemanha, Chipre e Turquia. Isto, em termos de organizações não governamentais não representativas das opiniões públicas dos respectivos países, mas apenas daqueles que militam pela Paz com um programa de abolição do armamento mundial, principal o de destruição em massa como são as bombas nucleares e armas bioquímicas. Eliminação de todas as formas de colonialismo, neo-colonialismo, racismo, sexismo e outras formas de discriminação. Respeito pelo direito dos povos à soberania, independência e integridade territorial. Estabelecimento de relações comerciais e culturais justas e benéficas para todos. Co-existência pacífica entre os Estados, etc, etc.

O Conselho Mundial da Paz saiu enfraquecido com uma direcção excessivamente comunista e anti-americana quando se impõe a neessidade de alargar a ideia de Paz a toda a gente de boa vontade independentemente das suas opções políticas, religiosas, etc.

Mas, é óbvio que o CMP não é a única organização que luta pela Paz no Mundo e há hoje um trabalho importante a fazer sem sectarismos. E estão a ser organizadas grandes manifestações pacifistas no Mundo, em particular nos EUA, pelas mais diversas organizações, incluindo igrejas.


publicado por DD às 00:59
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Quinta-feira, 13 de Maio de 2004
A Arma de Destruição Maciça do Iraque
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Afinal os iraquianos sempre têm a sua "arma de destruição maciça". É a velha, barata e leve RPG-7 que pesa apenas 6 kg carregada e pouco mais mede que um metro de comprimento. Pode ser utilizado por um só combatente, geralmente acompanhado por dois ou mais companheiros equipados com a AK-45 "Kalashnikovs". Já liquidou milhares de soldados americanos e aliados no Iraque e chegou a abater helicópteros "Apaches". É a arma ideal do combatente embuscado, estando a ser muito utilizada para despedeçar as viaturas "Hummer" blindadas das forças americanas e das guardas privadas e tem produzido estragos tremendos nos camiões transportadores de combustíveis.


O RPG-7 é um derivado do célebre "punho de aço" alemão da II.Guerra Mundial e foi introduzido no exército soviético em 1961 e exportado para muitos países, nomeadamante para a China, Paquistão, etc. que também fabricam esta arma em versões ligeiramente menos pesadas e mais maneáveis. Os soviéticos sofreram tremendamente com essa sua arma empunhado pelos Mujaeidins do Povo no Afeganistão e agora pela guerrilha da Chechenia.


A arma é simples e não passa de um tubo com uma mira óptica e um gatilho que faz disparar um cartucho que impulsiona a granada altamente explosiva ligada a um tubo de 40 mm de diâmetro com um motor foguete que entra em funcionamento após os primeiros 11 metros de voo. Nesse espaço de tempo abriraram-se quatro alhetas que estabilizam o voo e permitem levar a granada anti-tanque a 920 metros de distância onde explode com efeitos letais para o pesssoal inimigo. A uma distância de 100 a 300 metros é altamente eficaz contra tanques, mesmo com poderosas blindagens reactivas. Nestes casos, dois ou três resistentes iraquianos costumam colocar-se na mesma linha de fogo para diparar três granadas que acertem no mesmo local do tanque. A terceira consegue geralmente penetrar a blindagem dos poderosos "Abraham" e causar danos graves aos tripulantes.


Com uma granada mais ligeira anti-pessoal atinge com efeitos letais os 1.100 metros.


Os combatentes corajosos e convencidos da razão da sua luta fazem dos lança-granadas RPG-7 armas extremamente letais, tendo já abatido mais de uma dezena de helicópteros norte-americanos.


Os iraquianos estão a lutar comos os Mujaedins do Afeganistão em grupos de 10 a 12 combatentes com dois RPG-7 e os outros com "Kalashnikovs" equipadas com lança-granadas. Assim, permitem aos lançadores de granada fazer a pontaria com calma, já que as AK-45 "Kalashnikovs" evitam a aproximação de americanos ou outros soldados do local de lançamento. E após os primeiros tiros, correm para outro local, já que sendo as RPG-7 armas sem recúo, deixam a sua "assinatura" muito visível na área de disparo.


No Afeganistão e noutros campos de batalha, incluindo agora no Iraque, os combatentes aproximam-se muito das forças ocupantes para travarem combate a granada a distâncias de 300 a 30 metros, o que impede o apoio aéreo táctico, já que a essas distâncias os meios aéreos não conseguem distinguir amigos de inimigos.


