Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Quinta-feira, 10 de Setembro de 2020
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China Totalitária 

Pensar é fundamental e, principalmente, debater e ter ideias sobre o mundo e universo de hoje. Quando procuro ver o que se passa no nosso mundo, observo que há formas de totalitarismo, populismos disfarçados de democracia e ditadura que estão a abranger grande parte do nosso planeta que, obviamente. não tem espaço para ditaduras mais ou menos totalitárias. A democracia tem de vencer e permitir que sejam os povos a decidirem do seu futuro. 

Nesse aspeto há que começar a analisar o maior país do mundo com 1,4 mil milhões de habitantes. Ou mais de um quarto da população mundial. 

A primeira pergunta que o pensador se coloca a si mesmo é saber se a China é totalitária ou apenas uma ditadura e qual a diferença entre um e outro modelo. 

Pegando no livro de Hannah Arendt “O Sistema Totalitário”, publicado em 1951 encontramos muitas explicações. Aí, a famosa pensadora e escritora afirma que o totalitarismo tende a modelar a sociedade e os indivíduos, o que implica uma propaganda total e uma tentativa de controle das massas pela ideologia omnipotente de um chefe infalível com controle da vida privada e íntima dos indivíduos, tudo com um sistema de terror. Isto correspondia à essência do nazismo, maoismo e estalinismo que na URSS deixou sucessores enfraquecidos pela idade. Mas, a meu ver, o totalitarismo verdadeiro implica uma só ideologia, enquanto na China podemos antes falar de uma salada de ideologias, o que torna a vida, pelo menos privada, menos sofrível. 

Desde a subida ao poder do presidente vitalício Xi Jinping em 2013 que fi fomentado na China uma ideologia que mistura o maoísmo com o confucionismo e um legalismo baseado numa judicatura canina e servil ao poder que deu um pensamento da potência superior do Estado comparável ao  Leviatan de Hobles. 

A China é por enquanto uma ditadura com um poder solidamente instalado e que ninguém põe em causa e tem tantas décadas de vida que não há quem se atreva a exigir uma democracia ou algo de diferente. Os poucos dissidentes foram eliminados e os que apareçam são perseguidos até às últimas instâncias. O chamado Estado de Direito é inexistente, mas, mesmo assim, no exterior não se define a China como um totalitarismo por o poder político ditatorial conviver com um certo liberalismo económico. As multinacionais possuem milhares de fábricas e negócios na China que se tornou também sede de multinacionais chinesas empenhadas em ganhar dinheiro seja onde for. O cidadão pode emigrar e viajar por toda a parte e se não se meter em política até é livre para pensar o que que quiser desde que não tente exprimir pensamentos políticos contrários ao pode vigente, seja na NET ou em que qualquer vídeo ou folha de papel colada numa parede 

O atual presidente Xi Jinping fala em socialismo de características chinesas ou em economia social de mercado e defende como ideologia o patriotismo ou nacionalismo com “cursos de patriotismo”  dados nas escolas e universidades, bem como nos meios de comunicação e nas administrações públicas em que a nação chinesa é realçada como sendo já uma civilização superior ao resto do Mundo, principalmente na atualidade sem recurso ao passado histórico que é igualmente exaltado, mas com cuidado. O nacional patriotismo chinês é muito parecido como o nacionalismo japonês como foi descrito por Ferreira de Castro na sua trilogia “A Volta ao Mundo”. 

Mas, o poder político não cessa de se aprofundar e Xi Jinping abandonou o caráter discreto do poder estabelecido por Deng Xiao Ping  desde que no 20º Congresso do Partido Comunista Chinês acabou a limitação a dois mandatos do  cargo de presidente da República, permitindo a Xi Jinping ser um presidente vitalício, dado estar fora de causa a possibilidade ínfima da Assembleia Popular escolher outra pessoa para presidente, salvo numa situação post mortem do atual detentor do cargo. 

Mas, a China não perdeu os seus laivos de totalitarismo sobre a cidadania.  

Efetivamente, desde 2014, os habitantes de certas regiões da China e tendencialmente de todo o país são já submetidos a um sistema de créditos como os condutores em Portugal, em que o acesso a serviços médico-sociais dependem da pessoa que os procura ter nota positiva na sua ficha pessoal dita de crédito social que regista o seu comportamento como cidadão que paga os seus impostos e dívidas e tem um comportamento aceitável pelo poder político. A questão dos pagamentos em ordem foi mais para disfarçar porque o que interessa é o comportamento político que pode produzir notas negativas pela delação de conversas íntimas. Seria exagerado falar de terror de massas, mas os meios informáticos e de observação facial com inteligência artificial permitem a automatização invisível de um certo terror. 

Nas grandes cidades assistiu-se à ascensão de uma nova classe média, já que, como escreveu Karl Marx, a grande indústria e os negócios necessitam de “capatazes” para controlar os trabalhadores que, atualmente, não é apenas isso, mas também técnicos para desenvolver, planear a produção, comercializar os produtos e contabilizar a produção e administradores do espaço público e político. 

 

No Tibete e nas províncias orientais do Xinjiang, as populações tibetanas e muçulmanas Uigures sofrem uma erradicação total das suas crenças, línguas e costumes étnicos com igualmente a ocupação territorialmente crescente dos chineses da etnia dominante Han. Fala-se na existência de mais de um milhão de pessoas confinados em campos de reeducação cultural, linguista e étnica, sofrendo autênticas lavagens aos cérebros sob o pretexto de formação profissional. Sendo minorias insignificantes na gigantesca massa populacional chinesa não são toleradas como seres humanos normais. O poder político desconfia de toda gente e, principalmente, daqueles que resultaram e uma tradição secular ou milenar ligeiramente diferente da etnia Han. A relação de forças não permite fazer algo a favor das minorias e estão entregues ao poder como estiveram os judeus no nazismo alemão. Enfim, Não é por acaso que o homo sapiens sapiens não conviveu muito tempo com o homo erectus, apesar deste último ter ocupado grande parte do planeta durante cerca de 200 milhões de anos. No mal somos todos iguais, exceto uns pensadores que observam o nosso mundo de maneira diferente. 

O regime político da China diz-se comunista, mas cuidado com alguém que o queira ser verdadeiramente. Terá a sorte de Bo Xilai, condenado a prisão perpétua por ter sido um excelente governador da região de Lianing e cultivou um maoismo moderno com música revolucionária nos parques e jardins e muita obra social feita que incluiu grandes bairros para as classes trabalhadoras. Sendo filho do marechal comandante do 13º exército chinês foi visto como extremamente perigoso, apesar da idade avançada do progenitor. Fizeram-lhe a folha e acusaram-no de ter mandado matar um cidadão britânico que pode ter morrido precisamente para o efeito. 

Como se lê na biografia de Mao, a China não mudou radicalmente e os seus mandarins são os Princeling” ou membros do Partido com ascendência familiar no mesmo.  



publicado por DD às 19:58
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