Jornal Socialista, Democrático e Independente dirigido por Dieter Dellinger, Diogo Sotto Maior e outros colaboradores.
Domingo, 23 de Dezembro de 2018
Os Desesperados do Expresso/PSD

 

O Expresso do Sábado (22.12.2018) reflete o desespero de quem quer o caos e a desgraça da Pátria para poder vender mais papel impresso.

O diretor Pedro Santos Guerreiro escreve: “O fiasco das manifestações de ontem dos “coletes amarelos” não é uma vitória dos fatos escuros de gravatas azuis. É só um alívio de sexta-feira”.

O homem acha que não se deve ignorar a “raiva” que não existiu e mostra o habitual em quase todos os jornalistas que é não perceber de números. Mesmo em França foram contabilizadas 283 mil pessoas em várias manifestações. O que é este número comparado com os 20 milhões de eleitores de Macron e o que seriam 50 mil manifestantes em Portugal comparados com mais de 5 milhões de cidadãos que votam nos partidos representados na AR.

As enfermeiras manipuladas pela dirigente Ana Cavaco do PSD são poucas centenas que podem matar milhares de pessoas a prazo ou tornar a vida num inferno devido à falta de uma cirurgia adequada. Julga o Guerreiro que os familiares dessas pessoas e os que se indignam com as já 7.500 cirurgias que não foram feitas vão agradecer ao Rui Rio ou eleger a Cavaco para presidente da República.

O Pedro Santos Guerreira devia fazer as contas às milhares de greves organizadas pela CGTP do PCP durante mais de 40 anos e verificar quais os votos obtidos a mais por um partido que em todas menos a primeira eleição se viu obrigado a esconder o seu nome e a sua foice e martelo atrás de umas siglas como APU e CDU.  Mesmo assim, acho que as greves podem ser úteis aos grevistas, mas nunca aos prejudicados por elas que são em geral outros trabalhadores.

Guerreiro acha que a crescente abstenção resulta do descontentamento de muita gente que deveriam querer uma alternativa que só poderia resultar de um 28 de maio que em 48 anos nada resolveu e deixou a Pátria tão atrasada como em 1926, relativamente ao resto da Europa. A abstenção resulta sempre da chamada “síntese democrática” em que em termos verbais e programáticos no papel todos os partidos tendem a querer o mesmo e dizer aquilo que o eleitorado quer ouvir. Todos querem o progresso, a melhoria do nível de vida, um bom serviço de saúde, boas escolas, etc. Só que o significado de cada afirmação é diferente de partido para partido. Para a extrema esquerda, tudo isso deve passar pelo interesse pessoal de todos os que trabalham para o Estado à custa dos contribuintes. Para um partido como o PS, em tudo deve haver um equilíbrio entre o que se paga e o que se arranca aos contribuintes e para a direita tudo deve ser negócio de investidores, mesmo que o principal seja o Estado Comunista Chinês e hospitais, escolas, meios de transporte só têm razão de existir se derem lucro aos proprietários privados.

As atuais greves hospitalares e as da CP, Metro, etc. têm a vantagem de afastar o grande capital internacional desses “negócios”. Parece que os chineses já estão um bocado arrependidos de comprarem a EDP, tal como os alemães que decidiram que os estrangeiros em relação à EU só podem adquirir 10% das empresas e ativos da Alemanha, medida que aplaudo e que devia ser alargada a toda a União.

Guerreiro cita Louçã que pede à esquerda que deixe de ter vergonha de ser esquerda e Marcelo Rebelo de Sousa que a direita também deixe ter vergonha e assuma os interesses do seu eleitorado. No fundo, o interesse de Guerreiro como empregado do mais antigo militante vivo do PSD é deixar um largo espaço eleitoral entre o centro esquerda e o centro direita para assim ganhar eleições. Mas, o PS não se vai encostar à extrema esquerda nem à direita, limita-se a ficar numa esquerda razoável para todos os portugueses que não estão na luta pelo poder e é isso que tanto atormenta o Guerreiro como o comparsa de página Fernando Sobral.

Sobral fala no “enterro do tostão” e cita 1978 quando o País caminhava alegremente para a primeira intervenção do FMI, mas não diz que íamos acompanhados pela crise da subida dos preços do petróleo e de muitas matérias primas que ao desceram depois fizeram a miséria do Brasil, Argentina e muitos outros países.

Como estamos a caminho de um défice zero nas contas públicas, Sobral torce a realidade e diz “o maior défice é o do pensamento”, claro, principalmente do seu, dado que para ele a Pátria é “o país que dança o giroflé” e acrescenta: “Portugal é um melancólico Jardim da Celeste” e generaliza a queda de um helicóptero em que um piloto imprudente – coitado – levantou ao escurecer com chuva sem ter os instrumentos de navegação noturna. Queria jantar cedo em casa. Como disse Marcelo, isso foi o falhanço do Estado como se não caíssem aviões nos EUA, Alemanha, etc. e a Califórnia não esteve a arder até há bem pouco tempo, queimando milhares de casas e o Tsunami na enorme Indonésia não tenha apanhado de surpresa as populações que viviam rentes ao mar. Sobral deve ser também daqueles que não quer reordenamento da costa com o afastamento das casas que estão demasiado próximas da linha de água.

Se Sobral tivesse lido a revista “Der Spiegel” saberia que também na Alemanha, o Estado nada investiu nos últimos quase vinte anos, um pouco à exceção do leste que nada tinha e que em Berlim estão há vinte anos a construir um aeroporto e tiveram de deitar abaixo o principal edifício porque estava mal construído e não tinha uma proteção contra incêndios, sendo aí que encostariam os aviões.

A Alemanha e a Inglaterra tornaram-se grandes porque tinham ferro e carvão. Portugal quando a civilização dependia da pedra e da madeira foi grande, mas sem carvão e ferro atrasou-se e com uma ditadura de 48 anos inimiga do progresso, isto é, da indústria que empregaria muitos operários dos quais Salazar tinha mais medo do que das cobras com veneno, preferindo que emigrassem ou fossem morrer nas guerras coloniais.

Portugal vive o problema de estar numa Europa dominada pelo povo politicamente mais estúpido do Mundo, o alemão, a cuja raça pertenço, mas não no Cartão de Cidadão em que me orgulho de ser português e porque sei que há apenas uma vintena de nações mais desenvolvidas e mais de 230 em que se vive pior. Até na imensa Rússia cheia de petróleo, gás e todos minerais o PIB per capita é inferior ao Português para não falar no da China que quer conquistar ou comprar o Mundo.

Portugal não é – como diz Sobral – uma flor à beira de precipício e tem muitas possibilidades que até estão descritas no Expresso.

Portugal tem futuro e o combate político é natural em todo o Mundo, salvo nos locais em que populações inteiras são assassinadas. Nas grandes ditaduras mortais, o “Big Brother” está instalado como na China ou na Rússia do Puthitler, como é designado pelos irmãos da Ucrânia que ele gostaria de conquistar, mas não pode por causa do Tratado de Não proliferação de Armas Nucleares que proíbe a conquista dos países signatários que prescindiram desse armamento. Puthitler só pode atuar lentamente através de falsas milícias locais.

Enfim! Conformem-se com o fiasco dos coletes amarelos” e olhem para os novos autocarros amarelos que estão a vir da fábrica portuguesa “Caetano Bus” para a Carris.



publicado por DD às 23:01
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