As forças portuguesas da GNR já repararam que as suas viaturas não aguentam tiros de RPG-7, pelo que cobriram as suas viaturas com sacos de areia como forma de provocar a explosão da granada fora da viatura. Mas, em ambuscada de rua com combatentes disfarçados de civis, os primeiros tiros partem sempre dos atacantes, já que as forças de segurança não podem andar a disparar contra quaisquer magotes de civis. E depois na resposta, podem ser atingidos civis, já que os atiradores procuram precisamente disparar de ruas movimentadas por muita gente, levando as armas disfarçadas em sacos ou malas.


No combate aos helicópteros, os combatentes iraquianos imitam os Mujaedins do Afeganistáo nas suas embuscadas aos pontos de aterragem dos helios e na tentativa de os abater de frente a 100 metros de distância ou de trás até aos 900 metros, sendo neste caso raro atingirem um helio, mas criam um estado de alarme nos pilotos.


Enfim, os americanos estão a seguir o caminho do Vietname, Somália e outros locais em que têm tentado introduzir-se.


A guerra iraquiana está a tornar-se cada vez mais "suja" e não há um esforço dos norte-americanos, aliados, ONU e do Mundo Árabe para encontrarem soluções de Paz que permitam aos iraquianos governarem sem a presença de forças estrangeiras.


É curioso que Portugal com tantos oficiais especializados em guerra assimétrica e que enfrentaram durante anos as AK-47 e os RPG-7 tenham-se metido naquele caldeirão de onde todos acabarão por sair sem honra nem dignidade. E o pior é que, por isso, o barril de petróleo já ultrapassou os 40 dólares. Claro, desde o Ministro da Defesa a outros governantes, ninguém tem experiência militar, mas, pelo menos, podiam aconselhar-se junto dos oficiais generais que fizeram as guerras africanas.


A melhor defesa contra as RPG-7 está na ausência de rotina com mudança de itinerários constante, velocidade das viaturas, uso intensivo de granadas de fumo para protecção das viaturas. A infantaria deve actuar no terreno no sentido de evitar o acesso dos lançadores de RPG-7.

Recordo aqui que no Sul de Angola, a melhor arma contra as RPG-7 e até as "Kalashnikovs", foi a cavalaria introduzida pelo então general Costa Gomes. Dispersos, sempre em andamento saltitante, os cavaleiros raramente eram atingidos por atiradores embuscados.




publicado por DD às 22:59
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Segunda-feira, 10 de Maio de 2004
LITERATURA - A "Short Story" Portuguesa e Universal
Ver Contos do Século

em

http://ddblog.blogs.sapo.pt




publicado por DD às 00:20
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Domingo, 9 de Maio de 2004
Facilitar o Desemprego
O Governo, depois de ter retirado direitos aos trabalhadores em termos de baixas por doença, vem agora facilitar o desemprego ao retirar os subsídios de desemprego a todos os trabahadores que tenham rescindido os seus contratos de trabalho com indemnizações.

Assim, para os trabalhadores torna-se indiferente receber da empresa ou do Estado e, deste modo, maior será a tentação das empresas em despedir sem pagarem nada.

Recordo que os subsídios de doença diminuiram até aos 180 dias de ausência ao trabalho por motivo de doença. O Governo calculou que estão nesta situação mais de 90%dos trabalhadores que requereram baixa.


publicado por DD às 23:34
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O Conceito Estratégico dos Novos Submarinos
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Míssil "Harpoon"


O conceito estratégico dos dois novos submarino da classe U-209 PN é rigorosamente uma função do tipo de armamento que levarão a bordo e dos meios electrónicos para o utilizar.



Os U-209 PN encomendados vêm equipados com 8 tubos de proa para lançamento de torpedos filo-guiados com possibilidade de atingir alvos a 90 km de distância e mísseis capazes de provocarem accções letais a 150 km de distância no mar ou em terra.



Os torpedos tanto podem ser os A184 italianos como os norte-amricanos MK48 ou os alemães DM2A4 e os suecos TP2000, todos a preços superiores ao meio milhão de euros.



Para já, o "velho" míssil Harpoon ou uma versão modernizada seria uma solução.
O modelo actual mede 4,5 metros de comprimento e é capaz de lançar uma ogiva altamente explosiva de 227 kg a 80 milhas de distância.



Com este ou outros mísseis mais modernos, incluindo mísseis anti-helicópteros e anti-aéreos, um submarino moderno que permanece imerso durante 15 dias pode ser uma arma temível, dado o desconhecimento da sua presença.


Num país que ponham em causa vidas de portugueses ou interesses nacionais muito importantes de uma forma extremamente injusta, a nova arma submarina é um factor de imprevisibilidade a ter em conta por parte da nação em causa.


Mesmo a sua presença nas águas madeirenses ou açorianas pode levar outros a cumprirem uma ordem do Estado no sentido de salvaguardar a soberania portuguesa, tanto nas ilhas como na zona económica exclusiva.


O mais certo, contudo, é suceder o mesmo que aconteceu à arma submarina portuguesa desde 1910. Nunca foi utilizada em combate e nunca serviu sequer como elemento dissuasor. Mas, hoje, com tantas nações independentes, não se pode dizer o mesmo. Pelo menos em teoria.



publicado por DD às 22:39
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Sábado, 8 de Maio de 2004
A CGD Financeia as Privatizações
A maior parte das privatizações do actual governo foram financiadas pela CGD. Tanto a recente venda da Portucel ao Queiroz como em 2001 os terrenos da Falagueria e outras vendas (ofertas) do Estado.


Agora, a privatização de parte da Galp ao grupo político-capitalista norte-americano Carlyle também vai ser feita com os dinheiros da CG, como firmou o respectivo presidente do CA. Para conseguir a melhor posição no negócio, a Carlyle nomeou para lugares de direcção do seu grupo, nesta compra, o ex-Ministro PSD Martins da Cruz e o engenheiro Ângelo Correio que está metido em todos os grandes negócios que dão muito dinheiro e permitem também financiar o PSD.


Com o dinheiro dos portugueses, a Carlyle vai comprar a parte de leão de uma empresa estratégica portuguesa, cuja contribuição para a INDEPENDÊNCIA DA PÁTRIA DE TODOS OS PORTUGUESES supera de longe o contributo a dar pelos dois caríssimos submarinos recentemente adquiridos.


A venda da Galp permite ao Estado um encaixe inferior ao custos dos dois submarinos de construção alemã que a Nato considerou um desperdício.


Não teria sido melhor, manter a Galp como empresa de capitais portugueses e prescindir de dois brinquedos para almirantes?


publicado por DD às 19:10
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Educação em Portugal

Fiquei admirado com os dois comentário a um Artigo deste jornal e fui ao blog "nãodesisto" onde me espantou certas afirmações e o comentário repetido de uma dada frase nética que não consegui fixar.


Também me espantou a afirmação de Jorge Sampaio quando disse ser um escândalo nacional o facto de 45% dos jovens portugueses não completarem o 12º Ano da Escolaridade.



CERCA DE 55% DOS JOVENS PORTUGUESES COMPLETAM O 12º ANO


Pessoalmente vejo a coisa ao contrário. Acho excelente que 55% dos jovens portugueses completem o 12º Ano e que haja um número enorme de adultos a tentar fazê-lo.


Aos últimos exames nacionais do 12º Ano concorreram mais de 120 mil alunos e há uns 18 anos atrás nasceram cerca 100 mil. Claro, há os repetentes e os tais adultos recorrentes. Mas, o número de alunos que anualmente tenta completar o 12º Ano tem vindo a aumentar, apesar de o governo actual estar a combater a recorrência e, como tal, o estudo por parte dos trabalhadores estudantes.



Portugal tem hoje 40 mil alunos universitários por milhão de habitantes, o que representa quase o dobro da média europeia. A Alemanha apenas tem 20 mil por milhão de habitantes.


PORTUGAL TEM O DOBRO DOS DOUTORADOS QUE A MÉDIA EUROPEIA


Até à faixa etária dos 29/30 ano, Portugal tem o dobro dos doutorados por milhão de habitantes que a média europeia.


Para além disso, alguns cursos profissionalizantes do 12º Ano são muito bons. Três jovens meus conhecidos completaram o curso de mecânica na "Afonso Domingos" e quase por brincadeira escreveram à Ferrari para ir trabalhar em alta mecânica. Os referidos jovens enviaram os seus currículos detalhados e foram aceites. Resultado: Passados seis meses, a Ferrari escreveu à escola a pedir para enviar mais dez alunos como aqueles.


Em Portugal existe uma mentalidade sobre o ensino imposta pelos analfabetos ou semi-analfabetos que é a de que um jovem deve sair de uma escola ou universidade pronto para exercer plenamente uma profissão. A Ferrari não estava à espera que os jovens alunos portugueses soubessem os segredos dos fabricos e das mecânicas dos seus carros, pois sabem que isso não é ensinado em parte alguma. Queriam era uma boa preparação básica, admiraram-se com os bons conhecimentos de inglês dos rapazes e do afinco com que se dedicaram ao trabalho, além da rapidez com que aprenderam o que deviam no aspecto técnico e a língua italiana.


Geralmente, o empresário português pouco culto acha que um engenheiro é um técnico de tudo e o médico também deve conhecer todas as doenças e não percebem que o conhecimento está cada vez mais compartimentado e especializado e o que interesa é a capacidade para aprender durante toda a vida.



Há muita gente que surge continuamente com a afirmação de que os jovens portugueses não sabem nada, nem português, nem matemática, etc.



Uma professora de biologia mostrou-me há dias um ponto de um aluno cheio de erros ortográficos e perguntei-lhe quanto alunos escreviam assim tão mal na sua aula. Ela acabou por confessar que seriam apenas três. Fiquei mais descansado.



A EXPERIÊNCIA PODE VALER MAIS QUE A INTELIGÊNCIA


Para além disso, há experiênias psicotécnicas que mostram que o QI (quociente de inteligência) e a cultura não são tudo.


Num estudo recente, puseram um motorista que vai de vez em quando a Paris a concorrer com um físico de grande nomeada, doutorado e professor, residente em Paris onde guia habitualmente a sua viatura. O objectivo do estudo era saber quem descobre mais depressa certos itinerários. O motorista ganhou largamente, mesmo no bairro onde reside o físico. A experiência ultrapassa em muitas actividades a inteligência, até quando também é acompanhada pela inteligência.


É um segredo que toda a gente conhece que em certas profissões como condutores de Metro e Comboios escolhem-se pessoas com baixos QI e pouca cultura, pois são as mais capazes de se manterem atentas em percursos repetitivos e nada interessantes sem se distraírem com outros pensamentos que poderiam levar a não ver certos sinais, por exemplo.


Portanto, a sociedade não carece de 100% de licenciados ou altamente profissionalizados, já que o trabalho gestual é sempre necessário e nem tudo se aprende através dos livros. Contudo, é bom que todos tenham completado o nono ano de escolaridade como acontece actualmente e seria interessante que chegassem mais ainda ao 12º Ano com variantes profissionbalizantes como as que estavam previstas e foram implementadas pelo governo de Guterres. Não precisamos de outro modelo que não seja o actual. Nunca poderemos ter 100% de pessoas intelectualmente muito inteligentes.



De resto, o problema português é idêntico ao de outros países europeus, basta ter lido um número especial da revista francesa "Science et Vie" com o título eloquente "Échec aux maths". Aí é revelada toda a "miséria" do ensino francês da matemática e da própria língua francesa. O ensino para todos tem um nível forçosamente mais baixo, mas considerando as moderna teorias cognitivas dos memes, a inteligência é fundamentalmentelmente colectiva. Todo o conhecimento é replicado de mente em mente por um processo semelhante à replicação dos genes que o biólogo inglês Richard Dawkins denominou de "memes" no seu livro "O Gene Egoísta" e que foi desenvolvida pelo filósofor norte-americano Dennet e pela psicóloga britânica Susan Blackmore em "The Meme Machine".


PORTUGAL SEMPRE TEVE BONS TÉCNICOS QUANDO PRECISAVA DELES


Portugal, desde os tempos dos descobrimentos, encontrou sempre bons técnicos quando eram necessários. As caravelas, as naus e os galeões foram os melhores navios da época e a ciência náutica também, tal como a arquitectura militar que deixa admirado qualquer pessoa que contempla as enormes fortalezas erguidas pelos portugueses nos mais diversos cantos do Mundo.


Mais recentemente, quando foi necessário fazer barragens, os engenheiros portugueses instalaram o Laboratório de Engenharia Civil, ainda hoje um dos melhores do Mundo, e souberam construir óptimas barragens e depois excelentes auto-estradas, pontes, etc.



Quando se diz que a investigação portuguesa é pouco ou nada rentável é simplesmente porque há um diferencial muito grande entre o que fazem os investigadores e o que querem os industriais que é muito pouco ou nada. Mesmo assim, alguns investigadores fizeram já as suas empresas de alta tecnologia e lentamente vão singrando num meio que em nada os apoia.


O excelente motor de busca "Sapo" é bem um exemplo do são capazes os técnicos da Universidade de Aveiro e, a meu ver, é melhor que quase todos os sistemas análogos estrangeiros.


publicado por DD às 18:44
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